Eu tive alguns problemas com religião ao longo dos anos (bem poucos), mas nunca sofri preconceito por não acreditar em deus ou por minhas eventuais blasfêmias e piadinhas biblicas.
Obviamente, não saio por ai com a camisa "100% ateu", tampouco discuto religião com frequencia. Apesar de ate ter sido bem presente na minha vida, religião é um assunto que não me intereça muito, quando me perguntam a respeito eu falo. Algumas pessoas as vezes ficam incomodadas com a resposta, mas nunca fui mal tratado por isso. Sem contar que na minha adolescência black metal, andava com camisas "controversas" pela cidade toda e nunca fui agredido por isso.
Minha familia é teoricamente católica, mas acho que no geral so vão em igreja em casamentos e pela morte de alguem (ou quando alguem esta muito doente). Minha mãe se diz espirita, mas nunca deu grande importância para praticas religiosas (ir em templos, rezar). Meu pai sempre foi ateu (provavelmente não quando era criança) e ainda gostava de tirar sarro do povo que acreditava.
Fiquei bastante impressionado com o relato do Sampaio, não imaginava que existisse tantos cristãos (catolicos/evangelicos), ou ate mesmo pessoas que acreditam em deus, de forma tão seria e compromissada. Aqui onde moro acho que é o oposto dai. Alias uma das grandes contribuições dessa cidade é a esculhambação religiosa. O mesmo sujeito que se diz catolico e vai a igreja no domingo, é o mesmo que toma banho de pipoca na terça, vai num terreiro na quarta e incorpora um santo na quinta. Acho que o povo tem mais amor e respeito pelos ritos e festas religiosas do que pelos seus dogmas. Catolicos, espiritas, e seguidores de religiões afros nunca foram um problema aqui (a não ser pela sujeira e poluição sonora). O que provoca dor de cabeça são membros da Universal e alguns evangelicos (comos são varias igrejas diferentes, não saberia diferenciar o grupo exato), mas nada que va me fazer perder o sono.
Os perrengues que eu passei por causa de religião foram justamente por causa do nosso glorioso rpg (joguinho estupido safado

). A alguns anos atrás (98/99), 3 jogadores do meu grupo viraram evangelicos fanaticos (eles ja eram evangelicos quando jogavam, o fanatismo veio depois) de uma igreja batista. Eu fiquei chateado na epoca, não so porque fiquei sem grupo e tive que parar minha crônica de vampiro, mas tambem gostava deles. Os caras surtaram queimaram/jogaram fora livros (um inocente clanbook Gangrel estava entre eles), revistas (varias DBs viraram cinzas

) e ate dados foram para o lixo (ou para fogueira). Um deles tomou jeito um pouco depois do surto (foi uns 2 meses de surto) e inclusive voltou a jogar (o que me garantiu um 2° grupo local). Os outros dois, que eram irmãos, não so continuaram como ainda tentaram converter seus antigos amigos, principalmente os lutadores de capoeira e os rpgistas. Vieram varias vezes na porta da minha casa tentar me arrebanhar. Numa das vezes trouxeram ate um cara que eu não conhecia (e era feio pra car****) que botou dedo na minha cara e tudo e disse que eu ia aprender pela dor se não começasse a frequentar a igreja. Os caras chegaram a ir em dias seguidos, para ver se Jesus tinha tocado o meu coração (eles falaram isso, é serio). Obviamente Jesus não tocou em nada, e eu mais uma vez tive que fazer um esforço sobre-humano para ser minimamente educado.
Um desses irmãos voltou a jogar algum tempo depois disso, mas so D&D (que na época acho que ainda era AD&D, mas não tenho certeza), e acho que o tradicional ja que o livro de Ravenloft ja tinha dançado. O cara não jogava vampiro, ja que ainda era fiel parcialmente as suas crenças.
Teve tambem um caso mais recente: minha mãe chamou um tecnico para arrumar o computador. Uma parte dos meus livros do antigo Wod ficam expostas (não tenho onde guardar), o cara quando foi mexer no computador viu, e perguntou se minha mãe gostava de rpg (pois é

). Minha mãe disse que eram meus, ai o cara disse que ele proprio tinha sido um jogador, mas que havia largado porque era coisa do demônio. Minha mãe disse que ele ficou bastante incomodado com os livros. Ele ficou de voltar para fazer alguma outra coisa que não pode fazer no dia, mas nunca mais apareceu. Quando minha mãe me falou isso, eu não so percebi que ele nunca mais ia aparecer (e o computador ficou um bom tempo ruim ainda), como que daqui para frente deveria guardar melhor os meus livros para não assustar os incautos (

).
"Aqueles que não conseguem se lembrar dos erros do passado estão condenados a repeti-los."
- George Santayana