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Mensalidade em Universidades Públicas?

Enviado:
01 Jul 2010, 13:25
por Lanzi
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,skaf-defende-mensalidade-em-universidade-publica,572845,0.htm escreveu:O Partido Socialista Brasileiro (PSB) lançou neste domingo, 27, em São Paulo, o empresário Paulo Skaf ao governo do Estado. Skaf afirmou que poderá adotar o sistema de cobrança de mensalidade nas universidades paulistas para estudantes com condições para arcar com as despesas do ensino universitário, caso vença as eleições deste ano. "Isso é um estudo. Acredito que vale uma discussão em torno disso, porque é incoerente que alguém que possa pagar não pague nada e ocupe o lugar de quem não tem condições", afirmou o presidente licenciado da Fiesp, durante a convenção estadual do partido que ratificou a sua candidatura.
Cerca de 4 mil pessoas participaram da convenção do PSB, entre militantes, líderes regionais, deputados estaduais e federais e pré-candidatos. Entre os ausentes estavam o vereador de São Paulo Gabriel Chalita e a deputada federal Luiza Erundina, figuras de peso do PSB no Estado de São Paulo. Erundina já manifestou publicamente que não apoiará Skaf nas eleições por ser um candidato ligado ao empresariado. "Os dois não participaram, mas outros 300 estiveram aqui", minimizou Skaf.
Para Skaf, o tema exige avaliação cuidadosa, uma vez que o custo do estudante universitário para o governo estadual é elevado. "Tudo que for relacionado à inovação e à pesquisa deve ser mantido e ampliado. O que for relacionado aos alunos, precisa ser avaliado", acrescentou. O candidato ponderou que essa medida deve ser acompanhada por uma "revolução" na educação na rede pública estadual, viabilizando o estudo em tempo integral para o ensino fundamental e a integração entre ensino médio e o técnico no sistema público.
Além dessa questão, outra proposta é a redução do preço do pedágio para os motoristas paulistas. Segundo Skaf, a ideia é utilizar o valor arrecadado pelo Estado com o IPVA para garantir a redução de 100% no pedágio entre meia-noite e 7 horas e de 50% entre 7 horas da manhã e meia-noite. "Isso teria impacto de R$ 1 bilhão na parcela do IPVA referente ao governo estadual", explicou. De acordo com a ideia, até 50% do IPVA pago pelos usuários de veículos seriam usados para compensar o pedágio.
De acordo com Skaf, essa é a alternativa encontrada para corrigir uma distorção que prejudica os cidadãos do Estado sem quebrar o contrato com as concessionárias. "Em alguns trechos, paga-se R$ 200 de pedágios. Isso não é bom para as famílias nem para o transporte de comércio. Algo precisa ser feito, mas os contratos não podem ser quebrados", disse o candidato do PSB, acusando o PSDB de não ter pensando nos usuários quando adotou o atual modelo de concessão de rodovias para a iniciativa privada no Estado de São Paulo.
Skaf comentou que outra proposta na área de pedágios é o alongamento do prazo de concessão das rodovias com a redução das tarifas cobradas. "Mas, nesse caso, a redução não seria significativa", reconheceu.
Discurso
Em sua primeira disputa para um cargo político, Skaf aproveitou o seu discurso para se apresentar ao eleitorado, a exemplo do mote da campanha nas propagandas na televisão. Além de ressaltar a experiência adquirida ao longo dos anos durante a presidência da Fiesp, Sesi e Senai e argumentar que a sua candidatura representava um compromisso com a modernidade na gestão pública, Skaf também trouxe ao palanque a esposa e os cinco filhos. "A estrutura da família é fundamental", afirmou.
Boa parte do discurso foi centrado nas propostas na área de educação, tema que o candidato tem familiaridade por conta presidência do Sesi e do Senai. Skaf acrescentou que pretende adotar nas escolas públicas de São Paulo ações tomadas nas duas instituições - educação em tempo integral no ensino fundamental e integração entre o ensino médio e técnico. "Temos que colocar quase 3 milhões de alunos do Estado de São Paulo em tempo integral", disse, afirmando que pretende valorizar os professores da rede pública estadual.
Apesar das pesquisas eleitorais indicarem o seu nome com apenas 2% das intenções de voto, Skaf argumentou que um levantamento recente apontou que 80% do eleitorado paulista não escolheu o seu candidato para o governo estadual. "Isso mostra que depende só de nós. Faremos uma surpresa para quem acha que o PSB está brincando em serviço", afirmou. A candidata a vice-governadora do PSB é a médica Mariane Pinotti, filha do médico Aristodemo Pinotti (DEM), que morreu em julho de 2009.
