Óglaigh na hÉireann

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Óglaigh na hÉireann

Mensagempor Lobo_Branco em 01 Mar 2008, 20:11

18/02/1993, Belfast – Ulster

Sean observava o movimento da rua, sentado no parapeito de um prédio condenado. Via as pessoas andarem apressadas, com medo, já que, noites atrás um grupo de Unionistas massacrou uma família em um supermercado ao entardecer.

A policia não mostrava muita ênfase nas investigações, e boatos de uma represália do IRA logo viria, corria pela cidade. A mobilização policial, logo se tornou algo mais militar, não para pegar os Unionistas e sim para prender o maior numero de agentes do IRA.

O Sinn Féin condenou o ato dos Unionistas e a pouca ação policial, porém pediu aos “irmãos” do IRA que nenhuma represália fosse feita, pois eles estavam tentando mobilizar acordos de paz e não a manutenção da guerra. Alegou que os irlandeses não são bárbaros teimosos, apenas teimosos.

Naquele dia vários pontos da cidade, em bairros protestantes e centros comerciais, tinham amanhecido com mensagens pichadas do tipo; “Não somos bárbaros, mais também não levamos na cara”, “Aqui se faz, aqui se paga!”, “Quando a policia se mostra inútil, o Exercito tem que resolver!”, “A proteção em primeiro lugar, não podemos deixar os verdadeiros bárbaros matar mais do que já mataram”.

Vários jovens foram presos, pichadores e inocentes. Eles sofreriam interrogatórios condenáveis pelos direitos humanos, seriam tratados como o pior do lixo, falariam o que sabiam e o que não sabiam. Há maioria realmente não sabia de nada, eram apenas pessoas revoltadas com a situação.

Os Unionistas lançaram uma contra-ameaça, dizendo que assim que tivesse um ataque eles invadiriam um grande bairro católico, queimando, pilhando e matando. A policia notificou não-oficialmente que usaria de medidas extremas para a manutenção da paz. Isso queria dizer que o “descascador” estaria pronto para invadir as ruas.

Sean observava toda a crescente tensão sobre a cidade, o clima de preparação para a guerra.

Preparou seu fumo lentamente, no belo cachimbo de carvalho, presente de seu avô. Procurava pelo isqueiro quando ouviu passos atrás dele. Virou-se já com a mão por dentro da jaqueta, apenas para perceber que era o homem que ele esperava.

- É sempre assim que você recepciona suas entrevistas, Seanny? – disse o velho, com intimidade, apesar de ser a primeira vez que conversa com o ruivo.

Sean o encarou com certa indiferença, virando-se totalmente para o homem. Diferente de Sean, ele estava trajado como se fosse para uma reunião, um terno cinza, calças sociais, sapatos de couro, gravata com o nó bem feito. Tinha uma bela pasta em sua mão esquerda, enquanto oferecia um isqueiro com a direita. Seus cabelos grisalhos e bem cortados, um tanto bagunçados pelo vento, seus olhos castanhos, fundos, vivos, escondidos atrás de uns óculos meia lua.

- Você é sorrateiro MacCurry. - disse Sean, ascendendo seu cachimbo.

O homem sorriu, sentando ao lado de Sean.

- No meio que eu ando é necessário. - sorriu MacCurry - E me chame de Philip.

Sean apertou vigorosamente a mão de Philip, o fazendo mudar um pouco as feições frente à pressão do aperto.

- Bem, vocês políticos não são dados a explodir pessoas, pelo menos não literalmente, mas realmente são mais gatunos do que eu imaginava.

- E então, Seanny, pensou na proposta que eu, quer dizer, que o partido lhe fez? - disse MacCurry, com voz adocicada.

Sean o encarou, depois olhou por cima do ombro, vendo a cidade. Tragou o cachimbo, jogando a fumaça para o alto.

- Não sei se é a hora certa para mudar o campo de atuação, Philip, nem se eu seria levado a serio por vocês políticos. Pelo amor de Deus, eu não sei se sou levado a serio por meus irmãos de armas. - disse o ruivo, coçando seus cabelos.

