Apreciem, e se possível, comentem.
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Dia ruim
Hoje, como diria Pessoa, "o dia deu em chuvoso". Ora, normalmente não seria motivo de mau-humor, no entanto foi. Dormi tarde, acordei muito cedo e ainda tive o pressentimento de que o dia não seria lá essas coisas. Mesmo assim, insisti em sair.
Minha primeira parada seria no consultório médico, para pegar um laudo do exame feito na semana anterior. No corredor da entrada, adormeci enquanto esperava alguém chegar para abrir o local. Entre um cochilo e outro, uma hora se passou sem que nem uma viva alma aparecesse para dar satisfações sobre o não-funcionamento do consultório. Fui embora com uma simpática velhinha que me deu carona em seu guarda-chuva. Sim, apesar de tudo, ainda há flores no mundo!
Constatei, um pouco mais cedo, que hoje seria minha consulta no dentista. E o pior: em cinco anos, pela primeira vez eu esqueci de pagar a mensalidade do plano odontológico! Pior que isso só saber que estava sem um tostão. Liguei para o meu irmão e pedi emprestado. Ele logo se aproveitou para solicitar "juros sem carência". Maravilha...
Depois de ir à casa da minha mãe, peguei o dinheiro e fui caminhando para o local onde teria acesso a maiores opções de ônibus. Uma grande chuva começava a se armar sob minha cabeça, para dar mais um charme ao meu dia. Já começava a ver os coletivos passando na avenida, quando meu pai me liga. "Oh, filha, se você tivesse me avisado, eu teria levado você. Não quer voltar?"
Por que não voltar? Economizaria uma passagem e ainda me livraria do risco de chegar encharcada ao dentista. Voltei. Garoava, enquanto o vento frio insistia em soprar contra meus cabelos, enregelando meus braços descobertos. Ao chegar, entrei no carro, cujo ar condicionado estava ligado. Geladíssimo. O clima me deixava muda, para não gastar energia falando...
Assim, cheguei ao dentista, paguei e fiz minha consulta. Na volta, uma chuva besta, daquelas que molham aos poucos só para fazer raiva, me pegou. Oh vida, oh azar! No caminho da parada de ônibus, em meio à multidão de pessoas naquele centro urbano, desviei dos guarda-chuvas e vendedores de sombrinhas que vinham na direção oposta. Embaixo de um desses pára-chuvas estava um famoso humorista, que me abordou perguntando se queria levar seu guarda-chuvas para casa. Parece até piada de humorista mesmo...
Voltei para a casa da minha mãe, onde esperava almoçar e ir trabalhar. Mas havia o bilhete. O pedaço de papel escrito com a graúda letra materna, encontrado em minha primeira visita esta manhã. Entre outras coisas, dizia: "Coloque a comida para esquentar, inclusive o macarrão do seu pai, lave a louça e me ligue + tarde". Ótimo. Teria que preparar o almoço.
Na tarde, até este momento, nada me aconteceu. Pudera. Chega por hoje.
E isto não é ficcional.
(Elara Leite)

escrevendo..


A parte do famoso humorista anônimo acabou sendo o destaque, para mim.
