A Religião NO RPG

Essa é a seção para conversas gerais sobre RPG, que não são sobre um sistema específico ou envolvem a sociedade em discussão sobre aspectos culturais, religiosos, comportamentais e educacionais do RPG, a popularização do jogo e o combate ao preconceito.

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A Religião NO RPG

Mensagempor Kliviwiki em 12 Set 2007, 09:15

Atenção, o título do tópico é A Religião no RPG, e não A Religião em D&D.

Voltando à questão inicial do tópico: o que eu queria discutir são as implicações sociais de se ter uma ordem religiosa que adora deuses que realmente existem. Como seriam essas ordens?

No cenário que eu estou imaginando existe magia divina. Os processos de conjuração da magia divina e arcana são diferentes. A magia arcana precisa, necessariamente, que se pronuncie palavras e que gestos sejam feitos. A magia divina não precisa de nenhum desses dois componentes. Por isso, não há dúvida (no cenário em questão) de que deuses existem, quantos e quaisquer que sejam eles, pois eles permitem que magia seja utilizada sem componentes verbais ou gestuais. Isso não quer dizer, no entanto, que todos tenham que adorá-los. Se os deuses são os fodões onipotentes e permitem a existência de pessoas que não querem adorá-los, é porque eles toleram isso. Pensem no mundo com um playground das divindades: estas criaram a natureza. A magia arcana é uma forma de alteração da natureza que foi concedida pelos deuses aos seres humanos (seres com alma). Alternativamente, a natureza pode ser alterada pelos próprios deuses, a pedido dos seus adoradores (qualquer usuário de magia divina, não necessariamente um clérigo). O que ocorre no processo de conjuração divina, portanto, é que a energia utilizada para alterar a natureza é diferente da energia utilizada pela magia arcana.

Qual será, então, a conseqüência disso no que diz respeito às ordens religiosas? Há mesmo alguma razão para que elas existam? Parece-me que, se elas realmente existirem, seriam mais semelhantes a uma comunidade científica do que a uma ordem religiosa como conhecemos. Entendem onde eu quero chegar? A minha idéia principal é que as ordens religiosas pressupõem a existência de um certo temor a um deus específico, já que adorá-lo ou não não vai fazer diferença nenhuma para não-usuários de magia (e mesmo para os usuários de magia divina, trata-se apenas de uma alternativa à magia arcana). Como temer, então, uma entidade que é quase cientificamente conhecida e estudada?
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Mensagempor Ennock_DarkSoul em 12 Set 2007, 19:36

Ora, estou criando um cenária, com sistema embutido, e tem uma abordagem semelhante a sua. Porém, mesmo sendo high magic, gosto de envolver tudo a respeito de mágica em mistério e incerteza, fazendo-a menos palpável.

O cenário, embora tenha uma forte religiosidade, não apresenta interferência divina alguma. E o poder dos deuses chega a ser tão efetivo quanto no mundo real(acredite você no que acreditar, quanto a essa efetividade)...

A magia divina é muito diferente da magia arcana. Na verdade não é nem chamada de magia, e não tem efeitos tão palpáveis. Os clérigos capazes de realiza-la são chamados Milagreiros(Classe de Personagem), e necessitam de grandes rituais dogmáticos de sua seita para "fazerem mágica". E esta mágica é sutil, como fazer uma doença grave sumir em alguns meses, ou "encorajar" alguém a realizar um objetivo que a crença do Milagreiro aprovaria...
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Mensagempor Madrüga em 12 Set 2007, 23:25

Aluriel de Laurants escreveu:
Youkai X escreveu:No Cenário oriental da Spell ninguém poderia ter certeza da origem da magia divina, apenas ter fé em sua origem, visto que não se há certeza da existência de deuses e cada povo tem sua religião própria e em povos próximos existe muito sincretismo , demonizações e empréstimos de elementos mitológicos, teológicos e etc.


Isso me lembra da minha impressão sobre a magia divina ser uma espécie de efeito placebo.


