Por quê? Não acho que seja mais boba, acho fantástico como descrevem minunciosamente exatamente o que observamos na prática. Frequentemente podemos até prever com quase que total precisão o que acontecerá em seguida, devido ao árduo trabalho destes psiquiatras.
Também acho lindo isso. Muito bonitinho e tal.
Mas a psiquiatria, por ser fenomenológica, e justamente tb por ser essa "descrição minunciosa", a meu ver é boba pq se preocupa em descrever e categorizar cada comportamento, cada coisinha, o que não apenas é desnecessário, como é redutível e tolo, afinal é um trabalho infinito, já que cada uma das formas de apresentação de sintomas variam e pra sempre irão variar.
Por exemplo, se uma pessoa tem alucinações, não bastar dizer que ela tem alucinações. Tem que categoriza-la em cada mini-patologia. Tem que dizer que ela apresenta alucinações guliverianas (vê as pessoas maiores), com temáticas persecutórias (as pessoas grandes perseguem ela), por vezes de cunho místico-religioso (pq ela é DEUS), com expansão do eu ( pq ELA é Deus), com ecolalia (repete palavras), rebuscamento (usa palavras sofisticadas demais), misturada com cropolalia (fala palavrões), com desorientação autopsiquíca (consciência do eu alterada), alteração da consciência de execução ( consciência de atividade do eu), Apresenta perda da sensação de oposição e fronteira entre o sujeito e o mundo, (alteração eu x mundo), alterações do esquema corporal (consciência do eu corporal), com manifestações cenestésicas (relativo a sensibilidade interna do corpo), cinestésicas (move músculos sem querer), sinestésicas (troca de sentidos), etc etc...
Isso pq nao vou nem falar do delírio, fluxo de pensamentos, vontade e todas as outras MUITAS coisas que tem de ser descritas e classificadas de acordo com cada fenômeno observado.
E isso é um exemplo de uma pequena parte, de uma das coisas a serem observadas (alucinação), em UM paciente fictício.
Isso é bobo pq já sabemos que os fenômenos, ou seja, os comportamentos e manifestações da pessoa, variam o tempo todo. É idiota ficar anotando e classificando o que são. O que importa aqui é saber: psicose esquizofrênica. Pronto.
Dentro dela sabemos que podem ocorrer uma infinitude de "fenômenos" e que eles podem alterar-se e variar a todo tempo, inclusive num mesmo paciente. E isso não mudará como iremos trata-lo.
Tratar de pacientes é principalmente jogo de cintura, os sintomas são dinâmicos, assim como as pessoas, e o terapeuta/analista/psiquiatra tem de ser dinâmico também.
Além de tudo, mesmo não tendo nada contra remédios, não é mito a utilização abusiva deles por parte da psiquiatria. Isso inclusive está presente nos livros psiquiátricos. Minha experiência e hospital psiquiátrico confirma isso, e mais de uma vez pude ver/ficar sabendo de psiquiatras que deram remédios para um paciente pq ele estava hipotônico, sendo que sua hipotonia era causado por remédio administrado por outro psiquiatra.
Entre MUITOS, muitos outros exemplos.
Acho que os medicamentos AUXILIAM o tratamento, e em muitos casos são importantes. E acho a psiquiatria e suas categorizações divertidissimas, mas nada além disso. São despropositais, limitadas, excessivamente reducionistas e muitas vezes até prejudiciais.