Essa é a seção para conversas gerais sobre RPG, que não são sobre um sistema específico ou envolvem a sociedade em discussão sobre aspectos culturais, religiosos, comportamentais e educacionais do RPG, a popularização do jogo e o combate ao preconceito.
Corvo da Tempestade escreveu:Dando uma, perdoe-me pelo pleonasmo, Advogado do Diabo.
Você, como mestre, o que faria se recebesse um histórico detalhado (6 páginas, no mínimo) de um personagens e seu 4 irmão (histórico também de 6 págias). tendo ainda trabalho/namoro/etc pra resolver?
Nem é assim coisa de outro mundo ler um background de 6 páginas, dependendo do que for. Só seria dose o BG dos 4 irmãos, a não ser que fossem realmente NPCs muito relevantes, e mesmo em boa parte dos casos o BG poderia ser resumido a alguns parágrafos nesse caso dos NPCs.
No sério? Eu leria numa boa. Talvez risse do exagero(BG dos irmãos, se ñ fossem relevantes) mas... pq recusaria/não leria? Eu sempre peço certas coisas ANTES da sessão, inclusive BG detalhado quem for fazer... 6, 20 páginas? Eu leio isso no ônibus, cagando, whatever, e rápido. Da parte do mestre não vejo esforço algum.
Olha, eu acho que background tem que ser algo que você explica rápido. Se o jogador me entrega um background de 6 páginas eu leio, comento e aceito o que puder, mas prefiro que me contem a história rapidamente. Durante a campanha nós nos aprofundamos.
Há incontáveis séculos, houve um reino, Eussey-lah seu nome, que se estendeu por todas as terras do mundo conhecido. Esse tempo acabou quando o rei-destino, Khem, enlouqueceu e quase levou o mundo à ruína. Sete heróis e um oráculo o impediram.
Desde então, grandes heróis e vilões têm mantido o mundo girando a cada geração.
Corvo da Tempestade escreveu:Dando uma, perdoe-me pelo pleonasmo, Advogado do Diabo.
Você, como mestre, o que faria se recebesse um histórico detalhado (6 páginas, no mínimo) de um personagens e seu 4 irmão (histórico também de 6 págias). tendo ainda trabalho/namoro/etc pra resolver?
Concordo com o Argh. To no hobbie pra jogar, não pra ler monografias.
"For those who came in late, Glorantha is a myth-heavy Bronze Age with a strong Howardian feel, but much more than that. It's probably the best fantasy world ever created for a game" -Kenneth Hite
Editado pela última vez por Armitage em 31 Mar 2011, 19:51, em um total de 1 vez.
"For those who came in late, Glorantha is a myth-heavy Bronze Age with a strong Howardian feel, but much more than that. It's probably the best fantasy world ever created for a game" -Kenneth Hite
Eu brinco muito com construções de personagem e BG... dependendo do jogo. Já requisitei um histórico bem 'raso' e muito formal num jogo de espiões: o profile deles na agência. Ou seja, formato estruturado, todos sabiam que tipo de coisas incluir e dentro do feeling...
Tem um método que eu bolei especificadamente para Shalazar; embora entre mais como 'criação de personagem' do que apenas BG, funciona puramente por BG... para campanhas onde são todos aventureiros errantes/caçadores de tesouros(aka: mercenários):
Basicamente, é roleplayar o primeiro encontro deles(reunião) para um trabalho/missão juntos, numa taverna. Cada um se apresenta como preferir, descreve seus personagens e no meio do bate-papo cada um fala um pouco sobre sí, especialidades e feitos passados. Nada muito estruturado, já que cada jogador se apresenta e fala de um jeito... mas sempre saem coisas bem interessantes e dali já se pega um BG sintetizado que diz o que é importante. Se os jogadores não estão acostumados, um npc(possivelmente o contratante) também participa e solta perguntas para incentivá-los 'Mas o que um anão faz por essas terras? Os picos do sul estão bem longe não?'. Claro, os jogadores podem se esquivar("Meus motivos interessam a mim e mais ninguém velhaco"), mas mesmo nisso já constróem e demonstram qual a personalidade do char.
Enfim, dá para usar 'questionários'(algo similar) de forma mais interessante, no clima do jogo.
Eu tenho seguido a política do BG grande, porque curto ler os detalhes, mas quero sempre uma versão resumida, porque facilita a primeira interação, além que quebra um galho enorme quando esqueço algo do personagem, no fim fica a versão full e a resumida.
Cara, eu não tenho problema algum de ler um BG grande, na verdade eu leio BGs ate na internet de jogos que nem participo. Pra mim construir/ler BKGs faz parte da diversão. Curto demais ler os detalhes, já começo imaginar os personagens, ja começo imaginar a aventura, ou seja, já começo a me envolver com o jogo.
Quanto a ideia do Vincer, é legal tirar sempre a primeira seção para falar com os jogadores sobre seus PJs. Principalmente se voce gosta de amarar os bkgs de todos para evitar encontros aleatórios, que é uma coisa que nunca fiz e penso em fazer.
Eu era mais chegado em backgrounds escritos e bem detalhados quando eu tinha bastante tempo disponível. Hoje em dia, por mais que eu queira, não consigo gastar tanto tempo com isso...
CURSE YOUR SUDDEN BUT INEVITABLE BETRAYAL!!!
-- Máfia Firefly. Aqui na Spell, daqui a alguns meses! (dá tempo de rever os episódios!)
Aluriel: mas o BG grande não precisa... vir antes do jogo.
