Ville Vallo era um anjo da guarda...
Um excelente anjo da guarda que cuidava de uma criança humana...
Ele era um garotinho com cerca de 13 anos... Recém saído da infância, ainda gostava de carrinhos e outros brinquedos, e sua brincadeira favorita era inventar histórias com os amigos e fazer pequenos teatros com essas histórias para os pais dos mesmos e os seus próprios...
Para um Anjo da Guarda, cuidar de uma criança desde o momento em que ela nasceu é algo glorioso e magnífico e para Ville o menino era como se fosse seu próprio filho...
Um dia... O menino correu pela rua de sua casa com as outras crianças, e correndo foi descobrindo novos mundos em suas fantasias, até ver na virada de uma das ruas, uma grande casa abandonada há anos...
O menino sorriu achando que podia ser um novo esconderijo para suas brincadeiras... Então se virou feliz para as outras crianças, mas, elas não estavam mais lá...
Ville mesmo estranhara ver que as crianças pararam de seguir seu protegido... Julgou que ficaram com medo da casa e voltaram, achando que não teria nada demais deixar o seu menino ver aquela casa abandonada...
Mas... À medida que o garoto foi se aproximando da casa, Ville foi abatido por um sentimento que só os Anjos brancos possuem... Um sentimento de Alerta...
Ville usou os poderes que a ele foram concebidos pelas mãos divinas, tentando intervir de alguma maneira para que o menino não entrasse lá, usou vozes chamando o menino, como se fosse seu pai ou os amiguinhos, mas o menino parecia fascinado pela casa antiga, cheia de portas e janelas lacradas com tábuas e vidros quebrados... Com cortinas fantasmagóricas esfarrapadas, dançando com o vento...
Ville começou a sentir aquela dor, que os anjos brancos sentem nas pontas das asas, e olhou diretamente para casa, vendo então uma grande aura negra emanando dela...
Não eram fantasmas ou algo parecido... Não era nada do Além por que se fosse, ele poderia resolver.
Aquilo era Aura humana, coisa de humanos, que tinham um coração negro e corroído por maldade, e aquilo o desesperou, porque aquilo sendo coisa de humanos ele não tinha autorização divina para intervir...