O que é mesmo. Isso me lembra das pílulas de papel que curam... sem fundamento científico, mas as pessoas melhoram com a fé de que vão melhorar. Eu estou gostando do tratamento da religião no cenário oriental, mesmo que ele ande a passos de tartaruga.

---

Quanto ao artigo, achei muito infantil, muito... bobo. Trata a questão com a típica ignorância de quem desconsidera "complicações" como bobagem. Para que complicar a questão das religiões? É só um jogo! O pior de tudo ainda é discutir naquele formato do Multiply, acho terrível. Mas ele está livre para dar as opiniões dele. Afinal, cada um prefere um tipo de cenário, e eu sempre prefiro ir pelo verossímil, pelo possível.

Eu resumiria o que o Roquen disse de um jeito: em religião, todos estão certos e, ao mesmo tempo, todos estão errados. Acho muito tolo que certos cenários dispensem enormes descrições sobre os primórdios, sobre a criação do universo, com um tom jornalístico de verdade absoluta. Ora, isso é uma bobagem tremenda. Se tomarmos nosso mundo como exemplo (afinal, é nossa única referência segura), cada povo tem sua versão da Criação e isso faz parte de sua identidade cultural; não se pode provar que eles estão certos ou errados. Claro que a ciência teve um papel fundamental em desmistificar os mitos (aqui na acepção do sagrado)... afinal, muita coisa provada pela ciência não foi sequer prevista ou citada pela esmagadora maioria das religiões.

Contudo, muitos cenários, ao retratar mundos "medievais", acabam pecando por essa obsessão do homem moderno acerca da "verdade" em tom jornalístico, da crônica do "real" e acabam fazendo mitos de Criação tão certinhos e absolutos que a coisa descamba para o risível. É inverossímil, é ingênuo e é simplista demais colocar verdades absolutas na criação do universo. Claro, é só um jogo...

Mas criar uma versão "absoluta" da criação e, pior, criar um povo que acredite e pregue essa versão absoluta acaba criando um mal ainda maior: o povo certo. Pensem naquele cenariozinho mequetrefe, Forgotten Realms. Temos certeza, por exemplo, de que a "deusa da magia" (um conceito tão bobinho) existe, afinal, os deuses têm sua vida social documentada e ocorrendo junto da mortal, e ela protege Sean Connery, o maior mago do cenário. Não é a vida dos deuses gregos, que se vêem andando com os mortais apenas nos grandes épicos, mas é uma existência mais palpável e verdadeira.

E se um povo acreditasse em outra deusa da magia, ou num deus da magia, ou em nada, ele estaria simplesmente... errado. Essa bobagem do povo certo é um ranço da modernidade, de acharmos que a exatidão, a lógica e a coerência povoam as relações humanas... e não povoam. No tocante do social, do sagrado, do religioso, o ser humano é tão aleatório e incoerente quanto pode ser. No exemplo do artigo a respeito do Egito, duas cidades nunca tinham o mesmo panteão:

Claude Traunecker escreveu:Os egípcios não sentiram necessidade de estabelecer um inventário de seus deuses. O esforço dos hititas, que fizeram laboriosas listas de concordância entre seus deuses e os de seus vizinhos, devia fazê-los sorrir. Essa ausência deve-se à própria natureza do panteão, em que as divindades aparecem, desaparecem, mudam de nome e de função segundo as circunstâncias. Os poucos repertórios conhecidos de divindades inscrevem-se num contexto limitado e visam a uma aplicação precisa.
(Os deuses do Egito, trad. Emanuel Araújo. 1995, editora da UnB)


