Cara, li esse comentário no Melhores do Mundo e achei bem legal, tanto que tô disponibilizando aqui, com erros de português e tudo...
Comentário de: Da Roça
Me desculpem pelo textamento que irei escrever, mas não dá pra resistir.
Que Lost modificou a "crossmídia" isso não há dúvida. Que é um sucesso, não há dúvidas. Foi um dos maiores fenômenos culturais desses anos, sem dúvida. Não tem como não reconhecer isso, quem não reconhece isso é ingênuo. Mas que foi a maior pegadinha do Gugú... ops do Malandro, ah, isso foi.
E aí é que está o mérito de toda a série, da ABC dos roteiristas, produtores e diretores. Porque os caras trataram de mistérios, alguns deles que perseguem a humanidade há muito tempo. Tipo "De onde viemos" "pra onde vamos" "existe ceú" "Há vida a pós a morte!" "Realiade paralela" "Eistem era doido mesmo?" "Como pensam as mulheres" "Porque as coisas caem para baixo ao invés de cair pra cima".
Mas vendo toda a discussão, toda essa coisa de "é a jornada que importa", eu me lembro do Paulo Coelho e o seu "O Ilusionista", ops quer dizer "O Alquimista".
Por que me refiro ao livro? Porque quando ele foi aquele sucesso estrondoso, fazendo do Coelho "o maior escritor brasileiro", tornando o membro da academia brasileira de letras, eu olho pro livro e lembro das pessoas que leram aquele misto de lição de vida com auto ajuda e vejo que é mais ou menos o mesmo discurso dos "Losties":"É a jornada", a "o caminho" "a viagem".
Acredito que muita gente se identificou com Lost e seus debates pelos mesmo motivos que as pessoas anos atrás procuram "O Alquimista": por causa do que os enigmas nos levam a supor. Dessa forma, todos se identificam em menor o maior grau com a série, porque cada um ou cada grupo tem sua opinião sobre um determinado mistério
E onde está a pegadinha do malandro? Onde está o Ráááááá que na minha opinião explica de certa forma o fenômeno Lost?
Está no fato de não te dar a resposta. mas de levar vc a supor sua resposta particular. Se os roteiristas dessem respostas sobre um determinado mistério já nos primeiros episódios, aquele indivíduo ou fã da série, que tinha uma visão ou suposição diferente falariam: "Ahhh, era só isso? que porcaria de série fajuta"
Ou seja, o mérito de Lost foi fazer com que a visão particular dos roteiristas se tornasse a visão coletiva. E para isso a série não pode responder todas as perguntas. Porque as respostas dos roteiristas são suas visões particulares do texto que escreveram, e a visão particular deles, não é a minha, nem a sua, nem a do João ou da Maria, ou a visão dos ceticistas ou das pessoas crêdulas. Se eles colocarem a sua visão ceticistas, desagradam os crêdulos, se der uma resposta crêdula, desanimam os ceticistas.
Para mim, está mais do que óbvio que os produtores e roteiristas não responderam os mistérios, não porque eles se enrolaram. Eles não responderam porque não quiseram. Um exemplo disso é o mistério sobre o que é ou não a Ilha, ou a relevância de sua explicação pra história: A série já não podia mais falar da visão deles sobre o que é a Ilha. A série tomou uma dimenção que o que mais importava era a visão particular de cada espectador sobre a Ilha. Já não era a ilha da produção que estava sendo filmada, mas o que a ilha quer dizer pra você. Se eles não responderam porque sem as respostas o debate em torno da série se perpetua. E você fã da série preserva a sua visão do que é aquele enigma pra vc. Dessa forma perpetu a série na cabeça de cada fãs e dos não fãs. Perpetuando o debate em torno da visão de cada, e como a sua visão responde mais perguntas que a visão do outro.
Ou seja, é a discussão e a visão de cada um sobre os vários aspectos da série que fizeram seu sucesso e vão mantê-la viva.
Se os roteiristas respondessem as perguntas matariam a série, matariam a discussão, mataria a contribuição de cada fã. Matariam a sua visão do que é esta perdido. Ou de como se encontrar. E mitologicamente falando, pra vc deixar de estar perdido e se encontrar vc tem que fazer a sua jornada, o seu caminho. Se os caras respondessem os mistérios estariam falando da jornada deles e expulsando vc e sua visão da sua jornada de fora. Daí o grande mote, "não é onde se chega, mas como se chega"
E é por isso que eu acho ela uma tremenda pegadinha do Malandro que deu certo.
Matrix é uma pegadinha que deu errado. Enquanto havia suposições se haveria ou não uma segunda matrix que faria o papel de um mundo real, todos debatiam o filme. Quando os caras responderam isso: "O mundo real é o real, e o mundo virtual é o virtual" desagradaram a imensa quantidade de fãs que achava que o filme não fosse tão simplista. Da mesma forma que alguns Losties dizem, (principalmente os céticos), que não concordaram com o final e que ele enrolou. "Pow, era uma maldito purgatório?"
Então pra todos vcs, "Ráááá, pegadinha do malandro"
"Entre todas as tiranias, a tirania exercida para o bem de suas vítimas é a mais opressiva.Talvez seja melhor viver sob o olhar de nobres usurpadores do que de intrometidos moralistas onipotentes."