RPG sem combate... como?

Essa é a seção para conversas gerais sobre RPG, que não são sobre um sistema específico ou envolvem a sociedade em discussão sobre aspectos culturais, religiosos, comportamentais e educacionais do RPG, a popularização do jogo e o combate ao preconceito.

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RPG sem combate... como?

Mensagempor Gun_Hazard em 08 Mai 2008, 15:27

Sobre o que o Planes tinha disse sobre Combates Sociais e Sobre o que eu fiquei de postar sobre o Sistema de combate Social do CODA...

Relendo para postar aqui eu percebi que nada mais são que testes resistidos de pericias.

(Tudo bem que são seis pericias ao todo somente para sociais com direito a duas ou tres especializações cada)

O que fez a diferença então ao ponto de eu achar um sistema bom? O Meta-jogo. A Explicação detalhada por trás dos números...

Caso o Sistema em sí não dê este feeling o que impede do próprio mestre de acrescentá-lo e apresentá-lo para os jogadores?


Este mesmo tipo de combate social pode ser feito usando testes de pericias resistidos do D&D, sendo que cada sucesso no teste te dá uma vantagem. Por exemplo em um interogatório cada sucesso do interrogador não entrega tudo de mão beijada mas dá apenas uma única resposta (Agora imaginem um cena tipo o Pinochio do Sherek sendo interrogado pelo guarda e ele sem poder mentir? É um exemplo um bom combate social). (Que péssimo exemplo fui arrumar?)
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Mensagempor Vincer em 08 Mai 2008, 17:13

Sobre rolar ou interpretar eu prefiro a interpretação. Mas há um modo bem mais simples...

Dê as duas opções. Na minha mesa, se o jogador quiser interpretar, eu me baseio muito no que ele diz, o teste ainda ocorre, mas a maior parte do resultado vem da interpretação do jogador. Logo, um teste ruim e uma interpretação boa seria o mesmo que um teste mediano, um teste excelente e uma interpretação sofrível idem, e por aí vai...

O jogador não é extrovertido como o personagem? Tem alguma dificuldade? Prefere teste? Então ele rola os testes, e o combate social(também existe no meu sistema, mas com algumas diferenças).

Se os jogadores não gostarem do meu critério para avaliar a interpretação e os argumentos utilizados, eles simplesmente passam a usar só a regra e as rolagens, no fim tudo funciona muito bem.
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Mensagempor planes em 08 Mai 2008, 18:17

Vincer escreveu:Dê as duas opções. Na minha mesa, se o jogador quiser interpretar, eu me baseio muito no que ele diz, o teste ainda ocorre, mas a maior parte do resultado vem da interpretação do jogador. Logo, um teste ruim e uma interpretação boa seria o mesmo que um teste mediano, um teste excelente e uma interpretação sofrível idem, e por aí vai...


E quando o jogador (e não o personagem) tem boas habilidades sociais e aproveita isso para gastar pontos em outro lugar da ficha,d eixando as ações sociais para serem resolvidas no papo?

Acho que o maior problema de resolver na interpretação é o mesmo de quando não interpretação alguma, subutilização de características sociais na ficha, nas duas situações os numeros perdem valor em relação a outros (como os de combate fisico) pelo simples fato de serem usados de forma esporádica ou subjetiva enquanto os outras afetam direatmente a eficiencia de seu personagem.

Claro que em determinados grupos isso se resolve sozinho (como parece ser o seu caso), mas do ponto de vista de design de sistema acredito que o mestre deve dedicar a mesma atenção a todos os seus aspectos, com equilibrio, desta forma se um jogador quer interpretar um cara que conversa bem teria de pegar habilidades para tal e interpretar o que está na ficha (o que faz com o que o problema se resuma apenas a como realizar o teste, neste cao prefiro a diversidade dos "combates sociais").
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Mensagempor Armitage em 08 Mai 2008, 23:40

Acho que voltamos à raiz da questão: o que cada um quer de um jogo de RPG? Para alguns é contar uma estória, e compartilhar na criação desta; pra outros é a simulação, a experiencia, o "estar lá"; pra outros ainda é o joguismo - gerenciamento de recursos, builds, desafios táticos, etc. Pra outros vai ser puramente escapismo, e pra maioria vai ser uma combinação de um ou mais (ou de todos) esses elementos em graus diferentes.

