Salve!
Sinceramente, acho que de início você não pegou bem o ritmo do pequeno. Não que não o entenda, mas a brincadeira não foi compatível com esse ritmo. A prova disso foi a pergunta "por quê você não está brincando comigo". RPG é um jogo relativamente parado, e envolve muito mais idéias e criatividade que ação. Se for pra jogar com crianças, eu sinceramente acho que qualquer uma se apaixonaria por um Live Action. Só que, obviamente, precisa estar voltado para esse público. Algo muito próximo do feijão com arroz, porque se começar a se elaborar demais, as crianças podem acabar não acompanhando.
Mas, voltando ao caso do teu priminho: perceptivamente ele é um garoto animado. Brinque com ele de alguma forma mais ativa, talvez mesmo inventando histórias mais bem elaboradas que ringues de luta, mas sem se desviar da porradaria. Eu mesmo era ativo assim, gostava de brincar de bonequinhos e jogar videogame, lia só de vez em quando, não "metia a cara" nos livros por tanta conta própria, mas também não os evitava. Lia sem problemas os livros da escola, mas não muito além disso. Agora, se o assunto era videogame, eu podia passar quantas horas fossem jogando. Ou seja, esse pode sim ser um rumo, especialmente se o estilo de jogo dele é o mais próximo do RPG. Se ele preferir um desses a um jogo de corrida ou futebol, muito provavelmente esse é um rumo para se inicar no hobby sim.
Speranza escreveu:Duas perguntas que eu considero interessantes tem pulado na minha cabeça ultimamente: que tipo de censura deve ser feita quanto a história (por exemplo, quanto a violência)? Como o fracasso deve ser tratado, dentro e fora do jogo, já que a falha pode ser um assunto delicado quando mestrando para crianças? O que acham?
Rapaz, aquele link tirou as palavras do meu post. Os dois pontos que eu corroboraria são: converse com os pais e use o bom senso.
O quanto os pais liberam de violência para os filhos? O filme que estiver passando na TV pode ser assistido? Só alguns? Nem jogos violentos?
Claro que, você sabe, não pode-se deixar parecer que você vai apresentar ao filho do cara um jogo de violência pura

O melhor, na minha opinião, é usar o exemplo clássico: eles são os heróis que vão matar o dragão e salvar a princesa.
E enquanto você estiver mestrando pra eles, procure perceber o que eles estão esperando do jogo. Crianças são relativamente previsíveis. Talvez puxar algumas coisas de exemplos reais seja uma boa. Por exemplo, coloque um ogro verde que não quer matá-los, mas que reclama bastante só por eles estarem no pântano dele. A reação das crianças pode dizer muito sobre o que eles esperam do resto do jogo. Se eles deixarem o "Shrek" em paz, podem mesmo estar tentando ser os heróis: tente, então, dar a chance a eles de realizar feitos heróicos e salvar algumas pessoas (a começar, por quê não, pelo próprio ogro e sua família), depois cidades, depois reinos. Se eles quiserem ver mais desse personagem, talvez estejam esperando algo mais cômico (coloque aqui a mulher e os filhos pra ver o que acontece

). Se eles matarem o ogro... coloque outros e outros mais na frente deles! Jogue trolls que se regeneram, magos que podem voar e soltar bolas de fogo!
Por fim, eu sempre acho que um quebra-cabeça adequado para a criança é bom. Qual é o adequado vai depender da criança, ou do grupo. Como matar o dragão se ele voa? Como passar pela ponte se ela está quebrada? Se isso for muito óbvio pra eles, vamos evoluindo! Como encontrar aquele ladrão que não deixa pegadas?
E por aí vai.