por Allefcapt em 01 Jun 2010, 10:52
Olá a todos,
Alguém curtia?
Dando sequência a discussão na lista de e-mails.
OBS: Estas são as minhas humildes opiniões.
Gurgel e demais amigos,
A primeira impressão que cativa o expectador é a EMPATIA com os personagens.
Não adianta possuir tecnologia e boas sacadas se não houver uma química forte e direta entre os personagens e o seu público.
Os fãs de séries, filmes e obras desta cultura chamada de POP. NERD E GEEK já são tarimbados de tanto acompanhar estas produções.
Logo no primeiro capítulo, percebi claramente que esta química era forçada.
Comentei com alguns amigos que me garantiram que a série “pegou” dois capítulos depois.
Sempre que eu consulto alguns amigos, eu tomo o cuidado de retirar a “gordura” que seus comentários possuem, carregados de paixões por séries de TV e hipertextos. Mais havia entre todos os discursos, com menor ou maior clareza, uma preocupação. Era visível a tensão no ar.
Mas como todos os expectadores de séries dramáticas e fantasiosas são potenciais Madres Terezas de Calcutá e costumam perdoar inicialmente seus criadores, havia esperança no ar.
Esperei a PRIMEIRA TEMPORADA ACABAR, como faço sempre e comprei-a.
Assisti a tudo com o olhar benevolente que tenho em relação a licenças poéticas, efeitos, maquiagem surreal, etc...
Coisas que me permitem ver com diversão coisas como Xena e Hércules.
E ali eu tive a certeza de que não funcionaria.
As 4 temporadas são ímpares demais. É visível o desespero dos redatores e produtores na busca insensata por um norte, uma linha, um tempero.
O equilíbrio, que é a base de todas as séries, estava sempre sendo buscado em caráter de emergência.
A técnica narrativa dos quadrinhos, estadunidenses, com acontecimentos que se sucedem em episódios amarrados mais soltos não dava certo.
O oposto de LOST, que logo no primeiro episódio foi arrebatador.
E aí não houve fórmula que desse jeito.
Os quatro produtores executivos, Allan Arkush, Dennis Hammer, Greg Beeman e Tim Kring tentaram de tudo.
Um deles, o Dennis chegou a ir no David Letterman na época da greve dos roteiristas. Na entrevista em me lembro dele ter dito que estavam em busca de uma estruturação para a terceira temporada já que a segunda havia contado com uma média de 13,1 milhões de espectadores o que a levou a ser a ÚNICA série da NBC a figurar entre as principais séries da TV americana. O que lá é fundamental para que consiga patrocínios seqüentes.
Aí entra uma variável. A greve acabou prejudicando esta idéia dos executivos, porque cancelou os capítulos que prometiam esta nova estruturação titula “"spin-off Heroes: Origins"
Até mesmo as ferramentas de expansão comuns em um mundo viral como o nosso foram tentadas. A série “Heroes 360 Experience” lançada somente a Internet também não vingou.
A indicação a prêmios em sequência, uma manobra conhecida nos estúdios, também não deu certo.
Mesmo assim, uma quarta temporada foi viabilizada. Ali o negócio já estava doido.
Catástrofes, mortes, mudanças de lado, tudo foi realizado.
Como a frase representativa da séria apresentava, "Pessoas comuns descobrindo habilidades extraordinárias". Pois é. Os redatores, produtores e roteiristas não descobriram.
Mas como eu previa, a criatura estava natimorta.
Abração,