Philip sorriu, encarando Sean. Retirou os óculos, os guardando no bolso, coçou levemente os olhos com o indicador e o polegar.

- Sabe Seanny, você tem prestigio, muita gente te conhece, muita gente te respeita. Você se tornou uma peça de destaque muito rápido nesse meio conturbado de poderes na Irlanda. Você tem fibra para ‘guentar o rojão, caráter para não ceder aos idiotas da Coroa. Sinceramente, eu acredito que você está perdendo seu tempo nesse meio. Sejamos sinceros, há muito tempo o IRA perdeu seu encanto, há mais “filiais” de vocês que da “Coca-Cola®” e muitas querem apenas lucrar com o tráfico. - Philip pigarreou, vendo certo desgosto no rosto de Sean - Com as articulações que está tendo por toda a Europa, logo será de suma importância tomar outras medidas para garantir nosso sucesso, e para isso será necessário bons jogadores que há muito conhecem esse jogo.

- Você se juntando a nos, não só teria a certeza de continuar na briga, como também estaria mais seguro quanto a sua relação com a policia e o exercito britânico. Eu soube que há agentes do MI atrás de você. - sorriu MacCurry, um mixto de orgulho e temor.

Sean sorriu, dando de ombros, sua face mostrava que ele realmente não se importava com quem estivesse caçando-o, nunca fora efetivamente pego quando criança, não seria agora que era experiente.

- Não me juntaria a vocês apenas para me esconder, MacCurry. Na verdade não tenho ânsias por me esconder atrás de politicagens.

Philip sorriu, olhando Sean.

- Você não estará se escondendo Sean, imagine quantas pessoas realmente pode ajudar com uma única pincelada. Bem mais que você já ajudou com todas as explosões, seqüestros e brincadeiras de bang-bang.

Sean o encarava serio. Não apreciava as brincadeiras que o político fazia, porém tinha certeza que ele tinha alguma razão em muitos pontos.

Levantou-se, olhando a rua abaixou, andou um pouco pelo terraço, sendo observado pelo homem de terno.

- Sabe Seanny, eu nunca imaginei que você ficaria tão igual a seu pai, sempre te vi mais parecido com sua mãe, apesar dos cabelos ruivos. - sorriu Philip - Mas no fim, você se parece com ele em muitos quesitos, pelo que eu pude notar, ao ler a sua história levantada pelo partido e pelo IRA.

Sean parou o encarando, sorriu meio orgulhoso, apesar do pesar em seus olhos azul-acinzentados. Pensou em dizer algo, perguntar sobre os pais, mas não conseguiu, fazendo as duvidas se entalarem em sua garganta.

- Eu, eu vou pensar Philip. Não posso dar uma resposta de imediato. - disse Sean, tentando manter-se sereno.

Philip sorriu, levantando-se. Caminhou até Sean, o dando um abraço paterno.

- Sábia decisão Seanny. Cuida-te, filho. - disse olhando nos olhos de Sean, dando leves tapinhas em seus ombros.

Sean sorriu, voltando ao parapeito, vendo a cidade, que para ele naquele momento parecia mais vibrante, viva.

- Ei Sean, você ainda participa dos mutirões? - perguntou Philip parando a porta que dava para o interior do prédio.

Sean virou-se surpreso, concordando com a cabeça.

- Imaginei. Bem Seanny, seus pais ficariam orgulhosos de você, e por isso gostaria que você continuasse o trabalho do Gerald, onde quer que ele esteja, tenho certeza que seria isso que ele gostaria que você fizesse. Até breve Seanny, se der apareça em uma das reuniões do Sinn Féin. - disse sumindo atrás da porta que se fechava.

