Adendo I
Alarme- Então é isso. Nós largamos um lugar bom, perto de tudo, do lado daquele mercadinho onde as coisas são metade do preço normal, e viemos nos mudar para cá, esse lugar que fica perto só de outros contos e temos que andar meia hora pra chegar até qualquer lugar? O terreiro, por exemplo: só de teleporte, agora! Eu é que não vou andar duas horas pra chegar lá! E outra...
O fantasma andava cobrindo os ouvidos, tentando bloquear da mente as lamentações e queixas de sua mais recente estrela. Até resolver calar aquela coisa que chamava de Sparkage Fizingar:
- Escuta. Eu te dei tudo quanto é poder, já. Inclusive teletransporte. Então locomoção não é um problema. Aliás, isso daqui é onde os contos estouram. Você quer fazer sucesso? Conforme-se em viver aqui. E, se faz um favor a mim e a todos os seus colegas, conforme-se calado, sem estrelismo.
Os outros personagens vibraram. Não somente pelo sermão, mas porque estavam chegando à casa nova. Uma grande casa, diga-se de passagem. Em uma plaquinha pendurada na porta, lia-se: Oficina de Contos de Erick.
O espírito sabia o quanto valia ter uma casa assim. Passou os dedos sobre o seu próprio nome, aquele nome desconhecido para o resto. Na verdade, não fazia questão de que fosse realmente conhecido, ele agia na verdade como o cara do background, como o contra-regra: como aquele que fornecia o cenário para seus personagens, encarnava neles, presenciava o que eles viviam e só relatava depois. Ia ser um transtorno se locomover para o cenário já construído, num lugar um pouco distante - aliás, sua antiga morada -, mas sabia que ia valer a pena ter uma base logo no foco dos contos.
Entrou na casa e nem a reconheceu direito: ele quem planejara, ele quem a viu ser construída. Ele queria era avisar os amigos que havia finalmente se mudado. Na verdade, uma amiga em especial. DarkLady.
- Spark, vem cá.
O jovem de cabelos brancos aproximou-se.
- Que fo-- EI! Você não pode sair encarnando em todo mundo desse jeito!
- Só nos meus próprios personagens - respondeu Erick, rindo, de dentro dele. Logo Spark pegou o telefone e começou a discar um número. Esperou algum tempo na linha, enquanto os outros personagens exploravam a casa, fazendo bastante barulho. Barulho demais.
Ele desligou o telefone e berrou:
- ÔU! Se vocês não baixarem o volume aí, eu chamo o Riku!
Silêncio.
- COM A CHAVE DE OVERPOWERABILIDADE LIGADA!
Todos começaram a reclamar e se organizaram na sala, fazendo mais silêncio.
- Spark, vê se encontra a DarkLady na freqüência mental.
O rapaz se concentrou, esperou algum tempo, e quando já estava cansado da musiquinha de espera conseguiu entrar em contato com ela, embora ela não pareça ter recebido conscientemente a "ligação". O que Spark ouviu não foi nada bom.
- O rapaz é bom. Se nós pegarmos o Fizingar não precisamos de mais nada. Ele está cheio de poderes épicos. Ele tem feito algumas vivências com uma de minhas personagens, e eu confirmo. - parecia ser a voz de DarkLady.
- Ótimo, me convenceu. Vamos ver o que ele pode fazer.
A esta altura, a provável vítima estava suando frio. E só aumentou o desespero quando a campainha tocou. Erick animadamente saiu do corpo de Spark e foi atender a campainha, pensando ser alguém lhe dando as boas-vindas. Ao abrir a porta, porém, é recebido com uma mão avançando em direção a seu pescoço. E passando seco por através do pescoço do fantasma.
- ...acho que esse não é o melhor bairro da vizinhança. Spark, quer, por favor, dar um... Spark?
Ele estava paralisado, em estado de choque. Não agora que ele estava começando a ficar famoso, não agora que ele poderia deslanchar e ser o PHODDAH DE TUEDOS LOS PHODDAHS, não agora...
Logo um rapaz vestindo uma capa preta e vermelha, com detalhes em dourado, investiu para cima de Ronaldo, que habilmente o repeliu, deixando-o inconsciente no chão. Os demais personagens não sabiam se avançavam para proteger Erick ou se ficavam para salvar o próprio rabo. Acabaram por ficar em pé, porém no mesmo lugar, enquanto Ronaldo apontava para Spark, dizendo:
- Sparkage Fizingar?
O rapaz sacudiu a cabeça dizendo que não.
- É lógico que você é Sparkage Fizingar, eu estava sendo retórico. E tentando colocar alguma tensão no clima, mas não vem ao caso.
A mão de Ronaldo ficou envolta por uma aura negra, e dessa vez conseguiu pegar o pescoço de Erick, o erguendo alguns centímetros do chão.
- Você vem comigo ou ele já era, entendeu, pseudo-Sephiroth?
- Não ouse, Spark - impôs Erick. - Você fica. Avise todos os que nós sabemos que podem ajudar.
Ronaldo fez menção de apertar a mão em volta do pescoço do fantasma, mas ele estava paralisado enquanto estivesse olhando nos olhos transparentes de sua vítima.
- Myako, Dragão de Bronze, Agzher, Lederon. Até o Riku, se você puder achá-lo. Avise o Seth também, ele tem certo conhecimento dessa cidade. Avise todas as autoridades, avise todos que puder. Esse ser que está tentando me matar (e vai conseguir quando for quebrado o contato visual) vai incitar uma guerra aqui, e precisamos de toda a ajuda possível.
- Espera, como você sabe o que eu pretendo? - indagou Ronaldo.
- ...eu acertei? Nossa, que milagre, consegui um momento de "eu sou foda". Enfim, como eu dizia, depois disso apresente-se para a batalha, e leve todos com você. Eu saio dessa quando puder.
Erick fechou os olhos, abaixando a cabeça.
- Vai.
Ronaldo não esperou muito após o encanto de paralisia ser quebrado, e novamente abriu a boca, aquela boca monstruosa e sugadora de criatividade. Por ser um fantasma, Erick foi completamente absorvido. Spark e todo o resto, num misto de raiva e espírito de heroísmo - e por conseqüência vontade de aparecer em algumas capas de revista -, atropelaram Ronaldo e seus ajudantes, que ficaram esperando do lado de fora e apanharam sem saber como nem porquê.
Dentro da casa, Ronaldo começou a mudar mais uma vez. Sua estatura diminuiu um pouco, ele parecia rejuvenescer até ficar com uns 16 anos, e em sua testa apareceu uma bandana de Naruto. Olhou para DarkLady, caída no chão, com raiva.
- Pense pelo lado bom... - ela falou enquanto se levantava - ...pelo menos você não virou um furry.
Me diverti demais fazendo esse adendo. Ou o que era pra ser um adendo.
Citações: Terreiro do Holy-Culto à God-Vovó, Sparkage Fizingar (vou acabar um dia ò.ó) e... só, acho.

Espero que tenham gostado. Ou não tenham odiado tanto. ^^