(Atualizada às 16h13)
+ Bônus:
http://www1.folha.uol.com.br/saber/758880-universidade-federal-nao-olha-o-mercado-diz-professor.shtml escreveu:O professor e economista Jorge Madeira Nogueira, da Universidade de Brasília, afirma que o Ministério da Educação é capaz de impedir o temido "apagão" de mão de obra qualificada no Brasil.
O MEC, diz, precisa fechar os cursos baratos das universidades federais e transferi-los para as faculdades privadas. As federais ficariam só com os cursos que formam profissionais estratégicos para o crescimento do país.
FOLHA - Existe, de fato, o risco de a economia travar por falta de profissional qualificado?
Jorge M. Nogueira - Formamos muitos advogados e administradores, mas um país não se faz só com advogados e administradores. Muitas empresas já não conseguem encontrar engenheiros dentro da qualificação necessária. A nossa graduação está formando pouco e mal.
Mas o governo tem multiplicado as vagas nas federais...
Lamento essa estratégia. O Brasil não tem dinheiro para manter 70 universidades federais. Está diluindo recursos. Com pouco dinheiro, as federais passam fome e fazem pesquisinha. Entre numa federal de Mato Grosso e você vai chorar. E é justamente lá a fronteira agrícola. Por outro lado, as federais sempre têm um curso de contabilidade. Não adianta fazer universidade pública com cursos baratos. Quero ver abrir engenharia nuclear ou mecatrônica. O governo deve escolher dez universidades e investir pesado, para que se tornem fontes de recursos humanos top de linha.
E os cursos baratos?
As faculdades privadas podem cuidar deles. Os alunos que não puderem pagar terão bolsas de estudos. Não podemos querer que a universidade pública se encarregue de tudo. O Brasil não está tendo a coragem de fazer a divisão entre público e privado no ensino superior. Antes, dava-se um diploma ao jovem e pronto. Ele conseguia emprego. Hoje há o mercado. A empresa quer o jovem com uma qualificação bem específica. Se não tiver, ele não serve para o mercado.
Não é perigoso deixar as universidades federais formando só para o mercado?
Não é pecado. É claro que as federais não devem formar só o que o mercado quer, mas também não devem formar só o que o mercado não quer. A esquerda tem um ranço de que é preciso formar universitários com uma visão humanística, mas assim deixa-se o mercado a ver navios. Não me venham com o papo de que 70 federais de péssima qualidade geram pensamento. O governo pode deixar um grupo menor [de universidades] com qualidade fazendo esses novos pensamentos. Quando se quer todas as universidades fazendo tudo, elas ficam medíocres.
E aí?
Mensalidade em Universidades Públicas?

Enviado:
01 Jul 2010, 15:28
por louc0
Dada a carga tributária do país, a quantidade imensa de impostos indiretos, acho que pagar pra estudar em uma universidade pública é uma puta falta de sacanagem.
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Enviado:
01 Jul 2010, 15:34
por Cebolituz
Questão bem complicada. Seria ótimo que se isso fosse implantado, o dinheiro gasto em universidades públicas poderia voltar para a população em troca de menos impostos e mais emprego, para justamente terem mais condições da população conseguir ter condições de pagar a formação superior. Mas como eu duvido muito que isso ocorra...
Minha opinião é que o problema maior não está no ensino superior, mas sim no ensino primário, fundamental e médio. Ainda falta muita coisa em termos estruturais. Escolas lotadas de alunos. Alunos que inclusive não conseguem estudar devido a falta de transporte e a distância. Isso aí já é o suficiente para peneirar muita gente que fica para trás, e alguns poucos que vão avançando.
Primeiro, é necessário colocar todas as crianças e jovens para estudar. Coisa que avançou muito mas ainda falta em regiões mais pobres. Depois disso, investir na qualidade do ensino primário fundamental e médio. Precisamos de jovens inteligentes, criativos, críticos e dotados de conhecimento. Aí então, reformar o sistema universitário.
Resumindo:
1º) Resolver o problema de estrutura escolar. Mais escolas, mais salas de aula, menos alunos por sala, mais espaços, mais equipamentos.
