Noite Escarlate [ Parte VIII ]

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Noite Escarlate [ Parte VIII ]

Mensagempor Ermel em 11 Out 2007, 15:58

Ent! Como vai?

Que bom ve-lo por aqui. Enfim, creio que você se refer ao quarto quando diz informações excessivas. Realmente ficou uma parte grande, e talvez ate desnecessaria, mas foi algo que escrevi que me senti bem confortavel ao faze-lo, assim como, finalmente, consegui escrever algo mais de alguns capitulos. Espero que, mesmo não saindo uma obra prima ou de pouco agrado, eu consiga terminar essa pequena 'saga' tanto para mim quanto ao conto.

Muito obrigado por ter comparecido.
Um Abraço!
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Noite Escarlate [ Parte VIII ]

Mensagempor Dahak em 15 Out 2007, 18:25

Ermelão!
Como está, amigo?
Espero que bem.

Olha, achei que nessa terceira parte você conseguiu fazer um bom resgate de alguns valores vistos na gênese do conto.

Acertou a mão aqui, principalmente se compararmos com a segunda parte ^^"

Ent escreveu:Mas aí, veio a terceira, engrenando num espetacular flashback, extraindo o máximo de emoções positivas, gerando um ambiente para uma grande ascensão, culminando em fustrações que a levariam a tudo que aconteceu na primeira parte.

A estrutura está tomando forma para um bom conto, só dou-lhe um conselho para ter a cautela de não cair na mesmície. Contos que envolvem tensão não devem atirar ao leitor uma quantidade excessiva de informações, visto que é o medo inconsciente que você deseja alimentar e aflorar no leitor.

Palavras do mestre que faço minhas =P

Aqui você saiu bem, bastante bem. Mas segue a dica para não perder o foco e cair na armadilha da descrição.

Há casos sim onde o cenário é primordial para o "medo", como a exemplo, alguns jogos como RE e derivados. Mas neste caso, não é o "fundo" que traz o sucesso, não é a ampla riqueza de detalhes que fará o conto rico.

Reitero, você deu um novo e belo "up" no conto, essas dicas são apenas para se orientar na construção ou revisão de partes futuras.

Ah, começo achar o título fora de foco. LOL.
O conto me parece merecer mais que um Escarlate ^^"

Abração.



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Mensagempor ent em 15 Out 2007, 20:29

Bem, não estava reclamando que havia ficado extenso. Em verdade, foi mais uma sugestão, para aumentar um pouco a aura de mistério, que é o ponto forte do primeiro capítulo...

Mas pode ter certeza que irei continuar a acompanhar esta saga, até porque achei a idéia deveras interessante, até o momento. Além do que, muito bem escrita!

Há casos sim onde o cenário é primordial para o "medo", como a exemplo, alguns jogos como RE e derivados. Mas neste caso, não é o "fundo" que traz o sucesso, não é a ampla riqueza de detalhes que fará o conto rico.

Faço minhas as palavras do rei!
Em uma rápida análise, acredito que as peças formais do conto já foram colocadas. Creio que o cenário já está montado. Agora é só colher os frutos!

Abraço!
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Noite Escarlate [ Parte VIII ]

Mensagempor Dahak em 17 Out 2007, 02:00


Em uma rápida análise, acredito que as peças formais do conto já foram colocadas. Creio que o cenário já está montado. Agora é só colher os frutos!


Tirou as palavras da minha boca ^^"

E essa tua humildade não tem preço, Wagner.

Ermelão, quando vem a continuação?


Abraços!


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Noite Escarlate [ Parte VIII ]

Mensagempor Ermel em 17 Out 2007, 19:30

Muito obrigado pelos comentarios.
Vou tentar não perder o foco.

=-=-=-=-=-=
Capítulo IV.!

O sol adentrava mansamente pelos vitrais da janela.

Levou os olhos em direção aos vitrais que filtravam os raios de sol tão calmamente que lhe banhavam o rosto de forma sutil. Aqueciam seu rosto com carinho de quem tinha todo o tempo do mundo. Sem pressa. Aquecia aos poucos, e ia se espalhando até o busto, que era o máximo onde alguns raios fracos chegavam. Se levantou, e assim os raios varreram todo seu corpo - aproximava-se em passos calmos até a janela. Pecorreu com as pequenas mãos pelo vidro que ainda mantinha parte de sua frieza. Seus olhos fitavam, sem piscar ao menos uma vez, a verde grama lá em baixo, as crianças que repousavam e que se divertiam.

