Mentindo, falsificando informação, associando uma imagem ou conceito a algo que as pessoas se identificam e consideram 'bom', etc. O que sempre foi feito aliás*.
Ainda que se faça isso, é muito pouco para se criar uma necessidade inexistente. Como eu já disse, se fosse assim as empresas multinacionais não precisariam passar anos estudando o macro-ambiente dos países nos quais vão se instalar para decolar. Até a Coca-Cola, que seria em tese o produto mais "universal", apresenta diferenças de sabor entre os países. O Mc Donald's também cria cardápios diferentes para países diferentes: se ele não fizesse isso não sobreviveria na Índia, por exemplo. Agora, se ele conseguisse criar necessidades através de mentiras, informações falsas e imagem, os indianos não estariam comendo carne de vaca?
A indústria do cigarro investia de forma pesada no cinema desde a época dos filmes preto e branco (e mais tarde rádio e televisão). A imagem do cigarro na época era associada a saúde, juventude e beleza. E as empresas que vendiam o produto tiveram um sucesso enorme nessa associação entre o produto e os valores. Se você procurar, vai encontrar até propaganda dizendo que os médicos recomendam esta ou aquela marca.
Sim, inclusive existe uma série da HBO chamada Madmen que retrata essa época falando da publicidade dos anos 60, especificamente do tabaco. Eu vi só o primeiro episódio, quando representantes da HBO foram à faculdade divulgar a série. Não gostei, mas enfim, mostra isso aí.
Mas vamos lá, você fuma? Vamos supor que não (porque não sei) e que a propaganda de tabaco ainda pudesse ser feita, seja na TV, seja em filmes, tanto faz. Você, não fumante, seria magicamente levado a comprar um maço de cigarros e fumar?
Hoje a propaganda de tabaco é proibida, pouco aparece em filmes etc. Como se explica, então, que hoje há mais fumantes que há dez anos atrás? A venda de tabaco só vêm crescendo nos últimos anos e a responsável por isso obviamente não é a propaganda.