Página 1 de 6

Religião

MensagemEnviado: 02 Jan 2011, 20:24
por Armitage
Topei outro dia com esse artigo do Shido ( clique ).

Basicamente, ele questiona a inexistência de religião na maioria dos cenários de rpg. O cenário médio tem dezenas de deuses, milhares de spells, milhões de clérigos, trilhões de devotos... mas tudo isso existe num "vácuo religioso" - não há dogmas, não há rituais, não há costumes derivados, e os poucos mitos que existem são genéricos e isolados, não tendo relação alguma com a concepção de mundo dos praticantes. Essa "tradição" começou lá atrás com D&D e o suplemento "Gods, Demigods & Heroes", lançado em 1976.

Imagem

O que acham ?


P.S: nessa mesma época era lançado "Cults of Prax", um suplemento para o sistema Runequest que apresentava a maior parte dos elementos questionados no artigo.Vale a leitura, como contraponto à tradição D&Dística citada acima.

SPOILER: EXIBIR
Imagem

Re: Religião

MensagemEnviado: 02 Jan 2011, 20:26
por Léderon
mas tudo isso existe num "vácuo religioso" - não há dogmas, não há rituais, não há costumes derivados, e os poucos mitos que existem são genéricos e isolados, não tendo relação alguma com a concepção de mundo dos praticantes.


É que os personagens normalmente saem pra matar monstros, não pra ir a cultos. :haha:

Re: Religião

MensagemEnviado: 02 Jan 2011, 21:03
por Lorde da Dança
Mas eles saem para matar cultos

Re: Religião

MensagemEnviado: 02 Jan 2011, 21:54
por Deicide
Eu nunca gostei muito do estilo D&D de religião. Sei lá, a quantidade de deuses, a certeza de que eles existem, o fato de que intervém no mundo terreno.

Eu gostava do cenário de Warcraft porque as religiões eram misteriosas. A "Luz" era uma filosofia, "Elune" não se intrometia no mundo terreno (se é que existia), etc.

No meu cenário caseiro, Anima, resolvi fazer um mundo em que os deuses, se existem, não interferem. Os mortais criaram diversas religiões, e não existe um panteão unificado (a maioria das religiões, como o Culto ao Sol ou ao Deus-mar, é monoteísta, mas não são excludentes, havendo aderentes que seguem mais de uma religião). Ainda existe magia divina, praticada por xamãs e sacerdotes, mas se ela é um presente de deuses ou se é só uma variação do arcanismo ninguém sabe com certeza.

Re: Religião

MensagemEnviado: 02 Jan 2011, 22:30
por Madrüga
Terras Sagradas é praticamente baseado na premissa de que odiamos religiões "D&D-ísticas". Pelo menos estamos tentando criar religiões verossímeis, e mesmo uma monoteísta (que tenta não recair naquele trope de... "crystal dragon"?), regiões que influenciam umas às outras, sincretismo, dogmas, cismas e guerras e expurgos que acontecem puramente por causa da religião. E o cenário não tem um "herp derp mito de criação" porque, igual ao nosso mundo, cada um acredita no seu e ninguém pode provar que está certo... e nem que o outro está errado. Fora que os deuses não interferem no mundo pelo mesmo motivo: um deus existindo seria a prova de que UMA cultura está certa e as outras erradas, e não é o que queremos. Só existe a fé. Os deuses e a origem do universo? Sei lá.

Nibelung vai aparecer aqui para falar de Eberron daqui a pouco. Ou o Elven.

Re: Religião

MensagemEnviado: 03 Jan 2011, 09:17
por Daniel Martins
Nao acho q o d&d seja tao "sem religiao" assim. Acho q depende do mestre, q pode, ou nao, fazer uma abordagem mais seria do assunto.
eh claro q em determinados cenarios a coisa fica meio excrachada, com deuses andando por ai a torto e a direito, e eu realmente nao gosto desse tipo de intervencao divina. Mas o cenario tem base para criacao de ritos e costumes religiosos sim, a diferenca eh q a grande maioria dos jogadores "just don't care".

Re: Religião

MensagemEnviado: 03 Jan 2011, 12:59
por Armitage
Essa discussão tem um pouco a ver com aquela de Tekumel.

Um cenário que siga princípios sociológicos/antropológicos minimamente coerentes (religião incluso) será alienígena para o rpgista médio, que em geral só quer saber de matar monstros com kewl powerz, e não perder tempo aprendendo o funcionamento de mundos diferentes do nosso próprio contemporâneo (o máximo de autenticidade que ele procura num mundo de fantasia é a “maquiagem” – espadas, escudos, castelos – mas se o funcionamento per se desviar do nosso próprio mundo, é considerado “injogável” ou “pouco jogável”).

Não que haja algo errado com isso (cada um se diverte do seu jeito, claro). Mas isso ajuda a entender porque o “vazio religioso” do Deities & Demigods se tornou a norma no hobby enquanto a riqueza religiosa de Cults of Prax não.

Re: Religião

MensagemEnviado: 03 Jan 2011, 13:17
por Daniel Martins
Pois eh. O triste eh q mtos jogadores acabam nao desfrutando d experiencias excelentes,q vem com a imersao,d fato, em um cenario.
Acho que a galera q vem chegando agora, e mtos q ja estao ai ha algum tempo se surpreenderiam em comoficam mais ricas as campanhas onde os jogadores realmente incorporam os personagens e buscam desvendar o mundo e suas peculiaridades, alias eh por isso q edistem tantos cenarios diferentes, para que hajam peculiaridades distintas, e nao somente como desculpa para novoos poderes e classes de prestigio.

