É bem melhor do que eu esperava. Esperava um lixo completo, que eu teria náuseas ao ver meu cenário predileto transformado em um "Lobisomem: O Apocalipse 3a edição" versão fantasia medieval.
Nada contra o Lobisomem, mas é um bom exemplo de cenário apocaliptico e abarrotado de exageros, de conflitos e sinais de mudanças com pitadas de fim dos tempos a cada página.
E isso não é necessariamente ruim na proposta deles, mas seria horrendo para Forgottem.
E não é bem assim.
Está muito muito diferente, muito mesmo, da edição anterior. Algumas melhorias, outras pioras.
Vou listar para organizar direito as idéias.
Melhoras:
- Ilustrações excelentes! Algumas que merecem entrar no Hall de melhores de todas as edições, com um toque muito AD&D, sem aquelas armaduras alá Cavaleiros do Zodíaco e sem aquele toque de guerreiros medievais tecnológicos. Traços da fantasia ocidental, evitando os rostos longilíneos, as armaduras em muitas camadas, enfim, evitando o traço oriental.
- O cenário também voltou com pitadas positivas da 2a edição em seu conteúdo. Até Elminster está novamente parecendo um mago clássico, e os seus antagonistas são, na sua maioria, personagens interessantes, inclusive os novos. Na introdução tem uma demonstração de aventura com personagens também interessantes (Curuvar mostra bem isso), e demonstra a via régia de boa parte do cenário.
- Thay se transformou numa espécie de "cidade maligna", o que é cliché, mas fantástico em termos de jogo. Um recurso muito bom, e acho interessantíssimo esse conceito, daquela cidade que as pessoas temem, aonde uma criatura muito poderosa governa. Gostei muito do que fizeram de Thay e do Szass Tam.
- O fato de se passar muito no futuro em relação a edição anterior, também trouxe benefícios: deram sensação de atividade ao cenário, com queda e ascenção de deuses, de cidades, etc, tudo com muito tempo, como deveria ser. E o melhor: ainda assim não ficou com cara de cenário apocalíptico, simplesmente soou natural essa batalha entre deuses, que sempre aconteceu, e também natural que cidades caiam, aumentem ou diminuam de poder, etc. Sem soar como se fosse "uau, vamos mudar tudo para atrair os fãs!".
Nisso, ainda aproveitaram para fazer algo importantíssimo:
- Filtraram os deuses. Felizmente e finalmente. O cenário se torna mais simples, realista e deixa claro que não existe essa de "surge um deus por segundo".
Pioras:- Apesar das boas novas ilustrações, foi muito tosco terem reutilizado imagens da edição anterior
- Invasão oriental. Claramente fizeram isso devido a recente comoção mundial em torno dos temas orientais, então resolveram uni-lo em FR. Não gostei, achei dispensável e acho que ajuda a descaracterizar o cenário.
- Invasão demoníaca: muitas coisas relacionadas a demônios e muito e muitos demônios maiores ou menores com considerável importância no cenário. Gostava quando eles eram apenas um dos problemas, um dos monstros de FR, não quando são "membros tão ativos da comunidade".
- Invasão dos répteis: agora eles são metade dos mocinhos e dos vilões. Lagartos de três cabeças, lichs lagartos, lichs cobras, mulheres-cobra, tudo com bastante espaço no livro. Os dragonborns (que eu considero um erro do 4a edição, me desculpe quem gosta) vieram acompanhados e agora todo aventureiro vai ficar cabreiro quando vir uma lagartixa.
Mas enfim, em síntese é um livro... diferente. Mesmo, nem um lixo nem melhor, ele é uma mudança em Forgottem. Se você não quer sair dos anos anteriores, não saia. Continue jogando. Mas eles vão lançar suplementos enchendo linguiça de coisas mínimas pra quê? Para demonstrar que algumas coisas, mesmo que pequenas e aos poucos, mudam em pouco tempo no cenário?
Acho que fizeram bem, deram um salto que trouxe novidades que não descaracterizam Forgottem. Tem coisas muito boas e coisas muito ruins, mas foi bem mais do que esperava.