Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos

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Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos

Mensagempor Gehenna em 30 Mar 2008, 14:47

Lobo pediu pra eu dizer que ele vai enrolar pra entregar a parte dele. Logo, dêem o cargo de maior enrolador pra ele. :bwaha:

Bem, abrindo o segundo arco da Guerra dos Sonhos...

A Guerra dos Sonhos – Parte 8 (Por Gehenna)

O Início do Fim


Tudo era vazio e escuridão, até que uma luz foi avistada, ao longe. Uma canção de voz feminina podia ser ouvida, no limiar da audição, enquanto a esfera luminosa se aproximava lentamente. Um rosnar foi ouvido, vindo de algum lugar nas trevas daquele não-lugar, acompanhado de uma voz firme dizendo “Está na hora de você aprender o que é ser um homem”. De repente, Gehenna despertou com um soco no rosto, se encontrando deitado em sua cama, sentindo a maciez do algodão molhado por seu suor. Sua respiração estava ofegante e captava os cheiros de um homem com resquícios de pólvora nas roupas e uma fera peluda próxima. “Estou com um gosto estranho na boca, Afonso. Por favor, explique-se”.

“Não fui eu, chefe. Foi o Lobo”. Afonso disse apontando para o alvo lupino que se encontrava ao lado da cama segurando uma revista com um homem vestido de morcego na capa. Assim que viu o lobo, Gehenna caiu pro lado oposto da cama, tamanho o susto e, depois de reconhecer o amigo, segurou o vômito.

“Calma, meu querido, isssso é um chá que te dei pra beber”.

“Chá? Chá de quê? Você não me fez beber uma porcaria feita com cogumelo que cresce em bosta de vaca, né? Ah, melhor nem responder, senão vou querer vomitar de novo. Além de me drogar, o que te trás a minha morada, Lobo?”

“Você estava mals, chefe. Não sse lembra do que houve?”

“Não. Resuma pra mim”.

“Um devorador de criatividade. O safado se alimentou de você”. Ao ouvir isso, flashs de memória explodiram na mente de Gehenna, fazendo-o se curvar, com o choque mental sofrido. Agora entendera o feitiço e a frase de efeito do Morcego, que ouvira em sua mente, fazendo-o se levantar.

“Droga... Os Magistrados. Foram avisados?”

“A essa hora, creio que sim”.

“Será que dá pra falar mais alto? Que droga de música é essa? Se for a Iara, eu juro que vou enfiar uma rolha na boca da maldita!” Gehenna disse, rosnando, lutando para ignorar a estática que zumbia em seu ouvido, sendo interpretada como uma canção e um chamado, em sua mente.

“Música? Não há música nenhuma, chefe”.

“Como não?! Você é surdo?! Ta vindo de fora...” Ao olhar pela janela e ver a fonte da música que ouvia, Gehenna se calou assustado e se afastou. Em Noite Eterna, era sempre noite e sempre com lua cheia...

“Lobo... Como você me despertou?” Perguntou, sentindo desconforto com a presença do amigo.

“Transssfusão de Criatividade, chefe. Por quê?”

Gehenna olhou para o próprio corpo, sentindo falta de detalhes de si mesmo, roubados pela criatura. Seu andar estava mais firme, seus músculos mais definidos, seus pêlos mais grossos, seus sentidos mais apurados... O pirata, o vilão, o herói... O Devorador lhe roubara quase tudo, mas algo ainda restara. Algo escondido e trancado nas profundezas de sua alma e que, agora que estava sozinho ali, se revelava. Especialmente com a influência das energias de Lobo Branco, para fortalecê-lo.

“Peguei também um essstranho espião, chefe”. Lobo disse, apontando com o focinho uma gaiola, onde estava preso Lóki, em sua forma de diabrete com alguns poucos ferimentos, estando quase totalmente regenerado.

“Espião? Explique-se, Lóki”.

