Arcebispo excomunga médicos de menina que fez aborto

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Arcebispo excomunga médicos de menina que fez aborto

Mensagempor Lanzi em 07 Mar 2009, 02:20

Acho que eles conseguem conviver com isso...
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Arcebispo excomunga médicos de menina que fez aborto

Mensagempor darklan em 07 Mar 2009, 02:31

Certo, como foi dito antes realmente não há citações sobre estupro ou algo semelhante na Bíblia (pelo menos "lida" superficialmente) mas sobre aborto tem uma explicação ,segundo a mesma, aqui: http://www.bibliaonline.net/aconselhamentos/?acao=resposta&numero=98&cab=&lang=BR&link=bol
Tenho que admitir que se os católicos se fixassem mais no Novo Testamento, teriam uma idéia diferente de estupro, segundo o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 7-18:19 "Eis porque digo: fujam do pecado sexual. Nenhum outro pecado atinge o corpo como este. Quando vocês cometem este pecado, é contra seu próprio corpo. Será que vocês não aprenderam ainda que seu corpo é a morada do Espírito Santo que Deus lhe deu, e que ele vive dentro de vocês?..."
Logo a pratica do estupro, mais como um "pecado da carne", seria considerada, a partir do Novo Testamento, como um crime gravíssimo. Para aqueles que não entenderam, o homem a partir da vinda de Jesus teria com ele, parte do Espírito Santo de Deus, fazendo com que seus atos contra o corpo fossem por suas vez atos contra Deus, compreendem?
Mas como disse, é a idéia da Santa Igreja Romana que conta neste caso, logo eles são meio defasados em pensamento e levam a erres absurdos como este. Infelizmente são poucos (e um deles me explicou isso) que entendem tais fatos "obscuros".
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Mensagempor Ariquel em 07 Mar 2009, 10:10

Nem adianta mandar esses FDP tomarem no C* pq eles podem até ir e aí não tem graça.. ¬¬

Enfim, Igreja Católica, Igreja católica...¬¬ :evil:
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Mensagempor Lumine Miyavi em 07 Mar 2009, 10:40

Eu diria cada um com seu cada um, mas hey, é a Igreja Católica. Mesmo errados eles estão certos, até mesmo pra quem não segue a doutrina deles.

:roll:
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Mensagempor Sr. Pichu em 07 Mar 2009, 10:55

nham não se esqueçam que a bíblia aprovava saques E estupros em cidades conquistadas, assim como matar criancas, velhos, jumentos, etc...
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Mensagempor GoldGreatWyrm em 07 Mar 2009, 11:40

Ora pelo amor de deus estamos falando de uma religião que patrocinou guerras infindáveis na europa medieval, incluindo uma cruzada feita só por crianças mandadas para o Oriente Médio, e tu vem me falar em proteger a vida de um feto...?

Eu posso entender o dogma católico, posso defender o direito daqueles que acreditam nele, mas me sinto na liberdade de discordar e considerar tudo uma grande hipocrisia.
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Mensagempor darklan em 07 Mar 2009, 11:57

Hey, também discordo do ponto de vista deles. É ridiculo, mas também tem o problema de eles pensarem com a mesma cabeça desde a Idade Média.
A unica coisa que defendi até agora é que eles tem direito de achar e agir na interpretação que quiserem, e que tudo o que o arcebispo falou tem sim uma base bíblica. Ele apenas se esqueceu do pequeno trecho que passei ali em cima, mas é sempre conveniente para a Igreja Católica fazer isso não? ^_^
E sobre as guerras e tudo, parece que voces esqueceram a incrivel capacidade dos sere humanos em esquecer algo que passou a mais de 200 anos? Ou pior, a maioria dos católicos nem aprenderiam sobre as Cruzadas se não fosse as escolas ensinarem. Logo eles mudam sua imagem, hoje em dia eles são pessoas pacíficas e bonitinha, que comem criancinhas de vez em quando.
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Mensagempor Madrüga em 07 Mar 2009, 12:23

Ariquel escreveu:
Nem adianta mandar esses FDP tomarem no C* pq eles podem até ir e aí não tem graça.. ¬¬

Enfim, Igreja Católica, Igreja católica...¬¬ :evil:


Robin, modere o linguajar.

