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De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
26 Mar 2011, 18:23
por Madrüga
Bom, pensando principalmente em Terras Sagradas (porque demora, mas não abandono), eu gostaria de perguntar isso pros meus /b/rothers aqui da Spell:
(1) Na opinião de vocês, como é um bom livro básico de cenário? Exemplos de livros?
(2) Quanto é pouco e quanto é muito se falamos de detalhes?
(3) Que estrutura é legal de se seguir?
(4) Quão ligado à mecânica deve ser o livro de cenário?
Acho que só isso. Já dá para partir daí para uma discussão bacana.
Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
26 Mar 2011, 18:43
por Lumine Miyavi
1 a 4) Como exemplos e como um livro básico funcionaria legal, eu cito Eberron como exemplo, é um dos melhores livros de cenário que já li na vida (talvez o melhor).
Viés de Old School, tem o Al-Qadin, que apesar deu sempre zuar, também passa muito bem o clima proposto pras aventuras.
Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
26 Mar 2011, 18:50
por Youkai X
Em um livro de cenário é importante desde o início deixar claro o clima proposto pelo cenário. De capítulos é bom ter o do mundo em si, o de raças (ou culturas), o de adiçòes mecânicas (como classes, talentos do local, regras variantes), de reinos, de regiões selvagens e de ameaças do cenário (tipo monstros e afins). Em termos de detalhes, varia de cenário a cenário. Será que o livro de cenário do Iron Kingdoms pode ser um bom exemplo?
Alguns cenários se valem de pequenos contos pra introduzir cada capítulo e transmitir melhor o clima do cenário, o que eu considero bem válido quando bem feito.
A pergunta que tenho pra TSagr é: O livro básico vai ser só do cenário ou vai ser do sistema e8 também? Ou seria um livro só pro e8 e outro do cenário em si?
Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
26 Mar 2011, 18:53
por Madrüga
Eu gosto da ideia de separar sistema de cenário, embora não seja possível evitar uns crunches no meio do livro de cenário.
Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
26 Mar 2011, 18:55
por Youkai X
Especialmente os crunchs mais específicos de cenário, como mácula/região sagrada ou monstros mais específicos do cenário ou raças. Mas as classes em si, talentos, perícias, combate e outras coisas mecânicas mais gerais poderiam ser em um livro/pdf só do sistema e8.
Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
26 Mar 2011, 19:02
por Batousa
Eu gosto de cenários que deixam a liberdade para usar o sistema preferido, então quanto menor a ligação com um sistema é melhor. Claro que rola de usar o D&D (por exemplo), quando você quer explicar mecanicamente algo que possa existir no sistema.
Mais descritivo menos mecânico.
Quanto a descrição, é bom deixar claro tudo o que tem e como funciona, mas detalhar demais uma cidade ou uma floresta por exemplo, fica chato.
Sempre pensei em um livro de cenário escrito como um romance, contado do ponto de vista de um viajante, que por onde passa descreve o local e os costumes, como se fosse um explorador.
Esse é meus dois centavos

Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
26 Mar 2011, 19:04
por GoldGreatWyrm
De livros somente sobre o cenário, o Living Greyhawk Gazetteer, apesar de ser P&B e ter algumas das piores ilustrações da história, é muito bom.
Tem umas duas páginas dedicadas a dias da semana, festivais e coisas fluffisticas do tipo. Depois mais umas cinco páginas falando como são as raças do cenário - incluindo bugbears e coisas do tipo. E depois mais umas duas páginas com muito texto sobre a história antiga das flanaess, o subcontinente que é o "cenário".
O resto do livro dá visões gerais e históricas dos vários reinos, as relações políticas entre eles, quem são seus regentes, a proporção de raças na população, moedas utilizadas, etc.
O penúltimo capítulo descreve os pontos geográficos.
E o último, finalmente, descreve as organizações do cenário.
O crunch do livro se resume a descrever os NPCs como (CN Human Wiz3/Fig10), e não é nem de longe o foco.
Claro, o LGG tem a vantagem que todo o Core da 3.x era construído para ele, com algumas coisas do próprio cenário indo parar nos suplementos. Por exemplo, o Suel Arcanamarch do Complete Arcane é totalmente enraizado no fluff de Greyhawk.
Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
26 Mar 2011, 20:09
por Lumine Miyavi
Eu ia dizer isso agora, cara. Living Greyhawk não conta como livro de cenário porque já existe todo um sistema PURDETRAZ dele.
Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
27 Mar 2011, 11:19
por AKImeru
Descrição.
Descrição em todos os cantos.
Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
27 Mar 2011, 12:32
por Deicide
Acho que um livro de cenário ideal teria:
- Uma introdução que deixa clara o "clima" do cenário e que tipos de aventuras recomenda-se jogar lá;
- Descrições claras e diretas das regiões, que incluam detalhes gerais sobre geografia, clima, política, cultura e tradições locais, sem muitos detalhes; Detalhes viriam em caixas de textos separadas, usadas para expandir as descrições gerais, evitando excesso de informações ao leitor;
- Descrições, também gerais, de pessoas, organizações e grupos importantes no cenário;
- Exemplos de tramas e ganchos de aventuras para cada região;
- (Não obrigatório, mas um bom bônus): Fichas de NPCs básicos (soldados, bandidos) e de personagens importantes que os jogadores possam encontrar;
- No geral, poucas regras (além das fichas acima citadas);
Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
27 Mar 2011, 12:37
por _Virtual_Adept_
Ganchos para aventura são importantes, mas não devem subestimar a inteligência do jogador (labirinto dentro da estátua da deusa).