2º) Resolver o problema da qualidade da educação. Aí vem os professores mais qualificados, com conhecimento teórico e didático para gerar alunos mais críticos, criativos, com suas habilidades reforçadas e com maior conhecimento. Gerar uma equipe pedagógica inteligente e aberta a novas práticas de ensino, diretores que saibam administrar colégios, etc.
3º) Aí sim, reformar o sistema universitário custoso que o Brasil possui.
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Enviado:
01 Jul 2010, 16:36
por Iuri
O Cebola tocou num ponto interessante. Um grande problema nas universidades privadas é o nível dos alunos ao entrar nos cursos. Alguns professores de Cálculo de privadas que eu conheço já disseram que não podem cobrar muito nas provas e que tem que ficar revisando conteúdos fundamentais de álgebra e geometria. Ouvi a um tempo de um aluno da Engenharia de Materiais da PUC-RS que achava que os elétrons ficavam no núcleo do átomo. O governo atual fez bastante coisa para colocar o máximo de pessoas no ensino básico, mas pecou gravamente no que tange a qualidade do ensino. Mas diferente do pensamento do Cebola, eu não vejo nenhum problema em reformar o básico e o superior ao mesmo tempo, já que a falta de engenheiros é urgente.
Eu gostei da opinião desse cara que falou em largar cursos menos necessários. Minha opinião pode ser influenciado pelo meu curso, mas realmente, gastar dinheiro para formar filósofos, historiadores da arte, arquivólogos e etc não vai trazer nem uma fração do benefício ao país que traz a formação de professores e engenheiros.
Mas agora... pagar? Como se o dinheiro sobrando fosse ser bem utilizado...
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Enviado:
01 Jul 2010, 17:44
por Madrüga
Iuri escreveu:Eu gostei da opinião desse cara que falou em largar cursos menos necessários. Minha opinião pode ser influenciado pelo meu curso, mas realmente, gastar dinheiro para formar filósofos, historiadores da arte, arquivólogos e etc não vai trazer nem uma fração do benefício ao país que traz a formação de professores e engenheiros.
Filósofos e historiadores da arte também acabam, muitas vezes, sendo professores. Esse utilitarismo é perigoso e bastante rasteiro, também.
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Enviado:
01 Jul 2010, 18:25
por Skar
Meu problema é quem vai dizer qual o curso que é mais ou menos benéfico para sociedade? Honestamente sou a favor de se investir pesado em cursos de nova tecnologia mesmo que para isso seja necessário colocar uma taxa na faculdade publica para conseguir isso.
Além do que eu concordo com o Cebola mudar o fim da cadeia com um inicio completamente desestruturado é burrice. E simplesmente achar que devemos mandar cursos para universidades particulares é uma estupidez maior ainda.
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Enviado:
01 Jul 2010, 18:39
por Iuri
Madrüga escreveu:Iuri escreveu:Eu gostei da opinião desse cara que falou em largar cursos menos necessários. Minha opinião pode ser influenciado pelo meu curso, mas realmente, gastar dinheiro para formar filósofos, historiadores da arte, arquivólogos e etc não vai trazer nem uma fração do benefício ao país que traz a formação de professores e engenheiros.
Filósofos e historiadores da arte também acabam, muitas vezes, sendo professores. Esse utilitarismo é perigoso e bastante rasteiro, também.
Claro que é, mas é preciso analisar o que o nosso país está precisando no momento (não vale dizer "gente honesta"). Eu acredito que o que mais faz falta é mão de obra técnica competente, desenvolvimento de novas tecnologias e pessoal de espirito empreendedor mas que saiba se planejar e administrar. O perfil dos engenheiros satisfaz todos estes pré-requisitos (puxando sardinha pro meu lado, mas acontece que é a verdade mesmo). Isso são as necessidades mais urgentes. Com um efeito de prazo um pouco maior também estamos precisando muito de gente da área da educação, mas gente competente mesmo, porque sem eles não dá pra formar a mão-de-obra técnica tão almejada. Mas se é pra formar professores excepcionalmente bons em 'ensinar',tu não acha um desperdício investir em cursos cujos formandos acabam virando professores só porque não tem outra área para atuar, ao invés de investir nos cursos especialmente voltados para o ensino? Claro que também precisamos de professores de filosofia, mas acho que está longe de suplantar a necessidade pelos de matemática, fisica e química.
Se bem que eu acho que o problema maior da educação não são os professores, e sim o modelo escolar mesmo, e os alunos, capazes de desmotivar qualquer professor (falo aqui apenas de escolas públicas específicas -eu mesmo vim de uma pública muito boa-, mas que infelizmente são a grande maioria).
