DracoDruida escreveu:A questão não é que o homem não possa, a questão é que nós, homens, não queremos essa vida, por razões óbvias.
Não tome a parte pelo todo. E quanto aos inúmeros casos de povos não-civilizados que não viram a possibilidade de se civilizar como algo positivo, sejam quaisquer fossem os motivos? A civilização não é o produto final da história do homem, apenas uma vertente dela.
Sampaio escreveu:
1- Apesar de termos significativamente menos violência vivemos sobre a impressão que temos mais e que deveríamos temer como nunca. Isso se deve principalmente à divulgação massiva de violência em todos os recantos do planeta pelos meios de comunicação, além da hipérbole constante feita neste assunto.
2- Tornamos-nos mais sensíveis à violência. Hoje condenamos ela bem mais do que condenávamos no passado. Não mais a consideramos casual, mas motivo de escárnio, preocupação e até mesmo choque. Isso significa que a violência que presenciamos ou ficamos sabendo nos choca mais por ter um "valor de horror" muito mais alto que outrora.
Concordo com o primeiro ponto, mas não com o segundo. Acho que a divulgação massiva criou uma espécie de carapaça contra a violência. A exposição à informação é tanta que simplesmente passamos a ignorá-la. Não digo que é o mesmo que ser confrontado com a violência no dia-a-dia.
Também não sei como um não-civilizado veria a violência, mas acho que no mesmo grau de sensibilidade que nós - se a condição humana for mesmo invariável. Ou, talvez, assim como no mundo civilizado, cada povo reage de uma maneira diferente à violência, cada tribo também assim reagiria.
Sampaio escreveu:Acho que isso tem muito a ver com meu segundo ponto, acima.
Outro exemplo disso é a pedofilia: antes indiferente, comum e natural, hoje motivo de horror, escarnio, e até choque. Tudo está intrissecamente ligado com a modelagem cultural.
Bem lembrado e que, por sinal, também VAREIA de lugar para lugar.
Sampaio escreveu:Aí que está, elas não são decorrentes da vida que levamos. Essas nomeclaturas e diagnósticos foram só criados na era moderna, com o advento da psiquiatria, mas isso não quer dizer que os sintomas que estas nomeclaturas representam não estavam presentes antes. Na verdade estamos certos de que sempre existiram.
Da mesma forma que o câncer, descoberta moderna e aonde vemos muitas e muitas pessoas morrendo. Ele não é uma doença moderna, sempre existiu e pessoas sempre morreram e muito de câncer, mas associavam com outras coisas ou desconheciam as causas.
Não há motivos para supor que alguém na Grécia Antiga ou que viva na selva tenha mais ou menos stress, depressão e solidão que nós.
Há algum estudo sobre isso? Não estou dizendo que você precisa apresentar o estudo para validar seu argumento. Só quero saber porque tenho muito interesse nisso mesmo.
Sampaio escreveu:Todo ser vivo busca sua sobrevivência e da espécie e, além disso, é movido também pelo "princípio do prazer", ou seja, buscar o que é agradável e evitar o que é desagradável.
Estar menos suceptível aos perigos naturais à sua vida e tb menos suceptível a morrer nas mãos de outro da mesma espécie é desejável instintivamente, como sobrevivência da espécie.
Para além disso, se o perigo é desagradável, vamos buscar evita-lo. Se, no entanto, ele pode até um certo limiar ser agradável, vamos busca-lo. É o caso de quem pratica esportes radicais ou decide fazer coisas arriscadas: produz adrenalina (entre outros) que torna a experiência mais agradável do que desagradável.
No entanto o perigo pode ser bem desagradável, como bem mostra não apenas as "doenças modernas" como síndrome do pânico e outros, como também o terror absoluto que sofre alguem tendo sua tribo atacada por outro alguem muito mais poderoso. Isso também está relacionado com o temor do divino e a humanização da natureza, mas deixa pra falarmos mais disso em outra ocasião.
E o perigo é geralmente desagradável porque evoluimos para acha-lo desagradável, justamente para evita-lo. Porque ele indica risco a nós e nossa espécie, logo somos compelido a evita-lo, aumentando assim nossa chance de sobrevivência.
Todos os animais também buscam o que é agradável e evitar o que é desagradável e, se pudessem escolher, iriam utilizar seus recursos (como de fato utilizam) da melhor maneira possível para tornar suas vidas mais agradáveis.
Acho que a civilização não é um recurso da espécie humana. É, claro, uma criação dela.
Só não entendo quando se fala de sobrevivência da espécie. Provavelmente porque a civilização é quase incompatível com esse conceito e porque na civilização nem a natureza e nem a evolução acontecem. Não estamos competindo com nenhum outro animal, e quiçá nem cooperando. Além disso, destruímos a diversidade e "civilizamos" outros animais.