Sean sorriu, sentando no parapeito, imaginando se ele realmente podia continuar o trabalho do pai.
"— Nós também éramos crianças, e se eles nos deixaram órfãos, os deixamos sem filhos."(

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Mensagempor Lobo_Branco em 12 Jun 2008, 20:45

10/04/1980, Belfast – Ulster

Já era noite, não havendo mais ninguém na biblioteca ou mesmo no colégio. A bibliotecária responsável deixou os dois únicos presentes responsáveis de fechar a biblioteca e levarem a chave para ela. Não era a primeira vez que Sean e Charles faziam isso.

Enquanto Charles se esforçava para entender aquelas malditas equações, Sean, sentado sobre a mesa, relia a historia da Irlanda.

Charles o lançou um olhar de socorro, arrancando um sorriso sádico do amigo ruivo.

- Vamos Seanny, pare de ler esse maldito livro pela milésima vez e me ajude aqui, assim poderemos ir embora. - disse nervosamente o jovem.

Sean riu, irritando mais o amigo, ainda com suas atenções no livro que lia.

- A coisa é simples Charles, por isso, apenas relaxe, e olhe direito o que você está fazendo. - disse enquanto passava uma pagina - Você tem que vencer esse seu bloqueio a matérias exatas meu bom amigo.

- Bloqueio um cacete! - gritou o jovem de olhos mel - Essa porra simplesmente é impossível!

Sean riu mais uma vez, fechando o livro de historia, marcando a pagina com o dedo.

- Vamos, pegue meu caderno e veja o que você está errando.

Charles sorriu, pegando a pasta de Sean nervosamente.

- Porra ruivo! - disse nervosamente Charles. - Que diabos ta escrito aqui?!

Logo o amigo estava traduzindo as partes em gaélico para o outro, o ajudando a terminar seus deveres.

- Cara, por que diabos você não escreve em inglês?

- Pelo mesmo motivo que você não continua trabalhando nas fazendas dos Estados Unidos. - sorriu Sean.

- É por isso que você só se fode em inglês. - riu o negro, não se importando com o comentário do amigo, fechando o caderno. - Pronto, finalmente podemos ir!

- Aleluia! - gritou Sean levantando os braços aos céus.

Ambos saíram da biblioteca, caminhando vagarosamente em direção a casa onde a responsável pela biblioteca morava. As ruas já estavam desertas por causa do horário, com apenas uma ou outra pessoa vagando por elas.

Os jovens riam, conversando coisas sem importância, fazendo piadas sobre coisas que outros considerariam sérias.

Próximo à casa que servia de destino a eles, Charles parou, cutucando Sean.

- Olha Seanny, aquelas garotas são lá da nossa sala. - disse Charles apontando um grupinho de garotas reunidas numa esquina. - O que elas devem estar fazendo por aqui?

- Procurando por machos desavisados. - sorriu Sean dando de ombros, voltando a andar.

- Espera ai Ruivão, diferente de você eu me interesso nessas garotas. - disse Charles se dirigindo a elas.

Sean suspirou, encostando-se a um poste, pegando um cigarro, o ultimo, em sua cigarreira.

- Que droga, agora vou perder boa parte de minha noite. - reclamou o ruivo, com o cigarro na boca, procurando pelo seu isqueiro.

Ao ascender o cigarro viu a loira que queria brigar com ele no pátio dias atrás. Sean bufou, balançando a cabeça.

- Agora eu perdi minha noite toda – suspirou, erguendo os olhos aos céus.

Charles ainda ficou bons minutos com as garotas, rindo, vez ou outra olhava Sean, e sorria, tendo um olhar de desprezo como resposta.

Charles sorria, e fazia as garotas sorrirem. Vez ou outra elas encaravam Sean, as mais ousadas até mesmo arriscava um aceno, porém, continuavam sem resposta, vendo apenas o ruivo observando a pequena trupe, encostado a parede, fumando seu cigarro lentamente. Por duas vezes Sean pegou a loira o encarando, e em todas as duas o ruivo encarou de volta, a fazendoela desviar o olhar. Não parecia tão valente como no dia que estourou com ele no pátio, ao contrario, parecia até receosa quando olhava para ele.