Acho que a resposta para nossa questão ("encontros sociais: interpretar ou rolar?" ) estará ligada à isso: "Por quê você joga RPG?".


ps: hmmm, curiosidade que me veio agora: Como seria o hobbie hoje, se, ao invés de evoluído de um wargame, tivesse evoluído do teatro? :sobrancelha:
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Mensagempor Elven Paladin em 09 Mai 2008, 00:32

ps: hmmm, curiosidade que me veio agora: Como seria o hobbie hoje, se, ao invés de evoluído de um wargame, tivesse evoluído do teatro?


Bem, uma "surpresa": O RPG também deriva de "Teatro". No caso, das Reencenações Históricas ( Historical reenactment ) e de uma derivada delas, a História Criativa ( Creative History ), e ambas foram ( e são ) populares nos EUA dos anos 70. E, até onde eu saiba, não era incomum que os atores que participavam das reencenações também serem Wargamers. ;)

Acho que voltamos à raiz da questão: o que cada um quer de um jogo de RPG? Para alguns é contar uma estória, e compartilhar na criação desta; pra outros é a simulação, a experiencia, o "estar lá"; pra outros ainda é o joguismo - gerenciamento de recursos, builds, desafios táticos, etc. Pra outros vai ser puramente escapismo, e pra maioria vai ser uma combinação de um ou mais (ou de todos) esses elementos em graus diferentes.


Heh, o Threefold Model é um modelo interessante para analisar RPG, pena que ele falhe tremendamente logo na justificativa em que foi criado ( que muitos RPGistas estão descontentes com o RPG por usarem algo que o autor da GNS Theory vê como "uma mistura nonsense de "estilos" incompatíveis/incoerentes)entre si".
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Mensagempor kimble em 09 Mai 2008, 08:42

E, até onde eu saiba, não era incomum que os atores que participavam das reencenações também serem Wargamers.


Encenações históricas < NERDS > Wargames.
Material que disponibilizei no 4shared (tudo criação minha e/ou gratuito) pros jogadores das minhas campanhas. Inclui house rules e erratas do Exalted:
[Link]http://www.4shared.com/dir/10183502/4d808442/sharing.html[/Link]
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Mensagempor planes em 09 Mai 2008, 13:35

Acho que esta não é uma questão de regras vs interpretação, usando ou não sistemas de "combate social" você ainda tem a interpretação com resultado sendo resolvido via teste (até mesmo em jogos diceless, como Everway, a diferença é que nestes o fator aleatório é forte, portanto o resultado é mais previsivel), a unica diferença é que você substitui teste unico por uma série de testes para obter o resultado final.

Em um exemplo teríamos um encontro diplomático entre um chefe de estado e um grupo de personagens referente a busca de auxilio militar em um conflito qualquer. Com um teste apenas os jogadores interpretariam a cena e rolariam um teste de diplomacia (com ou sem bonus, dependendo da vontade do mestre) em um "combate social" isso seria resolvido de várias maneiras (em Exalted seria de forma bem detalhada, onde até a aparência dos personagens faria diferença, o que ajuda bem na imersão diga-se de passagem, já que forçaria os jogadores a pensarem em todos os detalhes do encontro), mas em uma forma bem simples (um mecanismo básico, apenas a divisão do encontro em turnos de ações centradas nos personagens, bem semelhante ao que o D&D 4a edição propõe) poderia ser resolvido da seguinte forma:

Para obter um resultado positivo seriam preciso 4 sucessos em ações sociais, sendo que duas falhas e o encontro vai para o ralo.

- Em um teste os jogadores usam História para lembrar de alianças passadas entre o reino do chefe de estado e o que os personagens representam, apelando para o lado tradicionalista do alvo;

- No outro teste poderiam usar História novamente, mas desta vez para bvajular o alvo com seus feitos heróicos no passado, apelando para o ego do chefe de estado;

- Um teste de Intimidação para forçar um acordo, tentando fazer com que o acordo diplomático seja uma opção melhor que ficar de fora do conflito.