Há um esforço realmente ridículo em se fazer listas concisas e certas de divindades sem se considerar coisas importantes como: aleatoriedade (panteões variegados, com discordâncias internas e variantes que vão desde nome e função até aparência dos deuses, passando pela existência de uns ou outros), verossimilhança (criar o "deus das espadas" e não fazê-lo ter papel dentro de um panteão é inverossímil. Certos papéis atribuídos a deuses de fantasia são tão irreais que parecem piada. Mas, é claro, ler sobre o assunto é trabalhoso e o importante é jogar, porque é apenas um jogo), contaminação (afinal, sabemos que o mito de Odin pendurado na árvore do conhecimento para descobrir o segredo das runas tem fortes ligações com o Cristo crucificado, por exemplo. Culturas próximas, e às vezes distantes, têm a capacidade de se entrelaçar, criando mitos sincréticos ou altamente influenciados), sincretismo (a existência de religiões que têm uma base similar, mas cujas parecenças páram em certos pontos, como o islamismo, o judaísmo e o cristianismo) e a impossibilidade empírica de verificação da veracidade de uma religião em detrimento de outras.

É ver artigos levianos tratando tão cruamente de temas tão interessantes que me dá ganas de escrever um sobre religião. Acho que vou me mexer e escrever um artigo ou série de artigos sobre religião em RPG.

Quanto às críticas ao artigo do Valberto, espero que todos compreendam a validade de se criticá-lo. Afinal, tendo ele publicado o artigo em via pública, é patente que nem todo comentário deva ser elogioso (e é bom que nunca o sejam, pois as concordâncias em excesso nublam o julgamento apropriado de um trabalho). Quem publica apenas para colher elogios tem sérios problemas de autoafirmação e autoimagem. Os autores geralmente sabem disso, mas a fúria dos leitores mais fanáticos sempre pesa nessas horas.
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Mensagempor Youkai X em 13 Set 2007, 00:19

Agora me faço uma pergunta. E como seria a religião num mundo em que REALMENTE existem deuses e um panteão que criou o mundo e tudo o mais? Como fazer que as religiões fossem verossímeis? Como seria um cenário de fantasia em que os personagens jogadores estivessem vendo a verdade e essas coisas todas?
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Mensagempor Kliviwiki em 13 Set 2007, 11:27

Youkai X escreveu:Agora me faço uma pergunta. E como seria a religião num mundo em que REALMENTE existem deuses e um panteão que criou o mundo e tudo o mais? Como fazer que as religiões fossem verossímeis? Como seria um cenário de fantasia em que os personagens jogadores estivessem vendo a verdade e essas coisas todas?


Pois é, sô. Essa é a minha dúvida primordial e foi por isso que eu criei este tópico.

Olha só o que o Seu Madruga disse:
em religião, todos estão certos e, ao mesmo tempo, todos estão errados. Acho muito tolo que certos cenários dispensem enormes descrições sobre os primórdios, sobre a criação do universo, com um tom jornalístico de verdade absoluta. Ora, isso é uma bobagem tremenda.


Seu Madruga, com a devida vênia, acho que a sua observação só é válida para o nosso mundo, o mundo real. E isso acontece por um motivo muito simples: não se pode provar cientificamente que os mitos existem ou existiram (ou aconteceram). Por isso eles são chamados de mitos. E por isso é inútil discutir acerca de como o mundo surgiu ou o porquê de as coisas serem como são, pelo simples motivo de cada uma ter uma explicação para isso. Contudo, o que acontece quando a existência dos deuses passa a ser incontestável? Concordo que, ainda assim, é possível que não exista uma explicação unívoca, pois cada um pode dar uma explicação diferente ao fato de um indivíduo ter expelido uma bola de fogo pelas mãos sem ter feito o que normalmente se faz para conjurar uma bola de fogo arcana. Mas, mesmo assim, acho que a interpretação da magia arcana seria mais científica do que religiosa (não que eu queira que seja assim, mas não consigo achar uma justificação racional para que não seja).