Sean dedilhava na parede, vendo o tempo passar, seu cigarro já no fim. Charles atravessou a rua, sorrindo.

- Hei Seanny, ta com pressa para ir p’ra casa? - disse o jovem, mostrando uma clara animação.

- Estou sim, Chuck. – bufou Sean, mentindo, já que raramente ia para casa, muito menos nas sextas.

Charles olhou o amigo, sorriu mais uma vez, sabia que Sean mentia.

- Vamos cara, cerveja de graça, mulheres também! Você vai dispensar ambos é?

Sean olhou as garotas no outro lado da rua, coçou a cabeça, jogando fora a “bituca” de cigarro. Suspirou, sabia que ia se arrepender disso.

- Para onde você quer ir Chuck? - perguntou Sean, arrastando a voz.

- Não sei, ai você quem diz. Alguns caras do colégio irão aparecer mais tarde, elas ‘tavam dizendo que iriam a um pub, depois há um local especial.

Sean o olhou de rabo de olho, gostando menos ainda da idéia de sair com esse grupo colegial.

- Que caras, Charles? - indagou já impaciente.

- Não faço idéia Sean. - deu de ombros o jovem negro - Porém, elas querem que você vá. Sabe, você pode transformar a noite em algo emocionante. – sorriu.

- Elas nem imaginam o quanto. Bem, eu vou entregar a chave da biblioteca, caso vocês ainda estejam aqui, eu vou com você. Adeus! - disse Sean se afastando.

Charles ficou observando o amigo se afastar, sabia que ele não voltaria por ali, o que não iria fazer bem aos planos dele, porém ele sabia que Sean não era muito sociável, e muito menos de temperamento fácil de se lidar, ainda mais quando irritado. E ele percebeu que o ruivo estava se irritando.

Deu de ombros para as garotas, atravessando a rua, voltando para explicar a situação a elas.

Sean caminhava tranqüilamente, depois de ter virado a esquina a passos largos. Assoviava uma musica qualquer, indo em direção a rua onde morava a bibliotecária. Parou em uma pequena tabacaria de onde era “cliente”, comprando mais um maço de cigarros.

Quando estava abrindo o mesmo, percebeu alguém lhe olhando a uma distância de alguns passos.

Com surpresa viu a loira e mais uma garota, uma morena de cabelos curtos e óculos finos, o observando.

Seu humor voltou a sofrer uma pequena queda.

Por um momento decidiu ignorá-las, enquanto colocava seus cigarros na cigarreira. Via-as de canto de olho, ainda imóveis, cochichando alguma coisa. Bufou.

- Posso ajudá-las de alguma forma? - disse secamente, enquanto levava o cigarro até a boca.

Elas se entreolharam, voltando a olhar Sean. Os três jovens mantiveram-se parados. Sean ascendeu o cigarro, deu de ombros e continuou seu caminho.

- Ei, ei, espera! - disse Jane, dando alguns passos em direção a ele.

Sean olhou por cima do ombro, esperando ela continuar.

- Bem, err, Charles, disse que seria bom se alguém te acompanhasse.

- Ele disse isso foi? - suspirou Sean, sem acreditar.

- Sim. - disse a morena, ainda parada no mesmo lugar.

- Bem, vocês fazem o que quiserem. Apesar desse não ser um país livre. – disse dando as costas em meio a um suspiro irritado.

Sean continuou sua caminhada, sem prestar atenção na presença das garotas.

Eles caminharam até a casa. Uma bela casa ao estilo vitoriano, com um extenso jardim e um pneu servindo de balanço na árvore à frente. Sean atravessou todo o jardim sendo acompanhado pelas garotas, parou frente à porta, tocando duas vezes na campainha.

Depois de uma breve espera, a qual Sean aproveitou para apagar o cigarro e colocá-lo no bolso, a porta se abriu, revelando uma senhora de camisola, xale enrolado aos ombros e um sorriso jovial.