Correu até a porta abrindo-a com certo esforço e fugindo pelo corredor em direção as escadas e descendo-a com passos rápidos e pequenos pelos degrais. A mãos deslizava pelo corrimão dourado e frio. Desceu um lance de escadas chegando ao segundo andar. A barriga esfriava, não sabia ao certo o que aquele friozinho tão conhecido significava, não sabia se continuava, voltava ou parava. Parou. Levou a mão em direção a boca do estômago. Mordiscou o lábio inferior e contraiu os dedos dentro da sapatilha púrpura que aquecia os pés. Molhou os lábios com a lingua rosada. Continuou a descer o último lance de escadas que levava ao térreo.

Foi em direção ao portão se esgueirando por entre as pessoas que andavam pelo grande salão. Não havia maçaneta, argola ou nada que fizesse abrir aquela porta tão grande. Se indagou como conseguiria sair de lá e ir até o jardim.

- Nova aluna? - soou uma voz masculina em seus ouvidos -.

Alguem se aproximava por tras dela. Com as mãos cruzadas atras das costas, o garoto não aparentava mais que treze ou catorze anos de idade. De cabelos negros curtos e pontiagudos que pareciam molhados, olhos finos e castanhos, trajava um roupa simples e um tênis branco. Com um sorriso maroto no rosto parou ao seu lado.

- Não a vejo acompanhada de ninguem, é uma das mais novas no recinto, então suponho que seja nova por aqui.

- Sim... Sou.

O sorriso cresceu em seu rosto. O que a fez estranha-lo o por quê de tal sorriso satisfeito. Tentou recuar um passo, mas seu pé foi logo de encontro com o portão atras de si.

- Não tenha medo - estendeu a mão em sua direção - Não vou morder nem nada, é que neste lugar é tão dificil fazer qualquer amizade, as pessoas se concentram mais em outras coisas. Os Mestres preferem que nos foquemos nos estudos, então, o sinal de gente nova quer dizer uma nova chance de fazer amizades.

- Ah... Meu nome é Alice - segurou a mão do garoto e assim ele sacudiu as mãos -.

- Sou Dimitri, é um prazer conhece-la. Alias, você já estava querendo ir embora?

- Não, é que... Quero ir ao jardim... Eu o vi lá da janela do meu quarto.

- Sim, mas para chegar até lá não é por este portão, ele só leva para fora, nada mais. Apenas os Mestres podem sair por ele durante esse tempo, e sem a autorização deles estamos confinados aqui. Venha, vou te levar até o jardim - mais uma vez estendeu a mão em sua direção -.

Segurou sua mão. Era áspera porém morna, seu rosto dócil indicava um garoto calmo e passivo. Seu rosto corou levemente ao sentir-se tão agradável com aquele toque, ninguem percebera, nem ele que caminhava e a conduzia por entre um corredor logo atras das escadas onde uma porta de ferro ao fim guardava o jardim.

- Aquela porta leva ao jardim, logo atras das escadas. Os outros corredores levam ao refeitório, biblioteca, sala dos Mestres, entre tantas coisas que o tempo vai te mostrar. Tem que ter paciência para tentar descobrir o que esse enorme Colégio guarda.

Empurrou sem dificuldade a porta de metal mostrando o enorme jardim por detras daquela barra metálica. Enfim o belo e verdejante jardim.

Soltou sua mão e correu pelo gramado em direção a uma das árvores que sombreavam aquela grama verdinha e aparada. Sentou se encostando contra a madeira velha da grande árvore d'onde vertiam vários galhos que com pequenas folhas amareladas que não permitiam um único raio de sol passar. Inspirou fundo aquele ar úmido e fresco. Gostava da natureza. Haviam poucos lugares na cidade que ainda preservavam as belas árvores, lagos e bichos que só conhecia pelos livros.

Dimitri se aproximava aos poucos da menina. Olhava-a atentamente, observando como se deleitava com simplesmente estar sob a sombra tranquila d'árvore. Sentou ao seu lado e abraçou os joelhos.

- Venho aqui com frequência. Tem horas do dia que a maioria dos alunos se reúnem aqui, tem outras mais calmas, como agora.

A menina não lhe deu ouvidos. A sombra lhe acariciava a face, o vento brincava inocente com seus cabelos soltos das fitas vermelhas. Ele ergueu a cabeça com um sorriso sem graça, esperava alguma resposta. Mais uma vez a porta se abria. Seu mestre vinha em passos rápidos. O garoto segurou a sua mão e levantou. Queria tira-la dali.
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Noite Escarlate [ Parte VIII ]

Mensagempor Lady Draconnasti em 17 Out 2007, 20:26

Isso é uma escola de artes ou uma prisão?
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Noite Escarlate [ Parte VIII ]

Mensagempor ent em 19 Out 2007, 15:08

Heheheheh... o mestre dela é fod*!!!