“Você não ser mestre!” Disse a pequena monstruosidade, se virando de costas. Gehenna percebeu então que o Devorador havia lhe roubado ainda mais do que imaginava. Teria que usar o pouco que lhe restara, caso quisesse ser útil. De repente, um clarão avermelhado piscou pela janela, seguido por um trovão. A guerra estava começando. Olhou para fora da Torre e percebeu a tempestade rubra, com inúmeros espectros claudicantes, se aproximando, enquanto Athos, que se mantinha de guarda, preparava para expulsa-los. Depois, voltou seu olhar para o Lobo Branco, farejou o ar e sentiu vontade de... atacá-lo... rasgar sua garganta com os dentes... destruir aquele predador que invadira seus territórios... Desviou o olhar.

“Afonso, chame todos que conseguir e ajude o Athos a proteger a Torre. Lobo, vamos até o Palácio. Precisamos sair daqui antes que o pior aconteça”. Gehenna disse, apanhando um minúsculo toco de vela, na gaveta de um criado-mudo.

“Uma Vela da Babilônia? Andou comercializando com fadas, chefe?”

“Não conte pra Daniele”. Gehenna rosnou, acendendo o curto pavio e dando um passo. De repente, ele e Lobo estavam em frente ao chafariz com as estátuas em homenagem aos Heróis do Tópico, onde a terrível tempestade caía. Mais um passo, e estavam em frente à porta automática destruída, da torre da Rádio. Após o terceiro passo, a vela se extinguiu, deixando-os em frente ao grande Palácio de Contonópolis.

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O número de raios que caíam com a terrível tempestade vermelha era quase equivalente ao número de gotas da chuva. Daniele, Sean, Chucro e Faprasem agradeciam por terem se abrigado na torre da Rádio e chegado ao Palácio a tempo, pois nenhuma criatura, contista ou personagem, resistiria àquela tempestade infernal.

“Tem de estar aqui em algum lugar!” Daniele esbraveja consigo mesma, enquanto revirava a mochila. Estava sendo uma péssima protagonista. Perdera a única arma que poderia derrotar o monstro. Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. Nunca teria uma chance. Morreria naquela guerra e seria esquecida para sempre.

“Acalme-se, ruiva”. Sean disse, se abaixando junto a ela. “Coisas ruins sempre acontecem aos bons protagonistas. Vamos retomar o caminho de volta e encontrar a arma. Estamos ao lado dos pesos pesados, agora”.

Ao erguer a cabeça, viu o que Sean quis dizer. No lugar do jovem rei Dahak, estava agora um monstro gigantesco, com uma carapaça espinhosa, uma grande coroa e uma enorme bola de vôlei segura pelas garras da pata direita. No lugar de Lady Draconnasti, estava uma enorme dragoa vermelha albina. Enquanto isso, a rainha Elara, senhora da Rádio e perita em comunicações, conjurava feitiços poderosíssimos, revisando a mente de cada um dos personagens para tentar descobrir onde procurar o artefato perdido.

Daniele se levantou, limpou o rosto, trançou o cabelo e, sorrindo, estendeu a mão na direção do irlandês. “Dê-me”.

“O que?” Sean perguntou, sem entender.

“Armas. Muitas armas”. Ela respondeu, olhando maliciosamente por cima dos óculos, que refletiam as luzes do ambiente.

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Ocultos acima das nuvens, uma dezena de dragões voava na direção do Palácio, sendo que na criatura mais à frente, vestindo uma armadura e portando uma espada, estava montado um homem, que sorria maliciosamente com todo aquele poderio fantástico que lhe fora dado. Nunca mais envelheceria para se tornar um velho fraco. Viveria para sempre. A cidade dos Contos seria tomada e Teodoro tomaria para si a decisão de seu próprio destino, se livrando enfim daquele maldito deus-lobo.

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Pelas ruas desertas de Contonópolis, devido à poderosa tempestade que parecia abalar as fundações criativas daquele império imaginário, um verdadeiro exército de espectros de idéias inacabadas, ávidos por criatividade e propósito, seguia Ceifador na direção do Palácio. O enorme assassino caminhava, envolto em mantos negros que tremulavam com o vento forte. Em seu rosto, estava pintada uma caveira, enquanto suas mãos portavam uma grande foice. E ele sorria maliciosamente, satisfeito pelas escolhas que fizera e prevendo suas recompensas. O Devorador o tirara da invalidez e lhe entregaria o domínio de seu próprio destino, mas o assassino sabia bem que não devia confiar naquela monstruosidade.

