Relato da repressão policial dentro do Campus da UDESC

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Relato da repressão policial dentro do Campus da UDESC

Mensagempor Geleiras em 06 Ago 2010, 19:21

* Favor divulgar.

Florianópolis, 01 de junho de 2010




À Comunidade em geral,



Relato da repressão policial dentro do Campus da UDESC


Ontem, dia 31 de maio de 2010, os estudantes de Florianópolis, juntamente com a Frente Única de Luta pelo Transporte Público, deram início a 4ª semana de manifestações contra o aumento abusivo da tarifa de ônibus - dos já abusivos R$ 2,80 para R$ 2,95.

Assim, após às 18h, cerca de 20 manifestantes da UDESC iniciaram sua manifestação pelo lado de fora da Universidade.Neste momento, chegou ao local uma viatura da PM, que ficou somente observando a manifestação pacífica. Em pouco tempo foi possível ouvir o soar das sirenes que pensamos ser de uma ambulância num momento em que a via encontrava-se bloqueada pelos manifestantes e, assim sendo, abrimos caminho. Ao deslocarmo-nos para o canteiro percebemos que o soar das sirenes eram de 4 viaturas do GRT (Grupo de Resposta Tática).

Com isso fomos para a calçada ao lado dos portões da Universidade, ao passo que o grupo de GRT já deslocava-se de suas viaturas. Vieram em nossa direção com as armas Taser e avançaram sobre um estudante da UDESC. Jogaram-no ao chão, espancando-o, enquanto alguns manifestantes tentavam puxá-lo para que este não fosse preso. Contudo, devido à truculência do GRT, acabaram caindo e o discente foi preso.

Em meio à essa primeira demonstração de violência da noite, os alunos que presenciaram o fato correram para os centros da Universidade, chamando a atenção de estudantes, professores e funcionários para o que estava acontecendo. Em poucos minutos todos se dirigiam para frente da UDESC, protestando contra os abusos cometidos pela polícia que tomava novas proporções: tornou-se, também, uma indignação generalizada diante do uso abusivo da força por parte da Polícia.
Com isso os manifestantes que aglutinavam-se no centro da cidade deslocaram-se para a UDESC. Nesse meio tempo alunos contatavam professores. Com a chegada do pessoal que estava no Centro, os manifestantes entraram na universidade e fizeram uma Assembléia (o clima estava tenso, pois havia vários policiais infiltrados, famigerados P2).

A assembléia encaminhou a continuidade do ato, entretanto a polícia havia fechado a outra saída, fazendo com que não tivéssemos como sair de dentro do Campus I da UDESC. Desta forma, voltamos para frente, no portão principal. Tentamos seguir em direção a UFSC, mas a qualquer tentativa de bloquear as ruas as viaturas avançavam em alta velocidade, cantando pneu, sem preocupar-se com a segurança dos que ali estavam. Ficamos impedidos inclusive de caminhar pela calçada, ficando presos pela obstrução da polícia. Tal atitude impedia também os demais alunos e funcionários de saírem com segurança da Universidade, pois eram ameaçados com armas de choque.

O Ministério Público do Estado já havia dado aval para que a polícia utilizasse de todos os meios “legais” para que as principais ruas e avenidas não fossem trancadas.No entanto, a via que ocupávamos ontem sequer estava citada em tal nota, assemelhando-se este documento ao AI5 da época da ditadura. E foi utilizando esses aparatos “legais” que por volta das 21h30 a Polícia invadiu o campus e agrediu estudantes dentro da universidade, fazendo-se uso de gás de pimenta, armas taser, cassetetes e chegando a apontar arma de fogo na cabeça de estudante (a última feita por um P2). Soma-se a isso empurrões, socos, chutes, como o caso de estudante que foi atingido nos órgãos genitais. A manifestação que se pretendia pacífica logo se tornou uma ação incontrolavelmente violenta. Vale enfatizar aqui que nem na época da ditadura era concebível a polícia adentrar as universidades.

Das prisões realizadas na calçada em frente à UDESC e dentro do campus, a maioria estudantes da UDESC. Totalizava-se assim, juntamente com a prisão realizada por volta das 20 horas e 30 minutos, 5 detidos. Foram encaminhados para a 1ª DP e para a Central de Polícia, com exceção de um dos estudantes que passou pelo posto avançado da madre Benvenuta, 5ª DP, 1 ªDP e para a Central de Polícia. Os detidos foram liberados somente de madrugada, após assinarem o termo circunstanciado.

Diante dessa situação, professores da UDESC se deslocaram para o local, dentre Chefe(s) de Departamento(s) e Diretores de Centro. O tenente-coronel Newton Ramlow informou a um(a) dos professores que havia detido pessoas infiltradas de São Paulo, que não faziam parte do movimento e que vêm pra cá só pra causar confusão, além de um estudante da UDESC que estava “incomodando” desde as 7:30! Tomando nota de quem foram as pessoas detidas logo constatamos que a informação não era verídica.

Foi iniciada uma cobrança pelas vias institucionais, solicitando um posicionamento da Reitoria da UDESC contra a repressão policial ocorrida na noite de ontem. Na hora das atrocidades cometidas pela polícia, fecharam-se as portas para os manifestantes que procuravam ali alguma segurança.

O fato ocorrido ontem é mais uma evidência concreta da criminalização dos Movimentos Sociais em nosso país e no mundo! Repudiamos a invasão do Campus e a ação violenta da polícia! Repudiamos a nota do Ministério Público do Estado! Repudiamos a criminalização dos Movimentos Sociais! Nossa luta é por um Transporte Público de qualidade!

Assinam:

DART - Diretório Acadêmico de Artes
DAOM - Diretório Acadêmico Oito de Maio
CALGE - Centro Acadêmico Livre de Geografia
CAH -Centro Acadêmico de História
CAP - Centro Acadêmico de Pedagogia
CAMUS - Centro Acadêmico de Música
CAAB - Centro Acadêmico Augusto Boal
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Relato da repressão policial dentro do Campus da UDESC

Mensagempor Geleiras em 06 Ago 2010, 19:28

http://www.youtube.com/watch?v=qHfcC8dP2mI
INVASÃO DO CAMPUS DA UDESC PELA POLÍCIA MILITAR
NOTA DE REPÚDIO

Aos trinta e um dias do mês de maio, em virtude de uma manifestação estudantil na entrada do campus universitário da UDESC (bairro Itacorubi), contrária ao aumento das tarifas do transporte coletivo de Florianópolis, a Polícia Militar de Santa Catarina, conduzida pelo coronel Newton Ramlow, além de agredir verbal e fisicamente os estudantes, efetivou prisões e invadiu o campus universitário.
Conforme nota de repúdio elaborada pela APRUDESC (Associação dos Professores da UDESC), “apesar da alegação de ‘garantia da ordem e do direito de ir e vir dos cidadãos’, o aparato policial, paradoxalmente, prejudicou o fluxo de veículos, confinou os estudantes dentro do campus e promoveu uma sucessão de atos de violência e brutalidade. Policiais armados de cassetetes, arma taser, gás pimenta e cães criaram um confronto desigual e inadmissível em contraste com os manifestantes, que promoviam uma passeata pacífica, fundamentada em uma postura de cidadania legítima e coerente com o que se espera de acadêmicos críticos e preocupados com os problemas da cidade em que vivem, entre eles, o estado vergonhoso do transporte coletivo de Florianópolis.”
A diretoria da Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Florianópolis repudia tanto a violência contra os manifestantes, como a entrada da Polícia Militar no campus universitário, duas agressões que se contrapõe diretamente às normas de um Estado Democrático e de Direito, e solidariza-se com as necessárias reivindicações da população de Florianópolis.


Diretoria Executiva AGB-Florianópolis

COMITÊ DE LUTA PELO TRANSPORTE PÚBLICO

Nota de Repúdio da Direção do CFH-UFSC!

Disponível em http://cfh.ufsc.br/ em notícias!

Em função dos acontecimentos e da repressão ao movimento dos estudantes contra o aumento das tarifas e a qualidade dos serviços dos transportes públicos em Florianópolis, a Direção do CFH manifesta repúdio a quaisquer tipos de violência praticados contra os estudantes e os trabalhadores, que através de manifestações pacíficas e criativas, lutam pelo direito de expressão de suas reinvindicações.

Direção do CFH
NOTA DE REPÚDIO À INVASÃO DA UDESC PELA POLÍCIA

Na noite de 31 de maio, frente a uma manifestação de estudantes na entrada principal do campus da UDESC no Itacorubi, contrária ao aumento das tarifas de ônibus urbanos na capital, uma ação da Polícia Militar, sob o comando do tenente-coronel Newton Ramlow, resultou na agressão, no espancamento e na detenção de pessoas, com invasão do campus da UDESC.
Apesar da alegação de "garantia da ordem e do direito de ir e vir dos cidadãos", o aparato policial, paradoxalmente, prejudicou o fluxo de veiculos, confinou os estudantes dentro do campus e promoveu uma sucessão de atos de violência e brutalidade. Policiais armados de cassetetes, arma taser, gás pimenta e cães criaram um confronto desigual e inadmissível em contraste com os manifestantes, que promoviam uma passeata pacífica, fundamentada em uma postura de cidadania legítima e coerente com o que se espera de acadêmicos críticos e preocupados com os problemas da cidade em que vivem, entre eles, o estado vergonhoso do transporte coletivo de Florianópolis.
Este lamentável acontecimento foi presenciado por vários professores, que tentaram inutilmente mediar a situação, cujas consequências podiam ser vizibilizadas no terror dos estudantes acuados, temerosos diante da truculência dos policiais envolvidos.
A ADFAED - Associação dos Docentes da FAED e a APRUDESC - Associação dos Professores da UDESC consideram que o acontecido envolveu uma dupla violência: contra os manifestantes e seus direitos de livre expressão e associação, e contra a Universidade, cujo dever é justamente o de promover o debate, a reflexão, a crítica e o respeito aos direitos civis.
Repudiamos, portanto, a invasão do campus da UDESC pela polícia militar bem como as agressões cometidas contra os estudantes, e exigimos que as autoridades competentes atentem a seus deveres constitucionais, como requer um Estado democrático e de direito.


Ilha de Santa catarina, 1 de junho de 2010

ADFAED e APRUDESC


Sargento Soares critica prisões de estudantes que se manifestam contra aumento da tarifa
________________________________________
01/06/2010
A prisão de quatro estudantes na noite de segunda-feira (31/05), em manifestação contra o aumento das tarifas do transporte coletivo realizada na Udesc, motivou o deputado Sargento Amauri Soares a falar sobre o assunto na Tribuna da Assembleia Legislativa.
O parlamentar classificou as manifestações de “justas, necessárias e importantes”, motivadas por um ciclo vicioso que privilegia o transporte privado em detrimento do coletivo. “Os poderes públicos trabalham para satisfazer a ganância de lucro de meia dúzia de empresários do transporte coletivo, que é uma concessão pública, e quando a juventude se manifesta contra aumentos, a polícia é chamada para reprimir os manifestantes”, disse. Para Sargento Soares, o aumento da tarifa é “abusivo, criminoso e atenta contra os interesses públicos da população da Grande Florianópolis”.
O deputado criticou o comando do policiamento feito pelo tenente-coronel Renato Newton Ramlow, que a partir da segunda semana das manifestações, passou a prender os jovens – mais de 20 já foram presos –, além de jornalistas, e reprimir os manifestantes em sua saga de combater os movimentos sociais.
Sargento Soares sugeriu o desenvolvimento de uma política pública de transporte para as grandes cidades, envolvendo todas as esferas de governo. “A responsabilidade é das autoridades municipais, estaduais e federais. É uma vergonha e a população fica refém e a mercê dos interesses dos empresários que se enriquecem à custa da espoliação do povo trabalhador das maiores cidades”.

http://www.youtube.com/watch?v=pHAym78lw4Q
http://www.youtube.com/watch?v=TzcPi--Bah8

COMITÊ DE LUTA PELO TRANSPORTE PÚBLICO


Pesso por favor, que qem puder, espalhem, o máximo possivel.

Nota, estou apenas repassando a informação.
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Mensagempor Pablo3 em 07 Ago 2010, 01:00

É um abuso. A segunda tarifa mais cara do país e em breve a mais cara. E isso que a cidade tem o segundo pior planejamento de trânsito do mundo.