Pela impressão que ficou, e pelo temor do garoto, isso é o que dá para imaginar...
Além do que, gostaria de parabenizá-lo pela excelente escolha para terminar o capítulo, um turbilhão de tensão e questionamentos páira na cabeça do leitor, ao fim do capítulo 4...

Outro detalhe que me chamou a atenção, foi a maneira como trabalhaste emoções, sensações, ambientes e pensamentos, ao começo do conto, quando ela olhou pela janela, desceu a escadaria e enfim chegou à grande porta... um misto de sentimentos muito bem trançado é entregue ao leitor deixando-o totalmente imerso na situação, durante essa etapa.

Seguirei acompanhando!

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Noite Escarlate [ Parte VIII ]

Mensagempor Dahak em 22 Out 2007, 00:07

João Ermel (é assim que você tá registrado no meu celular, hauahuahau), tudo bem, amigo?
^^

Olha, devo dizer que pela parte 3 e 4 você fez uma decisão muito acertada em dar continuidade ao conto.
E achei muito legal da sua parte postar logo depois da mensagem que mandei, KKKKKKKKK

Achei a construção bastante feliz, armou muito bem o começo, meio e fim. Este, que por sinal, deixou bem forte o gostinho de "quero mais".

Sabe, o diferencial de uma grande história para as histórias ordinárias além, claro, do enredo, do como, do onde e tc, é o quando. A arquitetura, o feeling dos momentos, de cada momento em sua singularidade... Tudo colaborando para dar solidez para a história, afinal, ninguém curte pisar em solo inseguro;)

Mantenha esse tom nos capítulos seguintes e não deixe de revisar as partes já escritas com aquilo que lhe foi dito até o momento: pode ser muito útil em uma revisão ^^"

Abraço!


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Noite Escarlate [ Parte VIII ]

Mensagempor Ermel em 25 Out 2007, 20:54

Bah!
Espero ter conseguido manter o ritmo.

=-=-=-=-=-=-=-=-=
Capítulo V!.

O garoto segurou a sua mão e levantou. Queria tira-la dali.

Devido ao puxão que Dimitri lhe dera ela levantou, assustada caminhou com pressa para o lado oposto do homem que se aproximava.

- Dimitri... Aonde pretende levar minha jovem aprendiz?

Surpreso o jovem parou, ainda sob a sombra d'árvore. Ela não sabia o que fazer. Seus olhos corriam entre eles procurando alguma resposta. Franziu o cenho se questionando o por quê de se afastarem dele.

- O que? Você é o mestre dela? - perguntou com tamanho espanto que havia parado de respirar por alguns poucos segundos -.

- Meu jovem, pela milésima vez, você não passa de um aluno, não lhe devo satisfação alguma. Agora nos precisamos ir Alice, a Diretora esta fazendo sua ronda mensal, devo te apresentar.

Ele se aproximou dos jovens, com certa delicadeza empurrou o garoto com as costas das mãos fazendo com que facilmente soltasse a mão de Alice. Desta vez, segurou-a com mais força e com a mesma pressa que chegara se foram. Ela olhou por entre o braço erguido para avistar o jovem que mal tivera tempo de conheçer. Acenou com a pequena mão para ele.

- Aproveitaremos que ela já se encontra aqui e te apresentarei a ela - disse ao atravessarem o vão que a porta metálica aberta havia deixado -.

Chegaram rápidos ao salão. Uma enorme roda de pessoa havia se formado no centro. O som pesado do encontro de suas botas contra o chão fizera com que muitos que ali reúnidos se voltassem para sua figura. Alguns cochicharam algo com faces reprovadoras, outros se indagavam e se surpreendiam. Abriu-se alas para que eles passassem. Ignorando qualquer olhar pesado sobre ele, passou entre as pessoas até chegar ao centro onde uma mulher de longos cabelos brancos se virava lentamente para encara-lo. O vestido vermelho riscado por linhas prateadas até seu pescoço formava uma espécie de colar que contornava todo seu pescoço. Seus olhos eram brancos, totalmente vazios, como um cego ela parecia encarar nada além de um ponto fixo. Ela não aparentava mais de vinte ou trinta anos que haviam poupado muito bem seu corpo esguio, suas mãos eram bem delineadas com grandes unhas. Era bela. Suas mãos eram belas.

