Eu desprezava com todas minhas forças o colégio. Desprezava a idéia de ser obrigado a estudar o que não tenho interesse algum e que jamais usarei. É uma mentalidade tacanha, típica das pessoas medianas ou abaixo dela, mas tem suas justificativas.
Veja bem, o que estudamos de Química, Física, Matemática e outras disciplinas no Ensino Médio já são coisas bem específicas e que ninguem que seguirá por uma área que necessite de conhecimentos mais avançados destas, jamais utilizará. E estes conteúdos, mesmo estando no ensino médio, são conteúdos avançados e não fazem parte dos "conhecimentos gerais", como talvez façam o que se aprende em História, por exemplo, no ensino médio.
Não achem que é questão de minhas preferências, pois gosto muito de Física (e realmente estudei muito além do aprendido no ensino médio), Química e Matemática (aliás, existe boas chances deu cursar Matemática em breve, e meu doutorado tb deve ser na área).
Sei muito bem que grande parte deste desconforto em estudar isso é devido a má qualidade do ensino. Não no Brasil, no mundo. Pq me refiro ao modo como é ensinado em 99% das escolas: passam-se as fórmulas e o aluno tem que decorá-las e aplicá-las, sem entender muito bem PORQUÊ especificamente aquela fórmula, como alguem chegou nela, qual a relevância, enfim, sem contextualizá-la. Vira um Copiar + Colar que só beneficia, ironicamente, os alunos mais conformistas, que são reforçados pelas notas, pela aprovação dos pais e/ou professores e não pelo conhecimento em sí.
Eu realmente não aprendi nada no meu 3o ano, como muitos. Claro que aprendi, mas não fez nenhuma diferença substancial. Claro, aquele ano da minha VIDA foi importante, mas tb teria sido - e provavelmente mais frutífero - se eu já estivesse na universidade, por exemplo, e nesse ano a mais ter estudado as coisas de meu interesse.
Para a maioria dos alunos, inclusive os muito inteligentes, escola é uma tortura sem fim, com um amontoado de coisas que o cara decora só pra poder passar no vestibular e nunca mais ver aquilo na vida. É idiota! Muito.
Claro que o ideal seria acabar com a idéia de vestibulares, mas enquanto isso não acontece acho válida a idéia da pessoa poder ingressar na universidade no 2o ano.
E o argumento da maturidade não faz o menor sentido. Só recentemente pudemos nos dar ao "luxo" de mais ou menos definir nosso futuro profissional (bem mais ou menos, já que a pessoa ainda pode mudar de curso e etc) aos 17 anos. Desde sempre e até menos de um século atrás isso era decidido na infância ou início da adolescência. Eu não acho que a maioria das pessoas de 17 anos possa ter convicção do seu futuro profissional. Na verdade, até desconfio das que dizem ter. Mas as de 16 também, as de 18 também e de 25 também. O fato das de 25 geralmente já estarem mais decididas se deve em grande parte ao modelo de nossa sociedade, que faz com que aos 25 a pessoa jpa esteja a mais tempo direcionada naquilo que ela fez a escolha no passado e já tenha responsabilidades de ter seu futuro profissional mais ou menos traçado. Se isso fosse aos 17, seria idem aos 17.


Bons tempos aqueles em que você podia por um satã travesti num desenho de criança.





