Verdade ambientalista versus fundamentalismo

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Verdade ambientalista versus fundamentalismo

Mensagempor Allefcapt em 22 Mar 2010, 16:24

Olá a todos,

Nasce uma esperança de que as coisas sejam colocadas em seu devido lugar.
Queme studa o assunto ou trabalha com isto, deve ficar atento a esta luz.

Segue o artigo escrito sucinto e bem escrito da senadora Kátia Abreu publicado no Estadão.


Verdade ambientalista versus fundamentalismo
segunda-feira, 22 de março de 2010


O que parecia impossível, acontece: estamos às vésperas de começar a conhecer, com precisão científica, o que o Brasil pode e não pode fazer com suas terras, seus rios, lagos, montanhas e florestas. E mantendo o equilíbrio da natureza, preservando as manifestações de vida, animal e vegetal, e, a um só tempo, liderando a produção mundial de alimentos. Todo esse conhecimento será alcançado por cientistas e pesquisadores brasileiros da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e das instituições parceiras, que começaram o trabalho e têm desde já os recursos necessários assegurados.

Ufa! Finalmente, a questão ambiental neste país se desloca da defesa fanática de dogmas para o conhecimento científico sistemático.

Quem está em campo sabe (e como sabemos e sofremos!) que o jogo do ambientalismo e da ecologia no Brasil é um vale-tudo. Não tem regras. Uns poucos se autodenominam “defensores da natureza”, conseguem franquias de ONGs internacionais ou criam as suas próprias, arrecadam muito dinheiro para definir o bem e o mal e lançar suas sentenças arbitrárias. Isso pode, isso não pode, decidem. Espalham avaliações, frequentemente difamatórias, contra quem escolhem para bode expiatório. O que decidem passa em julgado, sem apelação.

Já a sociedade, perplexa e generosa, preocupada com a qualidade de vida, as mudanças climáticas e a própria sobrevivência do planeta, submete-se a toda sorte de exageros, superstições e invencionices, até mesmo porque as opiniões arbitrárias vêm sempre mescladas com as melhores e mais comoventes prescrições. As próprias leis ambientais brasileiras, mesmo as consensuais, revelam generosidade e ignorância, pois, em sua maioria, não têm nenhuma base científica e experimental.

Por outro lado, ONGs exploram a insegurança, a debilidade institucional e a antropofagia política de uma nação que tardiamente, mas efetivamente, está driblando as suas contradições e avançando no bom caminho da ordem democrática. Os paradigmas que nos querem impor refletem o remorso, a hipocrisia e, principalmente, o poder econômico dos povos até agora ditos desenvolvidos e que através de milênios de História desconstruíram suas paisagens e não têm mais condições de recompô-las. Desta vez, porém, sofrerão um contra-ataque que não esperavam, num país tropical e exótico, como nos olham.

Estou escrevendo sobre o Projeto Biomas, a ser conduzido pela Embrapa, envolvendo 240 pesquisadores de várias instituições e uma história de sucessos - descobertas, invenções, experimentações - que tornaram o Brasil o terceiro maior exportador mundial de alimentos (na verdade, o segundo, pois a União Europeia, hoje em segundo lugar, não é um país, mas a soma de 27 países). O Projeto Biomas é a oportunidade de ouro para a agropecuária brasileira, escorada no conhecimento científico, mostrar seus compromissos éticos e produzir sem medo.

Escolhidos por algumas ONGs, na impostura ecologista que encenam impunemente, para o papel de “Judas em Sábado de Aleluia”, os produtores rurais apostam na verdade. Por intermédio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), estão contribuindo com R$ 20 milhões para que a Embrapa, com independência e autoridade acadêmica, desenvolva o Projeto Biomas.

Fui tão longe e esqueci o que devia ter sido o começo da conversa: biomas. O que são biomas? Uma palavra nova, criada há pouco mais de 50 anos - formada por “bio”, vida, e “oma”, conjunto -, designa áreas que apresentam uniformidade de paisagens, clima, solo, subsolo e predomínio de espécies vegetais e animais. No Brasil temos seis biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. O Projeto Biomas pretende reunir, em seis vitrines tecnológicas de 5 milhões de metros quadrados cada (uma em cada bioma), conhecimentos e experiências para consolidar uma espécie de “bula”, apresentação minuciosa das paisagens e dos solos de cada bioma nos 851 milhões de hectares do Brasil, acompanhada de “indicações” e “modo de usar”, apresentando a forma de uso da terra compatível com o potencial ambiental.

O Projeto Biomas tornará disponíveis informações tecnológicas para todos, democrática e gratuitamente, em especial para os pequenos e médios agricultores, que não podem pagar por elas. E contarão, também, com 350 instrutores treinados pelo sistema CNA/Senar (o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) para orientá-los - são os transferidores de tecnologia. Será a primeira iniciativa que inclui os agropecuaristas como protagonistas de uma importante ação ambiental.