- Amyna! Como é bom vê-la aqui. Pensei que a ronda seria mais tarde.

- Oh! Albert, também não esperava vê-lo tão cedo. Alias, esta pequena que tras junto a si é sua nova aprendiz?

- Sim, esta é Alice Tinnydoor.

- Tinnydoor? Filha de Pierre e Ana? Por que não fui notificada?

- Eles vem atravessando períodos difíceis desde o falecimento de Pierre, eu ia levava até você neste mesmo instante, mas felizmente você veio mais cedo.

A Diretora se agaichou para melhor ver a garota. Alice ergueu sua outra mão segurando a de seu Mestre, o medo percorria seu pequeno corpo a medida que a mulher se abaixava para vê-la. Seus olhos vazios encontraram os verdes da menina. Aqueles estranhos olhos pareciam fita-la, mas ao mesmo tempo não vê-la. Ela não piscava, enquanto Alice incomodada, piscava repetidas vezes. Continuaram assim por um exato minuto enquanto todos permaneciam calados apenas abservando a estranha cena. Um sorriso pequeno se fez na face da Diretora.

- A pequena parece ter um futuro promissor Albert, tente não estraga-la.

Todos permaneciam calados. Ela levantou e passou pela mesma ala que outrora havia servido de passagem para Albert e Alice. Olhou por cima dos ombros e institivamente Albert apressou o passo para alcança-la ficando logo ao seu lado. Os outros acompanhavam-os de longe. Alice permanecia atônita, imóvel.

- Alice venha. - chamou Albert -

Balançou a cabeça como se pudesse esquecer aquele momento. Correu em direção a eles passando pelos outros que os seguiam. Manteu-se logo atras de Albert seguindo cuidadosamente seus passos, eles conversavam algo que ela não podia ouvir mesmo com tamanha aproximidade. A pequena Alice notou Dimitri ao lado da escada a observa-los.

- Bem, acho que apenas isto é necessário. Deixarei uma ronda completa para uma próxima vez.

Agora, todos podiam ouvi-la claramente.

- Seja bem vinda Alice.

A Diretora deu meia volta, seu vestido que arrastava no chão produziu um movimento belo e delicado. Com passos descompromissados ela caminhava em direção ao portão que levava para fora do Colégio. Aqueles olhos. Em frente ao portão, que se abria lentamente, levou a mão em direção a cintura e com um olhar, assombrado pelo vazio sobre o ombro se despediu.
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Noite Escarlate [ Parte VIII ]

Mensagempor Lady Draconnasti em 26 Out 2007, 14:33

Uma parte mais leve, sem o surrealismo da primeira parte. Até ai, nada de mais, porém alguns erros de ortografia e pontuação poderiam ter sido evitados com uma revisão mais atenta ^^'
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Noite Escarlate [ Parte VIII ]

Mensagempor Ermel em 30 Out 2007, 02:27

Obrigado Lady.
Tentarei o mais cedo possivel corrigir os erros e edita-lo.

Volte sempre! :P
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Noite Escarlate [ Parte VIII ]

Mensagempor Ermel em 18 Nov 2007, 19:50

Capítulo VI!.

Em frente ao portão que se abria lentamente, levou a mão em direção a cintura e com um olhar, assombrado pelo vazio sobre o ombro se despediu.

...

Alice subia as escadas seguida de Albert. Iam em direção aos quartos. O dia não parecia lhe reservar mais nada. O sol já havia se posto, o movimento nos corredores diminuira, as pessoas se recolhiam para seus quartos cedo, a fim de que o próximo dia fosse o mais produtivo possível. E amanhã seria o dia em que ela teria as suas lições e ensinamentos, estava ansiosa.

Chegaram ao quarto "113". Abriu a porta, Albert esperava que ela entrasse e fechasse a porta para que, por fim, ele se retirasse para seus aposentos. Se encostou contra a porta. As velas em seus castiçais estavam acesas iluminando precariamento o cômodo, forçou os olhos para que se acostumassem mais rápido com aquele ambiente tão diferente. Olhou pelos vitrais que distorciam a imagem da lua do lado de fora, onde, tímida naquela noite, fazia-se bela devido ao arranjo de vários pontos brilhantes ao seu redor, mesmo uma sombra ofuscando sua outra metade, naquela escura noite se fazia imponente.

