Ermel escreveu:Fato, creio eu, sera o - quase - inevitavel debate fervoroso que teremos com o ressucitar do topico. '-'
Mas agradeço ao Seth pelo esclarecimento, sabedoria e informação que nesse post passou para mim, e espero tambem, para outros futuros leitores e criticos.
Até!
Ei, bom e velho Ermel, todos os méritos a Edward de Bono, que em seu livros sobre o pensar, abriu meus olhos para o fato de que a diferença entre uma boa conversa e uma conversa não tão boa é a que a primeira funciona como blocos de construção, logo chegando a um ponto mais conclusivo em seu fim, enquanto a segunda é mais como o velho ''debate'' onde todos acham que estão certos e ficam revidando a tudo sem chegar a conclusão alguma.
Aliás, esse é um comportamento que eu tenho notado desde o princípio aqui no Fórum, e em muito da Classe Média brasileira em si. Porque, afinal, ainda que mesmo sem recursos nem história nem moral, a galera corre atrás e quer saber e quer colocar o ponto de vista para fora, e ísso é ótimo. A barreira sempre é atingida quando chega-se a aquele velho ponto invisível em que os argumentos passam não mais a serem tomados ao nível de argumentos, mas sim no nível pessoal. O que decorre disso (respostas céticas e afiadas, por horas sarcásticas, hora agressivas, além de alguns nervos pulsando) todos nós já sabemos.
Quando chega-se a esse nível, nenhum progresso mais pode ser feito, porque parece que não saber algo ou descartar seu ponto é um atestado de burrice, quando de fato, isso não existe; afinal, estamos todos tentando trabalhar em algo, debulhar um certo ponto de dentro para fora, trabalhando nos pontos bons e descartando os ruins, um processo coletivo de doação e seleção de idéias e observações. Assim como aqueles que trabalham com frutas em uma cooperativa, e depois que todos trazem seus produtos, não há mais ''produtos de ninguém'', apenas produtos, que com um pouco de sorte resultará em um produto final ao qual todos ajudaram a construir.
Bom, por enquanto o que eu tenho a dizer é isso aí...
E eu diria que o problema do tráfico no Brasil não será resolvido enquanto não houver nenhum motivo suficientemente bom para as pessoas que o fazem o deixem de fazer.
Então acredito que o problema do tráfico não é um fator social isolado e de raízem próprias; para mim, ele emerge da própria pobreza e desigualdade social. Logo nenhum BOPE, SWAT ou Mossad servirá como a solução total ao problema. Talvez, pelo contrário, poderá ainda o agravar, aquele velho moto de que ''violência só gera violência''.
Uma nova perspectiva no caso é necessária porque ao meu ver, podemos todos, cada vez mais, dia à dia, estar nos afogando e nos dividindo mais e mais em um mar de brutalidade, falta de compaixão e violência, instigados pelo medo rampante e o terror que a todo modo tentam instalar em nossas mentes. Sentados em nossas casas, pouco sabemos do que realmente acontece nas ruas e entre as paredes do planalto, nosso único modo de contato com o mundo externo sendo a TV, o rádio, os jornais...
Mas estamos nós mesmos, vendo a situação pelo o que ela é?
O problema do tráfico não reside apenas na mente de alguns indivíduos completamente pervertidos e ambiciosos da extrata mais pobre de nossa sociedade, porque os mais educados e mais poderosos, nossos homens-de-negócios, políticos e ''intelectuais'' servem como a prova viva da tamanha lama e sujeira que permeia o interior de muitos de nós. Toda sociedade possui os líderes que merece.
Atacar o fruto é apenas um grande controle de pragas. O ninho (ou as raízes) nunca foram de fato considerados como deveriam ser, entendidos e resolvidos de acordo.
Abraços!
PS à galera da Velha Spell:Falar em piada (aliás, muito boa, Sampaio), tem essa, o fato de um dos protagonistas da história, meu grande amigo inã (RPGgrátis/RPGnafaixa) NUNCA ter lido o conto.
E NUNCA é NUNCA mesmo, até hoje...
Para viver a realidade, primeiro é preciso acordar do sonho.