Um dia é do toureiro, outro...

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Mensagempor Iuri em 26 Mai 2010, 17:39

Nossa, tópico cresceu bastante durante o dia, deixa eu ver se me acho aqui...
Editado: Pronto, preparei um megapost de Natal para vocês :haha: Não me importo que não leiam tudo, mas pelo menos leiam a parte direcionada a cada um de vocês


Lumine escreveu:Perceba: Você falou sobre humanos e a ramificação ética em cima deles, e jogou a mesma ótica sobre animais. Não é assim que funciona.

Um boi (não drogado, de preferência) não tem ética ou costumes ou morais.


Porque não é assim que funciona?

Concordo plenamente que animais não tem ética ou costumes morais. Mas e então? Psicopatas também não possuem limitações éticas. Devemos sair por aí torturando-os? Por mais que a sua resposta seja um "sim" (pois você pode ter esta opinião, nada de mais) você não pode deixar de admitir que isto é de fato uma questão ética. Temos o direito de matar alguém que matou outro? Indo pelo lado mais utópico da moral: a moral deveria ser um conjunto de regras que você usa para guiar sua vida na sociedade. O fato de alguém não segui-las não vai mudá-las para você.

juma escreveu:Sobrevivência da espécia é balela, animais só fazem o que é melhor para eles. Se eles vivem em comunidade, é porque é mais "lucrativo" do que sozinhos. Eles não estão nem aí para alguém que carrega "traços" de seu DNA. Só os parentes mais próximos, que possuem uma grande parte do seu DNA, que importam.


Ta, e porque os animais fazem algo que seja lucrativo pra eles, se não é para aumentar suas chances de sobrevivência e passar o maldito DNA adiante? Tu pode não saber, mas o meu DNA e o teu são muito semelhantes. Se tu tiver que salvar alguém da tua família, um animal, ou outro humano, teu primeiro critério para a ordem de prioridade é o grau de semelhança do DNA. E (agora eu não tenho certeza) acredito que golfinhos não torturem outros de sua espécie né? Apenas a comida. Nós temos os direitos humanos. Você acha que temos essa compaixão por pessoas pobres porque é melhor pra mim? Como pode ser bom para mim ficar com vontade de dar um pouco de comida para um mendigo?

Pichu escreveu:fora que moral é influenciado pela cultura, então, complica mais ainda!

eu diria que um depende do outro. Sinceramente não sei se a cultura é baseada no código moral de um povo ou o contrário.

Skar escreveu:Quanto a discussão pra mim é bem simples não é humano não está protegido por direitos humanos, ora.


Exatamente. Como eu disse antes, não temos necessidade biológica de protege-los. Mas a ética que criamos não depende de quem é o alvo de nossas ações.

Skar escreveu:Gente sério são animais, parem de tratá-los como seres humanos.


Pode dar um motivo para isso?

Lumine escreveu:Vamos fazer o seguinte. Pega o Pit Bull de 4 anos do teu vizinho, aquele cachorro filhadaputa que odeia você e tua família, quase te mordeu e mordeu seu irmão menos, fazendo ele ter que tomar dois meses de injeções contra hidrofobia.

Você adoraria ver ele numa arena e se vingar?


Wow, tu se vingaria de alguém (ou algo, neste caso) que QUASE te mordeu torturando ele até a morte? medo...

Skar escreveu:Claro por que você acha que um touro mereça o mesmo respeito que um humano, fala sério. Nós damos valores diferentes para a vida de outros seres humanos por que diabos vamos ligar para animais.


E dar valores diferentes para vidas diferentes nãao é um deslize ético?

Skar escreveu:Existe a necessidade cultural da tourada para a cultura deles. E só isso já serve para legitimar tudo isso. Aparentemente é isso que vocês não entendem.


É sim. Ta.

Muçulmanos tem a necessidade cultural de apedrejar mulheres que não usem burca. Isso já serve para legitimar o fato. Porque tu não falou isso no outro tópico ali, ia poupar muita discussão.