Abriu uma das malas ao pé da cama - várias roupas dobradas com esmero se acomodavam em uma simetria quase perfeita dentro da mala. Com o máximo de cuidado retirou as roupas de cima até alcançar um pijama de bichinhos ao fundo da mala. Desenrolou as fitas que lhe prendiam os cabelos, descalçou as sapatilhas e se desfez do vestido colocando-o na cabiceira da cama. Se vestiu depressa e se deitou. Sentia-se indiferente naquela cama, fechou os olhos e pensou como estariam sua mãe e Madeleine. A saudade lhe veio em um suspiro longo. As pálpebras pesavam e logo o sono lhe tomou.

...

Fora acordada subitamente. Albert entrava no quarto apressado fazendo com que aquelas botas produzissem um barulho chato ao mesmo tempo que lhe puxava violentamente o lençol que a cobria.

- Vamos minhas jovem, já é dia, quanto mais cedo estudarmos, melhor será nosso rendimento.

Esfregou os olhos com as mãos e os fechou pausadamente. Bocejou e esticou os braços para o alto espreguiçando. Com o ar ainda pesado encarou seu Mestre, estava dificil para ela acordar. Levantou com certa dificuldade, o corpo parecia pesar naquela primeira manhã em que dormira fora de casa. Não fora difícil como havia imaginado. Mesmo a saudade que lhe apertava forte naquela primeira noite solitária, aos poucos a necessidade de estar sempre acompanhada desaparecia lentamente, começava a se acostumar. Tinha que se acostumar.

- Vista-se, te espero do lado de fora. - dizia ao mesmo tempo que se retirava -.

Levantou rápido e se trocou. Abriu a mala e retirou um pequeno vestido vermelho que lhe cobria até os joelhos calçou a sapatilha batendo-a algumas vezes contra o chão para que se ajeitasse perfeitamente em seus pequenos pés. Suspirou. Passou a mão em seus cabelos arrumado o máximo que a pressa que lhe era imposta permitia. Abriu a porta, Albert se encontrava encostado a parede de braços cruzados. Olhou-a dos pés a cabeça e sorriu.

Caminhavam rápidos pelo corredor, o silêncio era absoluto, o que permitia, mesmo com toda aquela preguiça reparar no diferente acessório em sua cabeça. Usava uma cartola preta de veludo com uma fina listra branca em sua cabeça que pendia levemente para o lado, quase que caindo. Estranhou aquele chapeu tão incomum em sua cabeça, riu tímidamente e levou a mão em direção a boca protegendo aquele belo sorriso. Desceram as escadas.

Não havia ninguem naquele enorme salão, procurava com os olhos o vestígio de que, pelo menos, ela não fosse a única que acordara tão cedo. Ninguem. Caminhavam por um dos corredores do salão logo a direita da escada. O corredor era largo, havia algumas poucas portas que diferente daquelas enumeradas no terceiro andar tinham hastes de ouro no lugar da argola que permitia abri-las.

A porta ao fim do corredor tinha uma insígnia em seu centro, seus olhos tentavam decrifrar o que aqueles pequenos círculos formavam, mas ao mesmo tempo que tentava fazer alguma associação ele abriu a porta cortando seus pensamentos e convidando-a a entrar.

Havia várias mesas e cadeiras de madeira ao centro que eram cercadas de estantes e mais estantes que intercaladas formavam pequenos corredores entre si onde repousavam livros e livros de pequenas e grandes capas de diversas cores com letras douradas grifadas em toda sua extensão. Havia uma escada a alguns metros da entrada que subia dando algumas voltas até o segundo andar onde havia um vão que cortava o salão ao meio de um lado ao seu outro extremo, onde havia mais estantes e livros do dois lados.

Albert puxou com certa delicadeza a jovem que admirava abismada a enorme biblioteca. Andou em direção a uma das mesas e puxou uma cadeira para que ela sentasse e logo se virou para um dos corredores.

- Espere aqui enquanto busco alguns livros.

E lá ela sentou. Ele transitava pelos estreitos corredores que a formação das estantes havia criado, sua mão passeava pelas capas e seus olhos analisavam cada título minuciosamente enquanto carregava alguns outros com o braço livre. Pegou cerca de seis ou sete livros, todos de capa cinza com algumas manchas que provavelmente foram causadas pelo tempo. Voltou para a mesa onde Alice assistia tudo intrigada e fascinada com aquela imensidão preenchida com livros de vários tamanhos e cores. Jogou os livros em cima da mesa produzindo um forte barulho fazendo Alice se afastar instintivamente da mesa. Ele sentou ao seu lado colocou a cartola de cabeça para baixo em cima da mesa e a observou.

- São estes os livros que estudaremos hoje.