Deixar o jogador montar o BG enquanto joga tem muitas, muitas vantagens práticas... até para o narrador. Um BG resumido só precisa, que você deixe claro, que o jogador diga tudo de relevante; se ele considerar família e etc relevante, ele dirá.
Durante as partidas o que mais aparecer do BG é só fazer uma nota pequena para lembrar. Ex: mencionou ter servido na fronteira. Eu tomo MUITAS notas rápidas durante as partidas e me acostumei a resumir absurdamente, então apenas anotaria '-fulano, fronteira, BG'(diferente do que está aqui no fórum, num garrancho encriptado).
Mais tarde eu junto essas notas num arquivo(pode ser num caderno os menos geeks), e algum outro dia eu pergunto ao jogador mais sobre se eu precisar. Simples assim.
Qual a parte prática e útil ao narrador disso?
Para começar... que jogadores são imprevisíveis. Então o jogador faz um BG bacana, bom tamanho e encorpado... vc planeja a campanha com aquilo em consideração, faz planos, talvez esboce algo e... o jogador passa a cada vez menos aparecer na mesa, até um dia falar 'pô, não vai rolar, tô sem tempo etc'. E todo aquele trabalho foi por água abaixo.
Deixar o grosso do BG para depois também ajuda num dos grandes problemas do RPG: prep. Quanto mais encorpado o sistema e o jogo, mais demora entre os jogadores decidirem 'vamos jogar' e jogar de fato. Cortando algumas partes para depois(como bg), dá para decidir jogar num dia e começar nele mesmo, por exemplo.
Ouso dizer inclusive que o Prep, apesar de divertido, é um vilão do jogo. Talvez seja exagero meu em querer ver pêlo em ovo(mal do design?), mas vejo o prep como um vilão justamente pelo charme dele:
Quantos já não disseram que é divertido criar personagem, planejar uma nova campanha, etc? Chatice de lutar com os números e cálculos na produção da ficha à parte, a maioria dos jogadores (e narradores) se divertem ANTES do jogo começar, no planejamento...
E isso gera expectativas.
O pequeno grande detalhe é que essas expectativas são ilusórias. Pensar num feeling para seu personagem, esperar um feeling X do jogo e imaginar que coisas legais poderia fazer com ele não correspondem a real experiência do jogo: vai depender do que o narrador propor, como o grupo vai se portar, as consequências das partidas... Sem falar que cada um gera expectativas diferentes. Então você pode acabar bolando um personagem bacana imaginando como seria legal ele agindo em situações XYZ, mas tais situações podem acabar não aparecendo na mesa. E nem adianta a solução do diálogo, o narrador perguntar o que os jogadores querem e tentar entregar isso: o rpg segue um fluxo quase imprevisível com muitas variáveis. O narrador pode tentar colocar as situações desejadas à caminho, mas as decisões dos jogadores, rolagens de dados, e os caminhos tomados por consequência da trama mudam tudo... Em outras palavras, o narrador oferecer todo um cenário propício para tramas políticas não garante que elas aconteçam: uma ação ofensiva(jogador que bate primeiro pergunta depois), falhas diplomáticas e... aquilo tudo sai de cena para dar espaço a combates, fugas, assassinato, whatever. Só um exemplo.
Até as falhas INEVITÁVEIS da comunicação afetam isso. Não importa a língua, o jogador dizer o que ele espera do jogo é um mero esboço/sombra do que a mente dele imagina/espera e... diabos, não vou entrar em linguagem agora. É um assunto que me interessa e poderia aprofundar bem mais, mas ficaria enorme e tedioso. O que importa é: não dá para prever e saciar todas as expectativas.
E quanto mais tempo e atenção é dada à preparação, mais expecativas se formam. O número de jogos que acabam pelo meio ou prematuramente é inúmeras vezes maiores que campanhas que duram anos ou chegam a um desfecho ideal... tirando grupos que se diluem por problemas práticos(tempo, etc), isso acontece pelo desânimo e expectativas mal atendidas.
Os jogadores sempre formarão expectativas, mas posso afirmar(por ter feito dos dois modos) que colocar rapidamente os jogadores no jogo, cortando todo esse prep e expectativa extra, traz todos mais 'limpos' para a mesa; Todos ali ainda estão para ver 'como esse jogo vai ser, como meu personagem finalmente ficará' e estarão mais confortáveis com isso. É muito mais fácil(e ocorre naturalmente) o jogador naturalmente construir seu personagem conforme o estilo do jogo/mesa se ele mesmo não definiu a ferro e fogo os detalhes. Não existe a frustração de ir contra o planejado se pouco foi planejado, entende?
No Final das Contas: Personagens bem construídos, até certo ponto críveis e ricos... é fenomenal. Mas não deveríamos levar os meios e expectativas de outros gêneros(como o literário) para uma mídia que é totalmente distinta, o rpg. Para uma experiência tão volátil e emergente quanto o rpg, eu realmente acho ideal ajustar os meios à ela. E de igual modo criar menos antes e mais durante. Foco no jogo em sí, enquanto se joga.
Vincer escreveu:(...)me acostumei a resumir absurdamente,(...)
*olha pro tamanho do post*
Ou você não aprendeu direito, ou levou bem a sério o espírito do 1º de Abril.
Anyways, eu gosto de backgrounds ricos. E gosto de backgrounds mais rasos. Depende da situação, do entrosamento do grupo, e talz. Dá pra fazer um background cheio de coisas, mas com muito espaço pra mudanças, também.