“Ceifador!” Márcia gritou, tendo sua voz abafada por um trovão, que destruíra casas próximas. Ela carregava algo envolto em panos e estava sendo acompanhada por Cérbero, o grande cachorro dinamarquês do assassino. Se locomovia com dificuldade devido à terrível tempestade. Mesmo a proteção mística conjurada sobre ela, não era o bastante, naquele inferno de água e ventos cortantes.

“Tinha razão. O espectro do ladino nunca usado, de mestre Gehenna, conseguiu”. Ela disse, ao se aproximar e entregar seu pequeno fardo para o poderoso negro à sua frente.

Ceifador empunhou A Mão de Deus, o enorme revólver que ferira o Devorador e que seria a única coisa que poderia derrotá-lo. Agora sim, tinha um truque na manga, contra o monstro, caso fosse necessário. Que a Guerra começasse.

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Os ventos gélidos sopravam fortemente, nas Ices Vortex Mountains, mas o viking senhor daqueles domínios não estava lá para impedir os recém-chegados. Sorte a dele. O sapo ia seguindo na frente, guiando a criatura com aparência de um jovem, com uma rala barba, cabelos compridos, com várias tranças, dreads e penduricalhos, afastados do rosto por uma bandana negra com uma placa metálica com um estranho símbolo ninja. O Devorador ainda vestia suas roupas pretas, com o sobretudo justo no tronco e folgado após a cintura, ombreiras metálicas, uma calça de bucaneiro e um grosso pedaço de pano amarrado à cintura, de onde pendia uma algibeira de couro com o desenho de um morcego e um gancho prateado incrustado com símbolos infernais. Adentraram um labirinto de cavernas, deixando um rastro para serem seguidos, até que finalmente, encontraram uma parede de gelo brilhante.

“Aqui está o portal que o viking defendia. Há muito não é usado”.

“E dará dentro do Palácio?”

“Sim. Desta forma, você estará no centro do Poder de Contonópolis e poderá abrir as defesas da fortaleza para seu exército”.

“Excelente... Então esperemos nossa pequena deusa das trevas com o outro aperitivo que ela vai me trazer”.

“Gehenna e Erick, agora Malkavengrel e os Magistrados... Mas porque poupar a mim e DarkLady?”

“DarkLady tem um charme feminino muito útil, que eu não tenho, jovem Ermel”.

“E quanto a mim?”

“Boa pergunta...” Disse com os olhos brilhando em malícia, enquanto se aproximava do sapo que já sofria com o gélido clima da caverna. Ermel tentou correr pelos labirintos, mas logo viu surgir à sua frente, o Devorador flutuando em uma forma translúcida, atravessando as paredes da caverna, para depois voltar à forma física.

“Não fuja, pequeno sapo”. O monstro disse, ainda sorrindo com malícia. Devorara sombras de inúmeros aspectos, e, depois, um espírito. Usando a Criatividade que sugara, erguera defesas pessoais contra qualquer coisa imaginável. Contonópolis estava mesmo condenada. Ermel engoliu em seco, ao perceber o que ajudara a fazer.

---------------------------------------------

“Você essstá essstranho, chefe. Algum problema?” O alvo lobo gritou, para ser ouvido, sob aquela tempestade infernal, enquanto Gehenna socava os portões do Palácio, com seu braço metálico, para chamar a atenção de quem estivesse ali dentro.

“Sim! Contonópolis está se desfazendo e você não cala sua maldita boca!” Gehenna vociferou, mostrando os dentes que, por um instante, pareceram maiores e mais afiados.

“Você não essstá no sseu normal, chefe. Assim que entrarmos, vamos resolver issso”. Lobo Branco tentou acalmar o companheiro, sem saber que não havia nada a ser resolvido, com Gehenna.

“O que temos de resolver é esse maldito Colaps...!!!” Mal terminou de falar e três (!!!) raios rubros caíram sobre eles, explodindo o chão e desintegrando-os... Ao menos, para um observador casual. Ambos surgiram no instante seguinte, dentro do Palácio, tendo sido teletransportados por lady Elara.

“Eu não citaria tal evento novamente, meu jovem. Trás mau agouro”. A rainha disse, enquanto os recém-chegados observavam todos que estavam ali reunidos.

