Amigos, mil desculpas. Pedi aquele prazo extra para completar minhas atividades da facu e, em pleno sábado, fiquei sem internet.
Hoje o serviço retornou, então, sem mais delongas, minha contribuição.
P.S.: Obrigado pela prorrogação.
P.P.S.: Alex, valeu =)
Capítulo XI
A Guerra dos Sonhos: Crônicas de Contonópolis
Quando o Sapo Vira Príncipe
Não tardou até que os aliados pudessem sentir o fresco ar do bosque e contemplassem a trilha aberta por entre as árvores.
Dahak andava com dificuldade, precisava ser auxiliado para caminhar. A trilha era extensa e, em determinado momento do percurso, Gehenna passou a apresentar sinais de cansaço, os quais também acometiam o Lobo Branco.
Elara, percebendo a situação que se instalara, indagou Ermel:
- Por acaso esse estado de nossos amigos tem a ver com os ataques de Ronaldo?
- Sim! Gehenna e Lobo são dois escritores ativos que estão dividindo uma única unidade criativa. A energia é suficiente para mantê-los vivos, mas em uma situação mais quiescente, com toda essa tensão...
Draconnasti não precisou esperar Ermel terminar para constatar o restante:
- Com toda essa tensão, eles estão consumindo mais energia, e como a fonte é única, não está suprindo os dois.
Ermel balança sua cabeça em sinal de confirmação quando, contra sua vontade, volta a assumir sua forma humana.
Dahak balbuciava algumas coisas quase inaudíveis, mas audição dracônica foi capaz de entender:
- Ele está dizendo que o bosque é um dos locais de Contonópolis no qual não funcionam poderes mágicos.
Isso nos torna alvos fáceis – ressaltou Elara.
Os efeitos lupinos sobre Gehenna vão desaparecendo, ao passo que o Lobo também vai se humanificando, e, percebendo a situação, dirige-se a Ermel:
- E quanto ao Dahak? Por que ele esssstá definhando tão intensamente?
- Bem, as energias dele demandam das bolas...
Antes que Ermel prosseguisse, foi novamente interrompido e novamente pela Draconnasti:
- Escondam os enfermos, tem alguém se aproximando!
A rainha dracônica sabia ser bem ameaçadora, ainda que não metamorfoseada em dragão. Passados alguns segundos, vindo pelo sentido oposto da trilha, o rosto de Malkavengrel é reconhecido.
Elara dá um abraço no amigo e logo percebe que o mesmo estava ardendo em febre.
Os aliados, agora com Malka, resolveram prosseguir pela trilha. O ritmo de caminhada era lento, até que Gehenna interrompe o silêncio:
- Isso não está dando certo. Nós estamos atrasando vocês.
O Lobo prontamente concordou e disse que sequer sabia para onde estavam indo.
Um novo momento de silêncio pairou, o qual foi interrompido por Dahak:
- Eles estão certos, nós estamos atrasando o grupo e a missão é urgente. Contonópolis não pode cair!
Elara franze a testa e diz:
- Nem pense em sugerir que os larguemos aqui.
- Calma minha rainha, não pretendo ser largado também. Mas temos de vencer essa guerra de qualquer forma.
- O que você tem em mente? – pergunta Draconnasti.
Enquanto isso, no Palácio de Contonópolis, Ronaldo instalou-se na biblioteca procurando por algumas runas que o antigo magistrado Sax havia lhe comentado – elas seriam capazes de lhe prover vida eterna através das personagens das histórias criadas.
Ademais, os poderes de Ronaldo estavam muito incrementados, todo habitante que tivesse sua criatividade roubada tornar-se-ia, a partir de então, suscetível à vontade e ordens do devorador.
Era o começo do caos, bastava tocar as personagens criadas para que perdessem sua vida em detrimento à vida eterna de Ronaldo. E todo contista atacado por ele seria um novo contista colocado como seu súdito.
Era questão de tempo para que a situação fosse insustentável...
Os aliados debateram até que fomentaram um plano que soava consistente. Elara e Draconnasti seguiriam para a Arena do Penas & Espadas. É importante que um dos símbolos de Contonópolis estivesse aos cuidados de suas regentes, para servir de abrigo para os que lutam contra a derrocada e para sediar a batalha final, para que não se alastrasse por todos os cantos da cidade.
Ali elas teriam grande vantagem contra os comparsas de Ronaldo. As personagens sobre seu controle não seriam páreas para as rainhas, e os escritores dominados não tinham mais criatividade, exceto àqueles que se entregaram por opção. Esses poderiam causar problemas. Mas ainda era a melhor opção.
Gehenna, Lobo, Ermel, Dahak e a trupe de personagens seguiriam para o Bairro dos Poemas, lá já havia sido foco dos ataques de Ronaldo, então deveria ser um local mais ou menos seguro.
A idéia é que mergulhassem no Zaratrusca’s Lake até a passagem para Poemópolis, onde poderiam recrutar forças que os reabilitassem para a batalha eminente.
Quando as forças fossem restauradas, poderiam pensar em como reaver a arma que poderia findar com a ameaça Ronaldo, aquela que Daniele perdeu...
Com o plano traçado, Elara e Draconnasti foram para a arena. Podiam se deslocar muito mais rapidamente agora e não tardou até que chegassem até lá, bastaram algumas horas. A arena estava vazia, espreitando pelo próximo embate.