- Demorou desta vez, hein senhor O’Falloein? - sorriu ela, dando espaço para Sean entrar.

Sean sorriu, um tanto tímido, mantendo-se parado frente à porta.

- Culpa do Charles, senhora Relly. Bem, já estou indo, mais uma vez muito obrigado. - disse Sean, girando nos calcanhares.

- Espere Sean, haverá distribuição de sopa nesse fim de semana? - perguntou ela caridosamente.

Sean concordou com a cabeça, fazendo a senhora bater pequenas palmas, sorrindo.

- Então estarei lá, com toda a certeza!

Sean sorriu amigavelmente.

-Virei buscá-la as sete então. Até mais ver, senhora Relly, tenha muitas boas noites! - disse, voltando sua atenção ao caminho da saída, dando de cara com duas garotas surpresas.

- Como assim distribuição de sopa? - indagou Jane, descrente.

-Como assim, “como assim”? - disse Sean dando de ombros – Existem alguns, desconhecidos aos ingleses e protestantes, que são caridosos para com os humildes; distribuem sopas, agasalhos et cetera. Há uma paróquia, onde eu ajudo nas distribuições.

Jane olhou-o surpreso, sorrindo levemente. Olhou a amiga, que a encarava com um olhar como se dissesse “eu não lhe disse?!”. Sentiu vergonha por não esperar que alguém como ele fosse capaz disso.

Eles caminharam até próximo de onde estava o grupo, Sean parando subitamente, pegando mais um cigarro.

- Deveria parar de fumar, isso vai matá-lo. - advertiu a bela loira.

- Sua gente fará isso antes. Bem, estão entregues. - disse Sean, tomando outro rumo.

As duas jovens mantiveram estacadas no mesmo ponto, até ouvirem o chamado de um dos rapazes que estava no grupo. A loira começou a caminhar até a trupe, enquanto a morena correu na direção em que Sean ia.

- Nos vemos amanhã Jane. - gritou ela, com um sorriso maroto nos lábios.

Ela encontrou o ruivo parado num telefone público, falando em gaélico. Ela parou ao seu lado, esperando ele terminar.

- Hei Sean, me leve até em casa? - pediu ela, manhosamente.

Sean sorriu, a averiguando.

- Realmente quer que eu a leve até em casa? - sorriu cinicamente, avaliando-a mais criteriosamente.

- Não - sorriu a jovem moça - Me leve até onde possamos nos divertir, senhor samaritano. - brincou a jovem.

Sean sorriu, nunca antes o tinham chamado de samaritano.

- Vamos ver se garotas ricas sabem beber.

Então eles caminharam juntos pelas ruas de Belfast.
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Mensagempor Froghp em 28 Jun 2008, 22:04

Lobo,

Morou ouy mora aki na Irlanda???
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Mensagempor Lobo_Branco em 25 Set 2008, 22:51

Infelizmente não, nunca sai do Brasil. Meu conhecimento da Irlanda é puramente "virtual-literário", tenho uma certa paixão pelo Eire, sua historia e a causa do Sinn Féin e grande interesse pela historia do IRA - apesar de saber bem menos do que gostaria.

Depois de um longo tempo, irei voltar a postar, e espero que com intervalo menor dessa vez.

Abraços!


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27/10/1981, Belfast – Ulster

A escola estava interditada, o carro do diretor havia explodido junto com o bater do meio-dia. Um dos alunos ficara ferido, sendo atingido na perna por um estilhaço.

A polícia estava no local, fazendo o interrogatório de alguns alunos. Sean estava na sala do diretor, juntamente com uma inspetora e seu parceiro.

Apesar dos olhares dos policias caírem tiranicamente sobre Sean, eles nada falavam. O diretor fazia um discurso sobre os valores dos bens e da vida, que Sean devia parar com isso, que deveria dizer o que tinha feito e o porquê.

- Pela ultima vez, não fui eu. – disse friamente o jovem ruivo - Não tenho motivos para explodir seu carro senhor McDonnus, e se o fizesse, o faria com o senhor dentro.