Advogado escreveu:Alguém escreveu, no tópico anterior:"Acho que o problema todo é você criar animais em cativeiro só pra alimentar um sadismo e se divertir vendo eles brigarem SEM NECESSIDADE NENHUMA".

A minha resposta, que não foi respondida satisfatoriamente até hoje, aliás: E qual o problema nisso?


Hum, eu venho falando sobre a ética disso a um bom tempo. Aí ta o problema.

Advogado escreveu:2. Do argumento 'é crueldade matar um boi em uma tourada, mas não um para fazer um "bife mal-passado


Ninguém falou que era crueldade matar, apenas que é crueldade torturar. O abate para fazer o bife é, ou deveria ser, rápido. Não há tortura pelo simples desejo de torturar. Mas admito que acho os métodos atuais também muito ruins, pois muitas vezes o animal não morre com o martelo pneumático e tiram a pele dele ainda vivo. Isso é uma baita tortura sim, mas é uma falha do método.
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Mensagempor Lanzi em 26 Mai 2010, 17:43

Ora, se a questão de finalidade tiver necessariamente de fazer sentido para a vítima e/ou somente para ela (ou seja, ser justificável como, no caso, matar um animal para aproveitar a sua carne e torturar um animal para celebrá-lo culturalmente), então um assassinato seria legítimo se o assassino não tiver compaixão pela pessoa que está sendo assassinada. De qualquer forma, e isso é uma suposição apriorística (não há como de fato saber o que um animal pensa na hora em que está morrendo), uma pessoa, que tem tanta vida quanto um touro, por ser capaz de despertar compaixão no agressor e, por ser somente da mesma espécie, tem maior direito a vida a partir de uma alegação auto-justificativa.

Por que o mesmo não pode ser feito com seres humanos? A evolução da espécie, e a própria sobrevivência da mesma não estariam nem um pouco comprometidas se tais eventos ocorressem, da mesma forma que não comprometem a perpetuação de outras espécies (eu gostaria de saber quais são os estudos e quais são os métodos que nos dizem que um animal mata por diversão; não são esses conceitos humanos?). Aliás, como se diz, isso não é uma celebração cultural? A cultura não torna legítimos tais tipos de eventos? Basta que para o assassino não tenha compaixão e tenha uma cultura que legitime isso. Dizem que isso comprometeria o convívio humano. Bobagem (e quanto ao touro?)! Tantas vezes já foi feito... Se eliminar tais práticas é dar um passo à frente, por que não seria um passo à frente eliminar práticas que vigoram até hoje?

Para os legalistas de plantão: é só ter um estatuto ou regulamento que proteja o touro que a prática então poderá ser condenada? Pôxa, as legislações, a ética e a moral são humanas.

Enfim, quais foram as falácias cometidas acima? Ganha um doce quem pesquisar e encontrar primeiro...
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Mensagempor Madrüga em 26 Mai 2010, 17:46

Skar escreveu:Existe a necessidade cultural da tourada para a cultura deles. E só isso já serve para legitimar tudo isso. Aparentemente é isso que vocês não entendem.


Igual aqueles lugares onde há a necessidade cultural de extirpar o clitóris das mulheres, e só isso teria de servir para legitimar tudo isso. Aparentemente, é isso que ninguém entende.

Sério, "necessidade cultural" não é desculpa.
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Mensagempor Iuri em 26 Mai 2010, 17:48

Madruga copião XD
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Mensagempor 3libras em 26 Mai 2010, 17:54

A questão é outra, existe conceitos sobre maus-tratos à animais, inclusive já presentes nas leis de alguns países.

Transformar a morte de animais em um show é sim imoral, para a lot of people rs e isso tem peso.

Da mesma forma que no brasil se faz ritual de sacrifício religioso, que é combatido por diversas pessoas.

Pelo simples motivo que nós sabemos que o animal sente dor e que sofre e que não tem inteligência para escolher estar em tal situação.

Toda a sistemática de abate de animais para consumo é voltada para o animal não sentir dor, não tem muito sentido dizer "ah ele viraria churrasco".

tem coisas que mesmo sendo a tradição local são erradas.

retirar o clitóris de meninas, pais baterem em filhos para educar, crianças de 10 anos sendo dadas para desconhecidos para serem esposas, pescar em época de procriação de peixes, festivais de sacrifício em massa de animais etc etc.
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Mensagempor Skar em 26 Mai 2010, 23:35

Pode dar um motivo para isso?