“Daniele?!” Gehenna exclamou, num rosnado, ao ver sua pequena criação ali, no meio de um evento tão importante, vestindo shortinho, camiseta, mochila, óculos, cabelos trançados e portando duas pistolas, num cosplay mal feito de Lara Croft.

“Chefe?!” Daniele retribuiu a surpresa, pois aquele homem alto, forte e, de certa forma, peludo, em nada parecia o sombrio e discreto Gehenna que conhecia. Nem ao menos estava usando o manto escuro para efeitos de drama e mistério.

“O que diabos está fazendo aqui?!”

“Você a mandou, não?” Elara perguntou, sem entender aquele espanto.

“Não, eu... Eu mandei que alguém viesse, mas... Porque diabos mandaram você?”

“Isso não interessa agora. Ela disse que trouxe uma arma que pode ferir a criatura, mas a perdeu. Temos que encontra-la...” Dahak dizia com seu vozeirão que fazia as paredes tremerem, quando foi interrompido por um... rugido.

“VOCÊ A PERDEU?!?!” Gehenna olhava com fúria e incredulidade nos olhos, que pareciam arder em brasas, encarando a ruiva. Seus dentes estavam maiores e mais afiados, suas unhas pareciam crescer também, assim como os pêlos em seu corpo. “PORQUE DIABOS MANDARAM VOCÊ?!?!”

“Não é hora disso”. Foi dito, após uma lufada de vento gerada pelo bater de asas de Lady Draconnasti, que pousara entre criador e criatura.

“Ele essstá meio alterado desde que fiz uma transssfusão de Criatividade para reanimá-lo do ataque do Devorador”. Lobo Branco explicou sobre a atitude do amigo.

“Eita, que o cachorru fala!” Se espantou Chucro, que já estava demorando para falar merda. De repente, uma sonora explosão pôde ser ouvida vinda do interior do Palácio.

“Má ki diabéisso?” Perguntou o bárbaro estúpido, apanhando seu machado e colocando-se à frente de Aka, como se a protegesse.

“Veio da sala dos portais”. Elara captou automaticamente as informações transmitidas magicamente pelo castelo.

“Ele está aqui”. Gehenna disse rosnando, ao farejar o cheiro familiar do monstro.

“Ih, u bichu vai pegá”. Disse Chucro, estragando a frase de efeito final de Gehenna.
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Mensagempor Lady Draconnasti em 31 Mar 2008, 15:34

A Lala me convenceu a ser a segunda adendeira. Quando é a minha vez?
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Mensagempor Elara em 31 Mar 2008, 18:02

A decisão da Nasti merece um smiley especial: :ok: Moça, sua vez é depois de todos dessa nova rodada, eu acho.

A parte do Gehenna está demais! Eu ri que me acabei aqui com a Lara Croft.

Chero!
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Mensagempor Lobo_Branco em 02 Abr 2008, 20:31

Povo, devo demorar um tempinho p/ postar, garças a estagio e provas...mas prometo ñ estender de mais essa demora.

Abraços!
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Mensagempor Malkavengrel em 02 Abr 2008, 23:09

Elara escreveu: Moça, sua vez é depois de todos dessa nova rodada, eu acho.


Correcto. :ok:

Vou virar comida de uma criatura provinda do pesadelo de todos aqueles que escrevem... :evil:
Adorei :twisted:

Muito boa sua parte, bom. Lobo nem se preocupa muito com o conto, não vamos te matar por causa dele, já a faculdade vai te matar caso você não de atenção a ela. xP

Enfim estamos esperando
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Mensagempor Ermel em 07 Abr 2008, 07:42

Aaaah! Não quero acabar mal não! Espere só minha vez e você vai ver so Gehenna!
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Mensagempor Gehenna em 09 Abr 2008, 13:39

Vou virar comida de uma criatura provinda do pesadelo de todos aqueles que escrevem... :evil:
Adorei :twisted:

Aaaah! Não quero acabar mal não! Espere só minha vez e você vai ver so Gehenna!