A segunda parte do plano, no entanto, não saiu exatamente como planejada. O percurso que os heróis pegaram rumo Poemópolis era muito mais extenso que o caminho que as rainhas pegaram.
Adentrar mais no bosque impediria todo e qualquer ato de magia, o que representava uma defesa para os contistas. Apenas magias do mais alto calibre e respaldo teriam utilidade naquele percurso, além disso, pouquíssimos tinham gabarito para tanto poder.
O percurso tomaria três dias, e o inesperado ocorreu na noite do primeiro dia: Ermel sumira na noite anterior.
Lobo vociferava dentro do que suas condições permitiam:
- Maldito sssssapo traidor. Deveria ter dado uma amossstra do que meusss dentesss ssssão feitosss!
Gehenna, tão irritado quanto, completa:
- Antes ele fosse bravo como Faprasem, o intrépido, que caiu em combate, mas que até o último segundo lutou sem titubear.
- Dahak, o que você acha disso?- indaga Malka com um semblante de dúvida.
A resposta, no entanto, veio com o silêncio do rei e uma feição preocupada.
- Sem o Ermel, não há contistas aqui em condição de comprar uma briga, nossas proteções se resumem a Daniele, Chuc... – Malka dizia quando o próprio se interrompeu e completou:
- Vejam! Eles estão virando pedra!
Na noite antecedente, durante o turno de vigia incumbido à Ermel, Dahak se aproximou:
- Amigo, o que você descobriu sobre o plano do Ronaldo?
- Ele quer toda a criatividade de Contonópolis, seu próximo passo será se tornar imortal.
- E como ele ficou sabendo que isso é possível?
- Ele pegou o Sax. Ele está tão forte agora que todas as suas vítimas se tornam seus escravos.
- Entendo... Bom, eu preciso de um favor seu...
- O que quiser.
- Eu contei para as rainhas que você sempre esteve conosco, mas não podíamos contar aos demais por medo que fossem capturados, então era preciso fingir.
- Eu sei amigo, eu sei.
- O que elas não sabem é que eu não sei se conseguiremos chegar ao lago...
- Como assim?
- Essa missão pode não ser completada, pode ser suicida. Mas essa missão não pode falhar e não vai falhar, é por isso que preciso mais uma vez que você use de todos seus conhecimentos adquiridos nesses seus anos de cinéfilo para enganar a todos.
- É só falar o que precisa!
- Volte ao palácio e delate essa parte do plano...
- Mas isso é de fato suicídio! – interrompe Ermel.
- Calma, deixe-me explicar... O Lobo acha que alguém está nos seguindo, provavelmente algum comparsa de Ronaldo. Volte ao palácio sem que te notem na floresta. Ao chegar lá, diga que estaremos nas proximidades do Zarastrusca’s Lake daqui a quatro dias.
- Mas e se estiver alguém seguindo vocês, como farão para se defender sem um contista para ajudá-los?
- Não se preocupe, vou desviar o caminho um pouco e encontrar meu amigo Lorde Asriel. Ele é um homem de muitos contatos e certamente nos dará cobertura.
- Certo, mas o que faço além de delatá-los? Ainda não parece muito inteligente...
- Poderemos bater parte dos emissários de Ronaldo à beira do Zarastrusca’s Lake, dependendo de como nos sair, podemos até defrontá-los assim que entrarem no Bairro dos Poemas.
- Hun... Está soando mais plausível...
- Você lembra onde você costumava guardar seu anel de magistrado, meu caro rei Sapo?
- Lembro sim. Por quê?
- Vá, pegue-o escondido. Ele contém uma palavra mágica...
- Ah sim, me lembro. É a palavra que permite usar ativar um pergaminho sagrado, certo?
- Sim! Não podemos deixar Ronaldo se tornar imortal, ou sua ameaça nos espreitará para sempre.
- Hun... Mas o pergaminho está no palácio?
- Não amigo, você terá de voltar para a floresta e pegar a trilha até o Vulcão Firewings, no Vale Cavolcano.
- Oh! Então está com o Volcano?
- Sim. Nosso ígneo amigo tem a urna com o pergaminho. O anel é a chave, e nele está a palavra mágica.
...
Lobo olha para Daniele e diz:
- Ainda que petrificada, você esssstá linda minha fada.
Ermel havia conseguido. Chegou até Volcano, abriu a urna e, ao dizer “Mirallatos”, teve seu desejo concedido – transformar em pedra todas as personagens de Contonópolis.
Mas os contistas não podiam saber, não ainda. E assim, apesar da dor ser visível, de ser o semblante dos contistas, eles precisavam prosseguir e, após algumas conversas, decidiram desviar o caminho para encontrar Lorde Asriel. Ele havia se ausentado de sua taverna porque estava envolvido no financiamento de produção de algumas máquinas com Alex, um promissor cientista recém chegado a Contonópolis.
E era atrás dessas máquinas que os Aliados estavam atrás...
O poder da Desejo Restrito foi insuficiente para petrificar aqueles que já estavam na esfera de influência de Ronaldo. Mas este não venceria calcado na essência das criações de Contonópolis, estas, apesar dos pesares, apesar de petrificadas, estavam a salvo de Ronaldo.
Volcano Firewings, o mago ígneo, juntou-se a Ermel na empreitada. A sorte não havia abandonado os Aliados por completo...