E por aí vai. Em todos estes casos pode haver interpretação (só que na situação de multiplos testes são várias cenas menores, ou linhas de raciocínio, diferentes dentro do mesmo encontro), a diferença é apenas em como os sucesso em testes são contados, a diferença está no sistema e não na menor ou maior enfase dada a interpretação por parte do grupo e mestre.
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Mensagempor Armitage em 09 Mai 2008, 22:07

ps: hmmm, curiosidade que me veio agora: Como seria o hobbie hoje, se, ao invés de evoluído de um wargame, tivesse evoluído do teatro?


Bem, uma "surpresa": O RPG também deriva de "Teatro". No caso, das Reencenações Históricas ( Historical reenactment ) e de uma derivada delas, a História Criativa ( Creative History ), e ambas foram ( e são ) populares nos EUA dos anos 70. E, até onde eu saiba, não era incomum que os atores que participavam das reencenações também serem Wargamers.

Ok.

Mas essa sinergia teatro-wargame ficou muito mais no plano conceitual do que no prático, digamos. Desde a criação do RPG na déc. de 70, os paradigmas realmente marcantes a se estabelcerem vieram do wargame, não do teatro. Prova disso são os elementos que estão enraizados no RPG "tradicional" até hoje - classes, níveis de poder, desafios marciais, possibilidade (e incentivo) à miniaturas ou diagramas táticos, etc. e estes só vieram a diminuir seu apelo na déc. de ´90 com jogos focados mais em caracterização, em contar de uma história, etc.

Pra mim a "veia teatral" só começou a sair do plano conceitual e se manifestar numa premissa declarada dos jogos, de fato, com Call of Cthulhu, em ´81. E só veio a se popularizar com Vampire em ´91 (que engatilhou um boom de LARPs também).

Então, só pra fechar, a questão que propús é esta: E se o RPG tivesse evoluído - não só coneitual mas manifestadamente - do teatro? Ou seja, e se os primeiros jogos de RPG tivessem sido Vampire, Castle Falkenstein, Call of Cthulhu, Everway ?
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Mensagempor Elven Paladin em 10 Mai 2008, 00:35

Então, só pra fechar, a questão que propús é esta: E se o RPG tivesse evoluído - não só coneitual mas manifestadamente - do teatro? Ou seja, e se os primeiros jogos de RPG tivessem sido Vampire, Castle Falkenstein, Call of Cthulhu, Everway ?


A resposta mais sincera: Não tenho a menor idéia.

E mais pessoal: 34 anos suportando Poseurs Supremacistas do RolePlay? Certamente seria o inferno :b
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Mensagempor Armitage em 10 Mai 2008, 00:40

huahuahua não sei o que seria pior - posers supremacistas do role-playing... ou Indies pseudo-artistico-intelectulizados. :linguinha:

(imagine se o RPG tivesse evoluído de Emo-boys usando o jogo para expressar toda sua viadagem! )
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Mensagempor Elven Paladin em 10 Mai 2008, 00:57

huahuahua não sei o que seria pior - posers supremacistas do role-playing... ou Indies pseudo-artistico-intelectulizados


Felizmente o RPG teve um criador com uma ótima opinião sobre o segundo tipo ( vide minha assinatura ) :b

Mas, eu acharia difícil o RPG surgir a partir do que perguntou. Primeiro, por que a origem do RPG, como se conta, foi tão inusitada que eu acho difícil que surgiria algo similar através de outro meio ( embora, seja possível um grupo de "atores" decidisse criar uma história "do nada", com algumas "limitações de persona", mas seria muito próximo ao Free-Form Role-Play. E as regras surgissem através da necessidade de "arbitrar neutramente" certos atos ). E o RPG "Wargamístico" deslanchou por que havia uma comunidade suficientemente grande de Wargamers para sustentá-lo, e por que era facilmente "convertido" para uma mídia que surgia na época, o Video-Game ( Anos 80 ). E outra característica dos RPGs que citou é que eles não me parecem ter o apelo necessário para um público mais jovem, e são marcados por temáticas mais "pesadas". Se D&D, que é "inocente" causou o furor que causou nos anos 80, imagine um "Vampire" na mesma época? :b

De qualquer modo, eu mantenho o que escrevi no post anterior: Não dá para ter a menor idéia. E não mudaria só o RPG como conhecemos. ;)
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