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Esperança

MensagemEnviado: 16 Jun 2009, 00:23
por Emil
Continho que escrevi pro concurso da revista Piauí e agora que acabou o prazo eu posso contar pra vocês [que não serão mais concorrência (se serve de consolo, eu não acho que consegui mandar a tempo)].

Pra saber do que se trata(va):
http://www.revistapiaui.com.br/edicao_3 ... _2009.aspx

Ou só pra saber em que imagem ele é inspirado:

Imagem

Esperança

MensagemEnviado: 16 Jun 2009, 00:24
por Emil
Esperança

Eu esperava qualquer reação forte e absurda – lágrimas, objetos ou gritos arremessados, uma gradação de surpresa até o desespero a plenos pulmões – quando dei a notícia. Ela apenas tirou um maço de cigarros de uma das gavetas da mesa de cabeceira sem cabeceira como companhia. Acendeu o seu e entregou-me um, ainda em silêncio, e eu aceitei sabendo que não tinha outra opção.

Sentou-se na única cadeira da sala onde dera os últimos retoques no vestido, e fumou aquele primeiro cigarro inteiro, olhando pensativa para nenhum lugar, sem dizer única palavra. Sentei-me no chão, desconfortavelmente apoiado contra a parede, as costas um pouco curvadas, uma pouco menos que curioso sobre o que se passaria em sua cabeça.

Eu sempre soube que nunca aconteceria, e foi tudo o que ela me disse a respeito do acontecido. Depois conversamos sobre quaisquer trivialidades que fossem – as horas, o tempo, o trabalho –, enquanto dividimos o cigarro falado. Fiquei sem saber se ela quis dizer que já esperava aquele ele não vem sair da minha boca ou se apenas estava preparada para o abandono repentino.

Não tínhamos mais nada a dizer – eu mal a conhecia, fora escolhido pela outra metade do casal. Tive que passar por cima de dela para sair pela porta, concentrada no teto e naquele olhar que entregava: a solidão era seu hábito e seu presente eterno para mim.