por Luminus em 11 Dez 2009, 10:26
Boicotes às competições sempre existiram, sejam elas Copa do Mundo (a Inglaterra, inventora do futebol como o conhecemos, recusou-se a disputar as primeiras Copas do Mundo, sob a alegação de que as seleções de outros países não estavam à sua altura), Olimpíadas (EUA, URSS, dentre outros, por conta de guerras, disputas internacionais, etc), Jogos de Verão/Inverno (critérios utilizados para seleção dos melhores atletas), etc etc etc. E, nem por isso, as pessoas contestam os Mundiais anteriores à 66, ou as Olimpíadas de Munique, Berlim, Los Angeles, etc.
É um erro, um grande erro, acreditar que o nível técnico dos participantes define o grau de legitimidade de um torneio.
O esporte é uma ferramenta de integração da sociedade, de sedimentação de uma identidade, uma correlação entre as várias regiões de um país. Assim sendo, embora os critérios para a ascensão ou descenso devam sim ser baseados no rendimento de cada equipe, não é ele, por si só, quem define a legitimidade do torneio. Antes disso, há de se garantir que todos os participantes dessa competição tenham como participar da competição, que todas as regiões de um país tenham sim condições e meios pré-definidos de possuir representantes em uma competição. Veja bem, pré-definidos. Não é uma panelinha chegar e dizer "esse ano vai ser assim porque nós somos os melhores times", e pronto.
Esse país passou por 50 anos de torneios regionais antes de conseguir um campeonato brasileiro que fosse democrático. Assim como muitas pessoas são contrárias aos pontos corridos de hoje, muita gente detestava o modelo do campeonato brasileiro quando ele surgiu em 1971. Sentiam falta dos clássicos regionais, dos jogos "garantidos" entre os grandes times. Acontece que o Brasil tinha (tem) muitos times, e todos, em princípio, tem sim o direito de participar do campeonato nacional, e isso "diluiu" os clássicos. Não se pensava em criar-se uma segunda divisão (ou então pensava-se, mas os militares não queriam), e todos participavam do que tinha ali, pois a participação tem de ser garantida. Se é na primeira, segunda ou quinta divisão é outra história, e deve ser resolvido ANTES de se iniciar tais campeonatos os métodos de rebaixamento.
Então, quando a entidade que organiza um torneio diz que não terá como realizá-lo naquele ano, nada mais natural que se utilize a classificação do campeonato do ano anterior para se estabelecer quem participará do "campeonato substituto" desse ano. Mas não foi o que foi feito: o vice campeão e o quarto colocado, por não serem "times de grande torcida", ficaram de fora do torneio criado pelos clubes mais ricos. Nesse momento, qualquer mérito deixa de existir: o critério do aproveitamento foi subordinado ao interesse financeiro.
E olha que, em 87, outros 3 times foram colocados no "campeonato dos 13" para poder compor as chaves... e nenhum deles eram o vice ou o quarto colocado do ano anterior!
Então, flamenguistas, vascaínos, torcedores em geral, podem espernear o quanto quiserem. O que consta na CBF e na FIFA são os 5 títulos do Flamengo, independente dessas notícias que contabilizam o hexa, porque vocês sabem muito bem que isso é devido à nossa mídia fantástica, que exibiu os dizeres "Fla HEXA" por toda a semana. O interesse deles é agradar à maioria, e a maioria, burramente, acredita que o título de 87 pertence ao Flamengo... deveriam se perguntar qual foi então a classificação do Flamengo na Libertadores de 1988...
E.