Tirando o óbvio deles não serem humanos?

E dar valores diferentes para vidas diferentes nãao é um deslize ético?


Depende. Entre as pessoas isso é errado e deve se tentar evitar. Agora com animais é outra história...

Muçulmanos tem a necessidade cultural de apedrejar mulheres que não usem burca. Isso já serve para legitimar o fato. Porque tu não falou isso no outro tópico ali, ia poupar muita discussão.


Vamos lá primeiro. O caso que eu falo é um caso que não machuca ninguém, o touro é um animal não um humano. Segundo minha cultura coloca como errado essa postura e o meu lado humano também acha errado, pela simples razão de ser um ser humano.

A é tradição cultural que não machuca seres humanos é diferente de uma tradição que fere e mata seres humanos. Onde eu falei o contrário.

retirar o clitóris de meninas, pais baterem em filhos para educar, crianças de 10 anos sendo dadas para desconhecidos para serem esposas, pescar em época de procriação de peixes, festivais de sacrifício em massa de animais etc etc.


Os grifados eu não tenho nenhum problema com essa conduta. Acredito por exemplo no caso da educação dos filhos a falta de surra gera piores resultados por exemplo.

A pesca em época de procriação é estúpida por que quer dizer q o idiota não terá peixes para comer depois. :b
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Mensagempor Iuri em 26 Mai 2010, 23:56

Skar escreveu:Tirando o óbvio deles não serem humanos?

Depende. Entre as pessoas isso é errado e deve se tentar evitar. Agora com animais é outra história...

Vamos lá primeiro. O caso que eu falo é um caso que não machuca ninguém, o touro é um animal não um humano. Segundo minha cultura coloca como errado essa postura e o meu lado humano também acha errado, pela simples razão de ser um ser humano.

A é tradição cultural que não machuca seres humanos é diferente de uma tradição que fere e mata seres humanos. Onde eu falei o contrário.


Toda essa argumentação boba tua se baseia no fato de que animais não merecem um tratamento decente, sem que em momento algum tu tivesse dito o porque deles não merecerem. "Não merecem porque não são humanos" não é argumento, porque tu precisa explicar porque que apenas humanos merecem um tratamento diferenciado. Dizer que "pela sua cultura" isso é o certo também não adianta, porque estou questionando justamente o quanto esse tipo de "atividade cultural" vai contra preceitos éticos básicos da sociedade ocidental.
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Mensagempor Elven Paladin em 27 Mai 2010, 00:32

Toda essa argumentação boba tua se baseia no fato de que animais não merecem um tratamento decente, sem que em momento algum tu tivesse dito o porque deles não merecerem. "Não merecem porque não são humanos" não é argumento, porque tu precisa explicar porque que apenas humanos merecem um tratamento diferenciado. Dizer que "pela sua cultura" isso é o certo também não adianta, porque estou questionando justamente o quanto esse tipo de "atividade cultural" vai contra preceitos éticos básicos da sociedade ocidental.


Citando o Lune:A impressão que eu tenho é que só existem dois argumentos possíveis para defender os direitos dos insetos nessa questão. O primeiro seria um apelo à um princípio inviolável - e sem base lógica real - como por exemplo dizer que "a vida é sagrada". Até aí tudo bem, eu acredito em outros princípios semelhantes - "a vida humana é sagrada" - mas o problema é que como você percebeu, esse é um princípio inconciliável com o carnivorismo e outros aspectos aparentemente fundamentais da vida moderna.

O outro argumento possível seria estabelecer algum tipo de fronteira arbitrária do que é "certo" e o que é "errado" no tangente ao tratamento dos insetos. Por exemplo, você pode dizer que matar uma barata porque ela pode trazer doenças está ok, enquanto matar um inseto por capricho não. Mas aí qual é o critério? Necessidade? Utilidade? O risco que o bicho traz? O sofrimento que ele sente? Não importa qual o critério que você escolha, haverão numerosas exceções e casos contraditórios - sem falar que alguns são alvo de intenso debate científico, como a questão do sofrimento.

