Isso é tão comum que é muito raro eu me incomodar. Esses casos de agressão ou de obrigar alguem a frequentar cultos com certeza me incomodam, mas os de familiares falando que é revolta, que tem de aceitar Deus, que a pessoa vai clamar por Deus quando "estiver no aperto", já acho comum, de tanto que ouvi e ouço.
Minha família é muito religiosa e fui o primeiro ateu da história de minha família (ao menos até onde alguem consegue se lembrar), contanto primos, tudo. Minha mãe reza todos os dias, fala diariamente sobre isso e hoje mesmo, quando arrombaram meu carro e tentaram leva-lo, disse que eu "precisava de proteção" e fez um longo discurso de pregação. Minha irmã me chama de idiota frequentemente por descrer, e acrescenta que tem de ser muito imbecil para ignorar Deus.
Meus tios falam que não existem ateus, existem "a toas" como eu e que isso é porque fui muito mimado e me tornei "revoltado". Minha tia é pastora evangélica e prega
todas as vezes que me encontra, além de frequentemente mencionar que vou para o inferno, que não sou eu quem digo o que digo, que é o diabo que está em mim falando, etc. Ela também me deletou do orkut dela e disse que "não tem ateus como amigos".
Meus avós são católicos muito praticantes e atualmente felizmente simplesmente ignoram que sou ateu. Quando ficaram sabendo ficaram absolutamente indignados e disseram coisas como "às vezes ele quer é ficar do lado do capeta. Espera só pra vc ver como ele é bom!".
Para além disso também já fui hostilizado aonde já trabalhei. Obviamente apenas disse que era ateu porque me perguntaram - nunca digo expontaneamente, e desde então começaram a debochar com frequência, além de fazerem as famosas "ameaças sobre o outro mundo", apontar pros outros e comentar "esse aqui é ateu ó! Ele acha que Deus não existe. Ele vai ver quando morrer...." e até mesmo duas pessoas sairem explicitamente orientando os demais a não conversarem comigo, porque sou ateu e poderia fazer mal a eles também.
Fora os deboches explicitamente pejorativos: neste mesm emprego me perguntaram "de onde então você acha que viemos?" e eu respondi "Se vc tá falando de nós, humanos, bem.. eu acho a seleção natural uma boa expicação, a evolução, etc", ao que ele perguntou "Então você acha que viemos do macaco mesmo??" e eu, com, preguiça, fui direto "que viemos de um ancestral comum ao macaco, sim".
Desde esse evento essa pessoa apenas me chamava de macaquinho.
Enfim... Fui o único ateu que eu conhecia durante muitos anos, além de morar na cidade mais religiosa do Brasil e conviver num meio religioso. Com o tempo não é muito diferente de um cara que é alto e as pessoas passam, por toda a vida, a apelida-lo de "gigante", "girafa", chama-lo de "o altão", etc. Com o tempo simplesmente acostuma-se.
Em nenhum destes casos tomei providências porque só iria piorar a situação O máximo que fiz foi, no meu emprego, informa-los que aquilo era descriminação e que eu tinha o direito de crer e não crer em quem eu desejasse sem ser descriminado por isso e que eles, com seus comentários, poderiam ser processados. A única coisa que aconteceu foi que os comentários ficaram menos explicitos.