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Gladius escreveu:Defina o "adequadamente" da sua frase. Como aplicar adequadamente o limite de compras de terras, a.k.a., proibição da livre compra de terras?
Gladius Dei escreveu:Afirmação sem base alguma é válida? Porque eu posso dizer que "panfletos pró-comunistas são os grandes responsáveis pela miséria e fome em nosso país" também, se for assim...
Gladius Dei escreveu:Se uma pessoa tem a CAPACIDADE, através de seus investimentos, esforço e bom planejamento, de comprar mais terras para aumentar seus lucros, porque ela não poderia fazer isso? Alías, e se um pequeno proprietário de terra trabalha trabalha e trabalha, e consegue aumentar sua produção, porque seria injusto ele poder comprar mais terras e contratar mais gente para trabalhar em ditas terras, já que ele o fez com seu esforço (seja este físico ou intelectual)?
Gladius Dei escreveu:O "fenômeno do retirante" é baseado no "latifúndio e agronegócio" em apenas alguns casos. Uma outra boa parte dos retirantes tenta sua sorte na cidade simplesmente porque as condições que estas oferecem para ascensão social são melhores do que manter-se na agricultura "artesanal" e de auto-sustentação.
Gladius Dei escreveu:E considerar que as pessoas que saem do campo são fracas, burras, inúteis e que não conseguem se sustentar na cidade é uma puta duma falta de sacanagem. Eles são trabalhadores tanto quanto qualquer outra pessoa de renda similar já nascidas nas cidades. E achar que eles não conseguem ascender socialmente... bem, meu avô materno era peão e meu avô paterno era pedreiro. Seus filhos, meus pais, são pesquisadores respeitados e até um ponto renomados em sua área de pesquisa, bioquímica. Então só um exemplo de vida já quebra esse paradigma.
Gladius Dei escreveu:Uma dica: todo alimento, mesmo tratado com produtos, é orgânico! Um tomate não será menos orgânico se ele tiver sido tratado com algum pesticida. Ele ainda será... um tomate. Um fruto. Orgânico.
Gladius Dei escreveu:Pode empregar mais pessoas, mas a produção é muito inferior.
Gladius Dei escreveu:Quanto à trabalho escravo: trabalho escravo é CRIME. Qualquer pessoa, latifundiária ou não, que obrigue alguém a trabalhar sem pagamento deve ser denunciado.
Gladius Dei escreveu:Por outro lado, essas mesmas pessoas contratam pessoas que SAIBAM gerenciar esses negócios se eles mesmos não o souberem (vide o ponto de mais pessoas sendo contratadas).
Gladius Dei escreveu:(enquanto o Brasil ainda pode expandir sua área de agricultura).
Gladius Dei escreveu:Uma dica: todo alimento, mesmo tratado com produtos, é orgânico! Um tomate não será menos orgânico se ele tiver sido tratado com algum pesticida. Ele ainda será... um tomate. Um fruto. Orgânico.

DracoDruida escreveu:Gladius Dei escreveu:Quanto à trabalho escravo: trabalho escravo é CRIME. Qualquer pessoa, latifundiária ou não, que obrigue alguém a trabalhar sem pagamento deve ser denunciado.
É lindo dizer isso, mas quando o cara é um latifundiário que tem moral o suficiente pra controlar e influenciar a região, não é como se ele fosse de fato ser processado por dar salários medíocres ilegais. Norte e nordeste que o digam.
DracoDruida escreveu:Gladius Dei escreveu:(enquanto o Brasil ainda pode expandir sua área de agricultura).
Uhum. Pra começar, fazendo reforma agrária nos latifúndios improdutivos, certo?
Quer dizer que o executivo não é competente suficiente para impedir a existência de trabalho escravo em latifundios de pessoas influentes, mas vão ser competentes para tirar as terras dele e distribuir por aí?
O Gladius quis dizer que tem muita "terra de ninguém" por aí (literalmente).
DracoDruida escreveu:O Gladius quis dizer que tem muita "terra de ninguém" por aí (literalmente).
A "terra de ninguém" não é de ninguém, é de algum especulador por aí, o que aumenta o preço da terra, dificultando o acesso.
DracoDruida escreveu:É por isso que reforma agrária não é mera "distribuição de terras e foda-se, agora te vira, mano". É investimento em infraestrutura e auxílio ao pequeno produtor.