Tudo bem, princípios éticos não precisam ser perfeitos, basta que sejam uma boa linha guia. Mas se você usa algo sem uma base sólida, você não pode criticar pessoas com uma interpretação diferente. Assim, você não teria como reclamar do Nibe e do Sampaio e seus hábitos torturadores de insetos, por exemplo.

Você encontra uma saída? Porque eu não.


Ou para ser mais claro, o problema maior de extender "tratamento decente" ou sendo mais direto, "Direitos aos Animais" é que se os Especiesistas podem ser acusados de utilizarem uma barreira arbitrária para quem recebe direitos ou não ( a barreira entre "Humanos e Animais Não-Humanos" ), esse problema é elevado ao cubo para quem deseja extender tais direitos a Animais Não-Humanos. Por que motivo? Muitas características essenciais do modo de vida ocidental ( e de praticamente qualquer grupo humano que domestique animais ) são movidos por atos que gostemos de admitir ou não, são extremamente degradantes a animais não-humanos, desde a utilização dos mesmos em praticamente qualquer bem processado ao consumo dos mesmos propriamente disso ( e a menos que alguém seja Veganista, ele está sendo um tremendo hipócrita em defender direitos aos animais e comer carne ), além da utilização de uma série de organismos em pesquisa científica ( e isso é essencial para qualquer avanço médico ou biotecnológico ). E caso extendamos os direitos que damos ao humanos a grupos de animais podemos acabar gerando alguns problemas muito interessantes para nós mesmos ( E aí entra a clássica pergunta cruel a Não-Especiesistas: Vale a pena causar incômodos ou mesmo séries problemas a seres humanos em nome de outras espécies? ), além de tal posição ainda mantém o mesmo problema da "barreira arbitrária entre quem possui direitos ou não" ( só que ao invés de "Humanos e Não-Humanos", passa a ser "Primatas ou Não-Primatas" ou "Mamíferos e Não-Mamíferos", citando os casos mais comuns) a menos que se assuma que toda "Vida" deve ser protegida - o que é um absurdo auto-evidente.

E ressoando ao Lune: Você encontra uma saída? Porque eu não.
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Mensagempor Iuri em 27 Mai 2010, 01:29

hmmm... posts grandes... E eu devendo estar fazendo meus trabalhos.

Advogado de Regras escreveu:Citando o Lune:A impressão que eu tenho é que só existem dois argumentos possíveis para defender os direitos dos insetos nessa questão. O primeiro seria um apelo à um princípio inviolável - e sem base lógica real - como por exemplo dizer que "a vida é sagrada". Até aí tudo bem, eu acredito em outros princípios semelhantes - "a vida humana é sagrada" - mas o problema é que como você percebeu, esse é um princípio inconciliável com o carnivorismo e outros aspectos aparentemente fundamentais da vida moderna.


Poder-se-ia dizer que estes apelos do tipo "a vida é sagrada" são conclusões dos nossos códigos morais (e deixo bem claro que estes códigos morais são próprios da nossa cultura), sem servirem de base para ele. Se pensarmos que as bases morais são verdades lógicas (e elas NÃO são. as bases morais estão mais para "axiomas" que permitem a criação deste código), então podemos chegar a um resultado que pode ser interpretado como "a vida é sagrada". Acontece que tratar algo por "sagrado" neste contexto não quer dizer necessariamente que é errado matá-lo sobre certas circunstancias. Algo chato da moral é que uma ação pode mudar de certo para errado em diferentes condições. matar alguém que está tentando te matar não é errado, assim como não é errado matar um boi por precisar comê-lo. Vou aprofundar este aspecto da moral mais a frente.

O outro argumento possível seria estabelecer algum tipo de fronteira arbitrária do que é "certo" e o que é "errado" no tangente ao tratamento dos insetos. Por exemplo, você pode dizer que matar uma barata porque ela pode trazer doenças está ok, enquanto matar um inseto por capricho não. Mas aí qual é o critério? Necessidade? Utilidade? O risco que o bicho traz? O sofrimento que ele sente? Não importa qual o critério que você escolha, haverão numerosas exceções e casos contraditórios - sem falar que alguns são alvo de intenso debate científico, como a questão do sofrimento.

