A fábula montada pela Globo, da forma tendenciosa de sempre, é a reprodução da opinião da AMAJB que dedica seu site e sua atuação quase que exclusivamente à difamação, divulgação de inverdades e violência simbólica e moral sobre a comunidade centenária do Horto Florestal. Essa tentativa de subestimar e desmoralizar os moradores do Horto acontece há muitos anos, mas foi bastante acirrada desde a última gestão do Instituto Jardim Botânico, a saber, sob a presidência de Litz Vieira. Via Rede Globo ou mesmo no próprio site da Amajb, essas instituições têm tentado criminalizar os moradores do Horto, estigmatizando-os como "invasores", "desonestos" e "criminosos ambientais". Ao passo que a população do Horto é historicamente enraizada no território, honesta e protetora do meio ambiente, o qual, aliás se compõe por flora, fauna e habitantes tradicionais. Não há ambientalismo sem a perspectiva socio-ambiental. A foto abaixo mostra alguns moradores do Horto, em sua maoria gente idosa e trabalhadora, cuja família contribuiu com a construção do bairro e do Parque Jardim Botânico.

Foto Raul Mynssen
A foto aqui publicada se contrapõe à imagem veiculada no Jornal O Globo de 19/08/10. Ambas retratam a região do Caxinguelê (parte do Horto que faz fronteira com os limites atuais do Instituto Jardim Botânico, mas que no passado se situava a uma boa distância de seu arboreto, o qual cresceu desde a última gestão do Instituto). A diferença é o olhar: enquanto a do Jornal o Globo escolheu a dedo o pior ângulo possível, captando os fundos das residências mais empobrecidas dali (cuja precariedade se dá, em parte porque o Instituto proíbe os moradores de fazer reformas e mesmo consertos da infraestrutura básica, como racahaduras e goteiras provocadas pela humidade natural local), a foto aérea que aqui publicamos mostra um Caxinguelê positivamente apresentado, pela ótica de um morador local. Trata-se de outra realidade, esta fundamentada na historicidade do Caxinguelê, registrada pelo olhar de seu histórico e combativo povo. A da Rede Globo foi plantada no meio do Parque por seus próprios gestores e seus aliados políticos.
A matéria do Jornal O Globo de 19/08/10 traz, ainda, outras inverdades, as quais são igualmente reproduzidas no site da Amajb e em seu fórum de discussões, evidenciando o grau de articulação dessa entidade com a Rede Globo. Tratemos de refutar algumas:
1. A comunidade não está em área do Jardim Botânico e sim em área da União. Inclusive o polígono do parque não é definido e está tão em situação de regularização fundiária quanto está a comunidade.
2. O JBRJ não é uma APP, como eles dizem.
3. A ocupação das terras pelos moradores do Horto não é ilícita como tentam passar. Ao contrário, é amparada pela Constituição cidadã de 1988, pelo Estatuto das Cidades e pelo Plano Diretor, além do PL 161/2009 que procura caracterizar o Horto como área de especial interesse social (AEIS). Veja nos seguintes link argumentação jurídica fundamentada na Lei sobre a legalidade do processo de regularização fundiária:
Resumo da Proposta de Regularização Fundiária Feita pela Amahor.
4. A comunidade não invadiu o território do Parque Jardim Botânico. As poucas casas que se encontram 'dentro' do parque, ali estão por uma das duas razões: ou foram ali construídas com autorização da executiva à época do Parque, a fim de, justamente, proteger seus limites e arboreto pelos próprios funcionários de confiança; ou estão dentro de seus limites porque foram os limites do Parque que se expandiram, invadindo, portanto, o espaço da comunidade, na região do Caxinguelê, cujas primeiras casas foram erguidas desde os idos anos 1920 e 1930.
A reportagem veiculada no RJ TV do dia 19/08/10 inverteu os fatos de forma perversa e mostrou o casarão que o IJB está construindo perto da Light como se fosse uma construção irregular da comunidade.
A construção irregular e ambientalmente criminosa é do próprio Instituto Jardim Botânico.
O espaço que o IJB desmatou para essa construção foi enorme!
A casa está sendo erguida no lugar onde se jogava todo o lixo que vinha do JB e agora eles estão jogando o lixo perto do Solar da Imperatriz, onde tinha um campinho de futebol. Parece que já ocuparam metade do campo com o lixo. Os moradores da região do entorno estão ouvindo dizer que esta casa poderá ser o alojamento dos funcionários, feito para desocupar o alojamento antigo para a construção de um restaurante e parece que a Prefeitura do JB também quer vir para o Horto. Daqui a pouco vão dizer que os moradores estão dentro da área do JB, mas
a verdade é que é o Instituto Jardim Botânico que tem ocupado o espaço historicamente habitado pela comunidade do Horto. O IJB está querendo estender seus 'tentáculos' como um polvo gigante e ocupar o território do Horto. Igualmente interessa ao setor imobiliário ocupar a área do Horto.
Por isso a comunidade incomoda tanto e está sendo perversamente atingida com calúnias pela mídia, em articulação com o IJB e a AMAJB.
foto Magali Santos
Outro prédio que a matéria do RJ TV filmou como sendo a comunidade é o prédio do Serpro, o qual antigamente era pequeno e baixo e agora ocupa uma área enorme. O estacionamento externo igualmente é bastante grande e foi erguido sob o jardim que no passado foi plantado pelo presidente Juscelino Kubitschek. A Light também ocupava apenas um pedaço no final do terreno e hoje ocupa uma área extensa, quase encostada nos limites do IJB.
A história do Horto está sendo séria e meticulosamente trabalhada por historiadores e pesquisadores respaldados pela população e com ela envolvidos, muitos sendo moradores locais. A AMAHOR está realizando um intenso e rico estudo da memória social do Horto, e não é de hoje que investe nessas ações porque entende a importãncia da história para a identidade e resistência de sua tradicional comunidade.
Mais informações podem ser obtidas em:
História do Horto
Fonte:
Associação de Moradores e Amigos do Horto




