Sombra

Mostre seus textos, troque idéias e opiniões sobre contos.

Moderadores: Léderon, Moderadores

Sombra

Mensagempor Malkavengrel em 03 Set 2007, 19:29

Gehenna escreveu:
Malkavengrel escreveu:Cara depois de 7 horas 40 minutos e muita paciencia conseguir terminar de ler. :banger:


:queixo: Sério que tu leu diretão? Puutz... Fiquei até orgulhoso, agora. :bwaha:


Não fique, era isso ou ficar estudando Algebra, seu texto era mais interessante. (ainda não sei porque faço engenharia) xP

Mas enfim, quanto ao tamanho do texto, a parte que as delongas vão atrapalhar o texto não era bem um conselho é uma afirmação cara. Peguei um texto ontem de uma amiga para ler. Foram as 3 horas mais mal pagas da minha vida, então depois de chegar na metade do negocio eu disse chega, tá muito enrolado.

Textos epicos são bons, textos epicos são otimos, textos epicos são longos, textos epicos cansam. Li senhor dos Aneis inteiro, eu esquecia ele na prateleira por uma semana, mesma coisa com Todos os Outros textos do Tolkien.

Eu não gosto de dar essas diretas sobre tamanho de texto, mas acredito que eu precisava intervir. Eu deixei de ler muitos e muitos textos aqui na spell pelo tamanho, muitos mesmo.

Claro um texto longo eh bonito rico em detalhes, e tudo mais, mas ler no computador não é bom, não é gostoso, não tem o efeito de sentar em uma poltrona com uma Xicará de café (chá. chocalate quente, vai de sua preferencia) e desfrutar de um texto.

Para terminar isso eu vou te falar que hoje os livros que mais fazem sucesso são livros de cronicas, veja o Verissimo os livros são leves, suaves, divertidos de se ler, você não gasta mais de 4 horas para ler todo livreto.

Mas sim vou tentar acompanhar, mas tente encaminhar isso para o fim logo cara, não eh todo mundo que é persistente.

Edit: Todos os Textos do Tolkien Exceto O Hobbit, aquele texto eh muito bom, muito leve, muito engraçado e bom de ler.
Imagem
"For every complex problem there is an answer that is clear, simple and wrong."
"I can make wonders, and still let you wander alone."
Avatar do usuário
Malkavengrel
 
Mensagens: 250
Registrado em: 25 Ago 2007, 18:40
Localização: Ilha da Magia

Sombra

Mensagempor Dahak em 05 Set 2007, 19:01

Olha, não sou tão corajoso quanto o Malka, mas falta pouco para terminar de ler tudo!

E uma coisa já posso adiantar: você dá razões para ser um dos contistas mais elogiados dos últimos tempos por aqui ;)

Abraço!

Dahak Out
Life. Live.
Avatar do usuário
Dahak
 
Mensagens: 1655
Registrado em: 20 Ago 2007, 22:32
Localização: São Paulo

Sombra

Mensagempor Ermel em 05 Set 2007, 23:50

Tenho que concordar cem por cento com o Dahak!
E acho que a principal razão de ser um OTIMO escritor é que ele é Goiano! Isso por si só, já fala muito!
Bem, estou com o tempo meio restrito e com a memoria fraca, então não lembro de onde parei.
Só para me atualizar, Gehenna, desde o ultimo forum você adicionou novos capitulos?

Um grande abraço, e sucesso!!
"And the question is
Was I more alive then than I am now?
I happily have to disagree
I laugh more often now
I cry more often now
I am more me!"
Avatar do usuário
Ermel
 
Mensagens: 133
Registrado em: 05 Set 2007, 23:41

Sombra

Mensagempor Gehenna em 06 Set 2007, 03:35

Makavengrel escreveu:Não fique, era isso ou ficar estudando Algebra, seu texto era mais interessante. (ainda não sei porque faço engenharia) xP


Na verdade, o orgulho é por ter escrito tanta coisa q já são necessárias quase 8 horas pra ler tudo. :mrgreen:

Mas eu entendo perfeitamente o problema do tamanho. Realmente, quando se vê a coisa "pronta", desanima um pouco ler tudo de uma vez. É um dos motivos que me leva a dividir em partes pequenas e postá-las semanalmente. Assim, pode-se acompanhar o "épico" sem sentir todo o tamanho dele.

Seria melhor fazer histórias pequenas, claro. Porém, estou usando Sombra como a espinha dorsal de vários outros contos menores. Personagens como Khestalus, Roxane, Afonso, Ceifador e outros serão protagonistas de suas próprias histórias. Talvez escritas até mesmo por outras pessoas, o que me deixaria ainda mais orgulhoso.

Agradeço pelos conselhos, mas é algo que eu realmente preciso fazer. Megalomania é fogo. :bwaha:

Dahak escreveu:você dá razões para ser um dos contistas mais elogiados dos últimos tempos por aqui

Ah, é q a sessão de contos anda em baixa. :mrgreen:
Mas valeu, cara.

Ermel escreveu:E acho que a principal razão de ser um OTIMO escritor é que ele é Goiano! Isso por si só, já fala muito!
Bem, estou com o tempo meio restrito e com a memoria fraca, então não lembro de onde parei.
Só para me atualizar, Gehenna, desde o ultimo forum você adicionou novos capitulos?