Sua cabeça pendeu levemente para o lado. Se indagava como estudaria aquele monte de livros em cima da mesa. Sua mão caminhou receosa em direção aquele que caira de capa aberta, em mãos leu "Arte - A Origem" em letras douradas de grafia dançante. Lembrara que ja tinha visto um exemplar, ou semelhante livro em sua casa que até o momento fora proibido de lê-lo por sua mãe.

- Ande, abra!

Ainda com certo receio abriu o livro. A capa era dura e mais pesada do que de costume, ao centro da primeira página branca lia-se em letras delicadas: "Origem d’Arte - Primeira Parte".
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Mensagempor Lady Draconnasti em 05 Dez 2007, 22:26

Qual a causa da proibição? E eu não consigo gostar do Albert. =P
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Mensagempor Ermel em 07 Dez 2007, 03:40

Lady, a causa da proibição ainda sera explicada mais a frente.
Obrigado pelo comentario!

=-=-=-=
Capítulo VII.

Ainda com certo receio abriu o livro. A capa era dura e mais pesada do que de costume, ao centro da primeira página branca lia-se em letras delicadas: "Origem da Arte - Primeira Parte".

Seguiu para a segunda página. As letras já eram menores e mais fortes. Não se sentia atraída por aquele monte de palavras. As pequenas mãos caminharam pelas palavras enfileiradas naquela página amarelada e desgastada. Alice se debruçou sobre o livro um tanto cansada. Não tinha interesse em saber como tudo aquilo tinha sido criado ou nascido. Queria logo aprender a manipular aquela estranha névoa e só. Inspirou, um cheiro forte que vertia do livro lhe subiu pelas narinas. Levantou incomodada.

Olhou para o lado, Albert tinha em mãos outro livro. Acreditou que, mesmo se tivesse lido ele nem teria percebido.

- Terminei de ler - disse ao mesmo tempo em que bocejava -.

Ele não respondia. As pálpebras pesaram e logo as fechou. Ciente de que estava quase dormindo rapidamente reabriu os olhos. Ele continuava a ler aquele livro. Perguntava-se o porquê daquela baboseira. Não era mais simples aprender de uma vez aquilo para que veio? Nem seus olhos piscavam. Ele estava como uma estátua, não se movia, não parecia respirar, nada. Aquela pequena vontade de dormir desaparecera subitamente, com as mãos apoiadas na quina da mesa empurrou a cadeira se afastando.

Cutucou levemente o rosto de Albert, não estava quente nem frio. Com as duas pequenas mãos tentou empurrá-lo, mas era pesado como pedra e não havia se mexido sequer um centímetro. Olhou ao redor, nada e ninguém naquela enorme biblioteca. Distanciou alguns passos.

Correu em direção à porta, assustada emurrou com toda força. Abruptamente esbarrou-se contra algo frio e duro indo logo de encontro ao chão. Apoiada no chão arrumou os cabelos que lhe obstruíam a visão. Lentamente os olhos decifravam a imagem de um grande homem de pele cinza, chifres brotavam de sua testa, fumaças espessas eram seguidas de sua respiração. Estava atônita, não sabia como agir. Sentia-se presa ao chão, os músculos tensos não respondiam a uma súplica da jovem. Podia sentir as pupilas dilatar e o suor se formar frio. Queria gritar, mas os dentes cerrados em uma expressão apavorada impediam qualquer som.

- És tu que se inicia na Arte dos Espíritos jovem? - vociferou o monstro -.

Alice continuava em choque.

- Responda insolente! - uma pausa se fez seguida de um silêncio sepulcral. Seus olhos ausentes de qualquer cor pareciam fita-la furiosos - Por que sempre recrutam jovens indefesos e covardes?

Ele curvou-se quase que totalmente devido ao seu imenso tamanh. Sua mão tocou-lhe o calcanhar - era fria - e segurou o fino membro, podia sentir que o menor esforço da parte da criatura quebraria seu calcanhar sem nem ao menos sua real intenção.

Ainda curvado, como um indigente, passou a arrastá-la pelo chão. Não estava mais na escola, as paredes eram feitas por ossos entrepostos perfeitamente criando uma estrutura, aparentemente, rígida e forte. E em alguns ossos velas derretidas que, milagrosamente, ainda permaneciam acesas. Seus olhos percorriam apavorados pelas paredes reconhecendo cada osso que já tinha visto uma vez ou outra em um livro.

