Eu mesmo não tenho nada contra o confinamento e/ou taxidermização de animais, desde que sua finalidade seja interessante.Como confinar um animal que estava em perigo iminente em seu habitat natural, e etc.
Enfim, li a matéria e penso da mesma forma quanto a situação, e da pra destrinchar bem a partir dessa prerrogativa:
"O público poderá ver e apreciar os animais e até estudar a sua estrutura corporal"
A fala é muito controversa, e aponta 2 pontos como objetivo principal do museu:
1° Apreciação
2° Estudo (pelo que da a entender, estudo interativo, tocando nos animais)
Quanto ao estudo, a falha neste tipos de abordagem de estudo é que elas requerem interação com a obra através do toque, elemento que é extremamente prejudicial para a conservação da obra(ou animal) em questão, ainda mais, levando-se em conta de que são feitos de matéria orgânica (como couro) onde a decomposição é ainda maior. Outra, ao longo do texto se da a entender que eles seriam expostos nos lugares dos antigos animais, (como dentro da jaula), lugares pouquíssimo adequados, visto que ficam a jus de intempéries como a radiação direta do sol, e boa parte da sujeira presente no ar.
Por que digo isso? Pois segundo o ICOM (Conselho Internacional de Museus) do qual a Índia faz parte, existem normas que priorizam de forma única a conservação do patrimônio exposto e adquirido, portanto, basear a missão da instituição numa prerrogativa que irá causar grandes danos futuros em seu acervo, segundo o ponto de vista museológico, não só é antiético, como também contra-produtivo(imagina a quantidade de verba pública que será necessária para realizar a manutenção desses animais expostos) .
Porém, se o "estudo" for retirado dessa premissa, nos resta apenas a prerrogativa de apreciação, que ai assim rebate em questões ambientalistas, das quais eu concordo ( expor o corpo de um animal antes vivo apenas para o divertimento alheio, é na minha opinião totalmente ofensivo para tal animal).
Então basicamente vejo desta forma, toda a premissa da instituição é extremamente nociva ao estado de conservação dos animais expostos, e portanto por si só bem "anti-museu", principalmente a premissa vinculada a estudo.Porém, remove-la da missão da museu, nos deixa apenas com a premissa de apreciação, assim removendo também a dignidade antes presente na missão inicial.Portanto, para todos os fins, acho MUITO MELHOR, o uso de réplicas ao invés dos próprios animais.O custo é bem menor e as réplicas são mais resistentes, além de que ,a interação (manuseio) com as réplicas não entram em conflito nenhuma questão ética apresentada pelo ICOM.
Pode parecer que toda essa argumentação em cima de apenas uma frase do diretor é somente encheção de saco minha, mas toda informação divulgada para a mídia sobre a missão de um museu, seja ela uma frase, ou um texto, é de extrema importância para avaliar as ações do mesmo, ainda mais quando a frase sai da boca do diretor
.Abraçç's!
