Eis que uma história inacabada, e a vontade de terminá-la, faz com que o tópico supere a morte e o esquecimento, voltando a uma existência limitada, para tentar cumprir seu objetivo...
Yeah! Um tópico morto-vivo, huahuahua.
Demorou, mas estamos de volta.
Aproveitando, Athos pelo Hero-O-Matic:

Eh, não ficou muito bom...
Sombra
Parte 56: Embates
Com o término do jogo, os garotos se atiraram na piscina, enquanto discutiam sobre a partida. Rogério não estava satisfeito de ter perdido e isso fazia com que a implicância com ele ficasse ainda mais divertida, do ponto de vista dos que venceram. Logo, Rafael propôs uma chance de redenção para Rogério, em uma ‘briga de galo’, sendo que este topou na hora, subindo nos ombros do Jefferson. Poucos segundos depois e já estavam em mais uma competição ‘mongol’. Pelo menos servia para nos distrair e fazer-nos rir. Desta vez, foi Rogério quem venceu. Vendo Athos e a Sem-Graça abraçados, enquanto assistiam a luta, tive uma idéia.
“Ok, ok, chega dessa ebulição de testosterona. Abaixa, Rogério. Vamos diversificar mais esse negócio”. Assim que ele se abaixou, subi em seus ombros e fui levantada, enquanto desafiava as outras garotas. Cássia logo topou, subindo nos ombros de Guilherme, mas eu percebi que minha mensagem havia sido captada por quem eu queria. Athos não percebeu, claro. Os rapazes costumam ser bem burros, quanto a sutilezas, mas em uma troca de olhares que durou menos de um segundo, notei que Graça entendeu a quem eu desafiara.
Cássia era forte, se negando a ser derrubada e contando com a estabilidade de Guilherme, para protege-la. Em um determinado momento, pensei que cairia, mas Rogério recuou um pouco para que eu me estabilizasse e depois começou a usar as pernas para atrapalhar o Guilherme. Consegui me aproveitar de um descuido da dupla adversária e derrubei Cássia de volta na água. Cantei vitória, enquanto Rogério se auto-proclamava ‘rei da briga de galo’, apenas para provocar novos desafiantes.
“Parece que nisso, você é um pouquinho melhor que no futebol, Rogério. Vamos ver se tem alguma chance, dessa vez. Prometo nem usar as mãos”. Disse Athos sorrindo, antes de se abaixar para que a namoradinha subisse em seus ombros. Claro que ele não usaria as mãos, era contra as regras. Ele serviria apenas como base, enquanto o verdadeiro embate ocorria entre eu e Graça.
Começamos a nos empurrar, lutando para derrubar uma à outra de cima dos ombros dos rapazes, que se esforçavam para manter-se o mais estáveis possíveis, apesar da batalha que ocorria encima deles. Achei que venceria fácil, mas ela não era a dondoquinha que aparentava e Athos parecia não se abalar lá embaixo, mesmo com Rogério usando as pernas para tentar atrapalha-lo. A cara de sonsa dela enganava bem, então não sei se foi proposital ou por acidente, mas de repente, a mão dela escapa e arranca meu biquíni do lugar, enquanto Athos revida os ataques de Rogério, terminando por nos levar à derrota.
Submersa, ajeito a peça, enquanto tenho de aturar o casalzinho comemorando. Rogério me culpa por ter perdido, enquanto eu revido, jogando a responsabilidade sobre ele. Como não gosta de perder, ele acaba iniciando uma nova discussão com os rapazes. Aquilo começava a ficar cansativo. Olho pro céu claro, apesar de estar coberto de nuvens. Era como uma maldição: bastava eu colocar um biquíni e o sol se escondia, como se o universo conspirasse para que eu continuasse branca. Que ódio.
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Assim que terminou o jogo, Athos veio e me enlaçou num longo beijo. Ele estava bem suado, mas não me importei muito, pois logo caímos na piscina. Tirei o elástico do cabelo dele e o usei para prender o meu. Os rapazes ainda comemoravam a vitória de 4 a 2, enquanto o time que perdeu se justificava. Rogério era o que mais falava, não aceitando muito bem a derrota, enquanto Guilherme era o que mais o sacaneava. Athos prestava atenção, dava risada e às vezes contribuía com a discussão, mas procurava se manter comigo. Estava fazendo um bom papel, até então.