E comentários puramente "HURR DURR igreja católica má e medieval": :sobrancelha:
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Mensagempor Eltor Macnol em 07 Mar 2009, 12:32

[comentário maldoso]
Pombas, hoje em dia alguém ainda se espanta quando um bispo católico considera pedofilia um pecado não tão grave assim?
[/comentário maldoso]

Bom, vou reiterar o que eu considero realmente ultrajante nesse caso. Não é o fato de terem excomungado os envolvidos. Excomungar não tira pedaço de ninguém, se o cara é um católico que já nem sequer segue os preceitos mais fundamentalistas da igreja tão a rigor assim (o que, felizmente, parece formar a maioria dos católicos brasileiros), ele vai continuar mantendo sua fé mais na religião do que na igreja, e sua vida não será abalada com isso.

Agora, tentar entrar com um processo no ministério público pra impedir que os médicos preservassem a saúde daquela criança é o que eu considero totalmente inaceitável. No que depender de mim, o Arcebispo pode mandar e desmandar no "clubinho" dele o quanto quiser, eu não vou me meter nisso, não faço parte do clube. Mas quando ele tenta forçar outras pessoas a seguirem as regras dele e não os direitos que a nossa sociedade estabelece, eu fico muito puto.
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Mensagempor Madrüga em 07 Mar 2009, 12:36

Eltor Macnol escreveu:Agora, tentar entrar com um processo no ministério público pra impedir que os médicos preservassem a saúde daquela criança é o que eu considero totalmente inaceitável. No que depender de mim, o Arcebispo pode mandar e desmandar no "clubinho" dele o quanto quiser, eu não vou me meter nisso, não faço parte do clube. Mas quando ele tenta forçar outras pessoas a seguirem as regras dele e não os direitos que a nossa sociedade estabelece, eu fico muito puto.


Pior é que ainda tem gente que ouve um corno desses. O país não é nominalmente católico ainda? Poderia ser tudo desvinculado de religião, inclusive (para o pavor dos preguiçosos) os feriados religiosos e qualquer tipo de alusão. Já não basta viver em cidades entulhadas de nomes de santos? :macaco:
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Mensagempor GoldGreatWyrm em 07 Mar 2009, 12:53

Ué, poder entrar com a ação ele pode. Levar ela adiante é outra coisa :jester:
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Mensagempor Agzher em 07 Mar 2009, 13:37

Sou católico e não posso dizer que discordo do Arcebispo.
Discorda-se de alguém quando a pessoa propõe alguma coisa que faça um mínimo de sentido.
O que ele fez foi no mínimo ridículo e nem merece ser comentado.

Sobre entrar com a ação:
O estado é laico, graças a Deus.
Não adianta ele tentar meter o bedelho onde não é chamado porque não vai dar em nada.


No mais... lamentável tudo isso...
"O 'Normal' é o deus homicida indispensável da saúde, e eu sou o seu sacerdote..." -- Martin Dystart (Equus)

Dilemas, dilemas, dilemas.
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Mensagempor WillDice em 07 Mar 2009, 14:09

Só comentando:

darklan escreveu:Eu simplesmente dei a resposta pedida, se o correto é ter a minima chance de salvar os bebes(e deixando a menina morrer naturalmente*) ou salvar a menina ( e concorrendo a uma vaga no inferno por matar os bebes) nao posso afirmar.


O problema é que essa chance não era mínima, era inexistente. Deixar como estava era matar a criança, a pessoa, e também os dois fetos. Se um sobrevivesse, seria mal-formado.

A escolha era deixar a menina morrer lentamente, e deixar os fetos se desenvolverem mais antes de morrerem, ou salvar a única vida que podia ser salva. Até entendo alguém não ter certeza qual é a resposta "certa", ou se há alguma. Mas a decisão foi tomada só pela mãe - mas também pela medicina, pela ciência, e pela lei.

A menina era pobre, desnutrida. Anêmica. E doente - o animal, a coisa que a violentou, também passou doenças venéreas para ela.