Olha aí. O Malka gostou da idéia. XD
Mas fica frio. Talvez o Devorador estivesse só te sacaneando, visto que estava sem nada pra fazer, ali. :bwaha:
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Mensagempor Lobo_Branco em 13 Abr 2008, 23:04

Povo, maus essa demora, mas só tô livre essa semana agora, então, até sexta sai.

Mais uma vez, desculpas ai!

Abraços!
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Mensagempor Lobo_Branco em 19 Abr 2008, 22:38

Bem, depois de muito tentar, suar, lutar, eu consegui alguma coisa. Não sei se saiu realmente bom, mas dei meu máximo, é que eu realmente não ando com tempo ultimamente, então foi td corrido e meio seco, já que eu pretendia ter tido tempo de me situar melhor quanto as obras presentes.

O texto ficou até pequenininho, só 6 paginas.. :b

Espero que gostem!

Abraços!

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Guerras de Contonopolis - Parte 9
por Lobo_Branco

Vilânias, Guerra e Poder

- Pare!!! – gritou o pobre sapo, se encolhendo contras as gélidas paredes, vendo as não mais tão ameaçadoras mãos de Sombra-que-já-foi-Ronaldo avançarem contra ele – Eu sei uma forma de transformá-lo em verdadeiramente invencível!

Ermelão fechou os olhos, esperando o vazio de ser absorvido por um vilão com ares “animescos”, porém, não sentiu nada. Arriscou abrir um dos olhos e viu o sorriso demoníaco aflorar no rosto do Vilão.

- Então diga meu caro sapo, e espero que seja útil a informação. – sorriu, forçando uma voz acolhedora.

- Há seres-escritores em Contonópolis, que te dariam poder pleno sobre qualquer coisa. Sabe, sozinhos eles são formidáveis, se você tivesse todos... – Ermel coaxou, tremendo só de imaginar tamanho poder. – E alguns deles, senhor, eu sei onde encontrar.

O Devorador encarou Ermel, lendo fundo em seus olhos de anfíbio.

- E estaria mais uma vez disposto a trair sua gente para manter sua pele? – sorriu Sombra – Ou você acredita só porque estou parecendo um japan-boy, acha que o papo de treinador obsessivo de criaturinhas, vai me convencer a sair por ai coletando criaturas-escritores? – bufou um tanto impaciente a criatura, fazendo sua sombra crescer pela caverna, o deixando mais assustador.

- Não senhor, isso nem passou pela minha cabeça! Faço apenas para salvar minha pele, e saiba, nunca fui muito apegado a amizades, acho que é culpa de meu sangue frio, sabe, primeiro meu rabo, depois os dos outros. – disse o ainda assustado Ermelão, tremendo, de dedos inquietos.

- Senhor, aqui estou e lhe trago mais um general. – soou a fria voz feminina de DarkLady.

- O quê, o grande vilão de Contonópolis é um Cosplay de Na... – dizia Malka, quando foi atacado pelo Devorador.

Como uma serpente, ele pareceu deslocar o maxilar, mostrando varias fileiras de dentes serrilhados, sugando as forças do escritor a sua frente. Braços fortes seguravam Malkavengrel, o imobilizando, enquanto Ronaldo parecia mastigar a cabeça do escritor, como se escolhesse o que comer em meio a muitas coisas.

Surpreendentemente, ele parou, cuspindo - o agora quase insubistancial, pálido, praticamente uma coisa sem graça – Malka. Bufou, se vendo refletido nas paredes congeladas com a nova aparência. Cabelos revoltos, semblante ébrio, sobretudo negro, camisa de penitenciário, calça social até a canela, sapatos sociais do sec. Xvii, ainda tinha a bolsa e o gancho, assim como uma placa de metal com um símbolo estranho, escondido pelo cabelos que lhe caia ao rosto.

- Esse negócio de mudar de aparência cada vez que me alimento está começando a me irritar profundamente. – sussurrou, voltando-se para Lady e Ermel. – Minha Dama das Trevas, quero que dirija o primeiro ataque ao castelo e o tome. Ermel, você irá me levar até os que você me disse que me fariam invencível.

O pobre sapo suspirou aliviado, concordando prontamente.

- Ronaldo, devo lhe dizer que acredito que os ditos heróis já estão preparando a defesa para a investida. – disse a Dama das Sombras, enquanto cutucava os restos mortais de Malka encolhido em posição fetal no gélido chão.

