por Seth em 27 Jun 2008, 15:58
Esta semana comprei o álbum “Fotografia: Os anos dourados de Tom Jobim”. Odeio dar 49 paus num cd, mas eu estava atrás desse disco há meses, logo não reclamei (muito). Mas o material vale cada centavo: de gravações raras a participações especiais, de temas consagrados e batidos a canções que pouco são executadas, é um passeio pela carreira do maestro. É uma coletânea, mas que privilegia os mais diversos aspectos do maestro – não só os que vendem com facilidade.
São dois cd’s. O primeiro começa com o instrumental de vários clássicos (Garota de Ipanema, Insensatez, Chega de Saudade, Desafinado), com o mestre ao piano. Essa é o segundo trabalho dele no qual eu ouço diversas músicas instrumentais dele (o anterior foi à trilha sonora do cd Gabriela, com Gal Costa, que me deixou uma impressão positiva) e não decepciona. O segundo momento é formado por participações especiais, primeiro a de Elis Regina, e aqui está Águas de Março, mas há outras músicas da célebre parceria – com o Tom ao piano. Depois, temos Edu Lobo, um dos parceiros do maestro. O cd termina com um dueto com Chico Buarque, da célebre “anos dourados”, mas antes há a participação da Banda Nova. Merece destaque, aqui, a faixa Passarim, feita para a minissérie “O Tempo e o Vento”, num momento fantástico de instrumental, voz e coral.
O segundo cd tem composições que não são encontradas nos trabalhos do Tom. É o que eu mais gostei, com algumas coisas absolutamente maravilhosas. A voz grave do poeta, e o piano do maestro no “Soneto da Separação”, e Tom, Chico, Caetano cantando Águas de Março – a versão que eu mais gosto dessa música. Outro destaque é a canção Matita Perê. E tome-lhe Anos Dourados, dessa vez na versão orquestrada.
O Cd tem momentos simplesmente fantásticos (como Gabriela, Matita Perê, Passarim, os instrumentais, Soneto da Separação), mas peca em alguns momentos. Certas músicas que estão no segundo cd deveriam estar no primeiro – e estão aqui ocupando espaço apenas porque não estão compiladas na obra do maestro. Dois exemplos: A versão instrumental de Anos Dourados poderia fazer par com as outras instrumentais do começo, e há um dilúvio de águas de março: um total de três. Eu não me importo muito porque eu costumo sair atrás de várias versões de uma música, mas um leigo pode encarar isso como insuportável, e fica com a sensação que a obra do Tom se limita a isso – o que não é verdade. Com um repertório tão grande, eles poderiam ter aberto caminho para outras.
Concluindo, esse é um trabalho belíssimo, com canções raras, o que, para alguém que gosta muito - mas não é fã - pode apresentar muitas surpresas agradáveis; ou para quem conhece o Tom das coletâneas e dos duetos com Elis e Chico. Mas não é um álbum pra um leigo, que pode se perder, e achar que comprou gato por lebre (águas de março DE NOVO?).
Numa escala de um a dez, eu diria que esse álbum merece, folgadamente, nove. E viva o cinqüentenário da Bossa.