Yeah! Bairrismo rox! :frenzied:
Huahuahuahua.
Cara, agora são 3:30 da manhã, acabei de chegar em casa, minha cabeça tá latejando, mas como to bem humorado, procurei seu último comentário no tópico da Spell_Forever e vi que ele é referente à parte 30. A última parte que atualizei lá foi a 53. Aqui no novo fórum, já estamos na 54 e talvez essa semana cheguemos à 55. Não sei se, com isso, ajudei ou confundi mais, porém, a intenção tá valendo. :b
Avatar do usuário
Gehenna
 
Mensagens: 828
Registrado em: 25 Ago 2007, 01:52
Localização: Torre Sombria, no bairro de Noite Eterna, em Contonópolis

Sombra

Mensagempor Gehenna em 07 Set 2007, 18:40

Custou sair, mas saiu. O churrasco se desenvolve. O número 55 é um bom número pra dar um estacionada e to achando que vou fazer isso. Mas como estou apenas achando, então não vou afirmar nada. Vou tentar continuar com a frequência, mas se não conseguir... hum... hã... se eu não conseguir, faço um cosplay e posto só pra atualizar o tópico. :b

Felizmente, agora não sou o único com uma história grande com atuaizações periódicas. Confiram Busca, por Lobo Branco. Vikings são os caras! :frenzied:

----------------------------------------------

Sombra

Parte 55: Amizades

Uma sensação de perigo me toma, devido a uma ameaça vindo pelas minhas costas, acompanhada pelo barulho do chute e um grito. Saltei imediatamente, jogando as pernas para cima, girando meu corpo e chutando a bola na direção do gol adversário, sendo aproveitada pelo Sapo, que marcara, nos colocando na frente do placar. Os olhares de estranheza chegavam de todos os lados, após minha bicicleta.

“Meu sonho é conseguir fazer um gol, desse jeito”. Digo disfarçando, tratando o evento com naturalidade e acaba dando certo.

“Que cagada, hein? Vamos lá, pessoal. Recuperar, recuperar”. Rogério fala pro time, pedindo para que o jogo continuasse, visto que agora estava perdendo. Vejo Guilherme se distraindo com algo fora do jogo e percebo os outros fazendo o mesmo. Me viro na direção de onde estavam as garotas e percebo o motivo.

“A sauna ta funcionando, né, Rogério?” Daniele pergunta, exibindo seu belíssimo corpo dentro do biquíni colorido e sendo acompanhada por Priscila e Carla. Vejo as outras garotas se despindo para acompanhá-las e percebo Cássia chamando a Graça.

“Claro, meu amor. Mas nem vai ficar torcendo pra mim? Me dá um R, me dá um O, me dá um G. Sem torcida o time vai acabar desanimando”. Rogério responde, imitando uma líder de torcida estadunidense. Me pergunto se ele conseguiria terminar de soletrar o próprio nome. Babaca.

“Hahaha, até parece. Faz assim... Se você conseguir dar uma bicicleta que nem a do Athos, me chama que eu soletro seu nome inteiro”. Hahaha, eu adoro essa garota.

“Promessa é dívida, hein?” Que ela nunca vai precisar pagar... Elas saem em direção à sauna, enquanto me despeço da Graça com um beijo e acompanho seu suave rebolado com os olhos. Clubes do Bolinha e da Luluzinha. Que merda...

“Putz, vocês viram aquilo, né? Fala se não é a sauna mais bem recheada que vocês já viram”.

“É, Rogério, agora voltemos ao jogo, porque ainda quero pelo menos mais três gols encima do teu time de pernas-de-pau”.

“Hahaha. Ô da bicicleta, baixa sua bola, ok? Jogada de sorte não conta no quesito habilidade”. Caramba, ele conhece a palavra ‘quesito’! Voltamos ao jogo, enquanto eu me preparo pra mostrar o quanto uma força sobre-humana pode contar no ‘quesito habilidade’.

----------------------------------------------

As garotas resolveram tomar uma sauna e Cássia acabou me chamando, para que eu me integrasse melhor. Ficaríamos um pouco ali dentro, para dilatar os poros, e depois pularíamos na piscina. Um tipo de limpeza de pele natural. Nos acomodamos nos degraus azulejados, enquanto respirávamos vapor e sentíamos as gotas que condensavam no teto caírem esporadicamente sobre nós. O som da conversa reverberava pelo aposento, chegando ampliado aos nossos ouvidos.

“Mas, diz aí, Graça. Você que estava mais perto, percebeu melhor. Foi sorte ou habilidade, aquela bicicleta?” Daniele pergunta, me pegando de surpresa, enquanto eu divagava pelo ambiente.

“Hã? Ah, aquilo? Não sei... Um pouco de cada, acho”.

“Taí um cara engraçado. O Athos chegou no colégio quietinho, na dele... Com o tempo acabou fazendo amizade com todo mundo... Mas a gente ainda não sabe muito dele. Vocês se conhecem há tempos, né? Conta aí, como vocês começaram”.

“Bem, a gente estuda junto desde a 7ª série. Ele sentava atrás de mim. Ficamos amigos e fizemos um tipo de sociedade: Eu colocava o nome dele em alguns trabalhos, enquanto ele me ajudava com o que eu tinha dificuldades. Fomos ficando próximos, até que... bem, deu no que deu”.

“É, ele é meio nerd, mesmo, mas preguiçoso. E quanto a você e o Rogério, Daniele?” Cássia diz, mostrando que Athos não mudara muito, mesmo com a proximidade do vestibular.

