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Acorde!

Enviado:
10 Fev 2008, 23:07
por JOE_KR
Acorde!
Perante o corpo estático
de face pálida, lábios roxos
esboçando um sutil sorriso
e pálpebras repousadas -
como se, vivo, dormisse
e, dormindo, sonhasse
e, no sonho, se deliciasse
- Paraliso-me perturbado
Ah, revoltante paz!
Da tumba que agora jaz
desejo mandar-te levantar
ordenar aos berros que acorde
Mas nada faço
apenas, parado,
fito com olhar perdido
o tranqüilo finado
*****
Esse poema se inspira tanto numa experiência marcante que tive faz um ano e pouquinho quanto numa crônica que escrevi e postei no meu blog chamada O defunto num caixão.
Espero que apreciem ;-)
Falow e té +!!!
Ass.: JOE K.R [antes que me perguntem, sim, o defunto era alguém próximo e querido]
Acorde!

Enviado:
12 Fev 2008, 14:24
por Elara
o.O
Que poema forte, Joe. Em se tratando das motivações que o fizeram escrever, prefiro não comentar muito.
Vale dizer que possui sentimento, e dos outros trabalhos seus que tive oportunidade de conhecer, este foi o mais bem trabalhado em ritmo e verso, na minha opinião.
Um chero!
Acorde!

Enviado:
21 Fev 2008, 00:31
por Dahak
Antes de mais nada, meus pesames.
Nunca, nunca é fácil. Não importa a situação ou o que nos dizem.
Nunca é fácil.
Mas também é inegável o quanto a dor tem capacidade de originar belos trabalhos.
Essa poesia está em uma liga completamente diferente das outras que você escreveu. Outro nível.
Parabéns pelo trabalho, por mais que ele tenha sido "custoso".
Abraço.
Dahak Out
Acorde!

Enviado:
27 Fev 2008, 19:22
por JOE_KR
Koé!!!
Elara,
Muito obrigado!!!
É, em questões de ritmo e verso foi o melhor mesmo, mas acho que já tive trabalhos melhores em conteúdo.
Dahak,
Sim, a dor é inspiradora.
Como acho que já comentei contigo, as tuas observações serviram de parâmetro para a elaboração deste poema. Tentei me focar numa ligação entre os versos que fizesse o conjunto não soasse várias "frases soltas".
Falow e té +!!!
Ass.: JOE K.R [que teve outras experiências fortes recentemente que, futuramente, poderão inspirar outras obras...]
Acorde!

Enviado:
28 Fev 2008, 10:39
por Cyrano
Fala JOE, beleza?
Cara, o poema é realmente forte e passa muito do sentimento do eu-lírico (que, por sinal, é você). Sem dúvidas experiências marcantes servem como fonte de inspiração, e creio que muitas vezes escrever sobre o assunto ajude a aliviar a dor.
Entretanto sua escrita não revela raiva e indignação. Talvez na parte em que o eu-lírico sente vontade de gritar. Até mesmo a tristeza está descrita de forma sutil. O que mais me tocou na escrita foi a tranqüilidade, como se após uma batalha pela vida de ambos (eu-lírico e a pessoa falecida), a morte selasse não uma derrota, e sim o momento de descanso.
Abraços!
Acorde!

Enviado:
28 Fev 2008, 13:40
por Vatek
Entretanto sua escrita não revela raiva e indignação. Talvez na parte em que o eu-lírico sente vontade de gritar. Até mesmo a tristeza está descrita de forma sutil. O que mais me tocou na escrita foi a tranqüilidade, como se após uma batalha pela vida de ambos (eu-lírico e a pessoa falecida), a morte selasse não uma derrota, e sim o momento de descanso.
Pensei na mesma coisa, mas o poema não deixa de ser lindo. Os versos, as frases... tudo em harmonia!
Parabéns.

Acorde!

Enviado:
28 Fev 2008, 14:42
por Speranza
Muito bom!
Gostei demais da primeira estrofe, especialmente da parte:
como se, vivo, dormisse
e, dormindo, sonhasse
e, no sonho, se deliciasse
A segunda estrofe também é muito boa, passa revolta e angústia.
Detalhezinho: não gostei muito da última estrofe, acho que ela não tem tanto poder quanto o resto do poema. Acredito que ele poderia terminar muito bem na segunda estrofe (aproveitando que ela termina com a palavra do título).

Abração, e parabéns!
Acorde!

Enviado:
29 Fev 2008, 09:11
por JOE_KR
Koé!!!
Cyrano,
Repare bem, não foi a idéia de morte enquanto descanso, mas sim como sua tranquilidade e suas expressões fazia parecer que ele estava apenas descansando, o motivo de revolta do eu-lírico. O poema não se centra tanto no eu-lírico, mas sim no cadáver, daí o motivo dos demais sentimentos ficarem sutis.
A indignação surge de modo sutil, sim, mencionada num único verso [1o da 2a estrofe]. Raiva? Não fiz menção direta a ela.
Vatek,
Obrigado!!! ;-)
Speranza,
Mas e a resignação e conformação do eu-lírico, onde ficaria caso retirasse a 3a estrofe?
Falow e té +!!!
Ass.: JOE K.R [aos poucos voltando a também escrever contos...]
Acorde!

Enviado:
29 Fev 2008, 09:28
por Speranza
Speranza,
Mas e a resignação e conformação do eu-lírico, onde ficaria caso retirasse a 3a estrofe?
Não precisa ficar!

Brincadeiras a parte, Joe, pra mim a última estrofe não passa conformação, só transmite que ele nada fez. Me parece que ele quer fazer alguma coisa e não faz, entretanto não parece ter superado. Eu considero isso uma coisa boa, entretanto! :D
Mais uma vez, parabéns pela obra!