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Roquen escreveu:Ainda sobre tendências, se é que não cheguei tarde demais: o meu maior problema o eixo Ordem/Caos. Nunca entendi para que servia e nunca vi alguém saber explicar. Me parece extremamente complicado saber onde o teu personagem encaixa - ok, sigo o meu código de conduta pessoa, fico onde agora? Coisas do tipo sempre me incomodaram. Já pensei em algo como: "ordem" é como a sociedade inteira acha que as coisas deveriam ser feitas (assim, um socialista numa sociedade capitalista seria caótico). Claro, isso deveria ser extrapolado para todo o universo, mas enfim. Ordem/Caos são relativos demais para colocar preto no branco. Já no eixo bem/mal nunca tive muitos problemas. As vezes a coisa pode ser definida mais preto no branco, as vezes pode ser um pouco menos, depende muito da campanha.


tabris escreveu:Pense bem, um fanático religioso segue cegamente seu lider, mas acredita que as leis do estado secular são falhas e devem ser ignoradas? Ele é leal ou caótico?
CF escreveu:tabris escreveu:Pense bem, um fanático religioso segue cegamente seu lider, mas acredita que as leis do estado secular são falhas e devem ser ignoradas? Ele é leal ou caótico?
Leal. Definitivamente leal. Compromisso com a ordem não se traduz necessariamente em obediência às leis locais.
E sobre as definições de Planescape:
O Planescape explica as tendências mais como uma afinidade com os planos exteriores. Por agir de forma maligna (por exemplo), você vai mudando sua tendência para "mal" e aos poucos passando a fazer parte daqueles planos (ou mudando para vir a fazer quando morrer, eu realmente não lembro dos detalhes). Quando depois você lê as descrições sobre como são cada um dos planos de tendência, você passa a ter uma idéia bem geral sobre como é um indivíduo típico de cada tendência.
E sobre a definição do Keith Baker (criador do Eberron):
O Keith Baker também define bem o esquema das tendências ao afirmar categoricamente que cerca de um terço da raça humana de Eberron é composta por indivíduos malignos. Isso pode parecer estranho, de início. Mas pensem bem: aquele comerciante ganancioso que não mata ninguém, mas reajusta seus preços para cima em épocas de escassez só para lucrar mais (uma pessoa egoísta) é maligno. Só porque você tem "mal" na ficha não significa que deve pisar em fetos ou escravizar e estuprar seres inteligentes.
Um problema comum é as pessoas pensarem nas tendências apenas em extremos. Elas não cobrem como um personagem age a todo o tempo. Elas definem em linhas gerais seu posicionamento geral no diagrama de bem vs mal e caos vs ordem.
Seria o mesmo de afirmar que qualquer vampiro que siga a humanidade tem Humanidade 10.
Claro. Com a diferença que o D&D não possui uma regra para posicionar o personagem em níveis diferentes de bondade, maldade, etc. E que o D&D é um jogo que assume que essas quatro forças (e em teoria a neutralidade também) são coisas palpáveis. Afinal, elas são em todos os cenários de campanha oficiais. Se você quer encarar diferente, você é quem deve se virar e alterar as regras para algo que acompanhe a sua vontade.



Eu não gostei da notícia que alinhamento vai deixar de ser uma parte importante do sistema. Por um lado, acho que não é realmente necessário, especialmente pra Mestres experientes, mas é uma ferramenta útil. Existem magias que são evidentemente cruéis, causando sofrimento reamente mórbido, e isso fica bem evidente quando tem o descritor [Mal].


E o comerciante que faz isso mas porque acredita que é natural no capitalismo mas ajuda os pobres fazendo doações?
ShinRyuu escreveu:O problema que eu vejo é que a mídia e a sociedade vêm enfatizando cada vez mais a relatividade e banalização das questões éticas e morais. E parece que os jogadores de RPG abraçam isso com todas as forças e defendem como bandeira.(...)Na minha visão, sabedoria é uma questão de reconhecer e prever as consequências das suas ações e aprender as formas mais saudáveis de levar a vida. E, para a maioria das pessoas, viver bem consigo mesmo requer harmonia com tudo o que te cerca.
Lune escreveu:Cara, seu post está bem escrito e tudo o mais, mas que surto foi esse? Sim, é verdade que o relativismo moral está se espalhando... graças à Deus! Antes o utilitarismo de Stuart Mill ao purismo intolerante de Kant (no qual o sistema de alinhamento de D&D é levemente baseado). Um dos exemplos do próprio Kant: se um ladrão entrasse na sua casa, você mentiria para salvar a sua vida? Então você é antiético (ou maligno, em termos de D&D). Ridículo.
Tenebrus escreveu:Qual a necessidade de se preocupar com alinhamento, sendo que não é ele que define sua interpretação, e sim sua interpretação que o define?
Deixa lá apagado na ficha, quando chegar um momento em que precise passar pro papel você pergunta pro narrador: "E ae eu sou mau ou bom?"

ShinRyuu diz:
Quanto ao seu exemplo, eu vejo da seguinte forma. Em primeiro lugar, mentir pra salvar sua vida, em D&D, seria caótico, não maligno.

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