“Hahaha, ‘nádegas’ a declarar”.

“Nádegas? Vai falar da bunda dele? Hahahaha”. Diz a garota cujo nome eu não me lembrava. Camila? Carla? Alguma coisa assim.

“Hahaha, não, não, mas até que ele tem uma bunda massa. Ele malha, né? Apesar dos caras terem essa obsessão por braços fortes, se concentrando neles, a malhação acaba afetando o corpo inteiro”.

“O corpo inteiro, Dani? Já conferiu, é? Hahahaha”. Priscila diz, comprometendo a ruiva.

“Opa, sem comentários. Deixa eu passar a batata quente. Cássia e Guilherme. Alguma declaração?”

“Putz, nada a ver. O Guilherme é tipo um irmão”.

“Sério? Então nunca teve nada?”

“Nunca”.

“Nádegas a declarar, também? Hahahaha.”

“Hahahaha, não, deixa a bunda dele quieta”.

“Meu deus, que obsessão por bundas”. Desabafo, após ver a garota sem nome insistir na mesma piada.

“Ora, qual o problema, Graça? Vai dizer que não reparou?” Daniele se vira pra mim. Apesar do vapor embasando um pouco a visão, percebo malícia em seus olhos de diferentes colorações, como se esperasse por aquela situação.

“É, mas...”

“Eu reparei no Athos”. Ela diz, de forma natural e, ao mesmo tempo, intimidante, me interrompendo. Eu realmente não gosto dela.

“É? E o que achou?”

“Uma gracinha”.

“Então concordamos nesse ponto”.

“Hã... E o Athos? Ele malha?” Cássia pergunta, amenizando a situação que começava a ficar um pouco tensa. Será que eles já tiveram um caso?

“O Athos? Não. Preguiçoso demais pra isso”.

“O Guilherme malhava, no ano passado. Nesse ele parou, pra ter mais tempo pra estudar”.

“Ele quer prestar pra Educação Física, né? Meu concorrente”. Daniele se manifesta novamente, como se impondo sua presença. Ela parecia sentir essa necessidade de estar sempre em foco e isso já começava a irritar.

----------------------------------------------

Graça. O nome não combina muito bem. Então é essa garotinha sem sal a namoradinha do Athos? Esperava mais. Faz tipo de boa moça, mas não recuou quando falei dele. Parece ser mais do que aparenta. Não que seja grande coisa.

“É, por enquanto é concorrente, mas já pensou se vocês dois passam? Deve ser bem legal ir pra faculdade já tendo conhecidos”. Cássia diz, continuando a conversa, após amenizar a situação que criei com a ‘japa-girl’.

“É, pelo menos a gente não fica sozinho e deslocado por não conhecer ninguém”. Graça complementa, tendo se enturmado com Cássia.

“E então? Vamos pra piscina ou querem cozinhar mais um pouco?” Digo, me levantando e caminhando na direção da porta.

“É, vamos. Talvez o jogo já tenha até terminado”. Carla me acompanha e logo estão todas saindo da sauna. Enquanto passávamos ao lado da quadra, Rogério puxou conversa, mas, desta vez, sem parar o jogo.

“Ué, já cansou?”

“Vamos dar uma refrescada, agora. O jogo ainda demora?”

“Estamos terminando... PASSA A BOLA, JEFFERSON!” Ele diz, voltando sua atenção ao jogo. Ele não gosta de perder e o Athos meio que o desafiou. Deixo pra saber do resultado mais tarde. Chego na beirada da piscina e pulo com os braços estendidos, nadando por toda a extensão da mesma, sentindo a água fria refrescando o corpo e ouvindo o barulho das outras garotas que entravam na água. Emergi na outra extremidade e arrumei o biquíni, que saíra um pouco fora do lugar. Vejo que nem todas haviam caído na água. Algumas se desviaram para o banheiro, outras foram pegar bebida... Graça estava mais uma vez nas grades da quadra. Será que ela sabia que o namoradinho dela arriscara a própria vida pra me salvar? Droga de dívida...
Avatar do usuário
Gehenna
 
Mensagens: 828
Registrado em: 25 Ago 2007, 01:52
Localização: Torre Sombria, no bairro de Noite Eterna, em Contonópolis

Sombra

Mensagempor Dahak em 07 Set 2007, 21:34

Raios. E eu tava tão feliz que faltavam menos de duas dezenas de capítulos pra ler!
Hauahauahau, eram só mais 19...
lol

E não é por muito ou pouco movimento não. É por qualidade ;)

Abração!

Dahak Out
Life. Live.
Avatar do usuário
Dahak
 
Mensagens: 1655
Registrado em: 20 Ago 2007, 22:32
Localização: São Paulo

Sombra

Mensagempor Lobo_Branco em 09 Set 2007, 14:30

Felizmente, agora não sou o único com uma história grande com atuaizações periódicas. Confiram Busca, por Lobo Branco. Vikings são os caras! :frenzied:


Valeu pela divulgação chefe, sempre vem a calhar! :victory:

Boa parte, apesar de que não adicionou "nádegas", rs. Foi algo leve, descontraido.

Na verdade só me fez acreditar mais na natureza 'feérica" da jovem ruiva.