Fora isso, aguardo, por uma questão de coerência, a excomunhão de todos os assassinos no país.
Ou, que seja, só dos assassinos de crianças pequenas. Dos que mataram crianças de verdade, pessoas nascidas, com chances de sobreviver e que não punham a vida de outras pessoas em risco. Estou esperando, Arcebispo.
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Mensagempor Lanzi em 07 Mar 2009, 14:12

Acho que quando faltar um comentário à boca, é muito melhor o silêncio do que vir aqui e dizer: "Igreja católica é igreja católica", ou outros que insinuam coisas do tipo.

Sinceramente...
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Arcebispo excomunga médicos de menina que fez aborto

Mensagempor Gladius Dei em 07 Mar 2009, 14:53

Creio que a questão central gire em torno da excomunhão automática, matéria do Direito Canônico, do que da condenação em si do aborto pela Igreja Católica. Afinal de contas, todo mundo aqui está careca de saber que a vida, mesmo sofrida, é o valor último defendido pela organização da Igreja, e teria sido hipocrisia defender o aborto neste caso pela Igreja, simplesmente porque iria contra tudo o que ela já disse no passado e continua a defender no presente sobre esta matéria.

Me parece que tem muito mais que preto-no-branco nessa história toda. Acabei achando alguns textos flutuando ao redor sobre essa história toda:

SPOILER: EXIBIR
Ato Moral de Duplo Efeito

http://unisinos.br/ihu/index.php?option ... d=11718IHU 7/3/2009

“É muito escandaloso acusar a mãe e os médicos”


Nem todas as vozes da Igreja Católica condenam tão facilmente a decisão que levou a menina pernambucana a abortar os gêmeos fruto de abuso sexual agravado pela pedofilia. O padre católico e professor de Teologia daPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Érico Hammes afirma que os complexos dilemas éticos que pontuam o cotidiano não podem ser ignorados nas manifestações da Igreja, mesmo quando ela toma por base seu código canônico.


Embora a excomunhão em casos semelhantes seja automática, segundo as normas do Vaticano, Hammes acredita que existem atenuantes morais que poderiam revertê-la. Entende, ainda, que a Igreja deveria manter silêncio quando o caso envolve gestantes frágeis como crianças e vítimas de estupro.

A entrevista é do jornal Zero Hora, 07-03-2009.

Eis a entrevista.

Como o senhor vê a excomunhão automática em casos tão peculiares como esse?

Ela está prevista na lei da Igreja e, como tal, é algo muito frequente. Toda vez que há um aborto, havendo consciência da situação, incorre-se em excomunhão automática. E, por ser uma coisa corrente, o levantamento dessa excomunhão é fácil, basta se confessar. Muitos padres já têm delegação do bispo local para absolver. Não todos os casos, claro, mas em situações como essa.

Anunciar a excomunhão foi uma atitude correta?

Nesse caso, o problema se coloca pela dramaticidade. Seria importante olhar para isso no sentido terapêutico. Não há necessidade de promover publicidade porque a menina certamente não incorre em excomunhão. Ela nem tem maturidade para isso, só quem tem mais de 16 anos pode ser excomungado. Quem praticou o aborto de forma consciente pode incorrer, mas temos de levar em conta que era uma criança que corria risco de vida.

Isso poderia permitir um aborto?

Não, do ponto de vista da Igreja, não. Mas, na teologia moral, se prevê o ato moral de duplo efeito. Não queremos promover o aborto, que seria simplesmente tirar o bebê, mas queremos salvar a vida da mãe, e, como efeito, pode ocorrer a morte dele. A intenção não é abortar, é salvar a vida da mãe. Se isso for verdade do ponto de vista médico, estaria se cumprindo o dever de defender a vida da menina. Em outro âmbito, é como a legítima defesa.

Mas setores da Igreja não entendem assim…

Pode haver posições que não enxerguem a amplitude do problema. Quando não dá para salvar a todos, temos de salvar o que é possível. Se há risco de vida da gestante, não há como querer escolher muito. Pode até haver posições que defendam situações radicais, mas dificilmente se sustentam em uma reflexão saudável e ética. Temos de falar em situações reais. Essa situação é muito complexa para sair pronunciando juízos absolutos. É muito escandaloso acusar a mãe e os médicos de terem incorrido em excomunhão, simplesmente. Há situações na vida em que não podemos enxergar com tanta clareza. É difícil dizer que houve pecado gravado com excomunhão. E, mesmo que tenha havido, a volta não é complicada, basta se confessar.

