Roubado é mais gostoso?
Tem horas que é sim, especialmente quando é contra os favoritos da arbitragem brasileira, ou contra os quieridinhos dos comentaristas e da imprensa... é especialmente agradável quando seu time é inferior ao adversário, embora você não o admita de forma alguma.
Agora, em outros casos, é muito ruim.
O Cruzeiro completou 10 jogos seguidos sem perder do Atlético-MG (9 vitórias e 1 empate). Nos nove anteriores, faltou polêmica e sobraram gols: 4 a 2, 5 a 0, 4 a 3... futebol de verdade, jogado no campo, dentro das quatro linhas e, mais importante, imparcialmente avaliado pelos juízes.
Neste décimo jogo, infelizmente, não.
O Cruzeiro teve sim um atleta que deveria ter sido expulso logo no início da partida, pois era o últmo homem e o atacante partia rumo ao gol (se a infração ocorreu dentro ou fora da área, ainda se debate na imprensa nacional, sem acordo, 48 horas depois de encerrado o jogo). O juiz não marcou nada, não deu cartão, e ficou por isso mesmo. Lamentável.
Alheio a tudo isso, Wagner Tardelli deu um presente a um jogador do Cruzeiro. O atleta celeste CAMINHOU até a linha de fundo, livre de qualquer marcação, cruzou a bola e Ramires fez o gol, aos 20 minutos. É interessante destacar que o gol não teve qualquer participação do atleta que deveria ter sido expulso, mas ao mesmo tempo a diferença numérica existiria.
Pouco depois, o Atlético-MG teve um jogador expulso, ao meu ver, corretamente: já tinha amarelo, fez uma falta que impediu o atacante do Cruzeiro ir para a meta, foi expulso. Só que... e no começo do jogo, mesmo lance, como fica? Falta de critério, hein?
Pouco depois, o Cruzeiro fez o segundo gol, em uma falha do goleiro atleticano. Falha no primeiro gol, falha no segundo. O Atlético-MG foi garfado por duas vezes pela arbitragem, mas os gols do adversário não foram resultado direto de nenhuma delas. Ainda assim, não podem ser desconsideradas.
Fora isso, o Atlético-MG desperdiçou, ao menos, três oportunidades cara-a-cara com o goleiro cruzeirense, só no primeiro tempo.
No segundo tempo, os erros continuaram. O juiz (Alício Pena Júnior) deu um pênalti a favor do Atlético-MG que simplesmente não foi: o goleiro do Cruzeiro sai de frente para o adversário e dá um carrinho... o atacante atleticano não apenas evita o contato com uma distância superior a meio metro, como ainda arrasta a perna no chão e se atira. Tivesse ele habilidade, faria o gol driblando o goleiro. Ainda, ao invés de dar o vermelho ao goleiro (era o último homem), o juiz dá só o amarelo... se marcou o pênalti, tinha de ser coerente e dar o vermelho! E, na cobrança, Wagner Tardelli dá uma paradinha, e há invasão de um jogador do Atlético-MG na área, mas o juiz não manda repetir a cobrança, convertida pelo atacante. Dois a um, sendo este desconto um pênalti roubado. Será que um erro corrige outro? E, se não corrige, será que um erro corrige dois?
Agora, revigorado, o Atlético-MG atacava mais, porém com péssima pontaria. O seus atacantes, ao longo do jogo, finalizaram mais de 15 vezes, mas menos de 5 delas foram no rumo do gol. Fábio fez sim grandes defesas, mas nem mesmo ele poderia segurar uma virada (e, Deus me livre, até uma possível goleada) se os jogadores do CAM firmassem o pé antes de concluir.
Já no apagar das luzes, o Cruzeiro teve um jogador expulso... coisa infantil, expulsão daquelas que não fedem nem cheiram, que o árbritro deve ter feito para contemporizar com o adversário. Já perto dos acréscimos, algumas pessoas reclamam de um pênalti não marcado a favor do Cruzeiro... não foi pênalti: o jogador do Cruzeiro arrasta a perna (do mesmo jeito que o jogador do Atlético-MG o fez no pênalti incorretamente marcado), há um choque (coisa que nem houve no pênalti dado ao adversário), e é só. Não foi, sengue o jogo.
Se não me engano, no último lance da partida, o Atlético-MG faz uma tabela e, na conclusão, a bola passa perigosamente... se entrasse, seria outro problema: o jogador que finalizou estava impedido, e sua posição irregular não fora assinalada pelo bandeirinha... e se a bola entra????
Resumindo, não quero novamente esse trio no clássico. É sempre um jogo abetro, disputado, com os times convictos do que estão fazendo. O juiz tem de entrar em campo com essa mesma índole. Fez falta aos três minutos de jogo e era o último homem? Tem de ser expulso. Tchau. Melhor sorte na próxima.
Dois a um, com o Atlético-MG perdendo para seus próprios erros de finalização e marcação, apesar de tudo. O Cruzeiro, mais time, mais entrosado e com melhores talentos individuais (Ramires é sim o melhor jogador do Brasil no momento) não precisa de juiz fazendo essas coisas, e deveria ser o primeiro interessado em esclarecer qualquer dúvida nesse aspecto. Deveria barrar esse trio, porque eles fazem a pior coisa que um trio de arbitragem pode fazer: retiram dos jogadores, verdadeiros responsáveis pela disputa, o mérito da vitória e o peso da derrota.
E!