O meu maior problema é que eu estou desenvolvendo um sistema que não está vinculado a um cenário específico (mas é claramente voltado para a fantasia medieval). O cenário que eu disse estar imaginando ainda é mera especulação. E fica difícil falar de divindades sem entrar em um cenário específico... Por enquanto eu e meu amigo só resolvemos que os processos de conjuração arcana e divina serão diferentes, e por enquanto isso não resultou em nenhum problema. Mas o que fazer quando temos que prever como vai ser a organização de uma sociedade que convive diariamente com "milagres" (magia divina)?
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Mensagempor planes em 13 Set 2007, 12:14

Kliviwiki escreveu:No cenário que eu estou imaginando existe magia divina. Os processos de conjuração da magia divina e arcana são diferentes. A magia arcana precisa, necessariamente, que se pronuncie palavras e que gestos sejam feitos. A magia divina não precisa de nenhum desses dois componentes


A questão é que você sabe que são diferentes, um habiotante típico medieval que provavelmente nem ler sabe não vai diferenciar um do outro a não ser através da fé, ou seja, o que vai diferenciar um clérigo de outro praticante de magia é a crença do povo comum em questão no deus que o cara serve.

A diferença que você está tentando passar simplesmente não existe dentro do jogo, um típico jogo de fantasia medieval é composto por uma massa ignorante de vários aspectos cultos da sociedade, em especial teologia e conhecimentos arcanos, sem um conhecimento sobre o assunto o que o individuo usaria como base para diferenciar um do outro? O fato de que um dos unicos magos que ele viu na vida balança os braços e outro não? Isso parece mais técnicas diferentes que prova divina, na duvida uma sociedade que tenha temor a pratica arcana, por exemplo, vai mandar todo mundo para a fogueira.

A crença em si vai além da falta da prova (até mesmo no caso do nosso mundo real, não faltam exemplos de rituais de prestigidação que no passado poderiam facilmente passar como milagre, não muito diferente, a não ser em intensidade, de magias divinas de um jogo de fantasia medieval), ela também significa acreditar em algo que afeta o dia a dia da pessoa mesmo sem aparecer diretamente (um campones pode adorar os deuses da agricultura mesmo que nunca tenha visto um sacerdote com poderes divinos na vida - lembrando que sacerdote que solta magia é um caso a partre, a maioria do corpo clerical não tem poder divino - isso porque sua vida depende dos caprichos deste ser).

Um mundo de fantasia é como um mundo teocentrico (base de pensamento de um mundo medieval), não há um questionamento muito forte na existencia dos deuses, o foco é que seguir um deus demanda sacrificios e a forma como cada pessoa lida com isso é que diferencia uma pessoa de fé de uma pessoa que não tenha fé, e para administrar isso existem as ordens religiosas (que em mundos politeistas tem de enfrentar um outro aspecto que é a concorrência de outras ordens).
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Mensagempor Cak em 13 Set 2007, 15:20

Só que tem um problema: num mundo onde os deuses existem e aparecem freqüentemente, não existira pessoas sem fé, pelo simples fato de que sua organização religiosa seria tão poderosa que nenhuma força teria como competir com a mesma, seria um domínio eterno das organizações religiosas, o que deixaria esse mundo bem uniforme em questões culturais, políticas e até econômicas.
GD: Do you find it annoying if a man plays video games while you are around?
Jasmine: No, not at all. I love games.
GD: So, if you saw a man playing video games, you would cheer him on?
Jasmine: Oh, definitely.
GD: What would you say to him?
Jasmine: Go! Go! Get the high score! Do it for me!
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Mensagempor planes em 13 Set 2007, 17:50

Cak escreveu:Só que tem um problema: num mundo onde os deuses existem e aparecem freqüentemente, não existira pessoas sem fé, pelo simples fato de que sua organização religiosa seria tão poderosa que nenhuma força teria como competir com a mesma, seria um domínio eterno das organizações religiosas, o que deixaria esse mundo bem uniforme em questões culturais, políticas e até econômicas.


Se for uma ambientação for politeista isso não ocorreria, aliás esta é a base da Guerra dos Deuses que era utilizada na época dos cenários de AD&D.

A questão é que você tem vários deuses, inclusive com portfolios opostos, de forma que se um deus específico resolve sair exercendo sua influencia diretamente ele abre precedente para que outros, em especial seus rivais, façam o mesmo. Considerando o poder que cada um destes seres controla se uma guerra deste nível começa não vai sobrar nenhum seguidor vivo e como (geralmente) não existe deus sem seguidor esta postura é absolutamente suicida.