Re: Religião

MensagemEnviado: 03 Jan 2011, 13:20
por Agnelo
Creio que ser jogável é tão importante, senão mais do que, ser verossímil.

É totalmente viável criar um cenário com religião consistente e interessante sem que isso inviabilize o jogo. Tem sido um mote em Tsag no último ano, se tu dere uma olhada na seção vais ver que ambos tem andado juntos já faz algum tempo.

Re: Religião

MensagemEnviado: 03 Jan 2011, 13:25
por Lorde da Dança
Meu problema em relação a religião não é a presença ou influência direta dos deuses, mas a falta de práticas religiosas em sí e de funcionar mais como o pacto do bruxo ou a magia do mago do que algo distinto.

Em jogos normais ou até mesmo em um ou outro cenário oficial (além dos cenários de espantalhos) são tratados a personalidade e o feito das entidades divinas, mas só isso. Sua relação com os fieis, datas religiosas, simbolos e até mesmo dogmas. O clérigo só tem de imitar o deus ou bajula-lo e pronto, magia, o anão tem de falar moradin uma vez por dia e o druida tem de falar bem sobre a natureza. Claro, talvez rituais não sejam necessários quando o deus aparece constantemente, mas temos de lembrar que para muitas religiões os deuses tambem tem contato constante e mesmo assim eles param para rezar, sacrificar um boi ou coisas do tipo.

O fato de qualquer um que não possa conjurar cura menor dificilmente serem afetados pela religião. Um guerreiro dificilmente reza (exceto no martial power) e um mago nunca irá gastar seu dinheiro em uma estatua do deus cabeça de cutia. Mas tambem, por que alguem faria isso sem benefício mecânico?

NA verdade, voltando aos cultos malignos, parece que eles foram os mais bem tratados em relação a religião. Eles fazem rituais constantes, tem vestes adequadas para sua religião, tem simbolos próprios, e muitas vezes adoram certas coisas mesmo que não sejam divinas em sí.

Bem, acho que fui redundante e repeti muita coisa já falada. Legal.

Re: Religião

MensagemEnviado: 03 Jan 2011, 14:13
por Leisses
Uai...mas os clérigos não passam uma hora toda manhã rezando? =P

---

Eu nunca gostei muito de religião em RPG porque não gosto muito de religião em lugar algum. Talvez por isso eu não me incomode com essa ausência de religião em meus jogos.

Mas mesmo assim eu procuro respeitar a existência de religião no cenário, apenas tento manter a campanha longe desse aspecto do cenário.

Re: Religião

MensagemEnviado: 03 Jan 2011, 15:14
por Lorde da Dança
Uai...mas os clérigos não passam uma hora toda manhã rezando? =P


O meu problema é que esta reza não possui nada de simbólico ou importante, nem sequer algum ritual próprio. Esta "reza" se trata do clérigo escolhendo suas magias, da mesma forma que o mago "reza" para seu grimório.

Re: Religião

MensagemEnviado: 03 Jan 2011, 20:07
por Deicide
Lorde da Dança escreveu:Meu problema em relação a religião não é a presença ou influência direta dos deuses, mas a falta de práticas religiosas em sí e de funcionar mais como o pacto do bruxo ou a magia do mago do que algo distinto.


Isso me lembra um dos meus personagens favoritos, Calabros En'sof, que usei numa campanha (infelizmente) curta de Ptolus que um colega mestrou (rara oportunidade para mim jogar e não mestrar). Calabros vivia inquirindo sacerdotes e homenageando os deuses. Ele era um personagem temente aos deuses (e seu objetivo era se tornar um!) e pasmem: era um simples "guerreiro" (Oathsworn, de Arcana Unearthed, na verdade), e diversas das ações dele envolvia as crenças que ele ia descobrindo durante a aventura.

Adorava aquela campanha... pena que ficou interminada :triste:

Re: Religião

MensagemEnviado: 03 Jan 2011, 21:30
por Daniel Martins
Deicide escreveu:
Lorde da Dança escreveu:Meu problema em relação a religião não é a presença ou influência direta dos deuses, mas a falta de práticas religiosas em sí e de funcionar mais como o pacto do bruxo ou a magia do mago do que algo distinto.


Isso me lembra um dos meus personagens favoritos, Calabros En'sof, que usei numa campanha (infelizmente) curta de Ptolus que um colega mestrou (rara oportunidade para mim jogar e não mestrar). Calabros vivia inquirindo sacerdotes e homenageando os deuses. Ele era um personagem temente aos deuses (e seu objetivo era se tornar um!) e pasmem: era um simples "guerreiro" (Oathsworn, de Arcana Unearthed, na verdade), e diversas das ações dele envolvia as crenças que ele ia descobrindo durante a aventura.

Adorava aquela campanha... pena que ficou interminada :triste:


tenho um personagem assim na minha mesa atual. Ele começou como guerreiro, mas sua interpretação foi ficando tão apegada aos deuses com o decorrer da campanha que ele passou a pegar niveis de paladino.

Re: Religião

MensagemEnviado: 03 Jan 2011, 21:35
por Armitage
Uau, que irado Deicide. É exatamente isso que estou falando. :aham: