por Malkavengrel em 26 Fev 2008, 01:47
Vamos lá, como prometido na terça-feira.
Usei algumas inter-textualidades de fora do forúm mas não atrapalharam em nada.
Espero que tenha conseguido manter o nivel.
Vamos lá.
Guerra dos Sonhos – Parte VI
Últimos Momentos de Paz
Quando o som de batidas invadiu a sala, o jovem estava dormindo no sofá de couro negro. Sentia-se fraco, e em parte sujo. Ele havia chego de viagem durante a madrugada, e ali estava com a roupa que usara no dia anterior. Escutou o novo som de batidas e lembrou porque havia acordado. Tateou desesperadamente pelos óculos, e, quando os achou, levantou-se cambaleando e apoiando-se nos objetos.
“Só um minuto”, falou o jovem, “Acabei de acordar”.
Removeu a camiseta com as escrituras de onde passara suas ultimas férias. Molhou um pouco o rosto marcado pelas olheiras profundas. “Droga!”, pensou, “Parece que estou de porre, e nem bebi.”.
Pegou a primeira camisa que achou, e colocou sem olhar. Com a maior velocidade, que sua situação lhe permitia, se dirigiu a porta. Percebeu que não mais ziguezagueava pela sala, mas a dor de cabeça era intensa. Antes de abrir a porta, Olhou no relógio de pulso apenas para constar que já passavam do meio dia.
Então o portal foi aberto pelo jovem que vestia uma camiseta florida, uma bermuda verde, e cabelos totalmente desarrumados. Do outro lado da porta uma dama de cabelos negros, vestindo um vestido negro que arrastavam até o chão, como sombras que se espalhavam pelos cantos escuros.
“Procuro pelo contista Malka”, falou ela com um ar de espanto, “Malkavengrel”.
“Sou eu, milady” respondeu ele com um sorriso forçado.
Um tempo de reflexão, e um pouco de silêncio.
“Por favor, entre em minha casa.”
O local era uma grande sala, que parecia englobar todos os cômodos, menos o banheiro que ficava entre paredes. Enormes janelas de vidro davam visão a um lago, onde podia se observar o sol nascendo e a lua se pondo. E uma escada que levava ao andar inferior. O local parecia destruído, sem nenhum sinal de arrumação. Papeis se espalhavam pelo chão, quadros tortos na parede, lixo acumulado nas lixeiras e pó sob mesas e objetos.
A passos elegantes e calmos, a dama adentrou a residência do contista.
“Malka! Que diabos está acontecendo aqui?!”, exclamou ela surpresa.
O anfitrião se olha de cima a baixo para então perceber a roupa que usava.
“Desculpe-me, Desculpe-me. Acabei de acordar, e essa foi a primeira roupa que encontrei.”, suspirou, “E o que você faz aqui?”.
“Primeiramente, não me refiro só a suas roupas, olhe o estado dessa...”, a dama parou um pouco para pensar em como chamar o local, “desse apartamento. Escuro, cheio de malas, e o sol está nascendo ali, enquanto lá fora ele já está a pico. Jornal de Hoje nem foi aberto. Olhe o numero de contos não lidos em cima daquela mesa. Louça deixada para traz. Como você vive aqui?!”.
“Ahn?”, indagou um pouco confuso o contista, “Espere, sente-se no sofá enquanto eu me troco. Acabei de chegar de viagem, DarkLady. Depois, essa casa reflete meus contos.”
Ele virou de costas indo para o guarda roupas, e pegando suas roupas de sempre. Um sobretudo negro, calça social e uma camisa negra risca de giz. E então seguiu para o banheiro.
“E, por favor, não vá ao porão.” Falou ele dirigindo-se ao banheiro “É lá que meus contos inacabados ficam. E alguns finalizados também.”
Ela estava ali naquela sala com baixa iluminação enquanto o anfitrião se trocava. Caderno, livro, CDs, DVDs, e ate mesmo folhas soltas espalhadas pela mesa de jantar e pelo chão. Ela começou analisar os esboços. Algo estranho pairava pelo ar, ela não conseguiria roubar as anotações como pretendia. Afinal, não conseguiria decifrar nada ali. Anotações livres, diagramas, cronologias e imagens, que juntas nem se quer faziam sentido. “Estaria ele tendo uma crise de criatividade”, pensou a dama, “Não adiantaria nada eu roubar-lhe algo. Bom, tentarei levá-lo até o Ronaldo. O Devorador deverá gostar de mais um aliado.”
Depois de algum tempo, o jovem saiu do banheiro com sua roupa tradicional. O sobretudo negro como a noite, a camiseta preta com listras brancas, um calça social perfeitamente alinhada e um calçado de couro negro. Aparentando bem melhor. Seus passos ainda estavam um pouco tortos, mas ainda já não transpareciam nada grave.
“Então milady, a que devo sua visita?”
“Vim lhe fazer uma proposta.”, sorriu ela de maneira sinistra, “Contonópolis está à beira de uma guerra. Vim lhe oferecer uma aliança com o lado que vai ganhar.”