Desta forma a busca por seguidores é uma batalha sutil e indireta, daí a necessidade de ordens religiosas preparadas a espalhar a influencia divina sem que o deus trenha de se envolver diretamente.

DragonLance é um exemplo interessante, é uma ambientação com deuses mais huamnos (e consequentemente limitados) e bem ativos, mas pode ver que sempre que há uma influencia mais direta tudo acaba dando muito errado no final (e por serem limitados alguns deles não aprendem nunca), tanto que a unica vez que a Takhisis chegou perto de ter sucesso foi quando deixou de lado a estrategia de sair por ai destruindo todo mundo para utilizar fieis leais a sua palavra (os Cavaleiros de Takhisis). Já em uma realidade alternativa de DL, onde o Rei Sacerdote conseguiu ascender utilizando a Gema Cinzenta se tornando o unico deus aconteceu o que você disse, sem nenhuma concorrencia ele passou a dominar a vida de seus fieis com braço de ferro, utilizando a lua como "olho" para vigia Krynn.

Perceba que cada um dos casos deve ser avaliado de acordo com sua proposta, não há uma forma única de manter a verossimilhança destes diferentes cenários.
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Mensagempor Cak em 13 Set 2007, 18:31

Sim mais ainda tem mais um lado se fossemos pegar os politeístas. Bom se nenhum deus tivesse o poder acima dos outros isso que você falou funcionaria, só que quando um deles tem o poder maior que os outros ele acaba sendo o chefe dos deuses, mais ou menos como na mitologia grega onde se tem o Zeus, o deus mais poderoso, e o resto que o obedece. E normalmente nesse tipo de religião, se um deus querer desobedecer esse deus todo poderoso ela vai deixar de existir simplesmente.
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Mensagempor planes em 13 Set 2007, 20:39

Cak escreveu:Sim mais ainda tem mais um lado se fossemos pegar os politeístas. Bom se nenhum deus tivesse o poder acima dos outros isso que você falou funcionaria, só que quando um deles tem o poder maior que os outros ele acaba sendo o chefe dos deuses, mais ou menos como na mitologia grega onde se tem o Zeus, o deus mais poderoso, e o resto que o obedece. E normalmente nesse tipo de religião, se um deus querer desobedecer esse deus todo poderoso ela vai deixar de existir simplesmente.


Não é questão de poder e sim comprometimento com alguma hierarquia, Zeus pode governar, mas se ele for para o mundo mortal e forçar que todos os mortais sigam apenas seus ensinamentos ou sair eliminando um deus atrás do outro sem motivos, os demais deuses irão se rebelar contra ele e mesmo que ele vença não vai sobrar um mortal vivo para adorá-lo (vide a ascenção de Raisltin na trilogia Legends).

É uma posição complicada, inciar um conflito aberto entre os deuses pode ser o fim do mundo mortal, pouco importa se temos um deus menor e outro maior, ambo são deuses e em uma guerra alianças serão feitas e tudo será perdido. O modo que este comprometimento se reflete na prática é deixar que os mortais vivam suas vidas, cabendo aos deuses influenciar levemente para fazer com que sigam o rumo que ele deseja, como em um jogo de xadres.

Uma exceção é se um deus for poderoso o suficiente para tirar o poder divino ou anular os outros deuses rapidamente, neste caso não há uma guerra propriamente dito. Este é o caso do rei Sacerdote a que me referi, ele acabou com a concorrencia em um piscar de olhos e facilmente instaurou uma ditadura divina.
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Mensagempor WillDice em 14 Set 2007, 08:41

planes escreveu:
Cak escreveu:Sim mais ainda tem mais um lado se fossemos pegar os politeístas. Bom se nenhum deus tivesse o poder acima dos outros isso que você falou funcionaria, só que quando um deles tem o poder maior que os outros ele acaba sendo o chefe dos deuses, mais ou menos como na mitologia grega onde se tem o Zeus, o deus mais poderoso, e o resto que o obedece. E normalmente nesse tipo de religião, se um deus querer desobedecer esse deus todo poderoso ela vai deixar de existir simplesmente.