Aborto é mais grave do que estupro?

Em termos ideais, matar alguém é mais grave do que agredir de outra forma. Mas nós mesmos sabemos que, em casos de tortura, há momentos em que a pessoa até pede que a matem, por exemplo. Não se pode dizer com muita facilidade que o estupro é menos grave. Até os detentos tratam de forma muito diferente um assassino de um estuprador.

É preciso interpretar o código canônico à luz dos dilemas éticos?

Quem tem coração de pastor, de quem cuida das outras pessoas, sempre tem preocupação maior no sentido de ajudar a quem precisa. O pronunciamento do Vaticano já reflete um sentimento diferente, reconhece que a Igreja tem de defender o princípio da vida, mas manifesta dor e sofrimento com o caso da menina.


http://edsongil.wordpress.com/

SPOILER: EXIBIR
GRÁVIDA DE GÊMEOS EM ALAGOINHA

O lado que a imprensa deixou de contar

Há cerca de oito dias, nossa cidade foi tomada de surpresa por uma trágica notícia de um acontecimento que chocou o país: uma menina de 9 anos de idade, tendo sofrido violência sexual por parte de seu padrasto, engravidou de dois gêmeos. Além dela, também sua irmã, de 13 anos, com necessidade de cuidados especiais, foi vitima do mesmo crime. Aos olhos de muitos, o caso pareceu absurdo, como de fato assim também o entendemos, dada a gravidade e a forma como há três anos isso vinha acontecendo dentro da própria casa, onde moravam a mãe, as duas garotas e o acusado.

O Conselho Tutelar de Alagoinha, ciente do fato, tomou as devidas providências no sentido de apossar-se do caso para os devidos fins e encaminhamentos. Na sexta-feira, dia 27 de fevereiro, sob ordem judicial, levou as crianças ao IML de Caruaru-PE e depois ao IMIP (Instituto Médico Infantil de Pernambuco), de Recife a fim de serem submetidas a exames sexológicos e psicológicos. Chegando ao IMIP, em contato com a Assistente Social Karolina Rodrigues, a Conselheira Tutelar Maria José Gomes, foi convidada a assinar um termo em nome do Conselho Tutelar que autorizava o aborto. Frente à sua consciência cristã, a Conselheira negou-se diante da assistente a cometer tal ato. Foi então quando recebeu das mãos da assistente Karolina Rodrigues um pedido escrito de próprio punho da mesma que solicitava um “encaminhamento ao Conselho Tutelar de Alagoinha no sentido de mostrar-se favorável à interrupção gestatória da menina, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na gravidade do fato”. A Conselheira guardou o papel para ser apreciado pelos demais Conselheiros colegas em Alagoinha e darem um parecer sobre o mesmo com prazo até a segunda-feira dia 2 de março. Os cinco Conselheiros enviaram ao IMIP um parecer contrário ao aborto, assinado pelos mesmos. Uma cópia deste parecer foi entregue à assistente social Karolina Rodrigues que o recebeu na presença de mais duas psicólogas do IMIP, bem como do pai da criança e do Pe. Edson Rodrigues, Pároco da cidade de Alagoinha.

No sábado, dia 28, fui convidado a acompanhar o Conselho Tutelar até o IMIP em Recife, onde, junto à conselheira Maria José Gomes e mais dois membros de nossa Paróquia, fomos visitar a menina e sua mãe, sob pena de que se o Conselho não entregasse o parecer desfavorável até o dia 2 de março, prazo determinado pela assistente social, o caso se complicaria. Chegamos ao IMIP por volta das 15 horas. Subimos ao quarto andar onde estavam a menina e sua mãe em apartamento isolado. O acesso ao apartamento era restrito, necessitando de autorização especial. Ao apartamento apenas tinham acesso membros do Conselho Tutelar, e nem tidos. Além desses, pessoas ligadas ao hospital. Assim sendo, à área reservada tiveram acesso naquela tarde as conselheiras Jeanne Oliveira, de Recife, e Maria José Gomes, de nossa cidade.