“Parece-me interessante.”, respondeu ele, “E se eu recusar?”.
“Receio, que nosso encontro terminará rápida e dolorosamente, e só um de nós sairá dessa casa.”
Então sem condições de negar a proposta, o jovem a aceita. Abaixa a cabeça tentando forjar um sorriso, mas aparente não funciona. Seu rosto sério demonstra um receio, uma tristeza. Alguns sussurros podiam ser ouvidos, a casa parecia se tornar um pouco mais escura aos poucos, como se acompanhasse as sensações do proprietário.
“Por via das duvidas, quem está do meu lado?”
“Boa pergunta. Falarei enquanto estivermos indo até as Ices Vortex Mountains.“, falou ela com temor sem sua voz, “Podemos ir?”.
“Claro, só me deixe pegar meu caderno, uma caneta e uma boa garra de vinho.”, respondeu abrindo a geladeira, “Mas por que estamos indo até a moradia do viking?”
“Nossos aliados estão indo para lá. E Porque da garrafa de vinho? Nós vamos precisar de contos fortes para nos ajudar, não bebidas alcoólicas. Que tal você pegar o Yr...”
“Nunca fale esse nome.”, interrompeu ele furiosos, após o calafrio da pronúncia do um dos seus fantasmas, “Você deseja que uma calamidade caia sobre Contonópolis? E sobre o vinho, se eu for entrar em uma guerra no lado inimigo, quero pelo menos entrar alegre.”
A dama se espantou com a fúria súbita de Malkavengrel, demorando um pouco para entender porque a mudança drástica de humor. Quando volto a si, o contista já havia em suas mãos o vinho, o caderno e um par de canetas.
“Exatamente isso que eu quero.”, murmurou ela se dirigindo a porta, “Agora vamos, não temos tempo a perder.”.
“Depois, o conto está selado e escondido em Contonópolis.“, sorriu ele, “Só posso pega-lo se passar por cima de outros contistas.”.
Ao abrir a porta o sol forte, invadiu a sala e os olhos dos dois escritores, que rapidamente esconderam suas faces por traz de óculos escuros e magia. A “Quinta Pagina” não era rua mais movimentada. Já fora uma rua mais calma e vazia, por causa de sua proximidade com os bairros mais perigosos, porém hoje varias casas se levantavam ali. O jovem fechou a porta e trancou-a. Aos poucos desceram os degraus que separavam a casa da rua.
O caminho tortuoso começou a guiar até as montanhas, enquanto a dama sombria contava tudo até sua chegada à casa de seu novo aliado. Os dragões, que podiam ser vistos no céu escurecido pelas nuvens, voam em direção contraria, rumando ao palácio. O clima tenso, entre os dois contistas, fazia ambos pensarem qual dos dois seria apunhalado pelas costas, mesmo que não pretendessem o fazer.
*
Enquanto isso do outro lado a cidade, a garota fada, o irlandês, o bárbaro e seu respectivo criador rumavam em direção ao palácio. A tempestade que se aproximava de Contonópolis os fazia andar por baixo de marquises.
“Então como eu lhe falava Sean, eu essa tempestade não me parece algo natural”, disse Faprasem, O Sabio, “Nunca vi tempestades durante essa época, ainda mais com raios vermelhos rasgando o céu.”.
“Eu não gosto di raio, ma esse parece com cabelo da moça ali.”, fala Chucro se referindo a Daniele.
A trupe se silenciou depois do comentário do bárbaro 100 noção e eles começaram a apressar os passos até o palácio. Ao tempo que a chuva começou a cair, os aventureiros chegaram as portas da imponente torre de rádio. As portas automáticas abrem, e o Chucro saca seu machado pensando que é um monstro e que deve ser destruído.
Depois de uma porta automática de vidro destruída, algumas magias, poções de cura e um pergaminho de ressurreição, os aventureiros continuaram a adentrar a torre. O ambiente frio do local climatizado pela central de ventilação, gera vários pensamentos.
Chucro pensa em voz alta, “Hunnn! Frio.”.
Sean, “Ótimo lugar, para esperar a chuva passar.”.
Daniele, “Temos que nos apressar, mas será que aqui tem uma lojinha de conveniência?”.
Faprasem, O Grande, “Será que a Elara está aqui? Ela seria de grande ajuda.”.
É então que uma voz feminina fala, “Bem vindos a Torre do Rádio de Contonópolis, em que posso ajudar?”.
*
Em algum outro canto subterrâneo da cidade o Avatar dos Sete Pecados terminava seu ritual. Sob um pentagrama de giz e algumas velas, ele levanta os braços e recita alguns cânticos. Quando seus braços caem, apenas o barulho do primeiro raio pode ser escutado. Sua risada suspirada acompanha a queda chuva, ele sabia que a guerra estava para começar.
“Essa noite eu dormirei escutando a musica da destruição”, fala em escárnio o Ceifador, enquanto se afasta lentamente do local do ritual.
"For every complex problem there is an answer that is clear, simple and wrong."
"I can make wonders, and still let you wander alone."