Última parte, finalmente. A quem interessar, tá aqui o link pro texto inteiro:
http://www.4shared.com/file/53251541/c6 ... Morte.htmldiagramação pobre por que eu tava, e continuo, ocupada com outras coisas, mas pretendo melhora-la mais pra frente.
Boa leitura.
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Parte FinalMorte Oh, quanta fúria!
Mas diga-me, Homem, de onde tirará a força para obrigar meu silêncio? De sua soberba vazia? De sua própria mediocridade?
Murcha os ombros depois de sua bravata, como um cão corre da vara de seu dono após mostrar-lhe os dentes. Gosto disso. Aprecio esse orgulho suicida vindo de alguém que se lançou aos meus braços há poucos instantes.
Ainda não percebeu sua condição? Olhe ao seu redor, preste mais atenção. O sangue em seu corpo será apenas mais uma mancha a sujar este chão irreal.
Onde está sua raiva agora?
Fere estar vivo, Homem, e um dia esses ferimentos o farão perecer. Todos devem morrer algum dia. Não tente negar essa verdade.
Tempo
Um dia, todos morrerão, isso é fato, jovem Homem. Mas nem todos possuem a escolha que hoje foi dada a você. Deseja nascer novamente?
Mesmo que por um minuto?
Apenas mais um minuto?
Homem
Que escolha? Porque eu iria querer renascer? Por que estão dizendo isso? Por que estou sentindo dor se há pouco nada tinha? Eu não entendo o que vocês querem de mim.
Morte
Porque você ainda está vivo. Machuca estar vivo, a agonia lancinante que precede o sono eterno. Se você não sente mais a dor, então é porque o fim chegou. Tire sua tola máscara de racionalidade, remova a venda da ignorância de seus olhos, Homem.
Veja meu rosto cadavérico, olhe em minhas órbitas vazias. Perceba quem sou e pense um pouco. Minhas mãos de ossos já seguram a foice com avidez. Estou ficando faminta.
Tempo
Olho para o relógio. Os ponteiros estão muito próximos.
Um tique para cada lágrima vertendo no rosto do Homem ao perceber que estava diante da Morte.
Acabou.
Homem
Perceber aquilo me causa uma nova onda de dor.
Como se tudo voltasse a andar, eu ouço os sons das buzinas na avenida e o murmúrio dos pedestres chocados com alguma coisa. Alguém grita em desespero por uma ambulância.
Uma lágrima brota de meu rosto e desce pela minha face.
Choro ao entender minha condição. Choro ao entender o que era todo aquele sangue e aquele lugar.
Choro ao entender aquelas palavras frias daquele ser esquelético que veste o manto negro de penas.
Eu não quero que isso aconteça. Eu não quero morrer...
Eu não terminei tudo o que precisava terminar...
Morte
Porque custa estar vivo, Homem. Vida esta que alguém meramente te deu, sem que você pudesse optar por ela. Mas agora é tarde.
A chama se apagou.
Tempo Balanço a cabeça, enquanto me aproximo lentamente do Homem. Eu entendo a sua dor. Eu compreendo seu senso de querer terminar aquilo que deixou incompleto.
Mas assim como minha fria companheira, eu não me importo com isso.
Esse é o preço pelo fim de sua inocência. Teria sido tão mais simples ter decidido seu caminho ao invés de desperdiçar seu escasso tempo discutindo o indiscutível com a Morte.
Homem Mas eu preciso...
Me dêem uma nova chance...
Tempo Eis o desprezo pela vontade divina. Você teve a chance, mas não a agarrou. Ignorou-a diante de seus olhos.
É o preço que você paga.
Minuto após minuto.
Você implora por um pouco mais
Mas agora é tarde. Olhe para a ampulheta de sua vida, ouça o som do relógio do seu tempo.
As areias terminaram sua queda.
O relógio já deu o seu último badalar.
Agora, conforme-se, não há mais o que fazer.
Descanse em paz.