Com a proibição de acesso ao apartamento onde menina estava, me encontrei com a mãe da criança ali mesmo no corredor. Profunda e visivelmente abalada com o fato, expôs para mim que tinha assinado “alguns papéis por lá”. A mãe é analfabeta e não assina sequer o nome, tendo sido chamada a pôr as suas impressões digitais nos citados documentos.

Perguntei a ela sobre o seu pensamento a respeito do aborto. Valendo-se se um sentimento materno marcado por preocupação extrema com a filha, ela me disse da sua posição desfavorável à realização do aborto. Essa palavra também foi ouvida por Robson José de Carvalho, membro de nosso Conselho Paroquial que nos acompanhou naquele dia até o hospital. Perguntei pelo estado da menina. A mãe me informou que ela estava bem e que brincava no apartamento com algumas bonecas que ganhara de pessoas lá no hospital. Mostrava-se também muito preocupada com a outra filha que estava em Alagoinha sob os cuidados de uma família. Enquanto isso, as duas conselheiras acompanhavam a menina no apartamento. Saímos, portanto do IMIP com a firme convicção de que a mãe da menina se mostrava totalmente desfavorável ao aborto dos seus netos, alegando inclusive que “ninguém tinha o direito de matar ninguém, só Deus”.

Na segunda-feira, retornamos ao hospital e a história ganhou novo rumo. Ao chegarmos, eu e mais dois conselheiros tutelares, fomos autorizados a subirmos ao quarto andar onde estava a menina. Tomamos o elevador e quando chegamos ao primeiro andar, um funcionário do IMIP interrompeu nossa subida e pediu que deixássemos o elevador e fôssemos à sala da Assistente Social em outro prédio. Chegando lá fomos recebidos por uma jovem assistente social chamada Karolina Rodrigues. Entramos em sua sala eu, Maria José Gomes e Hélio, Conselheiros de Alagoinha, Jeanne Oliveira, Conselheira de Recife e o pai da menina, o Sr. Erivaldo, que foi conosco para visitar a sua filha, com uma posição totalmente contrária à realização do aborto dos seus netos. Apresentamo-nos à Assistente e, ao saber que ali estava um padre, ela de imediato fez questão de alegar que não se tratava de uma questão religiosa e sim clínica, ainda que este padre acredite que se trata de uma questão moral.

Perguntamos sobre a situação da menina como estava. Ela nos afirmou que tudo já estava resolvido e que, com base no consentimento assinado pela mãe da criança em prol do aborto, os procedimentos médicos deveriam ser tomados pelo IMI dentro de poucos dias. Sem compreender bem do que se tratava, questionei a assistente no sentido de encontrar bases legais e fundamentos para isto. Ela, embora não sendo médica, nos apresentou um quadro clínico da criança bastante difícil, segundo ela, com base em pareceres médicos, ainda que nada tivesse sido nos apresentado por escrito.

Justificou-se com base em leis e disse que se tratava de salvar apenas uma criança, quando rebatemos a idéia alegando que se tratava de três vidas. Ela, desconsiderando totalmente a vida dos fetos, chegou a chamá-los em “embriões” e que aquilo teria que ser retirado para salvar a vida da criança. Até então ela não sabia que o pai da criança estava ali sentado ao seu lado. Quando o apresentamos, ela perguntou ao pai, o Sr. Erivaldo, se ele queria falar com ela. Ele assim aceitou. Então a assistente nos pediu que saíssemos todos de sua sala os deixassem a sós para a essa conversa. Depois de cerca de vinte e cinco minutos, saíram dois da sala para que o pai pudesse visitar a sua filha. No caminho entre a sala da assistente e o prédio onde estava o apartamento da menina, conversei com o pai e ele me afirmou que sua idéia desfavorável ao aborto agora seria diferente, porque “a moça me disse que minha filha vai morrer e, se é de ela morrer, é melhor tirar as crianças”, afirmou o pai quase que em surdina para mim, uma vez que, a partir da saída da sala, a assistente fez de tudo para que não nos aproximássemos do pai e conversássemos com ele. Ela subiu ao quarto andar sozinha com ele e pediu que eu e os Conselheiros esperássemos no térreo. Passou-se um bom tempo. Eles desceram e retornamos à sala da assistente social. O silêncio de que havia algo estranho no ar me incomodava bastante. Desta vez não tive acesso à sala. Porém, em conversa com os conselheiros e o pai, a assistente social Karolina Rodrigues, em dado momento da conversa, reclamou da Conselheira porque tinha me permitido ver a folha de papel na qual ela solicitara o parecer do Conselho Tutelar de Alagoinha favorável ao aborto e rasgou a folha na frente dos conselheiros e do pai da menina. A conversa se estendeu até o final da tarde quando, ao sair da sala, a assistente nos perguntava se tinha ainda alguma dúvida. Durante todo o tempo de permanência no IMIP não tivemos contato com nenhum médico. Tudo o que sabíamos a respeito do quadro da menina era apenas fruto de informações fornecidas pela assistente social. Despedimo-nos e voltamos para nossas casas. Aos nossos olhos, tudo estava consumado e nada mais havia a fazer.