Não é questão de poder e sim comprometimento com alguma hierarquia, Zeus pode governar, mas se ele for para o mundo mortal e forçar que todos os mortais sigam apenas seus ensinamentos ou sair eliminando um deus atrás do outro sem motivos, os demais deuses irão se rebelar contra ele e mesmo que ele vença não vai sobrar um mortal vivo para adorá-lo (vide a ascenção de Raisltin na trilogia Legends).

É uma posição complicada, inciar um conflito aberto entre os deuses pode ser o fim do mundo mortal, pouco importa se temos um deus menor e outro maior, ambo são deuses e em uma guerra alianças serão feitas e tudo será perdido. O modo que este comprometimento se reflete na prática é deixar que os mortais vivam suas vidas, cabendo aos deuses influenciar levemente para fazer com que sigam o rumo que ele deseja, como em um jogo de xadres.

Uma exceção é se um deus for poderoso o suficiente para tirar o poder divino ou anular os outros deuses rapidamente, neste caso não há uma guerra propriamente dito. Este é o caso do rei Sacerdote a que me referi, ele acabou com a concorrencia em um piscar de olhos e facilmente instaurou uma ditadura divina.

Mais que isso, ser O Deus Mais Poderoso acima dos outros não implica necessariamente em ser mais poderoso que os outros somados.

O próprio Zeus sempre temeu que um de seus filhos tentasse tomar seu lugar, como ele próprio fez com Cronos e Cronos fez com Urano. Ambos, aliás, também demonstraram o mesmo tipo de medo de seus próprios descendentes, só manifestaram isso de forma diferente. Urano não deixou que seus filhos nascessem, Cronos os comeu. Talvez por isso Zeus continuou reinando.
E nenhuma dessas tomadas de poder foi catastrófica o bastante para não deixar nada sobre o que governar. Se Athena ou Ares ou Apolo tomassem o lugar do pai, não seria preciso uma guerra final que eliminasse todos os demais deuses e mortais. Só alguns... :linguinha:
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Mensagempor Corvo da Tempestade em 14 Set 2007, 09:05

Mas o que fazer quando temos que prever como vai ser a organização de uma sociedade que convive diariamente com "milagres" (magia divina)?


Magia divina e um termo de D&D....e pessoalmente acho apenas uma interpretação das regras. O "homem comum" não saberia a diferença entre um...digamos...mago branco e um mago negro (terminologia de FF)

Mitologia grega é um bom exemplo onde "os deuses existem"...mas não interferem muito (só quando um certo espartano resolve matar meio mundo)
SPOILER: EXIBIR
e depois virar um deus, e perder a dinvidade se aliando aos titãs


Acho interessante saber como a magia é vista (se é que ela existe), afinal ela pode ser vista como milagre...ou não.Creio que é importante a visão da pessoa comum a respeito disso.Ou seja os deuses podem até exister, mas PROVAR que eles existem e o X da questão
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Mensagempor Kliviwiki em 15 Set 2007, 10:39

Planes escreveu:
A questão é que você sabe que são diferentes, um habiotante típico medieval que provavelmente nem ler sabe não vai diferenciar um do outro a não ser através da fé, ou seja, o que vai diferenciar um clérigo de outro praticante de magia é a crença do povo comum em questão no deus que o cara serve.

Qual é o problema disso? O fato de quase ninguém saber que a magia divina existe e que ela é diferente da arcana não é obstáculo, do meu ponto de vista, para que se afirme que os deuses existem. O que acontece é que, para os camponeses iletrados, a religião teria quase o mesmo papel que tem para as pessoas menos esclarecidas no nosso mundo real. Mas e aqueles que estão em contato com a magia divina? Como eles se organizariam? A Igreja, por exemplo, busca sempre aumentar o número de fiéis por meio da pregação, ou seja tentando convencer as pessoas disso ou daquilo. Será que isso também aconteceria, dentro dos mesmos moldes, num cenário onde existe magia divina?

