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Ah, Moreninha...

Enviado:
01 Dez 2009, 19:11
por Heliot
Conto pouco refletido/revisado.
Ah, moreninha...
“Olha só praquilo...”
Ela tava passando de novo. Andando daquele jeito que só ela consegue. E o coitado do Guto tinha que assistir calado. Maldade! E pensar que tudo aquilo podia ter sido dele! Ô ingrata!
Ele até agora num tinha entendido. ela menina, Ele homem. Ele homem, ela mulher. Ele homem, ela mulherão. Ela mulheraço... e ele. Tristeza!
O pobre até que tentou, mas num deu. Só que ele não quis saber de outra. Tinha alguma coisa no sabesselaoquê dela que deixava o borogodó dele tinindo (coisa rara). Era que nem ver uma pintura: você olha de cima, olha de baixo, olha com cuidado, tenta tocar - mas o segurança num deixa - e no final, abre um sorriso besta e diz "Bem que eu queria ter pintado...". Quando ela passava, ele nem queria se segurar. Queria era segurar outra coisa! Com ele num tinha essa de Romantismo. Foi chegando, chegando, de mansinho...
“Eaí, beleza?”
Ela nem deu bola.
O Guto morreu. Escreveu um livro e morreu. Num lembro do quê. Mas também num importa, num é do Guto que eu quero falar. Tem coisas que passam na vida que a gente só pode mesmo é olhar.
Olha só praquilo...
Ah, Moreninha...

Enviado:
03 Dez 2009, 20:16
por laharra
Belo jogo e escolha de palavras... Se o conto foi pouco refletido, pelo menos deu pra fazer refletir legal...
Ah, Moreninha...

Enviado:
03 Dez 2009, 21:59
por Emil
Achei bem gostoso, adorei o final. Acho que a única coisa que eu criticaria seria a escolha de algumas palavras... Sabe quando você vê um filme ou lê um livro com personagens adolescentes, e eles falam "caraca, sinistro, radical"... e você pensa "putz, ninguém fala assim". Então... Mas fora isso, muito bom.
Ah, Moreninha...

Enviado:
04 Dez 2009, 17:23
por Heliot
Agradeço os comentários.
Como eu falei, o conto não foi tão trabalhado quanto poderia ter sido. Fiz em cerca de uma hora, depois de ter pensado numa comparação cretina entre uma mulher e uma pintura (que por sinal aparece no conto) e de ter lido as primeiras páginas de um romance do Joaquim Manoel de Macedo. Pulei para o capítulo final e quase dei um tiro na boca ao perceber como acabava. Repentinamente, senti vontade de escrever alguma coisa que fosse diferente daquilo, e deu no que deu. Joguei na internet logo depois. Agora que me sinto vingado, posso ler o romance em paz.
Ah, a linguagem popular forçada não ficou boa mesmo. Numa revisão mais atenta, eu teria tirado uma coisa ou duas dali. É que eu queria conferir uma certa agilidade à narrativa, e isso é bem mais fácil de se fazer com a fala coloquial (ou qualquer outra que não seja a fala culta). Como a proposta já era deixar de lado a atmosfera conservadora das estórias de amor, não vi problema nisso, mas acho que não soube usar direito.
Ah, Moreninha...

Enviado:
08 Dez 2009, 13:34
por Lady Draconnasti
Por curiosidade, qual é o romance que você teve vontade de se matar com o final?
Ah, Moreninha...

Enviado:
08 Dez 2009, 14:02
por Heliot
A moreninha

Ah, Moreninha...

Enviado:
07 Mar 2010, 23:41
por Dahak
Boa noite Heliot.
Tudo bem?
Poxa, um conto curtinho, gostoso de ler e bem pensado.
Fora que acho que todo ser humano já teve um dia de Guto em relação a alguma moreninha por aí (se vier com um par de olhos claros, melhor ainda).
Tem algum motivo pro primeiro "ela menina" vir em minúsculo?
Destaco também o bem pensado e perspicaz jogo de palavras.
Até mais.
Ah, Moreninha...

Enviado:
01 Jul 2010, 19:25
por Heliot
Caramba, faz tempo que eu não visito o fórum, acabei não reparando no seu post, Dahak. Desculpe a demora.
Sim, o "ela" com letra minúscula foi intencional. Se não me engano, eu quis resumir a história do Guto e da moreninha com poucas palavras. Os pronomes na cadeia de frases que começa com o "ela menina" representam os dois personagens em diferentes fases da vida. Eu poderia me parafrasear dizendo que os dois se conheceram quando ela ainda era jovem e ele já era um homem feito, em pleno auge (o "Ele" com maiúscula depois de vírgula também foi intencional), depois, enquanto ela se tornava uma mulher, ia ficando à frente dele (inverti a ordem dos termos) e evoluindo (mulher-mulherão-mulheraço). Finalmente, quando a moreninha alcança o auge, o Guto já não está mais... ativo. Perceba que o pronome perde o predicado de "homem".
Acho que foi isso.
Até!
Ah, Moreninha...

Enviado:
13 Jul 2010, 11:21
por Galtor_rj
Também gostei muito, cara. Se a galera diz que o tipo de vocabulário poderia ser melhor pensado, pelo menos se mantém uniforme durante toda a história. É uma pena que tenha sido tão curto!