Dada a repercussão do fato, surge um novo capítulo na história. O Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, e o bispo de nossa Diocese de Pesqueira, Dom Francisco Biasin, sentiram-se impelidos a rever o fato, dada a forma como ele se fez. Dom José Cardoso convocou, portanto, uma equipe de médicos, advogados, psicólogos, juristas e profissionais ligados ao caso para estudar a legalidade ou não de tudo o que havia acontecido. Nessa reunião que se deu na terça-feira, pela manhã, no Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, estava presente o Sr. Antonio Figueiras, diretor do IMIP que, constatando o abuso das atitudes da assistente social frente a nós e especialmente com o pai, ligou ao hospital e mandou que fosse suspensa toda e qualquer iniciativa que favorecesse o aborto das crianças. E assim se fez.

Um outro encontro de grande importância aconteceu. Desta vez foi no Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, na tarde da terça-feira. Para este, eu e mais dois Conselheiros, bem como o pai da menina formos convidados naquela tarde. Lá no Tribunal, o desembargador Jones Figueiredo, junto a demais magistrados presentes, se mostrou disposto a tomar as devidas providências para que as vidas das três crianças pudessem ser salvas. Neste encontro também estava presente o pai da criança. Depois de um bom tempo de encontro, deixamos o Tribunal esperançosos de que as vidas das crianças ainda poderiam ser salvas.

Já a caminho do Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, por volta das cinco e meia da tarde, Dom José Cardoso recebeu um telefonema do Diretor do IMIP no qual ele lhe comunicava que um grupo de uma entidade chamada Curumins, de mentalidade feminista pró-aborto, acompanhada de dois técnicos da Secretaria de Saúde de Pernambuco, teriam ido ao IMIP e convencido a mãe a assinar um pedido de transferência da criança para outro hospital, o que a mãe teria aceito. Sem saber do fato, cheguei ao IMIP por volta das 18 horas, acompanhado dos Conselheiros Tutelares de Alagoinha para visitar a criança. A Conselheira Maria José Gomes subiu ao quarto andar para ver a criança. Identificou-se e a atendente, sabendo que a criança não estava mais na unidade, pediu que a Conselheira sentasse e aguardasse um pouco, porque naquele momento “estava havendo troca de plantão de enfermagem”. A Conselheira sentiu um clima meio estranho, visto que todos faziam questão de manter um silêncio sigiloso no ambiente. Ninguém ousava tecer um comentário sequer sobre a menina.

No andar térreo, fui informado do que a criança e sua mãe não estavam mais lá, pois teriam sido levadas a um outro hospital há pouco tempo acompanhadas de uma senhora chamada Vilma Guimarães. Nenhum funcionário sabia dizer para qual hospital a criança teria sido levada. Tentamos entrar em contato com a Sra. Vilma Guimarães, visto que nos lembramos que em uma de nossas primeiras visitas ao hospital, quando do assédio de jornalistas querendo subir ao apartamento onde estava a menina, uma balconista chamada Sandra afirmou em alta voz que só seria permitida a entrada de jornalistas com a devida autorização do Sr. Antonio Figueiras ou da Sra. Vilma Guimarães, o que nos leva a crer que trata-se de alguém influente na casa. Ficamos a nos perguntar o seguinte: lá no IMIP nos foi afirmado que a criança estava correndo risco de morte e que, por isso, deveria ser submetida ao procedimentos abortivos. Como alguém correndo risco de morte pode ter alta de um hospital. A credibilidade do IMIP não estaria em jogo se liberasse um paciente que corre risco de morte? Como explicar isso? Como um quadro pode mudar tão repentinamente? O que teriam dito as militantes do Curumim à mãe para que ela mudasse de opinião? Seria semelhante ao que foi feito com o pai?

