Cara, o que o Sampaio falou tem muito quê de verdade.
Mas quem, necessariamente, está desconsiderando os prazeres proporcionados pelo álcool?
Eu, pelo menos, não sou fã do álcool, mas não vou deixar de ir a festas, baladas e sair com os amigos, porque tem gente que bebe ou coisa assim. Eu vivo nesse "submundo" que o Sampaio "enquadrou" (se bem que, ultimamente, realmente, eu tenho estado um pouco fora de cena, mas vou retomar esse meu lado "boêmio" certeza

) mesmo assim, me divirto muito bem obrigado sem álcool.
Acontece, Sampaio, que toda a tua argumentação pode ser usada (sob algumas alterações, talvez) para "favorecer" qualquer droga. E tem mais. Porque você a defende? Porque você GOSTA. Não porque exatamente acha que a bebida traz mais benefícios que malefícios à sociedade.
Ai vem a questão: não é meio idiota imaginar que só pode opinar sobre o álcool quem tem o costume de beber? Pois quem tem o costume (e, indo além, o prazer) de beber não iria falar contra o próprio prazer. Imagine um RPGista argumentando CONTRA o RPG, por exemplo. Não é apenas contraditório, é paradoxal.
E tipo. Gosto não se discute. Você não pode querer argumentar que bebida é boa "porque você não provou dos benefícios e só enxerga os malefícios". É como se, do seu ponto de vista, TODO MUNDO que provasse e passasse a beber visse, necessariamente, a bebida como um conjunto de prazeres inexplicável como você mesmo figura.
E o pior: é verdade. Mas não no sentido de "passar a gostar". É uma química deveras sacana, porque você vai acumulando endorfina além do que o seu corpo é capaz de regular no sentido de anular "no fim de tudo". E o cérebro associa esse "prazer inegualável" ao álcool e todo esse acúmulo se torna crescente e o vício se fomenta.
Então, resumindo o quadro. Meu problema com o álcool são dois pontos:
1- Quando o álcool usado por terceiros atrapalha a vida de alguém de alguma forma, ou seja, atrapalha a paz, pratica a violência, chateia as pessoas que passam a ser obrigadas a cuidar das consequências maiores (do simples "passar mal" a situações de ter de levar ao médico) ou simplesmente, atrapalha a estrutura de uma família, seja porque está gastando de mais com bebida e as finanças da casa fica ruim, seja porque simplesmente a pessoa se afasta do resto da família devido a isso.
2- Tenho aversão a qualquer coisa que tenha o potencial de assumir meu controle. Não falo de ficar bêbado em si. Mas de ficar viciado, de depender daquela substância. Se uma substância ameaça, ainda que minimamente, minha liberdade, eu, francamente, considero imbecil a atitude de abraçá-la.
Quanto à analogia com os falsos puritanos do sexo dos EUA, houve uma infelicidade no seguinte ponto:
Quando você usa camisinha você está SE PROTEJENTO COMPLETAMENTE (a menos que haja uma falha crítica da camisinha furar). No caso de "beber um pouquinho", não vai te privar de, no futuro, se tornar um viciado em álcool. Você sabe que não há escapatória, quando uma droga é usada em demasia, há uma crescente dependência. É claro que essa dependência evolui mais lentamente que com o crack, por exemplo, mas não é inesistente.