Suas mãos contraíram e os dedos tentavam se agarrar ao chão produzindo um barulho estridente entre a unha e o piso deixando pequenos rastros na madeira. Um riso abafado se fez ouvir. Parecia que naquele momento, ela finalmente tinha voltado a respirar. Debateu furiosamente as pernas tentando se soltar. Seus olhos lacrimejavam. Chutou várias vezes a enorme mão que lhe prendia, em vão, o monstro continuava a levá-la. Dos olhos escorriam lágrimas. Um grito fino e agudo, por fim, saiu de sua garganta que ha muito estava preso, suas mãos fechadas esmurravam o chão pelo qual era arrastada.

- Não há motivo para debater-se ou urrar.

O monstro com um leve movimento levantou-a e colocou em seu ombro. Estava a mercê dele. Mais lágrimas escorriam pela face e caiam na pele calva do monstro e no mesmo instante que o tocava evaporava. Esmurrava-o violentamente tentando fazer com que a soltasse, parecia não surtir efeito - seus gritos ecoavam no corredor que parecia infinito, via-se apenas uma pequena luz ao fim que diminuía gradativamente.

- Me... - a indefesa criança não conseguia terminar uma sentença devido aos soluços provocados pelo choro -.

Por fim ele parou. Tentava erguer a cabeça além dos ombros para ver onde haviam parado. Viu a outra mão vir em sua direção e lhe segurar a cintura com força. Com cuidado a criatura descia Alice de seus ombros e sobre o chão fez-a sentar.

Apoiou uma das mãos no chão e com a costa da mão livre secou as lágrimas que ainda escorriam pelo rosto. O queixo tremia. Logo enxugou a têmpora que começava a suar frio. Sentada em frente a um enorme poço onde um líquido cinza se remexia calmo, e que em resposta a sua chegada, mãos e rostos brotavam freneticamente tentando alcançá-la, lutavam entre si por espaço e por ela. Ansiavam por carne. Pelo corpo.
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Noite Escarlate [ Parte VIII ]

Mensagempor Ermel em 17 Fev 2008, 21:20

Capítulo VIII.

Sentada em frente a um enorme poço onde um líquido cinza se remechia calmo, e que em resposta a sua chegada, mãos e rostos brotavam freneticamente tentando alcança-la, lutavam entre si por espaço e por ela. Ansiavam por carne. Pelo corpo.

Com os olhos esbugalhados encarava todo aquele líquido que ganhava forma e ia em sua direção. Sentiu um frio gelatinoso torcar-lhe a perna, uma daquelas mãos tinha conseguido pega-la sem que notasse. Instintivamente lançou a perna para o ar tentando se soltar daquela aberração que a segurava. A mão esticava a medida que tentava se soltar, novas formas brotavam do poço e serpenteavam pelo chão de pedra em direção a suas pernas.

Em desespero olhou para o monstro que bloqueava o único local que servia tanto de saída como entrada. Não soube o que dizer, pensava em pedir-lhe socorro, mas poderia também ser um erro. As várias mãos lhe puxavam para dentro do poço. Deitada no chão tentava se segurar, mas suas mãos escorregavam, suas unhas arranhavam o chão deixando marcas pelas pedras. Exerceu toda a força que podia em seus finos dedos e outro barulho estridente se fez do encontro das unhas com as pedras fazendo com que uma saltasse de seu dedo, gritou desesperadamente de dor. Nesse instante de fraqueza fora tragada rapidamente para o poço.

Fechou os olhos. Sentia aquele liquido por todo o corpo, mas não se sentia molhada. Prendeu a respiração. Sentia mãos lhe acariciarem o corpo. Faltava ar. Mais uma vez se pos a chorar copiosamente, não queria morrer tão cedo e não daquele jeito. Vendo que morreria afogada decidiu abrir os olhos e se soltar. Soltou o resto de ar que lhe enchia os pulmões, o liquido entrou por suas narinas e corria frio até seus pulmões, e a sensação, daquele ar tão essêncial, tão vital, lhe preencheu todo o ser.

Haviam pessoas formadas pela mesma substância daquele estranho liquido, elas nadavam ao seu redor, aqueles mais próximos acariciavam seu corpo, mexiam em seus cabelos e os cheirava. Alguns lambiam suas pernas e braços expostos, pareciam degustar seu sabor. O silêncio reinava naquele meio.

Ergueu a cabeça encarando a superfície onde brilhava uma intensa luz. Tentou nadar, mas fora impedida pelos vários que voltavam a segura-la de modo que não conseguia sair do lugar. Bateu as pernas, outros se abraçavam e o seu peso começava a aumentar afundando gradativamente naquele poço sem fim.