Bem, espero que não pare por agora - siga sempre o conselho que me deu tempos atrás.rs

Abraços!
"— Nós também éramos crianças, e se eles nos deixaram órfãos, os deixamos sem filhos."(

Óglaigh na hÉireann)


O Último Duelo - conto Capa&Espada
Avatar do usuário
Lobo_Branco
 
Mensagens: 289
Registrado em: 26 Ago 2007, 13:22
Localização: Aquele Bosque com ares de Floresta, na periferia de Contonópolis

Sombra

Mensagempor Malkavengrel em 10 Set 2007, 12:25

Bom... Só acho que a piadinha sobre a graça ser sem sal deveria ser um pouco trabalhada. Tipo "...realmente combina com ela o nome Graça, de Sem-Graça, Desgraça, Nem de Graça."
:twisted:

Enfim o texto tah bom, mas o mal não tira ferias cara. :b

Espero pela continuação... mantenha o ritmo de postagem, caso contrario o topico vai ficar abandonado.
Imagem
"For every complex problem there is an answer that is clear, simple and wrong."
"I can make wonders, and still let you wander alone."
Avatar do usuário
Malkavengrel
 
Mensagens: 250
Registrado em: 25 Ago 2007, 18:40
Localização: Ilha da Magia

Sombra

Mensagempor Over em 11 Set 2007, 17:47

Só pra avisar que li (=B). Espero o próximo.
Over
 
Mensagens: 5
Registrado em: 25 Ago 2007, 09:23

Sombra

Mensagempor Gehenna em 15 Set 2007, 00:21

Infelizmente, sem parte nova. Mas como prometido, eu fiz cosplays! :bwaha:
Ficou toscão e me lembrou o marmanjo do Cassaro se vestindo de Capitão Ninja, mas tá valendo.
http://br.geocities.com/sombrahq/Imagens/cosplay1.jpg
http://br.geocities.com/sombrahq/Imagens/cosplay2.jpg
http://br.geocities.com/sombrahq/Imagens/cosplay3.jpg
http://br.geocities.com/sombrahq/Imagen ... osplay.JPG

Bem, espero que não pare por agora - siga sempre o conselho que me deu tempos atrás.

Ah, droga, eu sou um maldito hipócrita! :bwaha:

"...realmente combina com ela o nome Graça, de Sem-Graça, Desgraça, Nem de Graça."

Essa piada é mesmo obrigatória, porém, ainda temos tempo pra fazê-la. :aham:


Eu tive que buscar o tópico lá na segunda página. Contonópolis tá bombando! :victory:
Avatar do usuário
Gehenna
 
Mensagens: 828
Registrado em: 25 Ago 2007, 01:52
Localização: Torre Sombria, no bairro de Noite Eterna, em Contonópolis

Sombra

Mensagempor Lady Draconnasti em 15 Set 2007, 01:05

Pows, aquele emblema do batman quebrou com o toscoplay... XD
Imagem

Status: Cursed
Alinhamento do mês: Caótica e Neutra
Avatar do usuário
Lady Draconnasti
 
Mensagens: 3753
Registrado em: 25 Ago 2007, 10:41
Localização: Hellcife, 10º Círculo do Inferno

Sombra

Mensagempor Gehenna em 16 Set 2007, 01:38

Huahuahuahua, eu escolhi a camiseta do Batman propositalmente. Não nego a influência do Cavaleiro das Trevas. Pelo contrário.

Aproveitando a deixa... Cosplay quadrinesco da "Guria Fada":
http://s56.flogao.com.br/07/09/07/145/114461315.jpg
Avatar do usuário
Gehenna
 
Mensagens: 828
Registrado em: 25 Ago 2007, 01:52
Localização: Torre Sombria, no bairro de Noite Eterna, em Contonópolis

Sombra

Mensagempor Gehenna em 29 Fev 2008, 01:49

Eis que uma história inacabada, e a vontade de terminá-la, faz com que o tópico supere a morte e o esquecimento, voltando a uma existência limitada, para tentar cumprir seu objetivo...

Yeah! Um tópico morto-vivo, huahuahua.

Demorou, mas estamos de volta. :victory:

Aproveitando, Athos pelo Hero-O-Matic:
Imagem
Eh, não ficou muito bom...




Sombra

Parte 56: Embates

Com o término do jogo, os garotos se atiraram na piscina, enquanto discutiam sobre a partida. Rogério não estava satisfeito de ter perdido e isso fazia com que a implicância com ele ficasse ainda mais divertida, do ponto de vista dos que venceram. Logo, Rafael propôs uma chance de redenção para Rogério, em uma ‘briga de galo’, sendo que este topou na hora, subindo nos ombros do Jefferson. Poucos segundos depois e já estavam em mais uma competição ‘mongol’. Pelo menos servia para nos distrair e fazer-nos rir. Desta vez, foi Rogério quem venceu. Vendo Athos e a Sem-Graça abraçados, enquanto assistiam a luta, tive uma idéia.

“Ok, ok, chega dessa ebulição de testosterona. Abaixa, Rogério. Vamos diversificar mais esse negócio”. Assim que ele se abaixou, subi em seus ombros e fui levantada, enquanto desafiava as outras garotas. Cássia logo topou, subindo nos ombros de Guilherme, mas eu percebi que minha mensagem havia sido captada por quem eu queria. Athos não percebeu, claro. Os rapazes costumam ser bem burros, quanto a sutilezas, mas em uma troca de olhares que durou menos de um segundo, notei que Graça entendeu a quem eu desafiara.

