Mais paredes de texto, mas vamos nessa:
Iuri escreveu:Isso me fez ver que estamos saindo da ideia do tópico. Toda esta ideia do cara de tirar determinados cursos de graduação das universidades não envolve em nenhum momento diminuir (mas sim aumentar) o apoio a cursos de licenciatura. Há uma grande diferença entre abolir um curso de Filosofia e um de Licenciatura em Letras. Agora, você acha que fora do ensino estas áreas do conhecimento (e não seu ensino) SÃO fundamentais (e, aproveitando para salientar o que disse o Lanzi: eu acho que SÃO fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade. Eu mesmo fiquei com dúvida entre engenharias, ciências básicas, e história ou psicologia na época do meu vestibular. Mas no momento estamos falando apenas em crescimento econômico. Desenvolvimento de indústria, geração de empregos, infra-estrutura urbana, desenvolvimento de relações comerciais, etc...) ? Um bacharel em letras, por exemplo, ele vai ajudar o resto do país a desenvolver senso crítico?
Então, tudo aquilo que eu falei é uma crítica ao fato do economista relegar outros cursos a um segundo plano quando isso não deveria ser feito. Aí vem toda a minha explicação a respeito da importância que as outras áreas também necessitam para contribuir no desenvolvimento brasileiro, e cito o principal fator que é no ensino básico (nos ensinos superiores também, mas principalmente no ensino básico).
Não é menosprezando uma área e privilegiando outra que teremos o tal crescimento econômico. Como o Madrüga já falou, isso depende muito mais do que apenas construir pontes, como já foi citado.
Iuri escreveu:De fato, isso deve ser uma das prioridades. A diferença entre nós dois (pelo menos uma ) é que você acha que o sistema de ensino superior deve ser deixado de molho enquanto arrumamos o básico, enquanto eu sou da opinião que reformas simultâneas seriam bem vindas.
Sim, é isso mesmo que penso. As necessidades mais urgentes estão na base brasileira e eu acredito que esse problema deve ser resolvido primeiro, para depois ir subindo para os degraus superiores.
Iuri escreveu:Talvez eu tenha me confundido um pouco nos outros posts, mas estou com a mesma visão de 'crítica' que tu citou ali. Acontece que é tão impossível tecer críticas sobre a 'observação de um efeito natural' quanto é fazer sobre a 'leitura de um texto'. Quando você tenta analisar o texto em si, então tem que comparar com uma analise do tal efeito natural, e não de sua observação.
Mas como você mesmo salientou, mesmo em Letras a análise crítica é algo teórico, e como tal segue alguns protocolos. Ao fazer uma crítica biográfica, como você mesmo sugere, o crítico em questão faz um trabalho deveras mecânico, seguindo passos bem definidos (eu não sei como seriam estes passos, isto é apenas um exemplo): 1- Encontrar pontos em comum entre as obras; 2- Pesquisar a situação social, economica e politica do ambiente em que tais obras foram escritas; 3 - encontrar um padrão de posicionamento do autor em relação a estas situações; 4 - Analisar como isto se expressa ou influencia a obra. Quero ressaltar com isso aquilo que eu falei antes linkando o post do Led: o tipo de pensamento nesta análise é algo específico para esta análise. Ao fazer uma avaliação crítica de um processo químico industrial, seguimos uma metodologia semelhante (1- encontrar pontos do processo que estejam consumindo muita energia; 2 - cogitar materiais mais adequados para os equipamentos; 3 - avaliar a possibilidade de diminuir equipamentos, etc...)
É exatamente no conteúdo que está a diferença entre as duas críticas. Quando você compara ambas, você está comparando o
procedimento usado para fazer ambas as coisas. E a diferença entre a crítica biográfica e o procedimento do químico industrial entra justamente no conteúdo em si, que se torna diferenciado porque a crítica biográfica ainda é passível de contradições e dualidades, fugindo do conceito exato embora tente ser objetivo. Além disso, dentro do próprio discurso do autor, dentro dela está presente um certo julgamento da obra de bom ou ruim, independente de expressar claramente ou não esse julgamento.
Enquanto que o químico estará fazendo todo um levantamento e análise de materiais necessários para aquilo que faz e aplicá-los de maneira onde se atinja o objetivo. Logo, ele não está tecendo uma crítica propriamente dita de que aquilo é bom ou ruim, ele está seguindo uma meta específica que para ele só importa que funcione, não importando a sua opinião sobre nada ali no meio do processo.
Iuri escreveu:Se o exemplo das chuvas não foi bom vou tentar outro (matemática agora, em sua forma mais pura): "Como vocês acham que seja possível provar que 2^5 + 7^5 é divisivel por 3 ? ". E quem nunca ficou "filosofando" em questões de análise combinatória? Só que ter conhecimento de filosofia não vai adiantar nada a chegar em um resultado correto. É preciso ter conhecimento específico da área, e é esse conhecimento que serve de base para um pensamento crítico da suposta área.
Mas eu concordo contigo em mais um ponto. As ciências exatas são explicadas no ensino médio e fundamental como se o importante para o aluno fosse saber daquilo, quando obviamente o que importa não é isso. O exemplo dos números divisiveis por 3, por exemplo, nunca seria questionado em uma escola comum (talvez nas militares seja assim). Só que isso apenas diminui o mérito do ensino básico, e mostra que ele precisa mesmo de uma reforma, mas nãoaumenta o mérito das humanas.
Então, eu não estou dizendo que deve se aplicar Filosofia para resolver um cálculo matemático. O que digo é que o processo de análise crítica naquela idade, é melhor desenvolvido a partir dos conceitos principais das humanas. No caso, o processo cognitivo mental da criança e do jovem é estimulado, não que os conceitos das humanas seja a forma certa de solucionar problemas matemáticos.
Tanto é que as principais pesquisas de ensino e aprendizagem são a parte principal da Pedagogia e são também estudados na Psicologia e Filosofia.