“E essa cicatriz?” Pergunto sobre uma aparente marca de queimadura no peito dele.
“Ah, isso? Um tio meu apagou um cigarro em mim”.
“Porque ele fez isso?!”
“Hehehe, foi sem querer. Eu distraído, ele também... Deu nisso”. Passo o dedo sobre a marca, levanto a cabeça e fito aqueles olhos escuros me refletindo. Sorrio, ao ver a carinha de bobo dele e depois nos beijamos mais um pouco.
Começaram a brincar de ‘briga de galo’ e, após a primeira vitória de Rogério sobre um dos rapazes do time do Athos, Daniele, a ‘Srta Olhem-para-mim’, se pronunciou, subindo sobre o anfitrião e desafiando as outras garotas, apesar de que acho que ela queria desafiar era a mim. Qual o problema dessa garota? Parecia até que tinha sentido que eu não fora com a cara dela. Continuei quieta e vi a Cássia subindo sobre o Guilherme, aceitando o desafio. Torci por eles, mas acabaram derrotados, com a intervenção de Rogério, que usara as pernas para ajudar no combate. Isso não era contra as regras?
“E aí, gatinha, vamos acabar com esses dois?” Athos me perguntou, não agüentando mais ser desafiado.
“Só se for agora, gatão”. Digo, dando-lhe um beijo.
“Parece que nisso, você é um pouquinho melhor que no futebol, Rogério. Vamos ver se tem alguma chance, dessa vez. Prometo nem usar as mãos”. Ele provocou, antes de afundar e me levantar para fora da água.
Iniciamos o combate e já vi que teria dificuldades. Rogério era mais alto e, provavelmente, mais forte que Athos, enquanto Daniele era mais alta e mais forte que eu, pra não dizer mais gorda. Eu tentava derruba-la para os lados, pois não conseguia faze-la se curvar para trás. Athos teve de recuar algumas vezes, para que eu não caísse e percebi que Rogério o atrapalhava com as pernas.
Como não aceitaria perder pra essa garota, decidi mudar um pouco de tática, senão, acabaria sendo derrotada. Enquanto ela me empurrava para trás, dobrei o corpo para o lado, para desequilibrá-la e fingi que minha mão escapou, arrancando o biquíni dela do lugar. Se ela gostava tanto de aparecer, não se importaria com aquilo e o Athos nem veria, estando concentrado lá embaixo. Por sorte, Rogério também se desequilibrara com todas as tentativas que fizera de atrapalhar o Athos. Acabaram afundando os dois, nos concedendo a doce vitória.
Athos e Rogério começaram então uma discussão, após o derrotado culpar sua parceira, dizendo que ela era mais forte que eu, por ser maior. Cássia comemorou comigo, se sentindo vingada. “Ela tem essa necessidade de aparecer que às vezes irrita, mesmo”.
“Hehehe, é, dá pra perceber pela cor do cabelo”.
“Deve ter algo a ver com o fato dela ser filha única. Deve ter sido sempre mimada, tendo toda a atenção dos pais, daí ela fica nessa carência pra ter a atenção dos amigos, também”.
“Dá-lhe Cássia, a psicóloga”.
“Hahaha, nem tanto, nem tanto”.
“Você vai prestar pra que?”
“Enfermagem”.
“Olha aí. Cuidar de gente. Pra virar psicóloga é só mais um passo”.
“É, quem sabe? Hehe, e você?”
“Eu ainda não tenho certeza, mas tem de ser na área de humanas. Não sou muito boa em exatas”.
“Somos duas. To querendo fugir desse negócio de fazer contas”.
Conversamos um pouco e percebo que, após se cansar da discussão, Athos decidiu pegar cerveja, terminando por constatar que a bebida havia terminado. Rogério o mandou buscar em seu apartamento e lá foi ele, enquanto eu conversava e me enturmava com as meninas.
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“Ah, habilidade o caramba. Sinceramente, desde que inventaram a pólvora, esse negócio de habilidade caiu em desuso. Do que adianta ser todo habilidoso, se qualquer um pode chegar e te dar um tiro? Não existe homem mais homem que o outro. As armas de fogo colocaram todo mundo no mesmo nível”. Rogério retrucou, mudando totalmente de assunto, para esquecer sua derrota, quando eu disse que a briga de galo e outras competições físicas não eram apenas questão de força, mas sim de habilidade.