Cássia era forte, se negando a ser derrubada e contando com a estabilidade de Guilherme, para protege-la. Em um determinado momento, pensei que cairia, mas Rogério recuou um pouco para que eu me estabilizasse e depois começou a usar as pernas para atrapalhar o Guilherme. Consegui me aproveitar de um descuido da dupla adversária e derrubei Cássia de volta na água. Cantei vitória, enquanto Rogério se auto-proclamava ‘rei da briga de galo’, apenas para provocar novos desafiantes.

“Parece que nisso, você é um pouquinho melhor que no futebol, Rogério. Vamos ver se tem alguma chance, dessa vez. Prometo nem usar as mãos”. Disse Athos sorrindo, antes de se abaixar para que a namoradinha subisse em seus ombros. Claro que ele não usaria as mãos, era contra as regras. Ele serviria apenas como base, enquanto o verdadeiro embate ocorria entre eu e Graça.

Começamos a nos empurrar, lutando para derrubar uma à outra de cima dos ombros dos rapazes, que se esforçavam para manter-se o mais estáveis possíveis, apesar da batalha que ocorria encima deles. Achei que venceria fácil, mas ela não era a dondoquinha que aparentava e Athos parecia não se abalar lá embaixo, mesmo com Rogério usando as pernas para tentar atrapalha-lo. A cara de sonsa dela enganava bem, então não sei se foi proposital ou por acidente, mas de repente, a mão dela escapa e arranca meu biquíni do lugar, enquanto Athos revida os ataques de Rogério, terminando por nos levar à derrota.

Submersa, ajeito a peça, enquanto tenho de aturar o casalzinho comemorando. Rogério me culpa por ter perdido, enquanto eu revido, jogando a responsabilidade sobre ele. Como não gosta de perder, ele acaba iniciando uma nova discussão com os rapazes. Aquilo começava a ficar cansativo. Olho pro céu claro, apesar de estar coberto de nuvens. Era como uma maldição: bastava eu colocar um biquíni e o sol se escondia, como se o universo conspirasse para que eu continuasse branca. Que ódio.

----------------------------------------------

Assim que terminou o jogo, Athos veio e me enlaçou num longo beijo. Ele estava bem suado, mas não me importei muito, pois logo caímos na piscina. Tirei o elástico do cabelo dele e o usei para prender o meu. Os rapazes ainda comemoravam a vitória de 4 a 2, enquanto o time que perdeu se justificava. Rogério era o que mais falava, não aceitando muito bem a derrota, enquanto Guilherme era o que mais o sacaneava. Athos prestava atenção, dava risada e às vezes contribuía com a discussão, mas procurava se manter comigo. Estava fazendo um bom papel, até então.

“E essa cicatriz?” Pergunto sobre uma aparente marca de queimadura no peito dele.

“Ah, isso? Um tio meu apagou um cigarro em mim”.

“Porque ele fez isso?!”

“Hehehe, foi sem querer. Eu distraído, ele também... Deu nisso”. Passo o dedo sobre a marca, levanto a cabeça e fito aqueles olhos escuros me refletindo. Sorrio, ao ver a carinha de bobo dele e depois nos beijamos mais um pouco.

Começaram a brincar de ‘briga de galo’ e, após a primeira vitória de Rogério sobre um dos rapazes do time do Athos, Daniele, a ‘Srta Olhem-para-mim’, se pronunciou, subindo sobre o anfitrião e desafiando as outras garotas, apesar de que acho que ela queria desafiar era a mim. Qual o problema dessa garota? Parecia até que tinha sentido que eu não fora com a cara dela. Continuei quieta e vi a Cássia subindo sobre o Guilherme, aceitando o desafio. Torci por eles, mas acabaram derrotados, com a intervenção de Rogério, que usara as pernas para ajudar no combate. Isso não era contra as regras?

“E aí, gatinha, vamos acabar com esses dois?” Athos me perguntou, não agüentando mais ser desafiado.

“Só se for agora, gatão”. Digo, dando-lhe um beijo.

“Parece que nisso, você é um pouquinho melhor que no futebol, Rogério. Vamos ver se tem alguma chance, dessa vez. Prometo nem usar as mãos”. Ele provocou, antes de afundar e me levantar para fora da água.

Iniciamos o combate e já vi que teria dificuldades. Rogério era mais alto e, provavelmente, mais forte que Athos, enquanto Daniele era mais alta e mais forte que eu, pra não dizer mais gorda. Eu tentava derruba-la para os lados, pois não conseguia faze-la se curvar para trás. Athos teve de recuar algumas vezes, para que eu não caísse e percebi que Rogério o atrapalhava com as pernas.

Como não aceitaria perder pra essa garota, decidi mudar um pouco de tática, senão, acabaria sendo derrotada. Enquanto ela me empurrava para trás, dobrei o corpo para o lado, para desequilibrá-la e fingi que minha mão escapou, arrancando o biquíni dela do lugar. Se ela gostava tanto de aparecer, não se importaria com aquilo e o Athos nem veria, estando concentrado lá embaixo. Por sorte, Rogério também se desequilibrara com todas as tentativas que fizera de atrapalhar o Athos. Acabaram afundando os dois, nos concedendo a doce vitória.

