Muito bem, vou entrar nesse combate e tentar expor, como for possível, minha visão do nosso hobby que andei desenvolvendo em 20 anos de "mestragem" e aventura.
Antes de mais nada, D&D 1st Edition foi o primeiro sistema de RPG, logo era óbvio que não houvesse nenhum tipo de comparativo de produto para poder se estabelecer algum parâmetro de julgamento. Dessa maneira, Ele servia para o que tinha sido criado, dar ao wargame uma nova dimensão e sabor aos seus usuários. O Saudoso Gary Gygax nunca escondeu que quando criou o Chainmail e inseriu o conceito de personalidade nas miniaturas sugerido por Dave Arnson, ele apenas estava gerando uma nova maneira de se divertir. Acho que as impressões gerais sobre o que era D&D lá na década de 70/80 e como anos de competição mercadológica afetou a visão da TSR e, posteriormente, a Wizards of the Coast, não podem ser comparadas de forma direta, pois todo o mercado de RPG estava sendo criado após uma surpreendente venda de 1 milhão de cópias do D&D 1st edition que forjou um segmento de entretenimento e hobby extremamente inédito.
Voltando a sopa fria, ao meu ver, AMBIENTAÇÃO é um termo que está sendo empregado de forma equivocada pelos participantes deste tópico. A ambientação consiste em conceituar um ambiente (local, cultura, período histórico etc.) e sugerir soluções que representem sistemicamente estes conceitos. Assim posto, ambientação é, em RPG, um sinônimo de cenário e não de sistema.
Vamos a contenda... O tópico pergunta: Sistema= Regras + Ambientação?
Agora que explanei sobre os termos, digo que se estiver falando sobre D&D 3.X ou o futuro 4.Y minha opinião sobre esse tópico é um sonoro
Não... Se estiver falando sobre todos os RPGs existentes no mundo afora, respondo que cada caso é específico.
O Sistema, por definição, oferece um conjunto de regras capazes de conter, controlar, solucionar conflitos e, principalmente, simular uma "realidade" que governará uma ou mais ambientações. Acho que o termo TEMA saja mais cabível a discussão aqui presente, pois todos comentam de Fantasia Medieval Heróica e não de Forgotten Realms, Ravenloft, Dark Sun, Spelljammer ou o "Mundo que o Gamemaster fulano" montou. O Tema nada mais é que uma categorização de um gênero abrangente.
Há jogos que tiveram sistemas criados para gerir uma ambientação específica tal como Star Wars D6, Men In Black, Pendragon ou o cômico RPG chamado Orks. Este tipo de jogo, em esmagadora maioria, consegue alcançar com enorme sucesso aquilo que prometem, simulando com exatidão aquilo que os jogadores esperam da ambientação.
Quando tocamos em sistemas genéricos como D&D ou Gurps, temos que tomar cuidado com afirmações exaltadas que são baseadas em gosto pessoal. Manter a objetividade nesses instantes é bem difícil, pois vai muito da índole daquele que adquiriu o produto.
Para Fantasia Medieval Heróica eu prefiro Rolemaster a qualquer versão do D&D, pois realmente considero o v3.5 um sistema fraco e bem voltado ao estilo videogame. Não sei se a maioria esmagadora dos fãs de D&D sabem, masA WotC bancou a esperta e absorveu diversas mecânicas de outros RPGs concorrentes ao AD&D e costurou elas juntas com as regras do v2.0 para gerar o tão badalado v3.0... Dessa maneira, conseguiu alcançar um bom número de vendas lá fora. Muitos não acreditam em minhas palavras até começaram a buscar jogos de RPG da década de 80/90 e constatarem diversas igualdades.
Saindo deste filão e retornando aos comparativos. Incentivo ao estilo Pé na porta (Hack & Slash) é algo gritante nas páginas dos livros de D&D... A maioria dos talentos (feats) foram criados para combate. No livro do mestre que tantos comentam, existe realmente uma grande ajuda aos GMs iniciantes, mas falta um melhor esclarecimento para premiar XP por interpretação, dando uma opção sem dar regras sólidas sobre o assunto.
Eu sempre considerei o sistema D&D da Wizards of the Coast o Windows do RPG, pois tem bugs severos que são constantemente atualizados e sempre há uma nova versão que promete ser melhor que a anterior... pior que apesar das falhas, todos compram pois não vêem outras opções (ou melhor, não experimentaram outros RPGs que são constantemente vendidos e atualizados lá fora). De 3.0, passou a 3.5 e agora chegou a versão 4 (D&D Vista?) com maquiagem e propostas que visam angariar os fãs de MMORPGs, tentando dizer que jogar na mesa é melhor que no computador.
Antes que os adeptos de D&D comecem a me apedrejar e gritar “Infiél”

, explico que em todos os meus anos no hobby, nunca vi sistema mais mal elaborado e cheio de furos como o D&D, porém algumas empresas muito dedicadas e respeitadas no mercado internacional de RPG andaram realizando experimentações com o OGL e conseguiram excelentes resultados ao limparem o grosso das regras falhas e alterarem levemente o tema para encaixar uma proposta melhor... Grandes exemplos disso são Spycraft (AEG) e a série Horizon (Fantasy Flight Games). Até mesmo o livro Arcana Evolved do Monte Cook me chamou a atenção, pois ele traz diversas mecânicas do Rolemaster 2nd Edition adaptadas para D&D.
Voltando ao cerne da questão mais uma vez, o sistema de regras não suplanta ou impede que um jogador interprete um ou mais personagens, porém o problema ainda é a percepção que guia a mesa em relação ao RPG escolhido.