Tudo bem, princípios éticos não precisam ser perfeitos, basta que sejam uma boa linha guia. Mas se você usa algo sem uma base sólida, você não pode criticar pessoas com uma interpretação diferente. Assim, você não teria como reclamar do Nibe e do Sampaio e seus hábitos torturadores de insetos, por exemplo.


Como dito, a moral permite mesmo admitirmos que algo é certo em certas condições e errado em outras. Isso já acontece quando tratamos com seres humanos (vide o exemplo acima da auto-defesa), porque não poderíamos ter esta fronteira no trato de animais? A linha guia a que você se refere poderia ser esta: "Alguma ação qualquer (matar/torturar) passa a ser aceitável eticamente quando sua execução é de extrema necessidade funcionamento da sociedade ou do individuo". Julgar quando que a ação em questão passa a ser de extrema necessidade é um dilema moral individual, sujeito a diferentes interpretações sim, mas duvido que alguém ache que torturar um touro realmente seja uma necessidade da sociedade.

Alias, Nibe e Sampaio torturam insetos? :shock: seus... seus... bárbaros :frenzied:

Ou para ser mais claro, o problema maior de extender "tratamento decente" ou sendo mais direto, "Direitos aos Animais" é que se os Especiesistas podem ser acusados de utilizarem uma barreira arbitrária para quem recebe direitos ou não ( a barreira entre "Humanos e Animais Não-Humanos" ), esse problema é elevado ao cubo para quem deseja extender tais direitos a Animais Não-Humanos. Por que motivo? Muitas características essenciais do modo de vida ocidental ( e de praticamente qualquer grupo humano que domestique animais ) são movidos por atos que gostemos de admitir ou não, são extremamente degradantes a animais não-humanos, desde a utilização dos mesmos em praticamente qualquer bem processado ao consumo dos mesmos propriamente disso ( e a menos que alguém seja Veganista, ele está sendo um tremendo hipócrita em defender direitos aos animais e comer carne ), além da utilização de uma série de organismos em pesquisa científica ( e isso é essencial para qualquer avanço médico ou biotecnológico ). E caso extendamos os direitos que damos ao humanos a grupos de animais podemos acabar gerando alguns problemas muito interessantes para nós mesmos ( E aí entra a clássica pergunta cruel a Não-Especiesistas: Vale a pena causar incômodos ou mesmo séries problemas a seres humanos em nome de outras espécies? ), além de tal posição ainda mantém o mesmo problema da "barreira arbitrária entre quem possui direitos ou não" ( só que ao invés de "Humanos e Não-Humanos", passa a ser "Primatas ou Não-Primatas" ou "Mamíferos e Não-Mamíferos", citando os casos mais comuns) a menos que se assuma que toda "Vida" deve ser protegida - o que é um absurdo auto-evidente.


Novamente eu digo... matar para comer é uma necessidade sim, torturar não. Não tente misturar os dois.

Você diz que a utilização de animais é uma necessidade para qualquer avanço médico. Eu por vez digo que qualquer avanço médico é uma necessidade para a evolução da sociedade, e que não há nada que o substitua. Se você concordar com essa afirmação minha, e juntar com a sua primeira, vai chegar a conclusão de que utilizar animais para pesquisas é uma necessidade da sociedade. Se partirmos do principio mencionado la acima, então a sua resolução a este dilema moral é que usar animais EM PESQUISAS MÉDICAS não é anti-ético. Outras pessoas podem chegar a opiniões diferentes, caso não concordem com aquelas afirmações utilizadas para chegar a esta conclusão, e por isso o dilema é individual.

Nossos hábitos são degradantes aos animais? Sim. Já ouviu falar em legislação ambiental? Nos esforçamos cada vez mais para diminuir este impacto dos nossos hábitos, você não pode negar isso e sair dizendo que "a nossa sociedade se aproveita, invade e destrói sociedades de outros animais".