Athos e Rogério começaram então uma discussão, após o derrotado culpar sua parceira, dizendo que ela era mais forte que eu, por ser maior. Cássia comemorou comigo, se sentindo vingada. “Ela tem essa necessidade de aparecer que às vezes irrita, mesmo”.

“Hehehe, é, dá pra perceber pela cor do cabelo”.

“Deve ter algo a ver com o fato dela ser filha única. Deve ter sido sempre mimada, tendo toda a atenção dos pais, daí ela fica nessa carência pra ter a atenção dos amigos, também”.

“Dá-lhe Cássia, a psicóloga”.

“Hahaha, nem tanto, nem tanto”.

“Você vai prestar pra que?”

“Enfermagem”.

“Olha aí. Cuidar de gente. Pra virar psicóloga é só mais um passo”.

“É, quem sabe? Hehe, e você?”

“Eu ainda não tenho certeza, mas tem de ser na área de humanas. Não sou muito boa em exatas”.

“Somos duas. To querendo fugir desse negócio de fazer contas”.

Conversamos um pouco e percebo que, após se cansar da discussão, Athos decidiu pegar cerveja, terminando por constatar que a bebida havia terminado. Rogério o mandou buscar em seu apartamento e lá foi ele, enquanto eu conversava e me enturmava com as meninas.

----------------------------------------------

“Ah, habilidade o caramba. Sinceramente, desde que inventaram a pólvora, esse negócio de habilidade caiu em desuso. Do que adianta ser todo habilidoso, se qualquer um pode chegar e te dar um tiro? Não existe homem mais homem que o outro. As armas de fogo colocaram todo mundo no mesmo nível”. Rogério retrucou, mudando totalmente de assunto, para esquecer sua derrota, quando eu disse que a briga de galo e outras competições físicas não eram apenas questão de força, mas sim de habilidade.

“Acho besta pensar assim. E quanto ao saque mais rápido ou a pontaria mais precisa? Até o uso da arma de fogo depende de habilidade”.

“E se você não tiver uma arma? Ou se for pego desprevenido? De que adianta sua habilidade?”

“Então o mérito não é da arma, mas da inteligência do atirador, que escolheu uma situação que o favoreça. Daí eu concordo, inteligência é o que realmente importa”.

“Inteligência? Hahaha, põe um cara muito inteligente contra um brutamontes e vê quem ganha”.

“E quem você acha que inventou sua poderosa arma de fogo? Foi um cara inteligente que, depois de cansar de apanhar pro brutamontes, criou uma forma de matá-lo de longe”.

“É, vendo por esse lado, você ta certo. Pensando bem, as armas de fogo são apenas uma ferramenta. O que manda de verdade é o dinheiro. Se você tem dinheiro, você compra o cara inteligente, a arma de fogo, o brutamontes... Compra tudo, hehehe”.

“Não é assim, também, não. Não se compra tudo”.

“Ah, vai dizer que ‘dinheiro não compra felicidade’? Não só compra, como manda entregar na sua casa, hahaha”.

“Hehehe, concordo. Dinheiro ajuda bastante a obter felicidade, mas não é disso que eu estava falando. O que eu quis dizer é que não dá pra comprar tudo. Tem coisas que simplesmente não têm preço. Nem todo mundo está à venda”.

“Que nada, todo mundo tem seu preço, sim. Não existe ninguém incorruptível. Principalmente no Brasil”.

“Quer dizer que, se pagarem seu preço, você dá a bunda?” Pergunto, encurralando-o. Ele até leva alguns segundos a mais pra processar a informação.

“É... Agora você me pegou...”

“Já pegou, sem nem pagar? Ta barato, hein, Rogério? Huahuahuahuahua”. Jefferson o interrompe, para sacaneá-lo, fazendo-nos rir um pouco.

“Não, caramba! Taí algo sem preço. Você me convenceu”. Ele responde, sem jeito.

“Hehehe, falô. Vou pegar uma cerveja, antes que o Jefferson beba tudo”. Digo antes de dar um beijo em Graça e sair da piscina, para encher meu copo.

“Tenho de manter a forma, né? Hahaha”. Jefferson responde, passando a mão pela barriga avantajada.

Ao chegar na caixa de isopor onde estavam as bebidas, percebo que só havia gelo e duas garrafas de refrigerante. “Ih, tarde demais. A cerveja acabou”.

“Lá encima tem mais. Pode ir lá, que ta aberto. É no 502. Pega lá no freezer”. Rogério responde, jogando pra mim a tarefa de ir buscar mais bebida. Torço um pouco o short para não molhar muito o apartamento dele e me dirijo até o elevador. Ao chegar no andar desejado, abro a porta com o número 502 e entro devagar, vendo se não havia alguém que pudesse querer alguma explicação por minha invasão.

A ampla sala era bem decorada funcionando para estar e jantar, com sofás, televisão, barzinho, plantas, quadros, mesinha de centro, pequenas esculturas em vidro, porta-retratos, mesa e cadeiras. Um corredor levava aos quartos e banheiro, enquanto uma porta dava para a cozinha, onde entrei. Abri o freezer, encontrei várias garrafas de cerveja e comecei a retirar algumas e coloca-las no balcão ao lado da pia, para levá-las. Procurei a minha volta por sacolas de plástico, mas não encontrei, então devolvi algumas garrafas, por saber que não conseguiria levar todas.