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Enviado:
01 Jul 2010, 18:41
por Madrüga
Iuri escreveu:Se bem que eu acho que o problema maior da educação não são os professores, e sim o modelo escolar mesmo, e os alunos, capazes de desmotivar qualquer professor (falo aqui apenas de escolas públicas específicas -eu mesmo vim de uma pública muito boa-, mas que infelizmente são a grande maioria).
Claro, o salário não é problema.
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Enviado:
01 Jul 2010, 18:44
por Iuri
O salário é sim fraco, mas sabe aquele cara que pensa "não me importo com o dinheiro, pois vou fazer o que eu gosto!" ? Pois é, depois de um tempo dando aula ele acaba mudando completamente de opinião. Conheço exceções, pessoas que continuaram gostando (pelo menos até agora) mesmo depois de serem tocadas dentro das jaulas salas de aula, mas isso é coisa de cara com muita força de vontade...
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Enviado:
01 Jul 2010, 18:46
por Emil
Sabe, eu nunca dou palpite sobre uma obra, por exemplo, porque eu sei que me falta conhecimento para produzir uma opinião ao menos adequada. Portanto, eu tenho muita dificuldade de entender porque gente com formação em engenharia, ou nem isso (porque vamos combinar: pra ser "empresário" não precisa de porra nenhuma) insiste em querer discutir educação.
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Enviado:
01 Jul 2010, 18:55
por Iuri
Emil escreveu:Sabe, eu nunca dou palpite sobre uma obra, por exemplo, porque eu sei que me falta conhecimento para produzir uma opinião ao menos adequada. Portanto, eu tenho muita dificuldade de entender porque gente com formação em engenharia, ou nem isso (porque vamos combinar: pra ser "empresário" não precisa de porra nenhuma) insiste em querer discutir educação.
Numa primeira lida achei que o post era voltado pra mim
Mas, pelo menos nestes dois artigos, ambos tem algum conhecimento da área. O cara que é economista trabalha na UnB, então deve ter conhecimento sobre a situação da universidade, e ele não está dando pitaco em assuntos de educação básica mesmo..
Mensalidade em Universidades Públicas?

Enviado:
01 Jul 2010, 19:01
por Heliot
O governo deve escolher dez universidades e investir pesado, para que se tornem fontes de recursos humanos top de linha.
Universidades convenientemente localizadas no eixo centro-sul, suponho.
Mensalidade em Universidades Públicas?

Enviado:
01 Jul 2010, 19:08
por Madrüga
"Dar aula em uma universidade" não significa "entender as necessidades da educação no Brasil", Iuri.
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Enviado:
01 Jul 2010, 19:16
por Iuri
Eu sei que não, por isso disse "e ele não está dando pitaco em assuntos de educação básica mesmo.." . Os problemas mais difíceis na área de "educação" mesmo, acredito que estão no ensino médio e fundamental.
Dar aulas em uma universidade já permite que ele conheça o que acontece por trás do meio acadêmico, principalmente a situação financeira, e o quanto custam laboratórios bem equipados e coisas assim. Mas não posso negar que o cara devia estar viajando quando disse isso:
Quero ver abrir engenharia nuclear ou mecatrônica
Claro que a mecatrônica é o futuro e tal... mas a impressão é que o que o cara é só um fã de ficção científica que acha "lol, robos gigantes no meu país!". Ele diz que precisamos fechar cursos desnecessários, mas por outro lado ele acha que engenharia nuclear é algo de necessidade primária pro país? pff
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Enviado:
01 Jul 2010, 19:30
por Eltor Macnol
Madrüga escreveu:Iuri escreveu:Eu gostei da opinião desse cara que falou em largar cursos menos necessários. Minha opinião pode ser influenciado pelo meu curso, mas realmente, gastar dinheiro para formar filósofos, historiadores da arte, arquivólogos e etc não vai trazer nem uma fração do benefício ao país que traz a formação de professores e engenheiros.
Filósofos e historiadores da arte também acabam, muitas vezes, sendo professores. Esse utilitarismo é perigoso e bastante rasteiro, também.
Acabam sendo professores, e formando o quê?
Mais filósofos e historiadores da arte, gente que não sabe nem assentar um tijolo. Ou seja, essa racinha só serve pra perpetuar a si mesma, melhor cortar o mal pela raiz.