Voltamos ao Palácio dos Manguinhos sem saber muito que fazer, uma vez que nenhuma pista nós tínhamos. Convocamos órgãos de imprensa para fazer uma denúncia, frente ao apelo do pai que queria saber onde estava a sua filha.

Na manhã da quarta-feira, dia 4 de março, ficamos sabendo que a criança estava internada na CISAM, acompanhada de sua mãe. O Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (FUSAM) é um hospital especializado em gravidez de risco, localizado no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife. Lá, por volta das 9 horas da manhã, nosso sonho de ver duas crianças vivas se foi, a partir de ato de manipulação da consciência, extrema negligência e desrespeito à vida humana.Isto foi relatado para que se tenha clareza quanto aos fatos como verdadeiramente eles aconteceram. Nada mais que isso houve. Porém, lamentamos profundamente que as pessoas se deixem mover por uma mentalidade formada pela mídia que está a favor de uma cultura de morte. Espero que casos como este não se repitam mais.

Ao IMIP, temos que agradecer pela acolhida da criança lá dentro e até onde pode cuidar dela. Mas por outro lado não podemos deixar de lamentar a sua negligência e indiferença ao caso quando, sabendo do verdadeiro quadro clínico das crianças, permitiu a saída da menina de lá, mesmo com o consentimento da mãe, parecendo ato visível de quem quer se ver livre de um problema.

Aos que se solidarizaram conosco, nossa gratidão eterna em nome dos bebês que a esta hora, diante de Deus, rezam por nós. “Vinde a mim as crianças”, disse Jesus. E é com a palavra desde mesmo Jesus que continuaremos a soltar nossa voz em defesa da vida onde quer que ela esteja ameaçada. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente” (Jo, 10,10). Nisso cremos, nisso apostamos, por isso haveremos de nos gastar sempre. Acima de tudo, a Vida!

Pe. Edson Rodrigues
Pároco de Alagoinha-PE
padreedson@hotmail.com


http://januacoeli.wordpress.com/

Pergunta: é confirmado e 100% certo que a garotia iria morrer, sem qualquer possibilidade de salvar à todos? Onde estava escrito isso? (não, não é um "desafio você!", só realmente não me lembro de ter lido isso por aqui).

EDIT: Mais algumas coisas que possam ajudar no entendimento disso tudo:

SPOILER: EXIBIR
Ainda sobre o aborto e a excomunhão

Março 6, 2009 por Jorge Ferraz

Alguns ligeiros esclarecimentos e comentários sobre o triste desfecho do caso das duas crianças que foram brutalmente assassinadas em Recife sob o beneplácito e - não raro - até mesmo apoio da opinião pública se fazem necessários, graças à enxurrada de “opiniões” desinformativas que estão circulando por aí, às quais é necessário contrapôr a verdade dos fatos.

- Excomunhão é uma pena canônica da Igreja Católica que a Ela interessa e a mais ninguém; tem efeitos jurídicos dentro da Igreja, e dizer que, para a sociedade, “não faz diferença” estar ou não excomungado é dizer uma obviedade, dado que, no nosso país, o Direito Canônico é completamente estranho ao Direito Civil.

- Igualmente, querer impôr à Igreja como Ela deve agir e como deve deixar de agir, dizendo quais pessoas deveriam ser excomungadas e quais não deveriam, é uma impropriedade e uma clara intromissão de estranhos em assuntos que não conhecem e que extrapolam a sua competência. A Igreja não é a casa da Mãe Joana onde todo mundo mete o bedelho e qualquer um pode dar opinião; rege-se Ela pelo Direito Canônico, e não pela [má] vontade de fulanos e sicranos que só se lembram da Igreja quando é para descer o sarrafo n’Ela. Citando um só exemplo de vários que poderiam ser trazidos, o senhor presidente da República: “Como cristão e como católico, lamento profundamente que um bispo da Igreja Católica tenha um comportamento conservador como este”. Sem comentários.