“Precisa de ajuda?” Perguntou a voz da ruiva, vindo da porta da cozinha. Ao me virar, a vi encostada ao portal, de biquíni, shortinho jeans, cabelos úmidos e me olhando com aqueles olhos díspares, atirando minha mente num turbilhão de pensamentos eróticos. Levei alguns segundos a mais que o desejado, mas consegui me controlar e responder, acredito eu, sem transparecer nada.

“Dani? Ué, o que ta fazendo aqui? Já que veio, me ajuda a levar isso lá pra baixo”. Digo, voltando a pegar as garrafas, tentando não pensar que estávamos ali sozinhos. Não olhar pra ela facilitava um pouco, apesar de ser uma tarefa árdua. Era fácil querer olhar. Muito fácil.
Avatar do usuário
Gehenna
 
Mensagens: 828
Registrado em: 25 Ago 2007, 01:52
Localização: Torre Sombria, no bairro de Noite Eterna, em Contonópolis

Sombra

Mensagempor Lady Draconnasti em 29 Fev 2008, 07:04

“Hehehe, é, dá pra perceber pela cor do cabelo”.


Algum problema com isso? ¬¬

Boa continuação. Leve, descontraído... Mas, aparentemente não acrescentou nada.
Imagem

Status: Cursed
Alinhamento do mês: Caótica e Neutra
Avatar do usuário
Lady Draconnasti
 
Mensagens: 3753
Registrado em: 25 Ago 2007, 10:41
Localização: Hellcife, 10º Círculo do Inferno

Sombra

Mensagempor Gehenna em 07 Mar 2008, 03:34

De modo geral, o churrasco inteiro tá só na enrolação, não adicionando nada. XD
Não é a toa que travei nele, ficando louco pra q acabasse logo, rsrsrs.
Mais uma parte e, como brinde, Daniele (mal) feita no Hero-O-Matic.

Imagem




Sombra

Parte 57: Tentação

Ela se aproximou, abriu a primeira gaveta do armário e apanhou um abridor de garrafas, com o qual destampou uma cerveja e deu alguns goles direto do bico do recipiente, para então estende-lo, para que eu o apanhasse. “A idéia era levar cerveja pro pessoal, não beber tudo aqui, sozinho”.

“Você não está sozinho”. Ela disse colocando a garrafa próxima às outras.

“Tem mais gente lá embaixo, esperando a cerveja”.

“É, o Jefferson. Uhu, quanta gente”.

“Estão me esperando, também”.

“A Graça?”

“É, a Graça”.

“Como vocês começaram? Me pareceu tão de repente. Um dia você estava solteiro e no outro, já estava de aliança e tudo”.

“Você quer falar disso agora?”

“Porque não?”

“A cerveja vai esquentar”.

“Então me ajuda”. Ela disse, bebendo mais um pouco e me entregando a garrafa. Eu tomo alguns goles e percebo que Daniele se aproximara de mim.

“Acho que não vamos conseguir evitar que toda essa cerveja esquente”. Mal termino de falar e sinto a mão dela tocando meu peito, deslizando até meu ombro e, de lá, para minha nuca, enfiando os dedos entre meus cabelos úmidos. Ela me olha como uma fera observando sua presa, portando um sorriso discreto nos lábios. As palavras desaparecem de minha boca. Minha mente se esvazia. No instante seguinte, estamos nos agarrando, sua boca buscando a minha com selvageria, nossos corpos seminus se tocando e a excitação aumentando. Ela tinha o mesmo cheiro que um bosque num dia de chuva, o sabor de uma fruta recém-colhida no pé, e me fazia sentir um animal, enquanto suas unhas se pressionavam contra minhas costas e minhas mãos descobriam seu corpo, sem pudor.

De repente, juntamente com uma incrível sensação de vitória e poder, me vem a lembrança daquele dia, há quase um mês. Em um momento, eu estava parado e, no instante seguinte, eu havia saltado, arriscando minha vida para tirar Daniele da frente do carro. Por quê? O q me levou a fazer aquilo? Altruísmo ou egoísmo? Será que era essa a recompensa que visei naquele dia? Ou eu faria o mesmo por outra pessoa? Teria sido apenas meu interesse nela? Felizmente, consigo ordenar meus pensamentos, a agarrando pelos braços e afastando-a de mim enquanto virava o rosto.

“Parabéns... Você conseguiu provar que os homens são movidos exclusivamente à base de testosterona”.

“O que foi?”

“Você sabe muito bem o que foi”.

“Ninguém vai saber, Athos”.

“EU vou. E não gosto de peso desnecessário em minha consciência. Gosto de pensar que cumpro minha palavra. Especialmente quando carrego essa porcaria pra representar isso. E não é o seu nome que está escrito nesta aliança”. Digo, erguendo a mão com o anel.

“Cumprir sua palavra? Está com ela por causa de sua palavra?! E quanto ao seu coração?”

“Coração? Não me venha com filosofia de filme da Disney, Daniele. Nós dois sabemos que o que aconteceu aqui não tem nada a ver com meu coração”.

“Ah, não? Vai dizer que não sentiu nada? Vai dizer que a ferocidade com a qual você me correspondeu, que foi bem diferente do marasmo que eu vi lá embaixo... Vai dizer que isso não tem a ver com o que você sente por mim?”

“Desejo. É o que eu sinto por você. Não confunda as coisas”.

“Então você me deseja, mas vai me negar por causa de uma porcaria de anel?”