O diretor ficou sem reação, enquanto os policias sorriram satisfeitos com o que ouviram. Tinham estampados na cara o sentimento de que o caso havia sido resolvido.

O policial gordo tocou no ombro de Sean, que apenas o olhou por cima do próprio ombro. Não fez menção de levantar-se.

- Sinceramente, vocês deviam estar procurando com os outros idiotas que estudam aqui. Saber onde eu estava. Que caralho, chequem com a senhora Relly, eu a estava ajudando quando ocorreu à maldita explosão, e antes tinha passado a manhã toda com ela.

- Menos pela faixa das 8 as 9, não é mesmo? - disse educadamente a inspetora. - E também não estava na sala assistindo a aula.

Sean suspirou, sorrindo de canto de boca. Não parecia preocupado com tudo aquilo.

- Estava fumando no banheiro da ala sul, que está interditado desde que ocorreu um incidente mês passado. Incidente esse que fez vocês andarem por aqui, vez ou outra.

- Havia alguém com você? - inquiriu o diretor.

Sean balançou a cabeça lentamente.

- Bem garoto, sendo menor ou não, você virá conosco. – disse o policial, levantando Sean bruscamente - Nós temos meios de tirar a verdade de terroristas. - sorriu sadicamente o gordo, fazendo o diretor empalidecer.

Sean riu. Muitos diriam que ele estava fazendo aquilo por nervosismo, ou simplesmente para irritar o policial, porém ele apenas achou graça de tudo.

Saiu da sala do diretor aos empurrões, sendo segurado pelo braço fortemente. Avistou Robert e sua “gangue” rindo dele. Teve ânsias de partir mais uma vez a cara daquele “gordinho”, porém se conteve, apenas a lhe mostrar o dedo do meio.

- Vai virar mulherzinha de bandido, O’Falloein, como sua mãe! – gritou Robert, sentindo-se seguro no corredor.

O que aconteceu depois fora muito rápido. Talvez rápido de mais até mesmo para Sean.

Num giro, Sean livrou-se do aperto do policial, empurrando-o sobre a inspetora, os desequilibrando. Aproveitou o movimento para desferir uma cotovelada certeira, esfacelando o nariz de uns dos “seguranças” de Robert, fazendo-o cair, jorrando sangue. Com uma das mãos puxou outro “segurança” pelo cabelo, fazendo sua face ir de encontro ao armário, amassando gravemente ambos.

Puxou Robert pela gravata, girando-o, enrolando a gravata firmemente em seu pescoço. Chutou com toda a força a articulação do joelho do jovem, o fazendo cair de joelhos, apertando mais a gravata. Apoiou um dos braços contra a nuca do “gordinho”, empurrando-a, enquanto puxava a gravata com a outra. Os olhos de Robert estavam esbugalhados e vermelhos, seu rosto ganhava um leve tom roxo, enquanto ele babava e chorava, tentando sem forças se livrar da “forca” que estava.

Sean parou com uma forte pancada no rim, caindo quase que imediatamente. O policial gordo sorria com o cassetete em mãos, enquanto a inspetora socorria Robert, que ameaçava perder os sentidos, lacrimejando, vomitando. O medo tivera sido tanto que ele tinha urinado nas próprias calças.

Sean contorcia-se no chão, com a mão sobre a região da pancada. Brigara muitas vezes, porém nunca tinha sentido um impacto tão grande, dor tão profunda.

Mal sentira o chute que recebera de outro membro da gangue de Robert.

- Droga Henry, controle essa porra toda! - gritou a inspetora.

O policial afastou os jovens, depois ajudou Sean a levantar-se, com a mesma delicadeza que usa para erguer sacos de batata.

- Gostou ruivinho, tem muito mais para você na cadeia. Muito mais. - sussurrou sadicamente ao ouvido de Sean.
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Mensagempor Lady Draconnasti em 25 Set 2008, 22:57

Djilicia...
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