- Excomunhão não significa “passaporte para o inferno”; de acordo com o Código de Direito Canônico, cân. 1331, “§1. Ao excomungado proíbe-se 1°- ter qualquer participação ministerial na celebração do sacrifício da Eucaristia ou em quaisquer outras cerimônias de culto; 2°- celebrar sacramentos ou sacramentais e receber os sacramentos; 3°- exercer quaisquer ofícios, ministérios ou encargos eclesiásticos ou praticar atos de regime; [...] §2. Se a excomunhão tiver sido imposta ou declarada, o réu: 1° - se pretende agir contra a prescrição do § 1, n. 1, deve ser afastado, ou então deve ser suspensa a ação litúrgica, a não ser que grave causa o impeça; 2° - pratica invalidamente os atos de regime que de acordo com o § 1, n. 3, são ilícitos; 3° - fica proibido de gozar dos privilégios anteriormente concedidos; 4° - não pode conseguir validamente dignidade, ofício ou qualquer outro encargo na Igreja; 5° - não percebe os frutos de dignidade, ofício, encargo ou pensão que tenha na Igreja”. Ou seja, como foi já dito, trata-se de uma pena canônica cujos efeitos são muito bem especificados, e o “passaporte para o inferno” não consta entre eles.

- Tampouco a excomunhão é uma pena irreversível; havendo arrependimento, é possível ao penitente, por meio do Sacramento da Confissão, receber o perdão de Deus e o levantamento das penas canônicas (inclusive a excomunhão) nas quais porventura ele tenha incorrido.

- O Arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, não excomungou ninguém; a excomunhão automática para quem pratica aborto está tipificada no Código de Direito Canônico, e aplica-se indistintamente a qualquer católico, quer haja pronunciamento da autoridade competente (no caso, o Bispo), quer não. Segundo o Código, cân. 1398, “[q]uem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae”. Portanto, os que provocaram o aborto da menor, em Recife, incorreram na excomunhão automática que está prevista pelo Código de Direito Canônico (e que vale para toda a Igreja), e não numa suposta excomunhão que tenha sido aplicada pelo Arcebispo. Dom José apenas comunicou que os assassinos de crianças e seus cúmplices já haviam incorrido - desde a morte dos fetos - na excomunhão prevista pelo Direito Canônico.

- A criança de nove anos, obviamente, não está excomungada, por diversos motivos, bastando citar aqui o mais evidente: segundo o Código, cân. 1323, “[n]ão é passível de nenhuma pena, ao violar lei ou o preceito (…) quem ainda não completou dezesseis anos de idade”.

- A mera constatação de um fato (no caso, da excomunhão), feita pelo Arcebispo de Olinda e Recife, não significa, de modo algum, que a Igreja não se preocupe com a saúde da menina, nem que não dê a devida importância ao crime bárbaro do estupro, nem que deseje impôr um sofrimento à família, nem nada parecido. A existência de um crime bárbaro, por ninguém negado - o estupro - não faz com que seja moralmente lícito praticar um outro crime horrendo - o assassinato das duas crianças. Igualmente, dizer que é errado assassinar crianças não implica, sob nenhuma ótica minimamente racional, que se esteja relativizando a gravidade dos outros aspectos envolvidos (o estupro, a possibilidade de risco para a criança, etc).

- Para saber mais, aqui, no Deus lo Vult!, “Estão excomungados” (comentários), onde a discussão já desde ontem está correndo; igualmente, “O bufão da Globo” (comentários), sobre os infelizes comentários do Jabor sobre o assunto.


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Inteligência é perceber que, daqui a dez anos, você será menos tolo.
Sabedoria, portanto, é compreender que você é um tolo agora.
Bom senso, por fim, é tentar não ser um tolo hoje.
- Desconhecido

(Gladius, tentando sempre ser menos tolo)

Gladius desencanou. Ele sabe quem ele é, o que faz, e o que foi feito à ele. Nada disso pode ser mudado. Procure uma contra-resposta, ela existe. Tenha um bom dia.

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