“Nem todo desejo deve se realizar, Daniele. Especialmente, se pode machucar alguém que eu gosto. Isso não é apenas um anel. É um compromisso, que fiz por vontade própria. Quebra-lo é trair a mim mesmo e essa é a pior traição”. Digo, mais uma vez levantando a mão e então, me pego fitando o anel negro de Khestalus, abaixo da aliança prateada. Penso no significado dele. O anel. O círculo. O símbolo do número um, que significa o divino, a união, a perfeição, pois o círculo é uma figura perfeita, sem vértices ou lados, começo ou fim, infinito em si mesmo e ao mesmo tempo um limitador, separando o interior do exterior. O anel funcionava como um círculo material, onde a essência continuamente circundante envolvia o usuário em uma aura de força perpetuamente renovada. Estes eram os significados.

“... o que ela tem que eu não tenho?” Daniele terminou de falar, sendo que, apesar de escutar, não assimilei nada, devido ao novo estalo de compreensão. Eu continuava absorvendo os conhecimentos do anel, apesar de escolher os momentos mais inconvenientes para tal. Ainda meio aéreo, olho novamente para ela, que me fitava. Eu sabia que ela falara alguma coisa sobre a Graça.

“A mim”. Ela parece ficar nervosa com minha resposta, levando um pouco mais de tempo que o normal para retrucar.

“Pois que tire bom proveito. Você é patético, Athos”. Dito isto, ela sai levando a garrafa de cerveja aberta. Eu fico um pouco ali, pensativo sobre o que ocorrera. Primeiro, aquela lembrança. Será que eu a salvei apenas por interesse? Não, não podia ser. Eu não sou um maldito demônio interesseiro. Ou sou? Abandono essa linha de pensamento e me volto para o anel. Aparentemente, o sobrenatural me perseguiria até nos momentos de lazer. De repente, uma garota surge na porta da cozinha. Eu a reconheço devido aos porta-retratos na sala. Provavelmente, era irmã do Rogério.

“Que barra, hein?” Seus cabelos castanhos estavam presos num coque por uma caneta e ela vestia short e camiseta. No nariz, havia uma pequena argola prateada, abaixo da boca possuía um piercing, assim como no umbigo, descoberto pela camiseta curta. “Desculpa ter ouvido, mas é que vocês discutiram na minha cozinha, então...”

Eu rio e balanço a cabeça, com o comentário. “Desculpa, eu... Bem, sinceramente, eu nem sei o que dizer, hehehe”.

“Seu nome seria um bom começo”.

“Desculpa. Meu nome é Athos”.

“Prazer, Athos. O meu é Leila, sou irmã do Rogério. Imagino que você seja amigo dele, né? Ou é só um ladrão de cerveja?”

“Não, não. Eu e o Rogério estudamos juntos”.

“Estudam juntos? Rogério, estudando? Acho que você é ladrão de cerveja”.

“Hehehe, ok, nós freqüentamos a mesma sala”.

“Então não são amigos”.

“Bem... Somos colegas”.

“Entendo. Às vezes eu também o acho insuportável. Apesar de ser meu irmão e eu o amar, não posso negar a natureza dele. Você não parece mesmo do tipo que se diria amigo dele”.

“É, somos meio diferentes”. Enquanto ela tomava um copo de água, ficamos em silêncio, enquanto eu ainda pensava sobre o que ocorrera.

“Achei legal o que você fez”.

“O que? Discutir na sua cozinha?”

“Não. Dispensar a garota por causa da sua namorada”.

“Ah...”

“Não são muitos os caras que conseguem fazer isso”.

“Eu não fui muito rápido”.

“Mais do que a maioria. Vai contar pra ela?”

“Pra quem?”

“Pra sua namorada”.

“Acha que devo?”

“Talvez. Será que aquela garota vai ficar calada sobre o que aconteceu aqui? Sua namorada vai gostar de saber pela boca dela? Ou vai preferir ser a última a ficar sabendo? Algumas garotas gostam de honestidade. Outras preferem a ilusão. Cabe a você dizer a qual tipo ela pertence”.

“Quando aceitei tentar um relacionamento estável com ela, prometi a mim mesmo que não a machucaria e me manteria fiel e leal. Eu não fui muito fiel e, pra me manter leal, vou acabar machucando ela. Parece que não sou muito confiável”.

“Quando não se pode confiar em si mesmo, está na hora de rever seus conceitos”.

“É...” Então começo a pegar as garrafas de cerveja pra descer. “Porque está aqui em cima? Está rolando um churrasco lá embaixo”.

“Imaginei que os amigos do meu irmão seriam todos como ele. Não agüentaria ficar recebendo cantadas de moleques, então chamei uma amiga e estamos terminando um trabalho da faculdade, pra depois sairmos à noite”.

“Se mudar de idéia, leve mais cerveja”. Digo sorrindo e me dirigindo até a porta.

“Hehehe, pode deixar. Tchau”.

“Tchau”. Me despeço entrando no elevador e descendo de volta ao churrasco. Graça me esperava e eu não tinha boas notícias. Só espero que Daniele não tenha feito nada.
Avatar do usuário
Gehenna
 
Mensagens: 828
Registrado em: 25 Ago 2007, 01:52
Localização: Torre Sombria, no bairro de Noite Eterna, em Contonópolis

AnteriorPróximo

Voltar para Contos

Quem está online

Usuários navegando neste fórum: Nenhum usuário registrado e 0 visitantes

cron