O Projeto Biomas agrega, não alimenta conflito. Vai substituir as “opiniões”, “intuições” e a absurda orientação ideológica que transforma dogmas em legislação sobre quantos metros a mais ou a menos de margens de rios e topos de morros devem ser preservados. Agora, prevalecerá a orientação científica, pesquisada e experimentada. É a nossa opção pela ciência e uma declaração da nossa confiança na Embrapa e nos pesquisadores do Brasil.

Os produtores sabem que não há produção sem água ou em solos degradados. Sabem que nada cresce sem o equilíbrio da biodiversidade, tão importante para o controle de pragas e doenças.

Ou, como ouvi outro dia de um velho pesquisador, adaptando inconscientemente um jargão do seu passado socialista à regra de ouro que resultará do Projeto Biomas: “A cada bioma, segundo as exigências de preservação da sua natureza; a cada agropecuarista, nos limites estabelecidos para uso econômico das suas propriedades.” A utopia fundamentalista não se cumpriu, mas a verdade ambientalista no Brasil será realidade.


Abraços,
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Mensagempor Ronassic em 29 Mar 2010, 16:35

Confesso que não tive tempo de ler o texto inteiro, qualé desse Projeto Biomas? :ops:

Dá pra resumir pra gente poder debater?
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Mensagempor Allefcapt em 30 Mar 2010, 11:06

Olá a todos,

RONASSIC,
E demais amigos,

Em síntese é o seguinte: Os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura buscam parâmetros para a reformulação do Código Florestal.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) saiu na frente e resolveu agir diante do impasse que surgiu entre os dois ministérios e recorreu à ciência para tentar botar fim na polêmica entre produção de alimentos e preservação da natureza.

A CNA lançou, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Projeto Biomas, que visa a identificar os diferentes potenciais de uso da terra, considerando as fragilidades ambientais e estabelecendo parâmetros para o desenvolvimento da agropecuária sustentável.

O projeto prevê o estudo e determinação de áreas estruturalmente frágeis com posterior criação de seis unidades demonstrativas de 500 hectares em cada um dos biomas brasileiros: amazônico, caatinga, cerrado, mata atlântica, pampa e pantanal. Essas áreas serviriam como padrões para a produção sustentável.

Para viabilizar o projeto, a CNA destinará R$ 20 milhões, que serão distribuídos em nove anos de pesquisas para a Embrapa. A estatal reservará 60 pesquisadores da casa para tocar o projeto, mas pretende contar, ao todo, com 240 profissionais oriundos de universidades parceiras.

De acordo com o projeto, 70% dos recursos serão destinados à mobilidade dos pesquisadores. Além disso, a Confederação buscará novos recursos para aplicar na divulgação do biomas. "As pessoas precisam conhecer o projeto para que o os produtores sejam estimulados", justificou a presidente da CNA.

Em três meses, no máximo, segundo o pesquisador, começarão os trabalhos nos dois primeiros biomas. Assim, de acordo com ele, o primeiro resultado de informação científica começará a ser gerado em sete ou oito meses. "Existem respostas que podem sair muito rápido, ainda este ano, e outras de médio e longo prazo", disse.

Os profissionais da Embrapa já começaram a compilar mapas para escolher qual é o ponto mais representativo dentro de cada bioma. "Queremos a maior extrapolação possível. Não nos interessa muito pontual", explicou. As áreas escolhidas serão todas privadas e precisarão do consentimento de seus proprietários para serem avaliadas.

A dica que dou é a seguinte: Quem ainda pode escolher uma área meta a cara na Engenharia Ambiental e todas as suas variantes. ^_^

A PETROBRAS está metida até o talo nesta linha de pesquisa e ação e precisará de muito material humano para desenvolver seus projetos até no mínimo 2022.
Hoje faltam profissionais de campo aqui. Já limpamos todas as empresas de consultoria. Estrategicamente deixaram alguns bons profissionais nestas empresas para que estes possam ao menos coordenar nossos trabalhos terceirizados.
Abraços a todos,


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Mensagempor Ronassic em 30 Mar 2010, 11:25

Hum... Mas poxa, gasta muito locomover essa galera heim? 70% vão ser gastos só com a mobilidade dos profissionais e seus equipamentos, não é mesmo?
O bom seria aumentar esse valor ao meu ver, 20 milhões divididos em nove anos?! Era pra ser esse valor por ano, isso sim!
E ainda vão ter que depender da colaboração dos proprietários das terras, isso é complicado, tem que rolar uma grana aí, ninguém vai doar suas terras, e comprá-las seria o mais indicado. Complicado isso, o jeito é esperar, e realmente esta área é bem promissora, seria bom pesquisar onde há cursos que abrangem a Engenharia Ambiental e indicar aqui para o pessoal novo que caso tenha interesse tenha essa informação e talvez escolha surfar essa nova onda ambientalista.
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