Esse fim de semana estive matutando um pouco sobre a perícia diplomacia e estou chegando a conclusão que trata-se de uma perícia utilizada errada ou simplesmente inútil. Antes de acenderem as tochas e querem queimar o herege por favor leiam minha argumentação.
Normalmente em uma interação social no D&D temos alguns viés usuais, entre eles o blefe, a intimidação, a persuasão. Dentro deste último podemos englobar o suborno (persuasão por meios materiais), o dialogo (persuasão por meio intelectual) e forçando um pouco a barra a sedução (persuasão por meios físicos não intimidadores).
Quando falamos de blefe obviamente temos que recorrer a perícia para determinar se esse foi bem sucedido ou não pois o DM sabe, na grande maioria das vezes, que o jogador está mentindo. Não caberia neste caso ao DM julgar se a mentira do jogador é convincente ou não, pois quem deverá fazer isso na verdade é o NPC que poderá ou não notar a mentira de acordo com os valores de sua ficha.
A situação da intimidação já passa a ser mais complicada porém ainda é possível aplicar a necessidade dos stats e rolagem, isso porque não desejamos que um clima hostil e intimidatorio se transmita do jogo para a própria mesa entre os jogadores e o DM. Porém uma intimidação extremamente convincente por parte do jogador, que faça o DM crer que o personagem se sentisse intimidado, deveria insentar a interação do aspecto randomico, suprimindo a necessidade de uma rolagem. Resguarda-se a necessidade da rolagem para que um jogador não tenha que pegar uma faca, esquentar no fogão da cozinha e torturar o DM para obter a informação que deseja.
Porém quando falamos em persuasão me parece que na material e na intelectual não há motivos para rolagem, restando apenas a física não intimidadora (que na minha mesa é muito pouco utilizada).
Na primeira, a material, o resultado viria da quantia ofertada pelo jogador e poderia ser sim ou não. Não haveria neste caso espaço para um elemento randomico pois a oposição do NPC seria vencida por um elemento objetivo.
Na intelectual o que contam são os argumentos apresentados pelo jogador. Uma argumentação lógica poderá obviamente mudar a forma como o NPC reage a você. Não cabe também elemento randomico neste caso pois você está apresentando fatos objetivos que deverão ser julgados pelo DM no papel de NPC de acordo com a personalidade elaborada para este. Se o NPC em questão julgar que os argumentos são razoaveis ele poderá concordar, da mesma forma o contrário se aplicaria.
Resta tão somente a física não intimidadora, que por haver um elemento de resistência de vontade do NPC na maioria das vezes deverá ser rolada tal qual a intimidação, exatamente por não poder ser externada propriamente na mesa sem gerar constrangimento (Eu jogo com 5 barbados de 25+ anos, se algum deles tentar "seduzir" um NPC representado por mim eu encesto!).
Minha posição e o que eu queria discutir é que eu acho que a perícia diplomacia me parece mais ligada a etiqueta (na forma de como se portar em situações específicas) ou sedução (persuasão não intimidadora) do que com qualquer forma de diplomacia. Andei conversando com o Ric Freitas sobre isso porém ele não concordou e quis bater com o PHB na minha cabeça para que eu voltasse as regras. Queria outras opniões sobre o assunto, a validade de utilizar essa idéia e até experiências de pessoas que jogam assim.