Criar locais importantes, descrevê-los detalhadamente, mas deixar espaço para lugares escondidos, desconhecidos.
Acredito que fichas para NPCs não são tão importantes (exceto para sistemas específicos onde essa criação é mais difícil sem uma base, como D&D 4E). Mas é importante detalhar as habilidades deles, para que seja possível adaptar para qualquer sistema.
Fazer paralelos com a Terra também pode ser muito útil (como os suplementos Golden Age, Silver Age e Iron Age, do M&M).
Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
27 Mar 2011, 13:02
por Deicide
Como eu disse, fichas não são obrigatórias, apenas um bom bônus.
Mesmo que o sistema tenha fichas fáceis de fazer, ter algumas prontas vai ajudar muito um narrador ou mestre a mestrar no cenário, pois a parte "chata" (criar fichas para personagens genéricos de uma região) já está resolvida.
Isso, claro, se o cenário for ligado a um sistema específico. Senão, fichas são desnecessárias.
Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
27 Mar 2011, 20:00
por Vincer
Gostei do tópico.
Eu vim revendo meu modo de explicar/exibir ambientação e fiz uma pesquisa... achei boas dicas com os gringos e cheguei a algumas conclusões novas.
Num somatório ao que já disseram nesse tópico(e aqui mesmo na spell, em tópicos antigos): O livro deve lembrar mais um guia turístico com partes que lembrem livro de história(ensino médio) do que uma enciclopédia.
Eu percebi duas problemáticas:
-Tipo de público
-Aspectos da própria ambientação.
-Tipo de Público:
Se o foco é atender a jogadores e mestres ou apenas a mestres. Para o narrador, quanto mais parecer uma enciclopédia bem organizada(com fácil consulta), melhor. Um cenário menos dependente de sistema, onde o sistema esteja fora do livro pode se focar no narrador: ele é capaz plenamente de explicar o jogo aos jogadores, e os mesmos recorrem a outro material para as regras... nesse caso, mais detalhes e descrições é melhor.
MAS, se o livro for voltado para ambos os nichos... mais simples/menos excesso de informações é melhor.
-Ambientação:
O quão familiar é o universo do jogo. Quanto mais ele se assemelhar a gêneros, ambientações e ou estilos familiares(bem consolidados), mais fácil é gerar um material enxuto e equilibrado(que consiga ser acessíve E detalhado).
Como exemplo mais óbvios, um cenário que é 'nossa realidade(alternativa)' não precisa explicar que existem 5 continentes ou o contexto social de cada nação(a não ser que sejam diferentes); Uma 'fantasia medieval' não precisa explicar o que é um feudo ou cavaleiro...
Nos exemplos menos óbvios, vem o feeling e associações subjetivas. Uma nação que lembre bastante cultura X do nosso mundo real precisa de muito menos detalhes para os jogadores/narradores pegarem o feeling. Mesmo onde não deveria ser óbvio o efeito acontece: se você descreve uma raça de 'anões' numa única página, mesmo eles tendo aspectos distintos do cliché a mente humana automaticamente preenche espaços vazios com informações passadas, no caso, toda a associação do leitor com a idéia de 'anões'. Então, mesmo que você não escrava NADA sobre barbas e anões, o leitor fará a associação... a não ser que você informe claramente que seus anões não são chegados a barbas(seja textualmente ou de outra forma; por exemplo, todas as imagens do livro mostrarem anões sem barba).
Eu venho imaginando algumas abordagens diferentes de como apresentar um cenário num livro, mas totalmente experimentais. Se o Spell Press tivesse ido em frente a gente poderia brincar com diferentes conceitos e ver quais dariam mais certo...
Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
28 Mar 2011, 09:27
por arghsupremo
Batousa escreveu:Sempre pensei em um livro de cenário escrito como um romance, contado do ponto de vista de um viajante, que por onde passa descreve o local e os costumes, como se fosse um explorador.
Então leia os Doomsday Gazetteers de Ravenloft. São todos escritos em primeira pessoa por uma sábia que tenta desbravar os domínios.
Re: De que consiste um bom livro básico de cenário?

Enviado:
28 Mar 2011, 13:14
por Cebolituz
arghsupremo escreveu:Batousa escreveu:Sempre pensei em um livro de cenário escrito como um romance, contado do ponto de vista de um viajante, que por onde passa descreve o local e os costumes, como se fosse um explorador.
Então leia os Doomsday Gazetteers de Ravenloft. São todos escritos em primeira pessoa por uma sábia que tenta desbravar os domínios.
Por sinal, a Arthaus tinha uns planos maravilhosos para ela, para encerrar a terceira edição de Ravenloft. Os caras contaram os planos que envolviam a personagem logo depois que terminassem os gazetteers, com uma aventura de finalização.
Tanto que em minha máfia, fiz o enredo como se fosse uma continuidade por um outro destino diferente daquele que os autores tinham em mente.
Fecharia o cenário com chave de ouro.