Lorde da Dança escreveu: E se não tiver cenário, então teremos um grave problema, pois o certo seria terem um sistema de classes aberto para que o mestre decidise como as coisas funcionam no mundo dele.
Na verdade não é uma analise tão simples assim.
AD&D não era um sistema que realmente existia sem cenário, é diferente da 3a edição onde você tinha D&D e o sistema d20 (e portanto faz sentido falar de um cenário
core), você tinha apenas AD&D e seus cenários (que eram muitos, inclusive ambientações históricas).
Na época da 1a edição tinhamos o
GreyHawk, então era uma relação mais direta até aparecerem outros cenários, especialmente FR que se tornaria carro-chefe do sistema. Ainda assim quando você pegava a caixa
From the Ashes para jogar
GreyHawk na 2a edição você aplicava as regras dos outros livros sem modificações (ao contrário de mundos como
Birthright, onde elfos não possuaim crenças em deuses e não podiam ser clérigos, mas por serem mestres das artes arcanas não tinham limite de nível para magos e podiam ser bardos), inclusive não descreviam deuses semi-humanos, apenas referenciavam o livro
Monster Mythology que não era um suplemento direto para
GreyHawk e sim uma espécie de "continuação" para
Legends&Lore.
Desta forma apesar de não ser um mundo padrão, muito do que você lê em AD&D se relaciona com
GreyHawk e outras ambientações, assim como o Livro dos Monstros que er auma compilação dos compentiso mais alguns extras de mundos específicos.
Eu quis dizer que, para os criadores do hobby virem com um sistema tão quebrado, ainda mais que eram a maior empresa do ramo, eles fizeram algo muito errado. Continuo achando AD&D um erro tremendo. Eles poderiam ter feito melhor.
Mas aí você está sendo meio injusto. Se você for pegar a filosofia atual de sistemas realmente AD&D vai soar datado e muito bagunçado, mas na época a 2a edição foi um
grande avanço em relação a 1a edição e obsessão por regras que imperava na decada de 80 (ele é de 1989). O sistema foi muito bem recebido na época, chegou a ganhar o origins em um ano dominado pelo
Call of Cthulhu e teve muita influencia em jogos que viriam depois.
Em outras palavras, quando eu falo em simulacionismo, eu falo em regras simulacionistas. Jogadores simulacionistas preferem sistemas mais detalhados e críveis. Entre D&D 4ª e 3.5, qual é o mais simulacionista?
Aí que está, eu não vejo diferença.
D&D sempre teve uma "realidade" própria que requer algumas abstrações para fazer sentido. Regras como pontos de vida, avanços localizados e outras foram feitas mais para criar um estilo de jogo que para serem realistas.
O D&D 4a edição faz a mesma coisa, adicionando mais elementos nestas abstrações (se pontos de vida não representam apenas saude diretamente por que não ter um metodo de recuperação distinto?). Acho que o maior motivo para acharem o D&D 3a edição mais crível é o simples costume, jogam a tanto tempo que é isso que já faz sentido.
Vamos ser sinceros. RPG não é um bom produto para se vender. Ok, é um péssimo produto para se vender. Quem gostaria de vender um produto que ao saber a sua mecânica básica, com o resto da sua imaginação você não precisa comprar mais nada da sua linha pelo resto de sua vida?
D&D é outro nível, ele é um RPG que vende bem se comparado a livros. Ele é do tipo que esgota impressões com facilidade, vende figuras de cententas de milhares de cópias e sempre emplaca um ou outro
best seller (e não há categoria própria para RPGs).
Além disso americano típico adora suplementos, até mesmo aventuras prontas tem mercado lá fora apesar de não chegarem perto de um potencial de venda de um suplementos de regras que é a mina de ouro lá fora. Não adianta produzir splats com conteudo e livros em primeira pessoa com cenários, o que a galera curte comprar são suplementos que expandem as regras (que não é algo que você sai criando a não ser que tenha muito tempo livre) e D&D 4a edição tem facilidade por ser totalmente expansivel, até mesmo classes já publicadas podem ser expandidas mediante ao uso das
power cards (já tem gente aguardando ansiosamente o
Martial Power 2 sendo que o primeiro não tem nem 6 meses de mercado).