Se vale a pena causar incômodos ou mesmo séries problemas a seres humanos em nome de outras espécies? Uma das base do nosso código moral (pelo menos do que foi adotado pela nossa sociedade) é que em qualquer situação extrema, o ser humano deve ter preferência. Eu particularmente não concordo com isso e gostaria de criticar esta ideia (acho que fiz isso no primeiro post que começou o debate), mas não farei isso agora porque nem ao menos é necessário. Esta afirmação de que humanos tem preferencia possui justificativas biológicas (como eu já disse sobre querermos defender nossos semelhantes), então é natural que esteja em nosso código moral. Então, respondendo a sua pergunta: se o incomodo ou problema causado ao humano for realmente sério (prejudicar sua saúde, por exemplo) então nos livramos do animal não-humano sem peso na consciência. Em outras situações é necessário ver o que é pior para quem.

Alias, tu pode dizer o que é um Especiesista? O google não diz, então estou seriamente pensando que esta palavra não existe :laugh:

E ressoando ao Lune: Você encontra uma saída? Porque eu não.


Como assim saída? Estamos em algum beco ou coisa assim? Ou o beco em questão é um eufemismo para seus argumentos pró-tortura anti-contra-argumentação? Bom, eu tentei, vamos ver qual sua réplica :aham:
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Mensagempor Lanzi em 27 Mai 2010, 10:54

É impossível encontrar um argumento racional, empírico, que seja, pra sustentar alguma idéia em qualquer lado dessa discussão. Quer dizer, assim como várias outras (praticamente todas) construções filosóficas, equações argumentativas, há sempre um princípio, do qual partimos, que, se não é injustificável, é, pelo menos, somente evidente para aqueles que já concordam com a idéia.

Se a vida em si não possui para nós um valor que a proteja dessas crueldades, então por que não estendemos essas práticas aos seres humanos? Da mesma forma que não há um argumento suficiente pra sustentar a idéia de que torturar animais não é uma coisa bacana (não há como não cair nos apelos sentimentais, em deduções, ou projeções impossíveis de serem verificadas), também não há um argumento que sustente o contrário e, quiçá, também não há nenhum que sirva para proteger os seres humanos dessa prática já que a vida humana, pela lógica, também não possui nenhum valor inerente, porque não tem nem menos vida nem mais vida que qualquer outro animal.

Aliás, essa preferência dada aos seres humanos não tem nada de muito racional; é exclusivista e impregnada de subjetividade. Claro, já que estamos tentando justificar o ponto do qual partimos a partir do próprio ponto do qual partimos. Como eu disse; é auto-justificativo. É uma lógica circular.
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Mensagempor juma em 27 Mai 2010, 11:27

Ta, e porque os animais fazem algo que seja lucrativo pra eles, se não é para aumentar suas chances de sobrevivência e passar o maldito DNA adiante? Tu pode não saber, mas o meu DNA e o teu são muito semelhantes.


Um filho provavelmente tem 50% dos genes do pai, o neto tem 25% dos genes do avô e por aí vai... na próxima geração já seria 12,5%, ou seja, muito pouco. Um animal não vai se preocupar com outro pq é da mesma espécie e portanto deve ter algum DNA dele. Ele vai é cuidar daqueles que ele sabe que possuem grande parte do seu DNA, ou seja, os parentes/filhos.

E animais torturam outros sim, então acho que é complicado dizer que existem motivos biológicos para não torturar um ser humano.
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Mensagempor ferdineidos em 27 Mai 2010, 12:02