Planes escreveu:
A diferença que você está tentando passar simplesmente não existe dentro do jogo, um típico jogo de fantasia medieval é composto por uma massa ignorante de vários aspectos cultos da sociedade, em especial teologia e conhecimentos arcanos, sem um conhecimento sobre o assunto o que o individuo usaria como base para diferenciar um do outro? O fato de que um dos unicos magos que ele viu na vida balança os braços e outro não? Isso parece mais técnicas diferentes que prova divina, na duvida uma sociedade que tenha temor a pratica arcana, por exemplo, vai mandar todo mundo para a fogueira.

O fato de a maioria das pessoas não saber que existe diferença entre magia arcana e divina não as torna iguais. Mesmo que essa maioria seja de 99%, isso faz diferença sim, principalmente para quem está elaborando o sistema.

Planes escreveu:
A crença em si vai além da falta da prova (até mesmo no caso do nosso mundo real, não faltam exemplos de rituais de prestigidação que no passado poderiam facilmente passar como milagre, não muito diferente, a não ser em intensidade, de magias divinas de um jogo de fantasia medieval), ela também significa acreditar em algo que afeta o dia a dia da pessoa mesmo sem aparecer diretamente (um campones pode adorar os deuses da agricultura mesmo que nunca tenha visto um sacerdote com poderes divinos na vida - lembrando que sacerdote que solta magia é um caso a partre, a maioria do corpo clerical não tem poder divino - isso porque sua vida depende dos caprichos deste ser).

Concordo que qualquer um pode acreditar em divindades, mesmo que não haja prova disso. O problema é estabelecer um critério para defeinir quem pode e quem não pode usar magia divina.

Planes escreveu:
sacerdote que solta magia é um caso a partre, a maioria do corpo clerical não tem poder divino

Isso não é uma regra e pode ser facilmente alterado.

Um mundo de fantasia é como um mundo teocentrico (base de pensamento de um mundo medieval), não há um questionamento muito forte na existencia dos deuses, o foco é que seguir um deus demanda sacrificios e a forma como cada pessoa lida com isso é que diferencia uma pessoa de fé de uma pessoa que não tenha fé, e para administrar isso existem as ordens religiosas (que em mundos politeistas tem de enfrentar um outro aspecto que é a concorrência de outras ordens).

Planes, acho que você está muito preso(a) a idéias já existentes de cenários de fantasia medieval. Não acho que um cenário de fantasia medieval deva reproduzir fielmente o pensamento que vigeu no nosso mundo durante a Idade Média. É preciso definir se as ordens religiosas agem de acordo com a vontade direta dos deuses, ou se elas agem de acordo com o que acham ser a vontade dos deuses. Neste último caso, seriam como as ordens religiosas que conhecemos hoje.

Desculpem o post colossal...
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Mensagempor planes em 15 Set 2007, 12:40

Qual é o problema disso? O fato de quase ninguém saber que a magia divina existe e que ela é diferente da arcana não é obstáculo, do meu ponto de vista, para que se afirme que os deuses existem.


Não é possivel afirmar, só que sem provas você tem de recorrer a fé, a crença, em confiar que milagres são reais e não embustes, exatamente como em nosso mundo.

Dentro deste grupo (que não é formado apenas por camponeses iletrados, basta que a pessoa não tenha niveis em perciais como conhecimento arcano e teologia) existirão pessoas que se agarrarão a esta ideia de proteção, que irão adorar por temor, (uma minoria, já que estes cenários se assemelham a ambientes históricos teologicos, a existencia divina não é criticada) que não acreditarão em nada disso e o método como a palavra deste deus chega a estes locais irá modular esta reação.