“Acho besta pensar assim. E quanto ao saque mais rápido ou a pontaria mais precisa? Até o uso da arma de fogo depende de habilidade”.
“E se você não tiver uma arma? Ou se for pego desprevenido? De que adianta sua habilidade?”
“Então o mérito não é da arma, mas da inteligência do atirador, que escolheu uma situação que o favoreça. Daí eu concordo, inteligência é o que realmente importa”.
“Inteligência? Hahaha, põe um cara muito inteligente contra um brutamontes e vê quem ganha”.
“E quem você acha que inventou sua poderosa arma de fogo? Foi um cara inteligente que, depois de cansar de apanhar pro brutamontes, criou uma forma de matá-lo de longe”.
“É, vendo por esse lado, você ta certo. Pensando bem, as armas de fogo são apenas uma ferramenta. O que manda de verdade é o dinheiro. Se você tem dinheiro, você compra o cara inteligente, a arma de fogo, o brutamontes... Compra tudo, hehehe”.
“Não é assim, também, não. Não se compra tudo”.
“Ah, vai dizer que ‘dinheiro não compra felicidade’? Não só compra, como manda entregar na sua casa, hahaha”.
“Hehehe, concordo. Dinheiro ajuda bastante a obter felicidade, mas não é disso que eu estava falando. O que eu quis dizer é que não dá pra comprar tudo. Tem coisas que simplesmente não têm preço. Nem todo mundo está à venda”.
“Que nada, todo mundo tem seu preço, sim. Não existe ninguém incorruptível. Principalmente no Brasil”.
“Quer dizer que, se pagarem seu preço, você dá a bunda?” Pergunto, encurralando-o. Ele até leva alguns segundos a mais pra processar a informação.
“É... Agora você me pegou...”
“Já pegou, sem nem pagar? Ta barato, hein, Rogério? Huahuahuahuahua”. Jefferson o interrompe, para sacaneá-lo, fazendo-nos rir um pouco.
“Não, caramba! Taí algo sem preço. Você me convenceu”. Ele responde, sem jeito.
“Hehehe, falô. Vou pegar uma cerveja, antes que o Jefferson beba tudo”. Digo antes de dar um beijo em Graça e sair da piscina, para encher meu copo.
“Tenho de manter a forma, né? Hahaha”. Jefferson responde, passando a mão pela barriga avantajada.
Ao chegar na caixa de isopor onde estavam as bebidas, percebo que só havia gelo e duas garrafas de refrigerante. “Ih, tarde demais. A cerveja acabou”.
“Lá encima tem mais. Pode ir lá, que ta aberto. É no 502. Pega lá no freezer”. Rogério responde, jogando pra mim a tarefa de ir buscar mais bebida. Torço um pouco o short para não molhar muito o apartamento dele e me dirijo até o elevador. Ao chegar no andar desejado, abro a porta com o número 502 e entro devagar, vendo se não havia alguém que pudesse querer alguma explicação por minha invasão.
A ampla sala era bem decorada funcionando para estar e jantar, com sofás, televisão, barzinho, plantas, quadros, mesinha de centro, pequenas esculturas em vidro, porta-retratos, mesa e cadeiras. Um corredor levava aos quartos e banheiro, enquanto uma porta dava para a cozinha, onde entrei. Abri o freezer, encontrei várias garrafas de cerveja e comecei a retirar algumas e coloca-las no balcão ao lado da pia, para levá-las. Procurei a minha volta por sacolas de plástico, mas não encontrei, então devolvi algumas garrafas, por saber que não conseguiria levar todas.
“Precisa de ajuda?” Perguntou a voz da ruiva, vindo da porta da cozinha. Ao me virar, a vi encostada ao portal, de biquíni, shortinho jeans, cabelos úmidos e me olhando com aqueles olhos díspares, atirando minha mente num turbilhão de pensamentos eróticos. Levei alguns segundos a mais que o desejado, mas consegui me controlar e responder, acredito eu, sem transparecer nada.
“Dani? Ué, o que ta fazendo aqui? Já que veio, me ajuda a levar isso lá pra baixo”. Digo, voltando a pegar as garrafas, tentando não pensar que estávamos ali sozinhos. Não olhar pra ela facilitava um pouco, apesar de ser uma tarefa árdua. Era fácil querer olhar. Muito fácil.