Advogado de Regras escreveu: Ou para ser mais claro, o problema maior de extender "tratamento decente" ou sendo mais direto, "Direitos aos Animais" é que se os Especiesistas podem ser acusados de utilizarem uma barreira arbitrária para quem recebe direitos ou não ( a barreira entre "Humanos e Animais Não-Humanos" ), esse problema é elevado ao cubo para quem deseja extender tais direitos a Animais Não-Humanos. Por que motivo? Muitas características essenciais do modo de vida ocidental ( e de praticamente qualquer grupo humano que domestique animais ) são movidos por atos que gostemos de admitir ou não, são extremamente degradantes a animais não-humanos, desde a utilização dos mesmos em praticamente qualquer bem processado ao consumo dos mesmos propriamente disso ( e a menos que alguém seja Veganista, ele está sendo um tremendo hipócrita em defender direitos aos animais e comer carne ), além da utilização de uma série de organismos em pesquisa científica ( e isso é essencial para qualquer avanço médico ou biotecnológico ). E caso extendamos os direitos que damos ao humanos a grupos de animais podemos acabar gerando alguns problemas muito interessantes para nós mesmos ( E aí entra a clássica pergunta cruel a Não-Especiesistas: Vale a pena causar incômodos ou mesmo séries problemas a seres humanos em nome de outras espécies? ), além de tal posição ainda mantém o mesmo problema da "barreira arbitrária entre quem possui direitos ou não" ( só que ao invés de "Humanos e Não-Humanos", passa a ser "Primatas ou Não-Primatas" ou "Mamíferos e Não-Mamíferos", citando os casos mais comuns) a menos que se assuma que toda "Vida" deve ser protegida - o que é um absurdo auto-evidente.

E ressoando ao Lune: Você encontra uma saída? Porque eu não.


Proteger os animais não quer dizer direitos iguais aos humanos. É só reconhecer que animais também sofrem, e que por isso não devem ser tratados como objetos que possam ser furados por causa de um espetáculo.

Aliás, os animais já são protegidos pelo nosso sistema jurídico, proibindo maus tratos e abusos. Pra mim isso está mais do que bom, só precisa aplicar.

E com relação a barreira arbitrária, é óbvio que esta precisa ser traçada. Assim como menor de 18 anos é inimputável, assim como sexo com menor de 14 é estupro presumido. São barreiras arbitrárias como zilhões de outras.

Realmente consigo ver um debate em questões onde o objetivo seja benéfico para a humanidade (experimento com animais para busca da cura para o câncer, por exemplo), mas onde o objetivo é diversão? Não existe área cinzenta aí, é só uma questão de se importar ou não.
"Entre todas as tiranias, a tirania exercida para o bem de suas vítimas é a mais opressiva.Talvez seja melhor viver sob o olhar de nobres usurpadores do que de intrometidos moralistas onipotentes."
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Mensagempor FreeSample em 27 Mai 2010, 12:31

Pessoal, não li muita coisa mas vi uma e outra referência a "direitos animais", e acho pertinente trazer aqui pro fórum uma idéia jogada em uma conversa de bar da qual participei a algum tempo:

Animais são indivíduos de direitos? porque se sim deveriam em teoria ter deveres também. Como não possuem deveres, não possuem direitos. Portanto, que chamamos de direitos animais na verdade são deveres dos seres humanos, diante de um estado e uma moral, a agir de maneira ética com animais.
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Mensagempor ferdineidos em 27 Mai 2010, 12:45

FreeSample escreveu:Pessoal, não li muita coisa mas vi uma e outra referência a "direitos animais", e acho pertinente trazer aqui pro fórum uma idéia jogada em uma conversa de bar da qual participei a algum tempo:

Animais são indivíduos de direitos? porque se sim deveriam em teoria ter deveres também. Como não possuem deveres, não possuem direitos. Portanto, que chamamos de direitos animais na verdade são deveres dos seres humanos, diante de um estado e uma moral, a agir de maneira ética com animais.


Juridicamente não, animais não são detentores de direitos. Mas gozam de proteção como qualquer bem, além de proteções adicionais pelo fato de serem dotados de um nível de inteligência.
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Mensagempor Midg4rd em 27 Mai 2010, 13:39

Se a DOR é a mesma, o VALOR a ser tirado é o mesmo. Por que...o que vale pra Chico não vale pra Francisco?

Magia Negra é tradição cultural, em alguns casos matam-se pessoas também, alguns dizem ser crueldade, crime e bla bla. Mas animais é qualquer porcaria. Tal afirmação embasada em que?

Um argumento válido por favor...
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Midg4rd
 
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