Um dos meus arrependimentos de não estudar mais em Fpolis é de não poder participar da tradição que é o protesto estudantil "pacífico".
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Mensagempor Frost em 07 Ago 2010, 03:09

Sinceramente, uma das coisas que mais me deixa enfurecido é esse tipo de "movimento estudantil" que REALMENTE cria confusão e depois sai querendo levar uma de vítima quando a força policial atua. Sério, não consigo entender como esse povo consegue sair por aí achando que é O DONO DA VERDADE.
Notem que não estou entrando no mérito da manifestação. Eu entendo como é a situação do transporte público nesse país, mas... sério... a maioria das manifestações desse tipo serve para pedir para ser repreendido.
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Mensagempor louc0 em 07 Ago 2010, 04:57

MODERAÇÃO: Tópicos unidos por tratarem do mesmo assunto
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Mensagempor Dragão de Bronze em 09 Ago 2010, 02:58

Frost escreveu:Sinceramente, uma das coisas que mais me deixa enfurecido é esse tipo de "movimento estudantil" que REALMENTE cria confusão e depois sai querendo levar uma de vítima quando a força policial atua. Sério, não consigo entender como esse povo consegue sair por aí achando que é O DONO DA VERDADE.
Notem que não estou entrando no mérito da manifestação. Eu entendo como é a situação do transporte público nesse país, mas... sério... a maioria das manifestações desse tipo serve para pedir para ser repreendido.


Exato. Em nenhum momento eu li que não havia permissão jurídica para o uso da polícia (chato do jeito que militante é eles denunciariam se não houvesse, dado que às vezes denunciam até quando há).
Então, reclamar que a polícia invadiu um campus é tão errado. Sei lá, é quando eles dizem que ocuparam a reitoria, quando na real sequer eles permissão pra estar lá eles tinham.

Esses detalhes já fazem qualquer um que já tenha visto pescar na memória aquela história que sempre se repete no movimento estudantil viúvo de 68 e perder a fé em qualquer outra coisa que vier. Juro que pra acreditar em qualquer coisa positiva que se fala desse caso eu vou precisar de muito esforço.
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Mensagempor Frost em 09 Ago 2010, 11:57

Dragão de Bronze escreveu:Então, reclamar que a polícia invadiu um campus é tão errado. Sei lá, é quando eles dizem que ocuparam a reitoria, quando na real sequer eles permissão pra estar lá eles tinham.

Precisamente, camarada.
Sério, um cara aqui veio me falar sobre esse movimento, de novo, usando os mesmos argumentos de sempre. Quase dei meu livro de D. Administrativo para ele dar uma lida primeiro. :tsc:
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Mensagempor Geleiras em 09 Ago 2010, 12:16

a qeustão é que houve, em todos os casos os comunicados.
e mesmo assim, a policia não pode invadir uma passeata dentro de uma universidade.
porém houve o comunicado
mas a respota foi apra a policia e não para nós.
e sim, movimentos sociais são ilegais em santa catarina
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Mensagempor Frost em 09 Ago 2010, 12:17

a policia não pode invadir uma passeata dentro de uma universidade

E por qual motivo?
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Mensagempor Geleiras em 09 Ago 2010, 12:22

pois está dentro da área da universidade
e tendo permissão para atuar dada pela reitoria dentro da area da universidade, a policia não pode ignorar(na teoria) essa questão.
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Mensagempor Frost em 09 Ago 2010, 12:26

O problema é que a questão é mais complicada que isso. Se qualquer entidade pudesse simplesmente barrar a atuação policial acho que aí teriamos um grande problema.
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Mensagempor Geleiras em 09 Ago 2010, 12:29

não é a questão de barrar a atividade policial
porém impidir algo dentro da faculdade autorizado pela própria faculdade
e reunir as pessoas não é um ato criminal não?
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Mensagempor Frost em 09 Ago 2010, 13:32

e reunir as pessoas não é um ato criminal não?

Isso remete ao que eu disse sobre a "ordem", no outro tópico.
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Mensagempor Dragão de Bronze em 10 Ago 2010, 00:33

Geleiras escreveu:movimentos sociais são ilegais em santa catarina


Explique isso melhor.
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Mensagempor KYU em 10 Ago 2010, 15:43

Por essas e outras que eu não vejo mais estudante fazer protesto. Faz, leva porrada e leva fama de culpado.

Só ver o vídeo, o cara apanhou porque atravessou a rua. O outro levou um pisão do policial pra romper a linha.

Sei lá, não consigo acreditar que aquele bando de gente berrando e chorando o esteja fingindo de sacanagem.
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