Ao fundo os corpos liquidos abriam alas para uma outra que subia em direção a jovem. Sua velocidade aumentava com a aproximação. Parou frente a jovem que tentava desesperadamente nadar para a superfície que mal notara a figura feminina a sua frente.

Facilmente esgueirou-se pelas suas narinas e lábios semi-cerrados. O corpo de Alice contorcia a cada centímentro em que o liquido avançava dentro dela. Uma dor avassaladora tomou sua cabeça subitamente fazendo com que pendesse a cabeça para trás e seu semblante tomasse uma feição desesperadora. Seus olhos ardiam, sentia um gosto frio de metal tomar-lhe o paladar e as entranhas queimarem contorcendo com mais força o frágil corpo. Como um feto, boiava abraçada as pernas dentro daquela imensidão cinza.


Os olhos ardiam mesmo fechados e com certo esforço levantava as pálpebras. Uma vaga lembrança do que acontecera tomou sua mente. Segurou a cabeça tentando compreender melhor o que havia acontecido. Seus olhos varreram o local, estava escuro, mas o suficiente para ver que não estava mais no poço, muito menos na biblioteca. Um choro fraco e abafado se propagava no local e enchia seus ouvidos. Deu uma meia volta ainda sentada no chão, em um canto havia uma mulher nua, aparentemente mais velha que ela, de cócoras, seus cabelos negros cobriam parcialmente suas costas. Olhou mais uma vez ao seu redor. Nada.

Levantou receosa, queria correr, gritar, e bater em algo se possível. E com passos pequenos na ponta do pé se aproximava da mulher que chorava. Com as mãos que tremulavam percorreu o ar em direção a mulher e lhe cutucou o ombro. Parou de chorar. Sua mão continuava encostada a sua costa.

Ela virou lentamente a cabeça encarando-a. Seus olhos eram fundos e estavam vermelhos. Com um sorriso mórbido levantou encarando a criança nos olhos. Estava totalmente nua, era magra, até de mais, alguns ossos pareciam pular de seu corpo. Esticou as mãos em direção a garota envolvendo-a em um abraço frio e indiferente. Alice continuava estática. Os lábios dela tocaram o seu. Pareceu durar uma eternidade. E daquele beijo seu corpo enfraqueceu, roubava suas energias, seu corpo parecia pesar mais do que aparentava, a cabeça pendia para o lado e a mulher seguia seu compasso ainda com os lábios grudados ao seu. Algumas veias saltavam em seu rosto, um enorme cansaço tomou-lhe.

- Somos eu e você. - disse a mulher ainda com os lábios no dela - Vou cuidar de você.

Uma lágrima escorreu do olho da mulher e gotejou na bocheca da criança, que escorreu pela face caindo no chão. Piscava rapidamente a cada gota que tocava sua face, não conseguindo mais sustentar nem ao menos seus olhos abertos adormeceu em seus braços.


Seus olhos abriram lentamente, sentia seu corpo levemente dolorido. Estava dentro do poço. Mas não tinha mais aquela coloração cinza de outrora, muito menos aquelas pessoas da mesma substância. Era azul, azul como o próprio céu, e límpido, nada mais a segurava. Livre nadou até a superfície. Apoiou-se na borda e subiu com certa dificuldade. Infelizmente, ele ainda estava lá. Aquele horrendo monstro ainda estava lá. Pensou em se jogar novamente n'água, mas ele fora mais rápido segurando-a pela cintura e a colocando em seu ombro. Voltavam pelo mesmo caminho que vieram, entre aquelas paredes de ossos humanos.

Em frente a porta da biblioteca podia ver Albert ainda catatônico. A luz que iluminava a biblioteca não ousava passar da porta que a delimitava. A criatura colocou-a frente a si. E frente a frente ele sorriu.

- Parabéns jovem Alice, parabéns.

Arremessou-a como uma bola para dentro. Seu corpo voou em direção a Albert.


Debateu-se freneticamente na cadeira fazendo-a cair abruptamente contra o chão. Remexia-se histericamente no chão. Suas mãos esfregavam com força seu rosto - seus cabelos tomaram totalmente seu rosto - as pernas chacoalhavam com força. Estava tomada pelo desespero. Albert levantou rapidamente e tentou conte-la.

- Acalme-se criança, já passou! Acalme-se! - gritava Albert enquanto continha Alice que o encarava por entre os fios negros em seu rosto com pavor -.
"And the question is
Was I more alive then than I am now?
I happily have to disagree
I laugh more often now
I cry more often now
I am more me!"
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