(Aos que nunca me viram começar uma discussão, ou seja, todos...Eu enrolo muito, tenham paciência x.x).
Depois de digitar um "dicas para mestrar RPG" ou qualquer coisa do tipo no google, ou mesmo vasculhas qualquer fórum, notei que a maioria das discussões são orientadas na parte dos plots, como gerar um plot bom, como juntar jogadores sem forçar a barra, como fazer eles odiarem seu vilão e como fazer ele ser um vilão de verdade sem ser imune a tudo que jogam nele...Um ponto que ficou meio de fora, é o como narrar, encontrei muito pouco sobre o assunto e gostaria de discutir a respeito.
Fiquei curioso sobre isso alguns dias atrás (ano passado, tanto faz), quando peguei um grupo diferenciado pra jogar RPG, nenhum deles tinha jogado RPG, mesmo que eletrônico, e nenhum deles sequer tinha algum conhecimento sobre o fantastico mundo da espada e da magia.
Eu comecei a mestrar e, digamos, tive mais sucesso do que esperava, eles gostaram do jogo, ainda que na fase inicial do "CHAAAARRRRGEEEE!", mas ja é um começo, o que me surpreendeu mesmo foi a falta de informação, eu era frequentemente interrompido com perguntas como "o que é um gnoll?", perdi o fio da meada várias vezes, e acabei notando que meu estilo de narração era "um pouco" ruim.
Fiquei pensando bastante no assunto e me deparei com o livro Desvendando Quadrinhos, de Scott McCloud, que tratava do mesmo assunto, só que sobre a "narração" dos quadrinhos. De fato, desenhar quadrinhos sempre foi um processo totalmente intuítivo, grande parte dos livros ensinam a desenhar uma figura corretamente, e nenhum havia dissecado academicamente a linguagem dos quadrinhos até Will Eisner lançar "Quadrinhos e Arte Sequencial".
Pensando nisso, estou tentando partir do ponto de que pouca gente tentou dissecar as técnicas de narração de um RPG (ou do ponto de que eu sou um cego idiota que não sabe procurar informações, tanto faz), minhas comparações serão feitas, no geral, com quadrinhos e literatura.
Tanto nos quadrinhos como na literatura, o sentido da visão é responsável por absorver toda a história, mesmo assim, palavras simulam falas e sons, um quadrinista experiente pode levar o cheiro da morte ao seu cérebro apenas com as imagens, e um bom escritor te fa sentir o gosto de uma fruta sem que haja a fruta. Partindo disso, será que o RPG é capaz de causar o mesmo efeito a partir da audição?
A audição é o principal sentido usado no RPG, mas, diferente dos quadrinhos ou dos livros, não é o único a ser usado, os jogadores também podem ver, sentir, cheirar, e algumas vezes esses sentidos podem trabalhar contra a narração, como fazer para que eles cooperem? Prender a visão dos jogadores aos dados na mesa? Ao mapa? Aos livros? Às imagens? Usar desenhos ou descrever os NPCs? Descrever subjetivamente ou detalhar ruga por ruga?


Bons tempos aqueles em que você podia por um satã travesti num desenho de criança.