Ordens divinas tem um papel que vai alem de converter novos fieis (algo que é mais comum nos mundo atual), ela também é guia, providenciando conselhos e conforto aos seguidores de um determinado deus. Portanto você não verá muitas diferenças entre a Igreja medieval e as ordens religiosas de mundos fantásticos, em nenhum dos casos o questionamento de Deus e seus milagres foi um fator predominante.

O fato de a maioria das pessoas não saber que existe diferença entre magia arcana e divina não as torna iguais. Mesmo que essa maioria seja de 99%, isso faz diferença sim, principalmente para quem está elaborando o sistema.


Na verdade é o contrário, ela é 99% semelhante e quem faz o sistema deve compreender isso.

Nenhum habitante do mundo leu o livro do jogador, e como tal a verossimilhaça de uma ambientação é medida pelo que os habitantes desta acreditam e não por conhecimentos meta jogo.

São coisas diferentes, em termos de desing criamos magioas diferentes sejam por motivos históricos (" e na criaçaõ foi dito que a magia dada aos mortais pelos deuses só afetariam a cor amarela") ou simplesmente para evitar sobreposição de classes (como geralmente é feito), mas tudo isso começa e termina dentro do livro, a abordagem dentro do jogo é outra e isso afetará a maneira como o jogador enfrentará seus desafios (se ele chegar em uma vila onde todos odeiam magia ele poderá ter problemas em convence-los de que não é um mago).

Isso não é uma regra e pode ser facilmente alterado.


Isso não seria uma regra, é lógica de cenário (por isso vários sistemas utilizam mesmo tendo regras totalmente diferentes).

Magia divina é apenas outro nome para milagre, e como tal ter a capacidade de realiza-los é algo unico, é dizer que dentre todos os mortais do mundo o deus escolheu o seu personagem como principal reprsentante de seus ideias e isso não deve sobre hipotese alguma ser banalizado (depois o jogador vira um mero repositório de magias de cura e o mestre fica questionando o por que do cara não interpretar o fato de ser um grande fiel de um determinado deus).

Planes, acho que você está muito preso(a) a idéias já existentes de cenários de fantasia medieval. Não acho que um cenário de fantasia medieval deva reproduzir fielmente o pensamento que vigeu no nosso mundo durante a Idade Média.


Bem, mas ai não seria fantasia medieval XD

Acaba que vira uma questão prática, esta questão não é um problema em cenários clássicos pelo fato de ser tratada como eu descrevi, uma maneira que é verossimil mesmo com a existencia divina factual (só para questões de discussão, acredito que Deus existe em nosso mundo e que as provas existem, mesmo que mais subjetivas :aham: ).

Obviamente se você quiser sair deste padrão logico funcional (para fazer algo como Scion, por exemplo) você terá de criar novos metodos para recriar a verossimilhança. O que quero dizer é que, nos cenários bem feitos, a ideia descrita neste tópico nunca foi um problema, é um assunto que não foi ignorado pelos autores e a solução apresentada é realmente funcional (inclusive podem servir de ponto de partida para alterações).
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planes
 
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A Religião NO RPG

Mensagempor Cak em 15 Set 2007, 15:42

Bom, discutindo a questão sobre Zeus e mitologia grega: percebem que não é a questão de ele ser mais poderoso, mas sim a questão de ele ser juiz que implica nisso. E com essa espécie de tribunal dos Deuses, seria difícil algum deus ir contra o outro, então as forças mais poderosas seriam os próprios deuses, e assim o cenário provavelmente entraria numa ditadura divina. Claro que isso não serve m uito quando os deuses são paranóicos e desconfiados uns dos outros.
GD: Do you find it annoying if a man plays video games while you are around?
Jasmine: No, not at all. I love games.
GD: So, if you saw a man playing video games, you would cheer him on?
Jasmine: Oh, definitely.
GD: What would you say to him?
Jasmine: Go! Go! Get the high score! Do it for me!
GD: Can you say that one more time?
Jasmine: Go! Go! Get the high score! Do it for me! [Laughs]
GD: Thank you for making my day.
Jasmine: That's what I'm here for.
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