A "terra de ninguém" não é de ninguém, é de algum especulador por aí, o que aumenta o preço da terra, dificultando o acesso.
Me lembrou daquela propaganda do Seu [insira nome comum] que achou uma maleta cheia de dólares no aeroporto e devolveu. A propaganda (do governo) dizia que ele tinha devolvido porque acreditava que só com o suor do seu trabalho ele poderia melhorar de vida. Claro. Porque ele não ia continuar sendo porteiro a vida toda, não, ele um dia ia deixar de bater cartão e virar patrão. Sim, por que não?
Por exemplo, conforme o próprio princípio da função social, uma terra tem que ter uma certa destinação, um ato de "fazer". Em tese não haveria vantagens em alienar uma terra de grande extensão se não houver uma destinação para a maior parte dela.
Outro ponto interessante quanto a essa vedação foi uma decisão recente em relação a venda de terras para estrangeiros. Não me lembro do limite, mas é algo que evitará aquelas afamadas "compras de nao sei quantos % da amazônia".
Latifúndios em geral produzem para o mercado externo, como o clássico caso da Soja. As pequenas e médias propriedades de fato se preocupam com subsistência, mas à medida que vão expandindo os negócios, vendem produtos alimentícios voltados para o mercado externo. Aumento da produção de alimentos para o mercado externo => Queda do preço dos alimentos => Maior acesso à alimentação para a população.
Porque muitas vezes as terras são compradas com o objetivo de especular. Apesar da Constituição dizer que deve haver reforma agrária em latifúndios improdutivos, ela não dá a definição exata por tamanho de um latifúndio nem de improdutividade, permitindo que o cara coloque poucas vaquinhas em um espaço absurdo e, quando questionado sobre a produtividade, alegue que é pecuária extensiva. Sabe como é, a vaquinha é claustrofóbica.
Dizer que o agronegócio, como pela mecanização da agricultura, é baseado meramente em "tentar a sorte" na cidade me parece no mínimo inocência. Houve desemprego estrutural no campo, além de o aumento da produtividade permitir o aumento do lucro e ocorrer o fenômeno da "fagocitose rural", onde as maiores propriedades vão comprando as menores, por estas não terem menor capacidade de competir e as propostas serem melhores.
Ninguém disso isso. Apenas foi dito que as cidades não tiveram capacidade de absorver o número de pessoas que pra elas migraram, o que é um fato. Não significa que elas não absorveram ninguém. Sua família (e a minha também) são exemplo disso, assim como as favelas são exemplo da incapacidade da infra-estrutura e da economia das cidades incluirem a todos.
Puft. Foi feia essa, hein? "Agricultura orgânica" é o termo pra agricultura desprovida de agrotóxicos, de produtos químicos sintéticos, não é que a outra agricultura deixe de gerar produtos orgânicos.
Contudo, concordo que não necessariamente o cara por ser pequeno agricultor vai deixar de usar produtos químicos sintéticos, mas não é incomum que o façam por ser um mercado distinto do de latifúndios.
Sem chances do cara competir, realmente não tem como ele lucrar e, com a renda extra, investir em formas de aumentar a produção, mesmo. É por isso que reforma agrária não é mera "distribuição de terras e foda-se, agora te vira, mano". É investimento em infraestrutura e auxílio ao pequeno produtor.
É lindo dizer isso, mas quando o cara é um latifundiário que tem moral o suficiente pra controlar e influenciar a região, não é como se ele fosse de fato ser processado por dar salários medíocres ilegais. Norte e nordeste que o digam.
Não, acho que você interpretou diferente do que ele quis dizer, embora concorde que está mal escrito. Não é que eles sejam incapazes de plantar decentemente. A crítica é que eles NÃO PLANTAM, ou seja, especulam com terras improdutivas.
Uhum. Pra começar, fazendo reforma agrária nos latifúndios improdutivos, certo?
Nossa, o post tinha sido tão tl;dr que deixei essa passar. Meu Deus. Porraspell nisso já!