- Sim, eu também espero por isso e graças ao que tenho de Gehenna-que-já-foi-Sombra, sei mais ou menos o que esperar de “nossas” criações. – sussurrou o Vilão, encarando o nada, com seus obsessivos olhos vazios – Mas agora eu sei mais ou menos como vencer alguns deles, ou pelo menos, dois dos três magistrados.

- Como?! – disseram juntos Ermel e DarkLady, em um misto de medo e surpresa.

- Logo vocês verão. – sorriu Ronaldo, e sua sombra se expandiu uma vez mais e a temperatura pareceu cair.

(...)


- Ih, u bichu vai pegá - disse Chucro, estragando a frase de efeito do enfurecido Gehenna.

Todos se prepararam, voltando sua atenção para de onde os cheiros e sistemas informatizados denunciavam a invasão.

- Finalmente algo para ser feito, além de idas e vindas e conversas. – disse a rainha Aka, com um sorriso no rosto.

Então sombras se alastrarão por todo o grande salão, fazendo de pouca utilidade a iluminação do castelo.

- Magistrados, como emissário do Devorador, eu vos digo, rendam-se e seremos piedosos. – soou a fria voz do templário, do alto da escada.

Um relâmpago iluminou momentaneamente o salão, e os heróis puderam perceber que aos poucos surgiam dos cantos e das janelas, seres incompletos, famintos, como morto-vivos, porém esses nunca estiveram realmente vivos.

- E vocês acham realmente, que podem com o poder dos escritores de Contonópolis, quando reunidos? – urrou a Dragoa Albina, batendo as asas com força, tentando manter os espectros longe.

- Vós não tens idéia de quão proeminente é a derrocada final, cães infiéis. – sorriu o cavaleiro, desembainhando sua argenta lâmina.

Mais um relâmpago vermelho iluminou o salão, mostrando um cerco maior aos heróis, e agora podiam ver dragões espreitando e se locomovendo como sombras, e uma mulher pálida como a morte e um homem alto de sobretudo e olhos famintos, caminhando entre as feras.

- É ele! – gritou o feroz Gehenna, partindo para cima do Devorador.

Em meio a escuridão, um vulto ergueu-se entre os heróis, agilmente passando entre os mesmo, com direção e propósito "bem" definidos.

Um grito de dor fez todos paralisarem, um grito horrendo, capaz de gelar a alma do mais indiferente ser. Seguido de um baque surdo.

- Minhas bolas! – chiou o Magistrado, enquanto tombava encolhido.

Aquilo gerou uma paralisia momentânea entre todos os machos na sala, os fazendo se curvar, se apiedando da situação do “companheiro” caído, como se a dor se alastrasse a todos eles.

- Tolos, as de vôlei! – sussurrou ainda contorcendo-se pela dor, o valente Dahaketada.

- Atacar! – gritou Fapra, o vingativo, indo para cima dos inimigos.

- Sim – urrou Gehenna em meio a convalescia masculina geral – menos de Dahak, que ainda estava no chão, tentando recuperar o fôlego.

- NÃ...- ia gritar Lobo, quando meteoros atravessaram o teto do castelo, liberando criaturas antigas, conhecidas dos ali presentes. Mais uma vez A Falta de Tempo e a Pressão Editorial estavam entre as vias de Contonópolis, e eles atacavam vilmente o albino lupino, o amarrando em correntes pesadas, que surgiam ao seu redor, o arrastando em meio ao ataque um tanto desorganizado dos heróis, em meio ao cerco de espectros e dragões.

Mais uma vez relâmpagos vermelhos iluminaram o local, agora invadido também pelo vento e pela chuva. Podia-se ver os heróis sendo subjugados pelo posicionamento militar dos espectros e dragões, agindo como uma legião, ferindo, sugando a criatividade e propósito dos escritores e de suas criações.

Em meio as espectros podia-se ver os pesadelos de Yrion atacando a agora assustada Kiara Draconnasti, se vendo subjugada pelo temores desse coletivo inominável, que Ronaldo havia roubado da mente de Malka.

