por rsilverblood em 28 Fev 2008, 21:12
Então, entrando nesse assunto: MMORPG é RPG?
O que é a essência de RPG chega a ser o novo tema desse tópico (e creio que já era desde o começo).
O que é RPG de fato? Se não conseguirmos definir, estamos dando possibilidade de coisas muito - MUITO - bizarras serem chamadas de RPG. Não estou "endeusando" o jogo, como pensariam. Quero apenas mantê-lo longe de jogos que, ao meu ver, nem parecem ser RPG MESMO!
Por exemplo, o que difere Super Mário World de ser um RPG legítimo?
Tem um personagem. Ele tem um objetivo. Tem um Jogador (ou dois, depende). Tem o mestre (o console). Tem um cenário. Tem regras para o funcionamento do jogo.
Mas, é RPG? NÃO! Porque ele não encoraja a interpretação do personagem. Talvez, se fóssemos interpretar o Super Mário World, o Mário seria um serial killer da pior espécie. Se vinga de ter raptado a princesa (por motivos que ele desconhece, e não se informa a respeito), mata todos os servos da família do Bowser (Koopa), mata a própria família do Bowser inteira e sem falar uma palavra, e mata o próprio Bowser sem mais nem menos. Fora que ele tem uma quadrilha de amigos para ajudar ele na matança (a Princesa, o Toad, o Luigi, e a família dos Yoshi). Se alguém achou que Mário era bonzinho... nem pensar! Interpretar um personagem significa agir como ele age, pensar como ele pensa, fazer o que ele faria. Não precisa ser teatral, nem precisa ser elaborado. Precisa de um mínimo: Talvez o Mário queira se vingar de terem raptado a Princesa, mas será que ele não ficaria com remorso de matar pela primeira vez? Será que ele não iria pensar que talvez ele tenha se tornado PIOR do que aqueles que visa ferir?
Oras, isso sim é RPG. Precisa de alguma coisa, alguma "essência" para ser RPG. Não precisa ser fantasia medieval, nem ficção científica, nem horror gótico, nem antiguidade clássica, nem horror gótico contemporâneo, nem nada... precisa de uns poucos elementos.
Senão, QUALQUER jogo é RPG, entende? Precisa de um critério mais apurado: goste ou não, nem todo jogo com personagens é um RPG. (paper boy de Nintendo original não é RPG!)
Então, precisamos de um critério. Estou vendo muito lixo usar a sigla do RPG, e isso traz uma má imagem a ele. Queremos dar a sigla para todos colocarem em qualquer jogo ("hhmmm, está vendo esse banco imobiliário? foi o meu primeiro RPG!") ou deveríamos ser um pouco mais cautelosos? Afinal, nem tudo debaixo do sol é RPG. E creio que concordarão que a maior de nós está cansado da vulgarização dessa sigla somente para fins comerciais. (MMORPG da Hell' O Kitty? RPG? nem pensar... MMO ARCADE GAME ... RPG, nunca!)
Se quiser pensar de forma mais razoável, pense no RPG como o seu amigo. Ele tem um telefone com um número muito bacana, fácil de memorizar. Depois, clonam o telefone dele - mas OITO pessoas fazem isso. Ele pára de receber chamadas, ele não acessa mais e-mail, ele nunca tem uma mensagem na caixa postal. E o que ele vai fazer? Já perdeu o número de telefone, praticamente. Tomar de volta? Ou simplesmente deixar, e procurar outro telefone, que talvez nem memória fotográfica consiga se recordar?
Ou tomamos de volta nossa sigla, ou procuramos outra pro nosso jogo. Radical? Talvez. Mas honestamente, você não acha que muita coisa usa a sigla RPG de forma branda, e muitas vezes falsa? Não acha que está na hora de mudar isso? Não precisamos de leis, nem órgãos, nem ONG's... precisamos mesmo é de uma comunidade unida para espalhar a verdade, e protestar a respeito. Pode parecer pouco... mas, e se você tivesse como vizinho um clone? Sua individualidade não seria ameaçada? Pois bem, é o que ocorre com o RPG. Podemos fazer algo a respeito, ou não. Começar do zero... ou tomar de volta o que perdemos. Deixar continuar como está só se quiser ver agravar ainda mais a situação.
(se esse for o caso, aqueles "RPG's" de hentai do japão serão RPG's de fato... banalizar o RPG é como se banalizassem sua namorada, e deixar todos os homens do mundo a usarem por quanto tempo quisessem, como quisessem - podendo ferir ou não ela - o tempo todo...)
A utopia não foi feita para nossos olhos mortais...