por Deicide em 23 Fev 2008, 17:19
Uma coisa eu posso dizer sobre o D&D 4: ele está puxando demais para o lado das regras e do combate.
Vamos olhar essas características
1- Poderes viraram bloquinhos de estatísticas (já viram os poderes descritos? É igual carta de Magic mesmo). Nem mesmo descrições imaginativas temos mais;
2- Poderes seguem a lógica de videogames. "Por encontro" (a la Neverwinter Nights, em que você "dorme" entre encontros)? Habilidades de recuperar dano sozinho?
3- Redução das Perícias, deixando apenas Perícias que tem impacto mecânico no jogo (ok, sejamos sinceros que todo RPG tem que ter só Perícias com impacto mecânico, mas falo no aspecto de jogarmos fora coisas como Ofícios e Profissão, mostrando que o "impacto mecânico" no D&D será apenas o combativo, seja este combate mental, social ou físico);
4- "Nichos" bem-definidos para personagens e "builds". Personagens se comportam como num RPG eletrônico, com cada um tendo "funções", "fraquezas" e "vantagens" de acordo com a classe.
Mas aí se chega à pergunta... isso é necessariamente ruim?
Eu digo que NÃO!!!!
E explico mais, argumentando sobre cada um dos pontos anteriores:
1- Poderes viram bloquinhos de estatísticas. Eles sempre foram. Olhem as magias do Livro do Jogador. Mas ao invés de só magos e clérigos terem a graça de poderem variar suas táticas, agora todos os têm. E o bloquinho consome menos espaço que aquela descrição toda, sendo bem mais sucinto e rápido de checar, ao invés de ter que ler a descrição toda durante o jogo. Parabéns à WotC.
2- Que os puristas da 3.5 me perdoem, mas D&D NUNCA foi um jogo "realista" ou "com sentido". O sistema de magias deles sempre foi falho, decorar-e-esquecer, não importa que fluff você usa para explicar, nunca fez sentido também. D&D é um jogo HERÓICO, onde os combates deveriam ser iguais aos de filmes de ação, em que o herói usa suas habilidades e golpes, apanha e apanha, mas então quando parece perder encontra energia do nada e volta a bater, usando golpes diferentes. Já viu em filme alguém repetir a mesma "técnica" (ou arma ou magia) toda hora? Não! Eles variam, porque a audiência ficaria com tédio se fosse só "faz-repete".
D&D sempre foi o jogo em que você levava 30 flechadas e não reduzia o passo ou a força dos seus golpes. Sempre foi o jogo em que você tem que calcular bem que recursos usar. A beleza de D&D é a estratégia possível do combate, e a 4a. edição está prometendo maravilhas neste aspecto, em que você pensa bem no que vai usar, economiza recursos para momentos importantes e tenta ganhar vantagens de combate.
Outros RPGs podem falar que D&D é só porradeiro, mas muitos deles se tornam débeis na hora de uma boa peleja. Vampiro era basicamente "usar a Disciplina mais forte e a arma com melhor estatística" e acabou. Invejo tanto D&D que até usei alguns princípios dele no meu Ao Cair da Noite, tentando tornar o combate mais estratégico (mas, ao contrário de D&D, o jogo é mais realista e menos heróico, e portanto não peguei as outras mecânicas do D&D que considero "artificiais").
3- Muito jogador de D&D se ofende quando alguém fala que D&D "é só porrada". D&D realmente não é só porrada, mas ele se foca bastante em cenas de ação, combates heróicos e afins. Então, D&D 4.0 será muito mais artificial por causa das mecânicas? Que seja! Aposto que as pelejas serão divertidas!
Além disso, não sabemos tudo do sistema ainda. Ainda podemos ter mecânicas para coisas como fazer uma arma ou comandar um navio! Sabemos, por exemplo, que magias utilitárias se tornarão rituais. Logo, faz sentido que outras ações utilitárias sejam cobertas de forma diferente pelas novas regras.
4- Normal para um sistema de classes. Se não quiser nichos em seu jogo, abandone as classes e volte para a 3.5! Opa, na 3.5 tem classes? 3.0 então! Tem classes também? Droga, hein? Que tal AD&D? Em outras palavras, não mudou nada. As classes estão melhor definidas para pararem de pisar nos calos umas das outras. Assim não temos mais aquela história de que só conjuradores se divertem!
Opa, mas o que eu ouvi falar? Que será possível ignorar as classes e deixar cada personagem avançar livremente se o Mestre desejar, pois as progressões são todas iguais? Ora, ora. Então o próprio D&D 4.0 tem uma opção para ignorarmos os nichos! Que legal, hein?
CONCLUSÃO
Se D&D 4.0 será bom ou não é só questão de gosto. Muita gente reclamou da 3.0, e olha como estamos agora? Alguém quer voltar para o D&D? Não se pode evitar a evolução. Para mim a 4.0 está, no momento, prometendo coisas maravilhosas. Será uma edição perfeita? Claro que não! Mas eu acho que será muito boa!
Há incontáveis séculos, houve um reino, Eussey-lah seu nome, que se estendeu por todas as terras do mundo conhecido. Esse tempo acabou quando o rei-destino, Khem, enlouqueceu e quase levou o mundo à ruína. Sete heróis e um oráculo o impediram.
Desde então, grandes heróis e vilões têm mantido o mundo girando a cada geração.