Jedis e Piratas atacavam impiedosamente Gehenna, enquanto soldados franceses ajudavam a subjugar o lobo, tendo alguns deles atacando Elara, que era alvo, junto com o indefeso Dahak, dos habitantes em “stand-by” d’A Batalha de Myr.

- Mestre, ele é um deles. – disse, Ermelão, escondido atrás de Sombra-que-já-foi-Ronaldo, apontando para Faprassem, que era subterrado por espectros e dragões, juntamente com os outros heróis personagens.

- Ótimo, no mesmo castelo, dois. – disse Ronaldo, avançando contra o escritor.

- Queimem. – disse Teodoro aos dragões, vendo heróis caírem mais uma vez aos seus pés. Avançava a passos lentos contra o lobo albino que tentava se livrar das correntes da falta de tempo, do peso editorial, dos seus fantasmas que iam arrancando seus pedaços aos poucos, roubando seu propósito, rasgando sua alma.

- Olá Lobo. Finalmente o encontro das antíteses. Você o selvagem, bárbaro, pagão, livre, animal. Eu, civilizado, cristão, “seguidor” das normas sociais, ávido de glória e renome, Humano. – sorria, girando sua espada, refletindo os olhos do Lobo aos seus pés. – Acredite, o tempo de a humanidade ter medo de lobos passou. Você não assusta nem mais velhinhas, imagina o mais alto dos Cavaleiros do Templo de Salomão, ao serviço de Nosso Senhor!

Carne foi cortada e sangue jorrou, em meio a cinzas e urros fantasmagóricos.

(...)


O Bardo trabalhava em meio a papeis de prazos, noticias e contos. Correntes, mais não tão apertadas, ainda o seguravam, enquanto ele preparava algo novo, revolucionário, diferente.

Sua porta abriu-se repentinamente em um baque surdo, permitindo a entrada de um vento gélido e do som do salão muito abaixo, da guerra sendo travada e do possível fim de Contonópolis.

Aos pés de sua “visita” estava o corpo seco e vazio de Fapra, o Bravo, enquanto podia-se perceber um sapo tentando se esconder no corredor próximo.

- Olá Sax, me disseram que você seria Uma Grande aquisição a minha gama de recursos. Afinal, dizem que você nasceu já sabendo escrever. – sorriu o demoníaco ser, com seus olhos famintos sobre o Bardo confuso.

O assustado sapo encolheu-se, ouvindo o curto, porém prodigioso embate entre o Devorador e o Bardo tocador de Sax.

Fez-se, então, um terrível silêncio.

Ermel voltou-se para o escritório e visualizou o inicio do ganho ilimitado de poder do possível maior vilão que já andou por aquelas bandas.

- Meu deus, o que eu fiz? - sussurrou quase sem voz o anfíbio, de olhos arregalados e vidrados no corpo que vinha seco ao chão.
Editado pela última vez por Lobo_Branco em 20 Abr 2008, 03:13, em um total de 5 vezes.
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Mensagempor Lady Draconnasti em 19 Abr 2008, 22:48

Ui.
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Mensagempor Malkavengrel em 20 Abr 2008, 00:55

Ui²

Vamos ver como continua.
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Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos

Mensagempor Lobo_Branco em 20 Abr 2008, 03:17

Algumas mudanças sutis numa tentativa de revisão. :ops:
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Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos

Mensagempor Mai em 20 Abr 2008, 16:44

Nãoéminhaveznãoéminhaveznãoéminhaveznãoéminhaveznãoéminhaveznãoéminhaveznãoéminhavez...

...É minha vez. XD

Vou tentar fazer melhor que da outra vez. Prometo ^^v
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Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos

Mensagempor Gehenna em 21 Abr 2008, 00:07

E o Arauto da Guerra ataca novamente!

Bem, achei excelente. Especialmente o detalhe dos inimigos particulares de cada um.

E aposto que o Malka gostou da parte em que o conto deu "apenas" 6 páginas. :bwaha:



DarkLady, eu sugeriria encaixar um rápido flashback sobre os dragões do exército de Teodoro. :victory:
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Crônicas de Contonópolis: A Guerra dos Sonhos

Mensagempor Ermel em 21 Abr 2008, 01:23

Ui³

Nem pareceram 6 paginas. Agora é a vez da DarkLady xD.
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