Naquele debate da band o Plínio tinha perguntado pro Serra e pra Dilma o que achavam disto. Ambos eram contra. Serra disse "O Brasil possui [insira valor alto]% de terra não-explorada, por que não dar estas terras ao agricultor ao invés das terras que já tem dono" (não com essas palavras, mas a mesma ideia). Na hora eu concordei com o Serra... depois eu comecei a achar que o argumento talvez não valesse tanto, porque não tem como comparar certas áreas disponíveis por aí (apesar que é dificil dizer o quanto a falta de desenvolvimento comercial/urbano em muitas dessas regiões é causa deste abandono das terras e quanto é consequencia).

Gladius Dei escreveu:Então, porque não aplicar o já existente princípio da função social (já não é estabelecido que terras improdutivas serão, de fato, distribuidas?) ao invés de retirar porções de terras (mesmo que produtivas) daqueles que as adquiriram legalmente, e impedir a eventual compra legal de terras para maior produção daqueles que nisso investiram?
E a vedação de compra de terras para estrangeiros seria um outro ponto dessa proposta, não diretamente relacionado à limite de terras de residentes. Vamos tratar desses pontos separadamente, porque o são. Mas acho isso, afinal, bobo, já que acaba atrapalhando investidores da mesma maneira que limitar a terra. Mesmo que esses caras comprem terras da Amazônia (e porque só a Amazônia, e não qualquer outro lugar do Brasil?), o que temos que fazer é cobrar os impostos e taxas, oras. Eles produzindo mais ainda será revertido para a sociedade brasileira.
Gladius Dei escreveu:Eu acho que vocês estão carregango toda uma bagagem ideológica quando pensam em "latifundiários", "agronegócios" e "alimentos orgânicos" (o DdB entendeu a minha crítica ao termo, aparentemente).
Gladius Dei escreveu:Madrüga escreveu:Me lembrou daquela propaganda do Seu [insira nome comum] que achou uma maleta cheia de dólares no aeroporto e devolveu. A propaganda (do governo) dizia que ele tinha devolvido porque acreditava que só com o suor do seu trabalho ele poderia melhorar de vida. Claro. Porque ele não ia continuar sendo porteiro a vida toda, não, ele um dia ia deixar de bater cartão e virar patrão. Sim, por que não?
Então a alternativa correta a sua pergunta seria: ele devia ter ficado com o dinheiro (fruto do esforço de outrem) mesmo não tendo feito nada para merecê-lo. É isso? Porque essa acaba sendo a prerrogativa básica de tirar terras dos outros para dá-la para outros apenas porque "gritam alto" o bastante.
Não somos uma sociedade comunista onde todo mundo tem trabalhos determinados e não existe desemprego ao custo de se criar cargos ilusórios a um pagamento escroto. Todo mundo tem capacidade de buscar novos empregos, novos conhecimentos para novos empregos, enfim... as pessoas são livres para ficarem em seus empregos ou não, buscarem melhores empregos ou não. Se o Seu [insira nome comum] acredita que se sua situação, embora de não todo confortável, está razoável, ele tem o direito de permanecer em seu trabalho, e até devolver o dinheiro de outra pessoa. Isso me mostra um nível alto de integridade e coerência. Mas que ele tem a capacidade, se ele quiser, de mudar sua vida, ele tem. Pelo menos é essa a premissa que as pessoas deveriam aprender em nossa sociedade onde o governo não "supre" a todos em suas "gordas" tetas com um salário de fome igual para todo mundo ou atrasos em suprimentos.


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